Las Vegas Além dos Cassinos: Experiências Únicas e Histórias Inesperadas

Sempre tive uma lista curta de cidades americanas que realmente queria visitar: Orlando, Nova York, Washington e Las Vegas. Cada uma delas tem algo único que me atraiu desde sempre, seja pelos filmes, pela história ou pelo tanto que falam delas. Nessa viagem aos Estados Unidos, consegui riscar a última da lista. Depois de explorar San Francisco, peguei um voo direto para Las Vegas, a cidade que faltava para completar o “bingo”. Finalmente, era chegada a hora de Vegas

Vegas e a luzes

Cara, vou te dizer. Assim que pousei na cidade fiquei tão impressionado quanto João do Santo Cristo com as luzes de Natal. Vegas é indescritível. A Times Square em Nova York e suas luzes são impressionantes e é de longe o meu lugar preferido em Nova York. Vegas é como uma Times Square, só que IMENSA.

Vai por mim, é lindo demais e eu não lembro de algum lugar no planeta onde eu já tenha visto algo tão colorido e reluzente como Vegas.

Se deslocando em Vegas

Muita gente fala que as atrações em Vegas são apenas em uma rua e isso é meio que verdade, já que a Vegas Strip concentra a imensa maioria dos cassinos. Tem um outro lugar conhecido como a antiga Vegas que é bem legal também, mas vou falar dela mais para frente.

Como a maioria dos cassinos estão todos em uma rua só, deu para ficar usando de boa o busão. Quando a gente chegou, tava fazendo um calor infernal, coisa de 40, 41 graus. Apesar disso foi de boa alternar entre caminhar e usar o busão. A gente descobriu o quanto o busão era tranquilo porque uma noite a gente tava andando na rua, viu uns mexicanos descendo de um busão e fomos perguntar para eles como era para dar rolê em Vegas de busão. Os caras foram gente boa demais, explicaram para gente e ainda por cima nos deram um tíquete de 24 horas de uso de transporte público que eles haviam acabado de comprar e não iam mais precisar. Foi muito da hora.

NO BUSÃO

Essa questão de Vegas ser quase que só uma rua é meio que verdade. Vez ou outra a gente saía um pouco da rua principal e todas aquelas luzes e letreiros sumiam. A cidade virava uma cidade normal americana. Até a galera viciada em drogas, que a gente não via na Vegas Strip, começava a aparecer caminhando como uns zumbis nas ruas. Teve um Mac Donald´s que a gente foi que tinha tanto zumbi nas imediações que o balcão deles era meio que modificado para você ter o mínimo de contato possível com o atendente fazendo quase que uma barricada. Era tenso mesmo. Se eu sentia medo? Cara, era só seguir a regra de ouro, não mexe com eles que eles não mexem com você.

Depois eu fui descobrir que existe uma comunidade imensa de pessoas com problemas com dependência química morando no sistema subterrâneo de Vegas. Vi nesse vídeo aqui abaixo e sugiro demais assistir:

Mas, assim, mais uma vez, Vegas é bem seguro. Antes da gente chegar no AirBnb recebemos a instrução do dono do apartamento para entrar no condomínio. O homem mandou quase que um livro de regras para entrar lá. Não podia isso, não podia aquilo, tinha que dar o nome de todo mundo que iria entrar, tinha que se identificar todo dia na portaria apresentando documento para conseguir um passe diário de entrada no condomínio, tinha que rolar no chão, tinha que bater palma, tinha que imitar o Silvio Santos e por aí vai. Cara, primeira vez que a gente chegou o Uber só gritou “tou indo deixar passageiro”, o vigia nem olhou o carro e mandou seguir. Os outros dias a gente entrava e saía e os porteiros estavam nem aí. Isso para ver como era tranquilo por lá.

Outra coisa que é interessante é que, mermão, Las Vegas hoje quase que cheira a maconha. Como por lá é legalizado, cara, pode onde você passa tem aquele cheio de maconha. Os caras fumam mais que uma caipora. Eu me impressionei um pouco com isso.

LOJA DE MACONHA

Os Ubers de Vegas bons de conversa

E, sim, andar de Uber era uma atração a parte. Cara, a impressão que eu tenho é que os americanos não têm muito costume de conversar no Uber. Então quando a gente entrava no Uber e começava a puxar papo, rapaz… O homem até se assustava. Depois se danava a sair falando da vida. Rapaz, era muito engraçado. Teve um que a gente perguntou só “como tá essa vida?” e o homem se danou a falar, falou da vida dele, falou da mãe, falou da família, falou… falou… falou. Foi muito engraçado. Deve ser chato passar o dia inteiro sem falar com ninguém, então eu acho que os caras ficam meio carentes. Teve um motorista que era nascido e criado em Vegas e a gente meio que perguntou como era crescer por lá. Rapaz, o homem contou da infância, da mãe, da escola… Outro contou para gente que tinha um filho que tava para entrar na NBA e só deixou a gente descer do carro depois de mostrar vídeos do filho dele jogando basquete. Sim, o moleque mandava muito bem.

Mas o mais legal foi o último Uber que nos levou para o aeroporto. Ele era cubano e contou para gente como ele chegou nos Estados Unidos. Cara, ele viajou para Guiana (único país da América do Sul que não pede visto de turismo para cubanos), atravessou pela floresta para Roraima e ficou dois anos em Manaus trabalhando e juntando dinheiro. Depois que ele juntou um bom dinheiro em Manaus ele saiu andando, seguindo por terra, pegando carona, pegando ônibus por Colômbia, Panamá, América Central, México até chegar nos Estados Unidos. Interessante a história dele, né?

Alimentação e supermercado

E, cara, quando a gente viaja aos Estados Unidos a gente entende o motivo dos caras serem imensos de gordo. Em Vegas, por onde você anda tem fast food espalhado. E é o que dá para comer, pois qualquer pratinho mais elaborado, seja um bife com um arroz custa um absurdo. Além disso, a gente ficou quatro dias em Vegas e não vimos, literalmente, um supermercado. Não é zoeira não, a gente chegou em Vegas e queria comprar uns ovos, umas frutas, uns tomates para fazer um café da manhã e simplesmente não achamos. Agora fast food tinha a cada 20 metros. Tudo bem, você pode alegar que a gente poderia pegar um carro e ir atrás de um supermercado, mas isso já é um impeditivo ao americano comprar comida de verdade. Também pode falar “ah, mas estava apenas na área turística”, mais uma vez, isso não é um impeditivo, você anda por Copacabana no Rio e a cada esquina você vê um mercado ou um supermercado.

Lá em Vegas a gente só achava lugar vendendo porcaria. Outras cidades dos Estados Unidos são assim também, fast food em cada esquina e mercado meio longe, mas nada se comparou a experiência que tivemos em Vegas em relação a isso. Outra coisa, comida no supermercado também é cara. Eu lembro de uma vez na Califórnia que eu queria comprar limão para fazer caipirinha e vi que o quilo era dois dólares. Fiz um saco de limão e na hora de pagar a conta deu 60 dólares. Não, não era dois dólares o quilo do limão, era dois dólares POR limão. É por isso que você a galera mais pobre e eles são imensos de gordo, porque acaba que o que sobra para eles é comer no fast food que é o único lugar barato.

Vegas e os cassinos

Sim, Vegas é o lugar dos cassinos, mas como eu nunca entendi a graça que o povo vê em jogar, simplesmente fiquei visitando os cassinos por dentro e por fora. E, sim, vai por mim, tem muita coisa para ser vista dentro dos cassinos. Cada cassino tem um tema, eu fui nos cassinos que tem como tema o Egito, um outro em formato de castelo medieval, o de Paris, o do estilo Veneza na Itália e mais impressionante de todos, o Caesar´s Palace, que tem como tema o Império Romano.

Cara, é muito louco dentro de cada um deles. O Caesar´s Palace, por exemplo, tem uma cópia exata da estátua do Davi de Michelangelo, a sua escultura mais famosa.

Mas assim, eu volto a reiterar, eu nunca entendi a graça que esse povo vê naquelas máquinas caça níquel. Cara, não tem estratégia nenhuma, é só ficar apertando o botão e deixar o cassino levar seu dinheiro embora. Não tem estratégia, você não tem influência alguma no jogo, não tem o que fazer. É literalmente pegar fumar um Derby, sentar em uma cadeira e apertar um botão.

JOGAR ATÉ FICAR ASSIM

Outros jogos como Blackjack e uma espécie de poker até tem um pouco de estratégia e é legal você ver o povo com alguma emoção jogando. Cara, teve uma mesa com duas chinesas que a gente viu cada uma tirar um calhamaço de cinco mil dólares e entregar pro dealer como se aquilo fosse nada. Parecia que estavam mexendo com dinheiro de banco imobiliário. O dealer pegava o dinheiro, contava e botava dentro de uma caixa empurrando com um pedaço de madeira. Sério, parecia que tava mexendo com papel velho.

