Separei pouco tempo para ficar em Victoria Falls, no Zimbábue, porque — como já expliquei — preferi me hospedar em Livingstone. Acabei passando só um dia cheio por lá para ver as cataratas do lado zimbabuano e, mesmo assim, me arrependi. Eu devia era ter ficado em Livingstone o tempo todo e só cruzado a fronteira para ver as cataratas do lado do Zimbábue e voltado no mesmo dia para Zâmbia. A cidade de Victoria Falls não tem absolutamente nada pra fazer, a não ser servir de base para as quedas d’água. A única vantagem real é que tudo é bem mais barato que na Zâmbia — eu comi um prato decente por menos de dez reais. Além disso, lá funciona o Indrive, que é tipo um Uber russo, enquanto na Zâmbia você depende de sorte e boa vontade. Ah, e no Zimbábue a luz caía menos, então deu para usar mais o ar-condicionado (um luxo depois de Livingstone). E o inglês? MUITO mais fácil de entender que o da Zâmbia. Pensando bem, talvez o Zimbábue tenha sido até menos perrengue que a Zâmbia, kkk.


Outra coisa boa: meu chip comprado na Zâmbia funcionou perfeitamente no Zimbábue, então economizei na compra de outro chip. Caminhar por Victoria Falls também tem seu charme porque ali tem bem mais vida selvagem na rua do que em Livingstone. Em Livingstone eu não vi um único animal andando solto. Em Victoria Falls, eu não cheguei a topar com elefantes, búfalos ou hipopótamos — mas vi javalis estilo “Pumba” e babuínos pra dar e vender.




Eles andam no meio da rua como se fossem cachorros e os moradores precisam trancar portas e janelas, senão eles entram e roubam comida. Tem gente que cria cachorro só para espantar babuíno.

Outra coisa divertida foi minha hospedagem: fiquei num quarto de uma casa, e no outro quarto estavam dois caras do Benin que tinham ido participar de uma conferência africana sobre prevenção de desastres naturais. Os dois eram gente boa, super cultos, mas era nítido que um era o chefe do outro. O chefe sentava à mesa, abria o laptop, e lá ia o subordinado: pegava a garrafa de água, guardava as chinelas do chefe, ligava o carregador do chefe na tomada… só depois ele ligava o próprio laptop. Eu assistia isso e dava risada sozinho. No meio desse convívio, teve um dia que a internet caiu e eu não consegui chamar um táxi para ir ver as cataratas. Os dois me salvaram: o ônibus do evento chegou para buscar eles e eles me deram carona até o centro da cidade, me poupando meia hora de caminhada no sol forte.


Entenda por que o Zimbábue oferece a experiência mais “cinematográfica” das Cataratas Vitória
No Zimbábue é onde você realmente vê as Cataratas Vitória completas. Aquelas imagens de documentário, de livro de geografia e de cartaz de agência de viagem? Todas são feitas do lado zimbabuano. Isso acontece porque a água cai do lado da Zâmbia: quando você visita Livingstone, você está quase em cima das rochas de onde o rio despenca. É legal, tem a Piscina do Diabo, tem emoção, mas a vista é lateral — você vê o abismo bem na sua frente, mas não vê a catarata inteira. Já no Zimbábue, você está exatamente de frente para o paredão de água. É ali que a catarata ganha escala: 1,7 km de queda contínua, uma muralha branca de água se desfazendo, a névoa subindo como fumaça e o estrondo que parece não ter fim.



O parque do lado zimbabuano tem uma trilha leve com vários mirantes que acompanham praticamente toda a extensão das cataratas. Cada ponto revela um ângulo diferente: em um, a queda principal; em outro, um arco-íris perfeito surgindo no meio da névoa; mais adiante, o desfiladeiro engolindo o rio como se fosse um funil gigantesco. A visita fica muito mais visual, ampla e imersiva — é realmente a experiência mais cinematográfica das cataratas. Mas, dito isso, admito: a Piscina do Diabo na Zâmbia ainda foi meu momento favorito.



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