Como chegar a Machu Picchu – A pamonha salgada

 Apesar de todo mundo pensar que Cusco é a porta de entrada para MachuPicchu, não é assim. Ela é só a cidade grande mais próxima. A porta de entrada para Machu Picchu chama-se Águas Calientes. Para chegar a Machu Picchu você precisa chegar a Águas Calientes cujo caminho é como pamonha. Tem da doce e da salgada.
Se você estiver disposto a tirar o escorpião do bolso, pode entrar no site https://www.perurail.com/e comprar uma passagem de ida e volta em um trem super confortável que custa mais ou menos uns 140 dólares ida e volta, o tíquete mais barato. Na verdade, na verdade, o trem não sai de Cusco, sai de Poroy, uma cidade ao lado de Cusco onde os taxistas vão querer te enfiar a faca para te levar lá, mas que acaba saindo mais ou menos 25 soles (30 reais) cada corrida. O trem vai te deixar em Águas Calientes. Lá mesmo você pode comprar o seu tíquete para Machu Picchu que ainda fica em cima de uma montanha láááá em cima, assim você ainda vai precisar ainda pegar um ônibus para te levar lá ao custo de 20 dólares a passagem de ida e volta. Um bizú que todo mundo faz e economiza uns trocados é comprar um passeio para o Vale Sagrado dos Incas em Ollantaytambo, não voltar para Cusco e pegar o trem de ida de lá. O trem de volta é para Cusco/Poroy mesmo. Você economia uns 25 dólares fazendo isso. Essa é a pamonha doce.

PAMONHA SALGADA, A PAMONHA DOS MÃO-DE-VACA

Agora, paaaaaaaaaaara os mão-de-vaca, existe a outra opção, a pamonha salgada.

Vi alguns anúncios em Cusco que diziam “vá a Machu Picchu por 100 dólares com tudo incluso”. Sim! O “tudo incluso” incluía passagem de ida e volta a Águas Calientes, a entrada de Machu Picchu, hospedagem em Águas Calientes na noite anterior à subida a Machu Picchu, guia em Machu Picchu, almoço, jantar e café da manhã (os dois últimos em Águas Calientes). Parece bom, não? Qual que eu escolhi? É óbvio! A pamonha salgada pode não ser a mais gostosa, mas é que a sempre carrega mais histórias.

Paguei os 100 dólares e no outro dia de manhã segui para a minha jornada em direção a Machu Picchu. Quando digo jornada, é porque foi jornada mesmo, vou explicar como foi. Logo cedo fui para a Praça das Armas de Cusco e peguei a van para uma hidrelétrica. Disseram-me na agência que seria cinco horas de viagem. Na verdade foram SETE HORAS! Cara, uma coisa é você viajar sete horas em um banco confortável e reclinável de um ônibus, um veículo grande que mal chacoalha. Outra coisa é você passar sete horas em uma van que parece uma batedeira, sentado em uma cadeira que mais parece um bando de plástico.
Beleza, acabaram as sete horas DE VAN! Aí tem uma caminhada tranquila de apenas TRÊS HORAS! Sim, três horas de caminhada dessa hidrelétrica até Águas Calientes com um detalhe que, como você vai dormir lá, você tem que carregar uma mochila com roupas, máquina digital, itens de higiene pessoal…. Por TRÊS HORAS. No LOMBO! A caminhada no fim até que é legal, o caminho é bonito, vai seguindo a linha de um trem. Esse trem dá até para pegar, mas acaba que anda tão devagar que a gente que foi andando chegou primeiro que a galera que foi no trem, que era fedido e apertado. No caminho também vai uma galera caminhando, daí você pode ir conversando. Conheci um grupo de cinco gaúchas, alguns gringos e, o que eu fiquei mais tempo conversando, um grupo de três acreanos, duas meninas e um cara que eram gente boa demais. A gente foi dando risada na ida e na volta acabei que encontrei eles no caminho também.
Lá vem o trem!!!!