Eu lia nos fóruns de viagens sobre os cassinos de Vegas e lá dizia que dava para facilmente você gastar hooooorraaassss visitando cada cassino. Que dentro eles são lindos (o que é verdade) e muito legais de visitar (sim, isso é verdade mesmo). Nos programamos para gastar um turno de cada dia em cada cassino e, cara, meio que em meia hora a gente já tinha visto tudo o que a gente queria ver tirando algumas poucas exceções como o Caesar´s Palace e o cassino com inspiração em Veneza. Não é como um parque temático como os da Disney que tem um bando de coisa para ver. Assim, no final, o lugar é um cassino e se você não vai para lá para jogar e também não para lá para comer em um restaurante, meio que não tem muita coisa para se ver fora do salão principal. Mas sim, ainda assim vale muito a pena visitar. Mais uma vez, os nossos preferidos foram o de Veneza e disparado o Caesar´s Palace.

E tem os shows!

Cara, em Vegas tem show de tudo que você pode imaginar. Tem musicais, tem shows de mágica, tem shows de música, tem escape rooms de zumbis, tirolesa, montanhas russas no meio da cidade, cara, tudo o que você possa imaginar. Obviamente que tudo isso custa e custa caro, muito caro. Ainda assim como tínhamos dois dias cheios em Vegas optamos por ir em dois eventos diferentes, no primeiro dia fomos na mais do que famosa Esfera de Vegas e no segundo a um show do Cirque du Soleil.

Visitando a Esfera de Vegas

A Esfera de Las Vegas, oficialmente chamada de MSG Sphere, é impressionante por ser a maior estrutura esférica do mundo, com 112 metros de altura e 157 metros de largura. O exterior da esfera é coberto por mais de 1,2 milhão de luzes LED, tornando-a uma gigantesca tela digital 360º que exibe imagens, vídeos e animações com uma qualidade visual muito boa. Essa capacidade de se transformar em qualquer cenário visual, desde uma bola de basquete até uma paisagem de tirar o fôlego, proporciona uma experiência muito legal para quem a vê de longe ou de perto, especialmente à noite, quando se torna o centro das atenções na Las Vegas Strip.

A ESFERA

Além da estrutura externa, o interior da Esfera é igualmente impressionante. O espaço foi projetado para ser o melhor local de entretenimento imersivo do mundo, com capacidade para cerca de 18.000 pessoas e uma tecnologia de áudio e vídeo inovadora. A experiência visual interna é proporcionada por uma tela curva 16K que envolve completamente a gente, criando uma sensação de imersão total. Tem também um sistema de som avançado, que permite que o áudio seja transmitido de forma precisa a cada assento, além de que cada assento também balança acompanhando alguns movimentos das apresentações. Quando fomos, dava para você assistir um clipe do U2 ou para ver um documentário sobre a Terra. Acabamos decidindo pela Terra.

Dentro da esfera já é uma atração a parte, pois tem vários leds, robôs, muita coisa legal para você dar uma interagida. A única coisa que não é legal é que eles não te deixam entrar de mochila e, para entrar, você precisa deixar a mochila em um armário com cadeado que custa a bagatela de 10 dólares. Cara, 10 dólares para eles, é como 10 reais para gente, só que 10 dólares para gente é quase 60 reais. O jeito foi sair colocando tudo nos bolsos, dobrar a mochila portátil, pôr no bolso e vida que segue. O ingresso já tinha sido caro o suficiente para entrar.

DENTRO DA ESFERA

E, sim, foi muito legal, apesar de ter sido caro que só a peste, ainda assim foi uma experiência única que eu sugiro a todos. O som é fenomenal e a tela é realmente uma coisa que eu nunca tinha visto na minha vida. É imersivo, é impressionante, é inesquecível. Assim, valeu cada centavo e olha que foi centavo demais para poder pagar aquilo ali. Mas sim, a esfera é uma daquelas experiências que não existe algo sequer parecido em todo o planeta, pelo menos não que eu já tenha visto.

Show do cirque du soleil – uma visita marcante

Depois do indescritível dia que foi a nossa visita a esfera de Vegas, chegou o dia de assistirmos a uma apresentação do Cirque du Soleil. Cara, essa era de longe a atração que eu estava mais ansioso para assistir pois uma vez o Cirque du Soleil tinha vindo aqui em Brasília e a apresentação foi uma das coisas mais fantásticas que eu já tinha visto na vida. Posso dizer que o show do Cirque du Soleil que eu vi em Brasília foi a segunda maior apresentação coreografada que vi na vida depois do Arirang da Coreia do Norte. Era umas acrobacias malucas, uma galera que voava, alto, mas MUITO alto, enfim, coisa de louco.

E eu estava ansioso. Fiquei pensando, cara, se aqui no Brasil que é uma periferia para eles, foi uma coisa fantástica, imagina como seria na sede deles, em Vegas? Pro público americano? Cara, pagamos o ingresso do show e fomos. Já na entrada havia dezenas de placas dizendo “não use celular”, “celular não é permitido”, “espectadores utilizando celulares serão retirados da plateia”… Rapaz, fiquei pensando, cara, nem na esfera era desse jeito. Dentro da Esfera eles deixavam filmar à vontade. Então se na esfera que foi algo fantástico, podia filmar, imagina como não seria o circo que nem deixava a gente filmar? Escolhemos logo o espetáculo mais famoso, o “KÀ”. Chegamos cedo para não ter probabilidade de dar algo errado. Sentamos no nosso lugar e só aguardamos.

E aí, como foi?

Cara… foi… uma das coisas mais CHATAS, TEDIOSAS e sem GRAÇA que eu já assisti em toda a minha vida. A apresentação até tinha uns recursos multimídia legais, uma baita estrutura de luzes e coisas assim. Mas a apresentação? Cara, foi um mix de “Os Trapalhões” sem graça com acrobacias mambembes que não aconteciam nem nos circos que eu ia quando criança no Aterro do Bacanga em São Luís. Juro para você. Eram umas acrobacias bobas, umas cenas de luta que nas aulas de capoeira você aprende já na faixa branca e umas palhaçadas nível Zorra Total. Juro! Era coisa boba mesmo. Teve uma cena que rolou umas acrobacias com um pêndulo que até foram legais, mas, sério, nada que você não visse em qualquer circo que passe aí pela sua cidade. E eu ali pagando quase o valor de um aluguel em dois dos piores lugares para assistir aquela coisa caquética.

Você pode argumentar “Ah, mas o nome é Cirque du Soleil, logo é um circo, tava esperando o que?”. Cara, eu tava esperando aquele Cirque du Soleil que eu vi em Brasília, que tinha ex-atletas olímpicos fazendo acrobacias mirabolantes, shows de mágica que até hoje eu me pergunto como o cara fez aquilo e uns palhaços que eram super engraçados mesmo sem nem falar português. E olha que eu paguei um décimo do preço em Brasília do que eu paguei em Vegas e ainda assim fiquei em um lugar muito melhor.

Visitando Freemont Street, a antiga Vegas

Por fim, eu não podia deixar de falar da Freemont Street, mais conhecida como a Old Vegas. A Fremont Street está localizada no que é conhecido como “Old Vegas”. Ela foi o centro da vida noturna e dos cassinos da cidade até a expansão da Strip, mantendo até hoje um quê de clássico e da atmosfera nostálgica. O local é famoso por seus cassinos históricos, como o Golden Nugget e o Binion’s, que datam dos primeiros dias da cidade, além da vida noturna, shows ao vivo e entretenimento gratuito. O mais legal de lá é o “Fremont Street Experience”, um imenso teto de LED que fica passando vídeos sincronizados com música em uma experiência sensorial imersiva.

Lá também tem artistas de rua, apresentações de música ao vivo e diversas opções de entretenimento. Quando eu ainda tava lendo sobre o lugar eu via que Fremont Street era o lugar para quem desejava vivenciar uma energia autêntica e vibrante de Vegas ainda nos primeiros anos. No início eu achei que ia ser um passeio daqueles “faça um passeio que ninguém faz e blá blá blá”. Mas, cara, quando cheguei lá… Juro para você, foi a parte que eu mais curti de Vegas. Os cassinos que tinham lá era realmente o que você imaginava como era um cassino no começo de Vegas. Uma galera mal encarada jogando roleta, poker, blackjack e umas mulheres dançando só de biquini em cima das mesas. Do lado de fora, o teto de LED é nada menos do que impressionante. Os artistas de rua são muito interessantes e os shows… cara… Eram 3 palcos em diferentes pontos da avenida tocando música sem parar. Tudo isso de graça. Sério, o som era muito legal, a estrutura era muito top e a galera era muito animada, até porque, como era de graça, misturava todo tipo de gente. De toda experiência em Vegas, a Freemont foi de longe o mais legal e divertido que eu pude ver, até porque, mais uma vez, eu não jogo, então cassino era algo muito sem graça. Vai por mim, se um dia for a Vegas, não deixe de ir na Freemont street.

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San Francisco, Califórnia: Beleza, Desafios e uma Visita Inesquecível a Alcatraz

Aproveitando que um dos meus irmãos se mudou para Califórnia resolvi fazer uma viagem que há algum tempo eu vinha planejando, mas sempre postergando que era conhecer o norte da California. Eu já tinha morado na parte sul da Califórnia, Santa Bárbara, mas ainda não tinha visitado San Francisco, que fica na parte norte da Califórnia e é conhecida como Bay Area.

A primeira coisa que eu posso afirmar sobre San Francisco é que lá é caro, mas MUITO caro. Cara, chega ser desesperador o quanto são caras as coisas por lá. Não é aquele caro da Europa ou de Londres, que você sabe que é caro, mas se prepara para isso e fica comendo em fast food ou cozinhando comida que você comprou no supermercado. É um caro que chega a ser desesperador. Mac Donalds? É caro. Comprar comida no supermercado? É caro. Andar de ônibus? É caro. Pagar para entrar em um museu? É caro, rapaz, foi de longe a viagem mais cara que eu já fiz em toda minha vida.

Vale a pena viajar para lá? Cara, se for uma vez na vida e você tiver dinheiro saindo pelas torneiras, sim. Porque, assim, a cidade é bonitinha, arrumadinha, mas só.

Pessoal situação de rua

E, assim, a cidade é rica, organizada e limpa, mas tem muita, mas MUITAS pessoas em situação de rua vagando por lá. A grande maioria são vítimas da epidemia de drogas que acomete os Estados Unidos aliado ao fato de que a moradia em San Francisco e arredores é MUITO cara. Então você anda pelas ruas das cidades ao redor de são Francisco e vê dezenas de furgões estacionados nas calçadas com pessoas morando lá. Isso quando o cara não faz um barraco de papel mesmo e mora lá dentro, parecido com aqueles que a gente vê no Brasil. Apesar de dar um pouco de receio, todo mundo falava que eles ficam na deles, não mexem com ninguém, é só você não mexer com eles. Vez ou outra um ou outro entra em surto e começa a gritar, mas é só você sair de perto.

Cara, mas, assim, dá medo. Você entra no metrô ou trem e vê uma galera muito drogada, aparentemente a gente viu gente até uns caras injetando. O trem conhecido como BART barra qualquer trem fantasma que você já tenha ido em um parque do tanto de gente zumbizando que você vê por lá. Às vezes a gente ficava com tanto medo que até mudava de vagão. Mas, assim, a gente via uma galera super de boa do lado da galera que tava doidona. Gente que tava indo pro trabalho mesmo. A gente ia conversar e eles nos falavam sempre: Olha, não precisa ter medo, é só não mexer com eles que eles não mexem com você.

Galera em situação complicada no metrô

Mas assim, na medida do possível foi bem tranquilo andar de trem por lá. Vez ou outra a gente passava uns sustos, mas nada demais. Engraçado mesmo foi só uma hora que meu celular tava descarregando e eu achei uma tomada dentro do trem. Pensei… Hum, porque não ir lá carregar a bateria do meu celular. Rapaz, eu fui chegando perto da tomada e tinha um aviso “atenção, essa tomada não é para uso público, usar essa tomada sem autorização é uma ofensa criminal”. Fiquei pensando, só faltava eu ser pego e ir preso por usar uma tomada. Imagina eu chegando na prisão:

– Eu fui preso porque assassinei um cara. E tu?

– Rapaz… tudo começou porque eu achei que era muito caro comprar uma bateria externa para carregar a bateria do meu celular em viagens..

A tomada que quase me levou preso

Prisão de Alcatraz

E, bem, isso é San Francisco. Você bate foto da Golden Gate, bate foto da famosa rua curvada e boa. Tem uns museus de ciência que fui, gastei uma nota, mas foram realmente bem legais.

Outro passeio que fizemos em San Francisco foi andar de carro autônomo. Sim, os caras tem uma frota inteira de táxi só de carros autônomos, dá para acreditar? Você abre o aplicativo parecido com o Uber, chama e o carro vem te buscar. Só que sem motorista. Cara é MUITO louco. Tu entra e ele sai dirigindo sozinho. Com o volante mexendo e tudo. É DU MAL. Parece até um fantasma.

Carro Autônomo

Mas, claro, nenhum passeio em San Francisco está completo se não foi na prisão de Alcatraz. A prisão de Alcatraz sim, vale a visita, Alcatraz foi uma das coisas mais legais que eu já visitei na vida.

Alcatraz era conhecida como “A Rocha” e não sem motivo. A prisão ficava literalmente em cima de uma ilha inteiramente feita de rocha em frente a São Francisco sem ligação por terra para dificultar qualquer fuga. E sim, chamava a rocha porque a ilha parece que é feita de pedra, é difícil de cavar qualquer coisa lá.

Junto com a Golden Gate é maior atração turística de São Francisco, mas ao contrário da Golden Gate, que é pública, você precisa comprar um ingresso para Alcatraz. E, assim, os ingressos acabam rápido, então eu sugiro você comprar com antecedência. O ingresso dá direito a entrar na prisão, que hoje é um museu, e também está incluso o transporte de barca para ir e voltar da ilha.

A visita a prisão em si é um passeio bem sinistro. Você chega lá e já sente o ambiente pesado e sombrio de uma prisão. Porém, o passeio é muito legal, eles tem um passeio guiado onde eles te dão tipo um radinho que você pode escolher várias línguas, inclusive o português, e que vai te dando a descrição de cada canto da prisão, contando as histórias, parte delas narradas pelos próprios ex detentos

Esse radinho salvava demais a vida

Alcatraz era lar dos piores bandidos dos Estados Unidos. Logo na entrada tem um dizer que meio que resumia Alcatraz “Infrija as regras da lei e vá para a prisão, infrinja as regras da prisão e vá acabar em Alcatraz”. A prisão foi construída para causar temor e abrigar os piores dos piores detentos, então daí você imagina.

A situação lá era tão tensa, que o próprio governo se preocupava com que a comida servida em Alcatraz fosse sempre a melhor entre as prisões, já para não dar pretexto para uma rebelião.

Em todo o seu tempo de funcionamento, nunca nenhum preso conseguiu escapar da prisão. Alguns até conseguiram sair de Alcatraz e atingir a água, mas todos ou morreram afogados ou foram pegos quando chegaram em terra firme.

No final, acabou que a prisão foi desativada porque ela não era boa para ninguém, não era boa para os prisioneiros porque não reeducava e nem intimidava ninguém e não era ruim para o governo e para a população porque a prisão custava caro, muito caro. Imagina, uma prisão isolada, no meio do nada. Porque, assim, uma prisão não é só enfiar um bando de gente lá e esquecer a chave. Uma prisão precisa de médicos, faxineiros, cozinheiros, guardas, burocratas e por aí vai. Imagina o pesadelo logístico que era manter essa prisão. Para facilitar, Alcatraz chegou a ter um mini-cidade na ilha onde moravam os funcionários.

Por fim, ao fim do passeio diário tinha uma estatística explicando o tamanho do encarceramento nos Estados Unidos hoje. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos sempre estão ali entre os cinco países com maior encarceramento em proporção da população e de longe o país com maior população carcerária do mundo com aproximadamente 2 milhões de pessoas atrás das grades. É muito? O Brasil já tem quase um milhão! Além disso, outra coisa interessante, quase um quinto da população americana tem algum tipo de anotação criminal. Cara, isso é um absurdo.

Enfim, Alcatraz, foi um dos passeios mais legais que já fiz na vida, vai por mim, é caro, mas vale muito a pena

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Navegando Burocracias e Encontrando Sorrisos: Minha Experiência em Moçambique e Maputo

O último país que visitei nesse meu giro pelo sul da África foi Moçambique, uma parada que sempre esteve no meu radar.

Moçambique é um país localizado no sudeste da África. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada por povos bantos que se estabeleceram e formaram diversas comunidades ao longo do litoral e do interior. A partir do século XV, os portugueses começaram a explorar a costa moçambicana, atraídos pelo comércio de ouro, marfim e escravos, e, ao longo dos séculos seguintes, estabeleceram postos comerciais e colônias na região, consolidando sua presença e transformando Moçambique em uma colônia.

A luta por independência de Moçambique ganhou força no século XX, especialmente com a formação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) em 1962. Após anos de guerra contra as forças coloniais portuguesas, Moçambique finalmente conquistou sua independência em 1975. No entanto, o país recém-independente logo enfrentou uma guerra civil devastadora entre a FRELIMO, agora no poder e orientada pelo socialismo, e a RENAMO, um grupo de oposição. Esse conflito, que durou até 1992, teve um impacto profundo na sociedade moçambicana, deixando um legado de destruição e perda, além de um país em extrema pobreza.

Moçambique hoje e seus desafios

Após o fim da guerra civil, Moçambique iniciou um longo processo de reconstrução, adotando uma economia de mercado e promovendo reformas democráticas. Desde então, o país tem passado por um período de crescimento econômico, impulsionado em parte pela descoberta de recursos naturais, como gás natural e carvão. No entanto, Moçambique ainda enfrenta desafios significativos, incluindo desigualdade social, infraestrutura limitada e vulnerabilidades ambientais. Para piorar a situação, a parte norte de Moçambique vem enfrentando uma insurreição islâmica. Este conflito está em curso na província de Cabo Delgado entre militantes wahhabitas, que pretendem estabelecer um Estado islâmico em Moçambique, e as forças de segurança moçambicanas. O conflito também inclui ataques a civis e, para piorar, grupos de bandidos armados têm também aproveitado a confusão a seu favor.