Depois de sete horas de van e quatro horas de caminhada (já que fomos batendo fotos e daí o caminho demorou mais) enfim estava eu em Águas Calientes. Os acreanos, mais espartanos, me falaram que não iriam pagar o ônibus para subir a Machu Picchu, iriam subir na perna mesmo. Uma hora sem parar. SUBINDO ESCADAS! Literalmente! Cê tá louco, minhas pernas valiam mais que dez dólares.

Chegando a Águas Calientes
Início das escadas para Machu Picchu
Agora, a volta foi em si mais tensa. Eles falaram que eu teria que sair onze e meia da manhã de Machu Picchu para às duas e meia estar na hidrelétrica.
Bagunça generalizada para encontrar as vans

Eu, mão-de-vaca, pensei “para que pagar um ônibus para descer? Para baixo todo santo ajuda!”. Cara, eu nunca tinha feito isso e não recomendo a ninguém. Descer uma hora de escadas é ruim demais. Cada degrau, quando você vai descer, concentra todo o peso do corpo em um joelho. No final meus joelhos estavam doendo demais. Isso porque eu ainda ia enfrentar mais duas horas e meia de caminhada, pois se você for sem parar, dá para fazer nesse tempo.

Mas o pior não foi isso. O pior foi a van mesmo. Cara, na ida eram sete horas de van, mas pelo menos era no claro. A volta era metade do caminho no escuro. Bicho, se você acha motorista de táxi louco no Brasil, é porque você não foi nessa van peruana. Você lembra do Senna tentando ultrapassar os carros em Mônaco naquelas pistas minúsculas? Lembra? Pois imagina o mesmo, só que um motorista conduzindo uma van com 20 pessoas, uma pista indo outra voltando e com um precipício de centenas de metros de altura do lado com nenhum tipo proteção na pista. Ele passava tão perto do precipício que você via as pedrinhas descendo ladeira abaixo. Isso, ele com o pé fundo no acelerador desviando das cruzes em túmulos de outros que por lá ficaram. O cara era louco demais. Tinha um Corola com uma pessoa dirigindo? O motorista da van não queria nem saber. Enfiava a mão na buzina, tentava ultrapassar NA CURVA ou na subida. O carinha do carro particular acelerava e não deixava a van passar, deixando o motorista ainda mais puto. E mais audacioso e maluco! E você ali, dentro de uma van, margeando um precipício e assistindo dois caras achando que estavam em um filme dos Velozes e Furiosos só, que, mais uma vez, o cara com uma van com 20 pessoas dentro. Quanto mais os carrinhos fechavam ele, mais ele ficava nervoso, mais ele ficava audacioso e mais você via o pneu da van se aproximando do precipício. Lendo agora eu dou risada, mas lá dentro foi uma das vezes que eu mais cheguei perto de morrer mesmo. O motorista da minha van pelo menos tinha uma aliança no dedo e era um pouco mais velho. Bem, ele tinha alguém esperando alguém em casa, então ele tinha que ser mais prudente – era o que eu pensava me agarrando no meio último fio de esperança. O motorista da van da frente era um moleque que parecia ter uns 18 anos (então com MUITA boa vontade ele tinha aprendido a dirigir há uns dois anos) e, segundo os relatos do brasileiros que estavam nela, ia ouvindo Wesley Safadão no caminho. Hoje tem!
Presta atenção como eram os desfiladeiros

Uma visão geral de como eram as estradas

Cara, hoje quando me perguntam “Claudiomar, pego o trem ou vou no mais barato” eu só respondo “Vá de van só se você não tiver amor a sua vida”. E o pior que falo sério

Cachorrinho que entrou em nossa van quando fomos comer e fez a maior bagunça lá dentro
Quando a van tava indo me buscar, me deparei com essa cena bizarra nas ruas de Cusco, uma mulher dentro de um saco plástico. Vai entender…
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