Moçambique hoje é um dos poucos países fora do eixo Brasil e Portugal onde o português não é apenas uma língua oficial, mas uma realidade viva nas ruas, no cotidiano e nas interações, o que não acontece, por exemplo, em Goa, Timor Leste e Macau. Sempre tive essa curiosidade em conhecer os lugares onde o português se mistura com outras culturas, moldando identidades e criando uma sensação de familiaridade linguística que, ao mesmo tempo, é envolta em contextos completamente diferentes. Ao lado de Angola e Cabo Verde, Moçambique me atraía justamente por ser um desses destinos onde o português é mais do que uma formalidade de Estado – é a língua que realmente conecta as pessoas.

Contudo, para viajar a Moçambique, é preciso obter um visto, e foi aí que minha saga começou. Diferente de muitos outros países onde o processo é direto, a burocracia para conseguir o visto revelou-se uma aventura à parte, repleta de idas e vindas, desafios e surpresas no caminho. E haja paciência. Desde o momento em que comecei a reunir os documentos e descobrir os detalhes das taxas até finalmente pisar em solo moçambicano, cada etapa dessa viagem trouxe seus próprios obstáculos. Mas talvez seja justamente isso que torne as experiências de viagem tão memoráveis: os imprevistos que testam nossa paciência e, no fim, nos recompensam com uma história para contar.

Saga pelo visto a Moçambique

Para viajar a Moçambique, há duas opções para obter o visto: o e-visa, que custa 150 dólares ou o visto pela Embaixada, que sai por 300 reais. Diferença considerável, não? Acabei optando pela Embaixada que era bem mais barato e preparei todos os documentos necessários – passagem de ida e volta, comprovante de hospedagem e de renda. A promessa era de que o visto ficaria pronto em até 15 dias úteis. Esse prazo trouxe alguma incerteza, mas considerei que havia tempo suficiente antes da viagem e segui as instruções.

Os dias começaram a passar. Um dia, dois, cinco, dez… Ao final dos quinze dias úteis, ainda sem notícias, entrei em contato com a Embaixada. A resposta foi vaga, mencionaram burocracias internas e me pediram mais paciência. Acompanhei o calendário avançar e os dias se transformaram em semanas. Passados dois meses, a semana da viagem chegou, mas o visto não.

Sem muitas alternativas, decidi recorrer ao e-visa, o que me forçou a refazer novamente o processo, dessa vez online, e pagando uma segunda taxa de visto. Mais 150 dólares. País maldito. Mas o pior que o aplicar pro evisa de lá não é tão simples assim. É complicado, tem alguns campos do formulário que não fazem qualquer sentido. Mas enfim, fui preenchendo com o que eu achava que estava certo e terminei. Consegui o visto? Claro que não, consegui uma autorização para aplicar pro visto quando chegasse no aeroporto. Faz algum sentido? Claro que não.

Mas vumbora, já estava com a passagem, tinha que ir. Saí do Brasil e fiz a viagem por todos os países do sul da África que tinha planejado: África do Sul, Essuatíni, Namíbia e Ilhas Maurício. Mas sim, ainda não tinha o visto para Moçambique, eu ia pagar 150 dólares no aeroporto. Nada podia piorar, certo? Claro que não! No dia da viagem, no aeroporto, a maldita companhia aérea moçambicana, Linhas Aéreas Moçambique, atrasou em quase duas horas o meu voo de ida. País maldito. Ai ai, acho que era para não ir.

Mas enfim, o voo seguiu, desci no aeroporto e eu fui lá, PUTO, entregar o meu passaporte para conseguir o visto. Pagar 150 dólares. País maldito.

Segui para o guichê e eis que a pobre da mulher da imigração me pede o que? Comprovante de hospedagem e passagem de volta

– Uai, mas eu não pus isso no site na hora que preenchi o formulário?

 – Sim, mais precisa dele impresso.

Jesus amado, nada é feito para funcionar.

Me mandaram para a salinha da imigração onde os oficiais, super gentis, foram imprimir os documentos que eu tinha posto no evisa. Enfim, não é culpa deles, eles só seguem regras. País maldito.

Enfim, imprimiram para mim e lá fui eu pagar. Cento e cinquenta dólares. Beleza, e os 300 reais do visto que eu paguei anteriormente e que eu esperei mais que o dobro de prazo que eles me pediram? Devolveram? Claro que não, paguei o visto duas vezes e ficou por isso mesmo. Engole o choro e segue. País maldito.

Olha, te falo que eu só viajei porque eu já tinha a passagem paga, porque essa história de eu pagar o visto adiantado com o dobro de prazo e eles não me entregarem tirou toda a alegria que eu tava para viajar a Moçambique. País maldito.

Chegando a Maputo

Enfim, engole o choro e vamos para Maputo. Cheguei na capital de Moçambique meio puto, mas depois deixei para lá, o importante era aproveitar a viagem. Desci no aeroporto e fui seguir para o hotel. Agora era aproveitar.

Ainda que Moçambique seja um dos países mais pobres do mundo, basta lembrar que acabou de sair de uma guerra civil, ainda assim achei Maputo uma cidade muito organizada e me deixou uma impressão muito boa. No primeiro dia em que cheguei aproveitei para descansar dado que eu tava saindo de uma pauleira que foi Namíbia, Maurício e Essuatíni. Eu precisava descansar porque estou começando a ficar velho para isso. 

Me surpreendendo com Maputo

Nos dias seguintes fui explorar Maputo e descobrir o que a cidade tinha a oferecer. Logo de cara, algo peculiar chamou minha atenção: várias ruas da capital homenageiam ditadores comunistas como Mao Tse Tung, Lenin e até mesmo Kim Jong Il da Coreia do Norte. Esses nomes de ruas revelam traços da história e da ideologia que influenciaram Moçambique após sua independência. Durante o período pós-colonial, o país adotou uma postura alinhada com o bloco socialista, fortalecendo laços com países comunistas e recebendo apoio para reconstrução e desenvolvimento.

Além dos nomes das ruas, à medida que caminhava por essas avenidas, percebia a convivência entre edifícios antigos, remanescentes da era colonial e socialista, e construções modernas, sinalizando o avanço econômico e as mudanças que Moçambique tem experimentado nas últimas décadas.

Outra coisa interessante da cidade foi visitar a Casa de Ferro de Maputo. Sim, casa de ferro. Em Maputo! Ela foi projetada por Gustave Eiffel, o mesmo arquiteto da famosa Torre Eiffel em Paris. Sim, o homem pensou, se eu posso fazer um torre de ferro no meio de Paris, porque não fazer uma dessa no meio de Maputo? O governo colonial português achou uma boa ideia de construir um edifício funcional e duradouro para abrigar a residência do governador de Moçambique. Porém, veio o porém.

A estrutura de ferro, embora resistente, é totalmente inadequada para lidar com as temperaturas extremas da cidade. Imagina fazer uma casa de ferro. No meio de Mossoró. Pois é, mas fizeram, só que em Maputo. No calor, a casa se transforma praticamente em uma fornalha, impossibilitando a permanência lá dentro. Caminhar pelos cômodos e sentir as variações de temperatura só reforça o quão irônico é ver uma construção tão imponente e sofisticada em sua concepção, mas tão inapta para o clima em que foi instalada. Essa inadequação tornou a Casa de Ferro quase uma piada histórica, uma prova de que nem sempre a sofisticação arquitetônica é acompanhada de praticidade.

Hoje, a casa serve apenas como atração turística e sede do Instituto Nacional do Patrimônio Cultural de Moçambique, mas sua função original como residência oficial foi abandonada há tempos. Ou seja, no final, um dos objetivos foi alcançado. A construção realmente durou séculos, ainda que a outra, servir para alguma coisa, não aconteceu.

Mas a que mais me chamou a atenção mesmo foi o tanto de pedintes que tem pelas ruas de Maputo. São muitos mesmo. Já viajei por várias cidades grandes da África subsaariana, Dacar, Banjul, Joanesburgo, Mbabane, mas nenhuma delas se comparou a Maputo em questão de pedintes. Pior que eles são insistentes, você fala não e ainda assim eles vão te seguindo, seguindo, seguindo, insistindo, insistindo, insistindo. Pior que eu não queria ser ríspido com eles porque, assim, você fica triste pela situação, então você tenta negar com educação, mas como as negativas que eles recebem na rua geralmente são ríspidas, aparentemente, quando eu tentava ser educado eles interpretavam como uma brecha e aí insistiam ainda mais. Enfim, não tou reclamando disso, até porque a São Luís que eu cresci era parecida com isso, mas que isso chamou a minha atenção, isso chamou. Até para bater foto na rua era complicado, porque às vezes era eu tirar a câmera da bolsa que aparecia alguns insistindo para eu comprar algo ou pedindo dinheiro. Mas, assim, apesar de insistentes eles não vão fazer nada com você, só pedir e pedir.

E, sim, muita gente na rua vendendo todo tipo de coisas. Mas muita gente mesmo. Cada um fazendo seus corres. Mais uma vez, apesar de Maputo ser uma cidade com uma infraestrutura muito boa, parecida com qualquer capital do Nordeste do Brasil, ainda assim Moçambique é um dos países mais pobres do mundo. Mas, assim, apesar dos pedintes e da galera em situação de rua, a sensação de segurança é de boa. Todo mundo que eu perguntava na rua só me respondia o “aqui é tranquilo, só fica de olho para ninguém por a mão no seu bolso”, o tipo de coisa que você escuta em qualquer cidade europeia. Teve até uma vez que eu perguntei para um vigia “sim, eu sei que a gente tem que prestar atenção para ninguém pôr a mão no nosso bolso, mas aqui rola de passar dois caras de capacete em uma moto e você achar que hoje chegou seu último dia?”. Ele ficou me olhando sem entender e deu risada. Furtos até podem ocorrer, mas assaltos com arma de fogo parecem ser inexistentes.

Teve uma vez que foi até engraçado, eu estava andando a rua, vi que não tinha ninguém perto, tirei a câmera e comecei a filmar. Cara, do nada, do mais profundo nada apareceu um policial e começou a andar na minha direção. Bem, polícia, seja na Suíça ou no Afeganistão, sempre é problema. Lembrei de um amigo meu que tomou um enquadro federal da polícia em Moçambique, até fizeram ele deitar no chão, e na hora eu já desesperei. Guardei a câmera assustado. O policial na hora começou a rir, falou que não precisava se preocupar, que ele na verdade só tava curioso com aquela cena, um gringo no meio da rua com um pau de selfie na mão falando sozinho e foi perguntar se eu precisava de algo. Me falou que ele fazia isso porque a função dele era “servir e proteger”. Cara, pior que foi muito da hora. Ele parou ali do meu lado e ficamos conversando bem uma meia hora. O cara foi realmente MUITO simpático. Perguntou do Brasil, perguntou para onde eu tinha ido em Moçambique, me deu dicas de viagem, enfim, a gente ficou batendo papo ali, no meio da rua. Me lembrou a delegada de polícia da Argélia que eu achava que ia me prender e do nada começou a me dar dicas de viagem também.

Moçambique é isso. Galera muito gente boa, acolhedora, nem que seja um policial na rua te abordando para poder perguntar se você precisa de ajuda para viajar. País bendito, com uma população bendita com uma burocracia de visto maldita.

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Entre Montanhas e Realeza Ditatorial: Eswatini e o Encanto do Umhlanga, a Reed Dance

Depois de já ter viajado pela Namíbia, África do Sul e Maurício, o próximo país que eu explorei foi Eswatini. Fiz questão de ir durante um dos eventos mais importantes do país, o Reed Dance, ou Umhlanga, sobre o qual vou falar mais detalhadamente depois. Mas já adianto: foi uma experiência incrível. Para chegar lá, usei uma empresa chamada Transmagnific, que opera umas vanzinhas saindo direto do aeroporto internacional de Joanesburgo com destino a Mbabane, a capital de Eswatini, e outras cidades do país. Viajei com eles tanto na ida quanto na volta, e foi tudo muito tranquilo.

Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção foi o quanto o país era frio. Eu já tinha sentido o frio da África do Sul e da Namíbia, mas nada se comparava ao que enfrentei em Eswatini. Era um frio de rachar, daqueles que te fazem querer se encolher o tempo todo. O país é cercado de montanhas e, como cheguei no auge do inverno, a altitude só fazia a sensação térmica ser ainda mais congelante. Rapa, eu quase congelei! Por outro lado, havia algo muito positivo: o mirtilo era incrivelmente barato. Em Brasília, esse é o tipo de fruta que a gente pensa duas vezes antes de comprar, mas lá eu comia sem parar, sem peso na consciência, já que o preço era super acessível. Outra coisa que me surpreendeu foi o nível de organização. As áreas que visitei eram limpas, bem cuidadas e passavam uma sensação de segurança que eu não esperava encontrar em um país tão pequeno e pouco conhecido.

Mas antes…

O que é o Eswatini

Eswatini, país que até 2018 era conhecido como Suazilândia, é um pequeno e montanhoso país no sudeste da África, sem saída para o mar e que faz fronteira com Moçambique a leste e com a África do Sul nas outras direções. É um dos menores países do continente africano, com uma população estimada em cerca de 1,1 milhão de habitantes, sendo a maioria do grupo étnico suázi. O país possui duas capitais: Mbabane, que é a capital administrativa, e Lobamba, o centro legislativo e sede da monarquia. Foi em Lobamba, inclusive, que ocorreu a Umhlanga, o famoso Reed Dance, e esse foi o principal motivo que me levou a visitar o país nessa época. Aproveitei a viagem para conhecer tanto Lobamba quanto Mbabane.

Eswatini é uma das últimas monarquias absolutas que restam no mundo, governada pelo rei Mswati III desde 1986. Embora uma constituição tenha sido adotada em 2005, o sistema político do país permanece altamente restritivo. Partidos políticos são proibidos, e os candidatos ao parlamento só podem concorrer como independentes, refletindo o controle rígido do regime. A censura é ativa, e a repressão a críticas ao rei é severa. Durante minha estadia, as pessoas explicaram que qualquer crítica ao rei pode ser extremamente perigosa. Se a pessoa for famosa, até podem prendê-la, mas se for um desconhecido, a abordagem é bem mais extrema – ela simplesmente desaparece, sem deixar rastros, porque sabem que não haverá consequências.
O país enfrenta enormes desafios na área da saúde. Eswatini tem uma das maiores taxas de prevalência do HIV/AIDS no mundo, com cerca de um terço da população adulta infectada. Isso impacta diretamente a expectativa de vida, que é uma das mais baixas do planeta, girando em torno de 58 anos. Cara, para e pensa nisso. Eu andava pelas ruas e não conseguia tirar da cabeça a ideia de que, a cada três pessoas que eu via, uma delas tinha AIDS. Essa realidade pesava no ambiente, como se a saúde pública estivesse em colapso. A situação é agravada pela pobreza, que limita o acesso a cuidados médicos de qualidade. Apesar disso, houve um pequeno progresso nos últimos anos, com a redução da taxa de mortalidade infantil graças a programas de intervenção.

A economia de Eswatini também reflete essas dificuldades. Ela é fortemente dependente da agricultura, com o milho sendo o principal cultivo de subsistência. Cerca de 70% da população rural trabalha no setor agrícola, que representa aproximadamente 20% do PIB do país. Além da agricultura de subsistência, o país tem plantações de cana-de-açúcar, cítricos e abacaxi, que são vitais para a economia. No entanto, essas grandes plantações geralmente estão nas mãos de estrangeiros e grandes empresas, o que faz com que os pequenos produtores locais e as comunidades rurais continuem em condições precárias, sem acesso a maiores benefícios econômicos.

A Umhlanga ou reed dance


Então, o que é o Reed Dance, o motivo principal de eu ter ido para Eswatini nessa época específica? Bem, é uma cerimônia realizada anualmente no país, “celebrando a pureza e a cultura das jovens virgens da nação”. Durante o evento, milhares de jovens mulheres, vestidas com trajes tradicionais coloridos, colhem juncos e os oferecem ao rei e à rainha-mãe. O festival acontece em Lobamba, que é a sede tradicional da monarquia de Eswatini. Embora atualmente eles apresentem o ritual como um símbolo de unidade nacional e respeito às tradições, e também como uma oportunidade para as jovens celebrarem sua entrada na vida adulta, originalmente o evento era uma chance para as virgens se exibirem para o rei, que poderia escolher uma delas para ser sua esposa – afinal, a poligamia é permitida por lá.

Hoje em dia, dizem que o rei não escolhe mais esposas aleatoriamente no meio da multidão, embora, em 2013, ele tenha “laçado” sua última esposa durante o festival. Mas, de fato, parece que as meninas participam de forma voluntária e o clima é de celebração. A organização é descentralizada, o que é incrível, porque no fim tudo dá certo. E como funciona? Basicamente, um grupo de meninas de um determinado povoado decide se apresentar no evento. Elas mesmas são responsáveis por confeccionar suas roupas e ensaiar a dança. Geralmente, há uma vaquinha na comunidade para custear a participação delas. Existe um estádio em Lobamba, construído exclusivamente para esse evento, e, ao chegar lá, as meninas se apresentam aos organizadores e entram numa fila do lado de fora do estádio. Enquanto isso, os espectadores ficam nas arquibancadas esperando o rei chegar. Quando ele finalmente chega, a cerimônia começa, e a organização vai convocando os grupos de meninas que desfilam um a um. O mais impressionante é o volume de pessoas. São hordas de meninas desfilando sem parar, por horas e horas. Parece que o país inteiro para para participar ou assistir ao evento.
Eu não fiquei hospedado em Lobamba, mas em Mbabane, a capital administrativa, que fica a meia hora de carro de lá. Na ida, paguei um motorista para me levar e dei uns 80 reais para ele. Durante o caminho, aproveitei para perguntar sobre o rei, e foi aí que a mágica aconteceu. O homem começou a xingar o rei durante todo o percurso. Ao chegarmos no estádio, a segurança era absurda: espelho embaixo do carro para verificar bombas, detectores de metal e nem chapéu você podia usar lá dentro. Mas, considerando que era o rei ditador que estava por ali, dá para entender o nível de paranoia.
A dona do Airbnb onde eu estava hospedado me disse que o evento começava pela manhã, então cheguei bem cedo. Só que, na verdade, o evento era à noite, e acabei passando o dia todo perambulando pela capital, tentando encontrar algo para fazer. O problema é que lá não existe táxi convencional. O que chamam de táxi é basicamente alguém com um carro particular que pega passageiros aleatoriamente. Fica difícil até saber qual carro é táxi e qual está apenas rodando pela cidade. Acabei andando muito a pé por lá e, por fim, não assisti ao evento inteiro. Saí no meio porque estava começando a esfriar muito e eu ainda tinha que voltar para Mbabane.
Quando a noite caiu rápido, fiquei pensando, “e agora, como arrumo um táxi?”. Eu não tinha telefone, então estava meio perdido. De repente, uma van parou ao meu lado e gritou “Mbabane”. Pulei dentro sem pensar duas vezes! Como todos falavam inglês, foi fácil entender o que estava rolando. No fim, acabei economizando o dinheiro do táxi, pagando só 5 reais na passagem da van, que me deixou praticamente na porta do Airbnb.
Curti muito a viagem. As pessoas foram muito gentis comigo, e me senti como uma curiosidade ambulante, já que quase não há turistas por lá.

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Ilhas Maurício: O Tesouro Escondido do Índico com História, Natureza e Curiosidades Surpreendentes!

Sabia que Maurício é um país insular no meio do Oceano Índico? Sabia que Maurício foi o lar do mais icônico dos pássaros extintos, o Dodô? Sabia que Maurício é o único país africano cuja religião principal é o hinduísmo? Lê até o fim do texto que você vai aprender tudo sobre esse pequeno país perdido no meio do oceano.

Aproveitando que já estava pela região, comecei a analisar um antigo sonho meu que era visitar um país insular no meio do Oceano Índico e que sempre havia me fascinado, era a hora das Ilhas Maurício. Peguei um voo direto low cost de ida e volta da África do Sul e lá estávamos nós em Maurício. 

O que sempre me fascinou sobre Maurício foi o fato desse país estar sempre disputando com Seychelles o melhor índice de qualidade de vida, o IDH, da África. Isso ocorre porque Maurício é uma democracia estável e plena desde a sua independência em 1968 além de que, por motivos históricos, possui uma população com baixa desigualdade de renda para níveis africanos.

Maurício é um país insular localizado no Oceano Índico, a cerca de 2.000 km da costa sudeste do continente africano. Sim, o pedaço de continente mais próximo de Maurício está a quase uma distância de São Luís a Brasília, ou seja, dá para cruzar o Brasil quase inteiro. Eles têm mais ou menos o tamanho da cidade de São Paulo ainda que a sua população seja de cerca de 1,3 milhão.

História e geografia de Maurício

Inicialmente, Maurício não tinha ocupação humana o que levou a ilha a ter uma fauna e flora única sem interferência de seres humanos pré-históricos. As ilhas chegaram a ser visitadas por árabes e portugueses que não tiveram muito interesse em colonizar. As ilhas só começaram a ter assentamentos humanos depois de virarem uma colônia holandesa (1638–1710) (que deram o nome de Maurício em homenagem a Maurício de Nassau). Depois foram colônia francesa (1715–1810) e Inglesa (1810-1968) até 1968, quando o país conquistou sua independência.

Durante a colonização francesa, Maurício começou a prosperar devido as plantações de cana de açúcar utilizando o trabalho escravo. Porém, a ilha foi tomada pelos ingleses que logo aboliram a escravidão impondo um sistema de “contrato” onde pessoas do mundo inteiro, mas principalmente das colônias inglesas, poderiam ir para Maurício trabalhar sob contrato. Os contratantes pagavam a sua viagem, você tinha direito a comida e moradia, um pequeno salário e depois de cinco anos de trabalho poderia mudar de emprego ou ir embora. Era algo semelhante ao que iria acontecer depois com a população de alemães e italianos que migraram ao Brasil. Cara, apesar da qualidade de vida dos “contratados” não ser das melhores, era uma perspectiva de vida muito melhor do que eles tinham nos países deles, motivo pelo qual uma pancada de gente, principalmente da Índia, começou a emigrar para lá. Depois dos cinco anos de contrato, eles acabavam por lá ficando. Esses “contratados” são os ascendentes de 70% dos habitantes de Maurício e um dos motivos de quase metade da ilha ser de descendentes de indiano. Hoje o porto e estalagem onde os trabalhadores contratados chegavam é preservado e um dos lugares mais importantes para Maurício.

Estalagem onde a maioria dos imigrantes de Maurício chegaram para trabalhar

Devido a esse tanto de colonização diferente, a população mauriciana é multiétnica, multirreligiosa, multicultural e multilíngue. O governo é parlamentarista e o país está entre os melhor classificados em termos de democracia, liberdade econômica e política não só da África como do mundo todo, estando em uma situação muito melhor que a do Brasil.

Além disso, a ilha é famosa por ter sido o habitat do dodô, uma ave extinta devido à intervenção humana logo após o início da colonização. Inclusive o nome dodô vem da palavra “doido” em português, já que os portugueses viram aquele bicho grande e desengonçado e resolveram chamar ele de doido, dodô. Maurício é o único país da África onde o hinduísmo é a religião predominante. A administração pública utiliza o inglês como principal idioma, embora não haja uma língua oficial definida. O francês e o crioulo mauriciano são falados pela grande maioria da população.

O dodô

Chegando às Ilhas Maurício

Rapaz, apesar de ser um país que vive do turismo, a imigração dos caras foi bem chata. O tio ficou me perguntando onde ia, o que ia fazer, onde ia ficar e não arredou o pé enquanto eu não dei um número de telefone de Maurício para ele. Não adiantou eu falar que eu não tinha, tive que dar o telefone do cara do Airbnb.

Tranquilo, peguei um táxi e fui pro meu Airbnb. Apesar de parecer ser uma ilha pequena, Maurício é extensa. Cara, do aeroporto até a capital da ilha foi quase uma hora de carro. Fiquei hospedado em um Airbnb que ficava de frente a um hipódromo. Beleza, não achei que era nada demais. Rapaz… depois eu descobri que aquele era o hipódromo mais antigo do mundo em funcionamento e o mais antigo do hemisfério sul. Ele é tão importante para Maurício que foi o primeiro lugar onde eles puseram a bandeira depois que o país ficou independente.

O hipódromo

Sim, eles gostam muito de corrida de cavalos, mas o esporte mais popular em Maurício. Engraçado que essa preferência pelo futebol também se mostrava presente em outro país insular do Índico que eu viajei, as Maldivas. 

Viver em Maurício

Cara, parece que viver em Maurício é muito tranquilo. Como falei, o país tem um índice de desenvolvimento humano maior que o Brasil, então daí você já tira como é a realidade local. A população é bem-educada e todo mundo parece viver bem. Vi poucas pessoas em situação de rua e nenhum pedinte.

Eles têm ensino público até o ensino médio. Pro ensino superior eles tem tipo um ENEM da ilha para poder ranquear os estudantes. E, cara, os 10 melhores colocados de cada ano ganham bolsas do governo para estudar no exterior. Bacana, né? Outra coisa interessante, as universidades não eram gratuitas, mas nos últimos anos se tornaram públicas. Geralmente você tem o sentido contrário, as universidades públicas que antes não cobravam mensalidade gradualmente estão começando a cobrar, em Maurício foi o contrário, antes pagava, agora não mais.

Um taxista que eu fui conversando, me falou que ele sabia falar inglês, francês e árabe. Perguntei porque ele falava árabe e ele me explicou que era porque ele tinha que escolher uma língua estrangeira para aprender na faculdade e ele escolheu árabe. Simples assim.

Fiquei pensando como Maurício tem uma realidade parecida com da Ilha de São Luís. As ilhas tem quase a mesma área, quase a mesma população, mas Maurício é ABSURDAMENTE mais desenvolvida.

Uma última curiosidade, atualmente a língua portuguesa vem sendo promovida no país e já é ensinada em algumas instituições para atender as condições para o país alcançar uma de suas metas, que é fazer parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Desde 2006, Maurício já é um observador associado da CPLP e eles estão trabalhando para serem membros plenos.

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Namíbia – O paraíso onde o deserto encontra o mar

Há alguns anos eu já estudava a ideia de viajar para o sul da África já que a África é um dos continentes que eu menos viajei. Comprei a minha passagem e lá vamos nós. Como eu já tinha viajado a África do Sul (e inclusive já escrevi sobre ela) deixei Joanesburgo como hub e saí comprando as minhas passagens de lá. O primeiro país que escolhi nessa jornada foi a Namíbia (depois Ilhas Maurício, Essuatíni e Moçambique). Confesso que sabia muito pouco da Namíbia, a não ser que ela ficava do lado da África do Sul e que tinha sido colônia da Alemanha por um breve período de tempo, mas confesso que me surpreendi com o país.

A Namíbia é um país extremamente turístico por conta principalmente do deserto Kalahari que toma quase todo o país. O nome Namíbia vem do nome do deserto Nanime e que significa “área onde não há nada ali”. E, sim, isso não é força de expressão, o país é parcamente povoado. O país tem o tamanho do Paquistão e da Venezuela, mas, enquanto a Venezuela tem uma população de 29 milhões e o Paquistão de 250 milhões, a Namíbia não chega a 3 milhões. Sim, é uma população menor que a de Brasília. Isso faz com que a Namíbia seja o segundo país com menor densidade populacional do mundo, só perdendo para a Mongólia.

Mais uma vez, eu confesso que eu me surpreendi com o país, pelo menos as cidades que eu visitei, Swakopmund e Walvis Bay. Tudo era extremamente limpo e organizado e, cara, como eles eram pontuais. Enquanto no Brasil quando alguém marca com você as onze, você espera que essa pessoa chegue entre 11 e meio-dia, na Namíbia os caras marcavam 11 horas e 10h50 já estavam na porta te esperando. Gostei demais disso. Outra coisa, tudo se resolvia pela internet ou com o cartão de crédito, até o táxi. Isso pode parecer bobeira, mas fora do Brasil, isso não é tão comum assim e você sempre tem que andar com um bando de dinheiro no bolso. Enquanto a África do Sul, do lado da Namíbia, é que nem o Brasil em questão de violência, a Namíbia era extremamente segura e tranquila. Acho que deu para perceber o quanto eu gostei do país, né?

Acabei escolhendo a cidade de Swakopmund por ela ser uma cidade com estrutura e também famosa pelos passeios no deserto. Além disso ela é uma cidade fortemente ligada a Alemanha, então busca ter uma arquitetura inspirada em uma cidade alemã e grande parte dos brancos falam alemão. No final meio que realmente parecia uma cidade da Alemanha mesmo.

Por último, pô, vi que a Namíbia era quase que só um deserto. Porém vi as fotos de Swakopmund e o lugar parecia um paraíso, praias de águas cristalinas e areias brancas convidativas. Achei que iria vir para um paraíso tropical, né? Rapaz… quando eu cheguei… era um frio da moléstia, daquele de doer os ossos. Fora que ventava, ventava… VENTAVA… Cara, nunca passei tanto frio na África quanto nessa viagem. Às vezes dava até preguiça de sair do quarto porque você lembrava o quanto tava frio lá fora e o tanto que iria dar trabalho botar todas aquelas roupas uma por cima da outra para poder sair. Mas enfim, foi muito legal, viu?

História da Namíbia

A Namíbia era originalmente habitada por grupos indígenas como os San, Damara e Nama. Inclusive os San são famosos por falar aquele idioma que utiliza cliques com a língua. Conversei com um guia que era San e ele me explicou que tinham sete cliques diferentes de língua. Ele fez os sete para mim e pareciam tudo igual na verdade, kkk. Os portugueses foram os primeiros a chegar na Namíbia em 1486 com Diego Cão (sim, esse era o nome do navegador mesmo), mas não chegaram a querer colonizar. A região só passou a ser colonizada pelos alemães no final do século XIX. Com os alemães os locais começaram a comer o pão que o diabo amassou, culminando no genocídio dos povos Herero e Nama entre 1904 e 1908, quando milhares foram mortos ou forçados a viver em condições desumanas. No cemitério de Swakopmund dá para ver centenas de túmulos desses povos enterrados de forma simbólica no cemitério depois. Esse cemitério é interessante porque dá para ver que no começo dele só tem túmulos de brancos, mas, nas partes mais recente são misturados túmulos de negros e brancos. Você consegue ver pelas fotos das sepulturas.

Após a Primeira Guerra Mundial, a Namíbia foi transferida para o controle da África do Sul e aí as coisas começaram a piorar de verdade. Em vez de conduzir a Namíbia à independência, a África do Sul impôs políticas de apartheid semelhantes às praticadas em seu próprio território. Conversando com um cara da Namíbia que viveu durante o tempo do Apartheid, ele me falou que os alemães foram ruins para a Namíbia, mas nada poderia ser pior que os sul Áfricanos. Durante a ocupação sul Áfricana ocorreu tudo como exatamente ocorria na África do Sul, com os negros sendo obrigados a viver em favelas insalubres (as famosas Townships) e sendo proibidos de circularem no bairro dos brancos. Apenas negros que trabalhassem nas casas dos brancos poderiam circular nesses bairros, ainda assim se tivessem um “passe” que eles deveriam sempre carregar consigo. Ele me dizia que os brancos cuspiam nos negros que viam nas ruas e que se um branco matasse um negro, nada acontecia. Porém, a vida na Namíbia era ainda pior que a vida na África do Sul, já que a Namíbia era vista como uma colônia, então nem universidades eram permitidas por lá. A um negro era proibido ter alguma educação além da mais básica, porem se um branco da Namíbia quisesse estudar na universidade, ele teria que viajar para a África do Sul. Segundo as pessoas que conversei lá, isso meio que se mantem até hoje, haja vista que a Namíbia tem até algumas universidades, mas elas são bem recentes e se você quer uma boa universidade você ainda tem que viajar a África do Sul ou, se for muito rico, ir para a Europa. Felizmente, em 21 de março de 1990 a Namíbia conquistou sua independência. Porém a colonização sul africana foi tão forte que até hoje brancos e negros se comunicam em Africâner, a língua dos brancos sul africanos.

Como é viver na Namíbia

Parece ser relativamente mais tranquilo viver na Namíbia que na África do Sul, pois a África do Sul pode até ser mais rica, mas a Namíbia é absurdamente menos violenta. Hoje não existe mais política de apartheid então brancos e negros parecem conviver bem. Perguntei a um guia se os brancos costumavam tratar os negros bem hoje em dia e ele me respondeu sorrindo “tratam sim, até porque eles são minoria, então é bom que nos tratem bem”. Conheci alguns brancos por lá e eles falavam que viviam de boa e nunca pensaram em ir embora, afinal, eles eram da Namíbia e se viam como Namibianos. Um guia branco chegou a me contar que ele era da Namíbia, seus pais, seus avós, seus bisavós e seus trisavós, então não teria como ele se enxergar sendo de outro pais. E cara, ele era brancão mesmo, daqueles alemão galego imenso. 

Conheci também uma menina da África do Sul que mudou para a Namíbia porque casou e falou que não mudava de Swapokmund por nada na vida. Só reclamava que era difícil a questão da papelada. Se você é casado com alguém da Namíbia precisa esperar dez anos para pedir cidadania, pagar uns 5000 reais e ainda assim pode ter a cidadania rejeitada. Cara, eu fico pensando o que esses caras têm na cabeça, a maioria dos países ricos você consegue cidadania depois de 5 anos casado (Portugal depois de 3, se você tem filhos), mas parece que quanto mais pobre é o país, mas eles querem dificultar imigração para lá.

Existe ensino público na Namíbia, porém só até o ensino médio. Ainda assim, só em algumas cidades. Então se você é de uma cidade pequena, tem que viajar para cidades maiores para estudar. Conheci vários caras que eram de cidades pequenas, se mudaram para Swakopmund para estudar o ensino médio e por lá ficaram. Universidade: Só pagando ou lutando por umas poucas bolsas de estudos oferecidas pelo governo. 

Swakopmund

O mais legal de Swakopmund é que você tem uma oportunidade de explorar um destino onde o deserto e o oceano se encontram de forma espetacular. Situada entre as dunas do Deserto da Namíbia e o Oceano Atlântico, a cidade é um ponto de partida para atividades que vão desde passeios de quadriciclo e sandboard nas dunas até passeios de camelos. O clima ameno, em comparação com o calor extremo de outras partes da Namíbia, torna Swakopmund um lugar bem aprazível.

Além das atividades da cidade, os arredores de Swakopmund oferecem oportunidades de exploração. O mais conhecido é o passeio a Sandwich Harbour, uma área de preservação natural onde as enormes dunas de areia literalmente encontram o mar, criando um cenário único. É possível fazer excursões guiadas em veículos 4×4 para explorar essa região isolada, onde a combinação de mar, deserto e vida selvagem faz dela uma das paisagens mais icônicas do país. Assim, é caro, mas valeu cada centavo.

Além disso, Swakopmund é cercada por outros pontos de interesse, como o Parque Nacional Namib-Naukluft, que oferece trilhas e paisagens montanhosas, e a Welwitschia Drive, uma rota panorâmica onde você pode ver a planta milenar Welwitschia mirabilis. A diversidade de passeios ao redor da cidade, somada à herança colonial alemã presente na arquitetura e na gastronomia local, faz de Swakopmund um destino muito legal para quem busca uma combinação de natureza, cultura e aventura.

O que era interessante em Swakopmund é que, mano, para onde você olhava você via areia. Eu já tinha visto cidades no meio da areia do deserto, mas cidade assim na beira da praia e sendo deserto foi a primeira vez. E muito legal. Você está andando no meio da rodovia e, se sai 100 metros, cai no meio do desertão.

Teve um motorista que foi me buscar e me levar do aeroporto. Cada viagem foi uma hora, então a gente foi conversando demais. O cara era gente boa e me falou que tinha morado em Angola, falava até um pouco de português. Essa proximidade entre Angola e Namíbia é bem forte e eu pude conhecer vários Namibianos, brancos e negros, que já tinham morado um tempo em Angola. Na verdade, muitos angolanos fugiram para a Namíbia durante a guerra civil angolana. Hoje há uma comunidade grande vivendo no norte próxima a fronteira com a Namíbia.

Outra coisa que eu pude notar é que o futebol é bem popular na Namíbia, porém só entre a população negra. Os brancos gostam mesmo é de Rugby da mesma forma que ocorre na África do Sul.

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Dubai Além dos Arranha-Céus: Descobrindo as Fascinantes Ilhas Artificiais

Obviamente eu não poderia terminar o post sem escrever sobre as ilhas artificiais Palm de Dubai. Elas são um conjunto de ilhas artificiais em forma de palmeira que foram construídas ao largo da costa. Elas foram projetadas para aumentar a área costeira de Dubai e oferecer espaços residenciais e turísticos de alto padrão.

O projeto das Palm Islands começou no início dos anos 2000 e foi uma das mais ambiciosas empreitadas de engenharia do mundo. Cada ilha foi construída a partir de terra e areia dragadas do fundo do mar e moldadas na forma de uma palmeira, com tronco, frondes e uma crescente série de palmeiras.

As Palm Islands consistem em três principais ilhas artificiais: Palm Jumeirah, Palm Jebel Ali e Deira Island. Palm Jumeirah, a primeira a ser construída, é a mais famosa e já está totalmente desenvolvida, com uma variedade de resorts de luxo, hotéis, residências, parques temáticos e centros comerciais. Palm Jebel Ali é a segunda maior das Palm Islands e, embora ainda não esteja totalmente concluída, está prevista para abrigar mais projetos residenciais e de entretenimento. Deira Island é a menor das três e está em fase inicial de desenvolvimento.

As Palm Islands são um símbolo do crescimento e desenvolvimento de Dubai, demonstrando a capacidade da cidade de realizar projetos grandiosos e inovadores. No entanto, também surgiram preocupações ambientais sobre o impacto dessas construções no ecossistema marinho e na qualidade da água ao redor das ilhas.

Além dessas Palm, eles também fizeram ilhas em formato de mapa mundi. Conhecidas como “The World” (O Mundo, em português), essas ilhas artificiais foram construídas para representar os continentes e países do mundo em escala reduzida, formando um mapa mundi em miniatura.

O projeto “The World” foi concebido no início dos anos 2000 como uma extensão das Palm Islands, com a intenção de criar um destino turístico exclusivo e uma comunidade residencial de luxo. Cada ilha representa um país ou grupo de países, e a ideia era oferecer aos proprietários de cada ilha a oportunidade de criar suas próprias residências ou resorts personalizados.

A construção das ilhas começou em 2003 e envolveu a dragagem de areia do fundo do mar para criar a forma de cada ilha. No entanto, o projeto enfrentou diversos desafios e atrasos ao longo do caminho, incluindo dificuldades financeiras e questões técnicas. Como resultado, muitas das ilhas ficaram largadas.

Embora algumas das ilhas de “The World” tenham sido vendidas e desenvolvidas, outras permanecem praticamente intocadas, dando à área uma aparência surreal de um mapa mundial inacabado no meio do oceano. Atualmente, o projeto enfrenta críticas e especulações sobre seu futuro, especialmente devido aos desafios financeiros e ambientais associados à sua conclusão e manutenção.

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Perambulando por Dubai: A Majestade do Burj Khalifa e do Burj Al Arab

Obviamente uma viagem a Dubai não tem como deixar de fora o Burj Khalifa. Explorar os arredores do Burj Khalifa é muito legal. Desde a sua conclusão em 2010, este arranha-céu icônico tem sido um símbolo de Dubai. A intenção com a construção do edifício não foi apenas para adicionar um edifício gigante ao horizonte, mas sim para projetar uma marca demonstrando o potencial de Dubai como centro global de negócios, turismo e inovação. O nome “Burj Khalifa” foi escolhido em homenagem ao Sheikh Khalifa bin Zayed Al Nahyan, o dono dos Emirados Árabes Unidos no momento da construção do edifício.

Ele possui impressionantes 828 metros de altura e é o tipo de construção que você só consegue fazer em país em que você pode gastar sem se preocupar em prestar contas (não à toa que o próximo maior edifício do mundo está sendo construído na Arábia Saudita, outro país em que prestar contas não é muito a preocupação do governo local). Pelo sim, pelo não, hoje todo mundo se lembra do Burj Khalifa quando se fala em Dubai e é um ícone reconhecido no mundo inteiro.  Com investimentos maciços em infraestrutura, turismo e comércio, Dubai transformou-se em um ímã para turistas, principalmente de luxo e o Burj Khalifa é um dos grandes responsáveis por isso. O Burj Khalifa tornou-se um símbolo não apenas de Dubai, mas de todo o os Emirados Árabes Unidos em nível mundial.

Você pode subir no Burj Khalifa para poder bater fotos de toda Dubai. Eu mesmo não fui nem ver, porque pelo que eu soube você nem vai lá em cima, só sobe metade dos andares, fora que é uma baita de uma fila para conseguir. Além disso, tem vários prédios em Dubai onde você pode subir e bater fotos aéreas da cidade e, bem, a graça é bater foto do Burj Khalifa e não bater fotos sem ele. Acabei indo em um prédio que é conhecido como o melhor local para bater fotos do Burj Khalifa. Cheguei lá, descobri que você podia subir em um escorregador e ir descendo ao lado do prédio vendo todo o centro financeiro ao redor do Burj Khalifa como cenário enquanto descia o escorregador. Eu juro que eu fiquei pensando que você descia, sei lá, uns 30 andares desse escorregador. Fiquei quase uma hora na fila e, mano, juro, não devia descer um andar inteiro.

Mano, olha que rolê mais ou menos esse escorregador.

Só não fiquei tão chateado porque, realmente, era muito bom bater foto do Burj Khalifa de lá e também tinha um local suspenso onde você podia andar em um chão transparente. Então foi muito legal.

De noite ao redor do Burj Khalifa tem uns showzinhos noturnos. Eles são até legais
Também dava para você pagar um adicional e ficar suspenso para bater algumas fotos instragramáveis. Cara, eu não curto isso de ficar suspenso
Pelo menos dá para bater uma fotos legais do Burj Khalifa, como essa aqui.
A passarela de onde dava para ver a cidade de cima

Além do Burj Khalifa um dos hotéis mais famosos e icônicos de Dubai é o Burj Al Arab. Situado em uma ilha artificial em forma de palmeira, ele é reconhecido mundialmente por sua arquitetura deslumbrante e luxo incomparável. Com sua estrutura em forma de vela, o Burj Al Arab é um marco impressionante no horizonte de Dubai, simbolizando a opulência e a modernidade da cidade.

O Burj Al Arab

O interior do Burj Al Arab é igualmente impressionante, com design extravagante e instalações de primeira classe que atendem aos mais altos padrões de conforto e sofisticação (não que eu tenha entrado lá). Além disso, o Burj Al Arab é conhecido por seu serviço de ponta, onde uma equipe dedicada se esforça para atender a todas as necessidades e desejos dos hóspedes.

Além de suas suítes luxuosas, o Burj Al Arab abriga uma variedade de restaurantes premiados, incluindo opções de culinária internacional e pratos exclusivos preparados por chefs renomados. O hotel também oferece instalações de lazer como piscinas, spa e acesso exclusivo à praia. Com sua combinação de beleza arquitetônica, serviço impecável e comodidades indulgentes, o Burj Al Arab continua a ser um destino de referência para viajantes em busca do mais alto padrão de hospedagem em Dubai.

Não, eu não entrei lá. Não tenho tanto dinheiro assim

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Dubai Mall e Miracle Garden: Explorando Dois Tesouros de Dubai

No outro dia resolvi ir ao Dubai Mall, outro cartão postal de Dubai. Ele é simplesmente impressionante (e olha que nem sou muito de ir em shoppings). O lugar é uma experiência por si só. Fica no coração de Dubai e dizem ser o maior shopping do mundo, sabe? Tipo, tem mais de 1.200 lojas lá dentro! É loucura! Tem desde as marcas mais chiques até um monte de lojinhas legais. E não para por aí, não! Tem um aquário gigante lá dentro, o Dubai Aquarium & Underwater Zoo, onde dá para ver uma porrada de peixes e bichos marinhos. Eu como já vi muito aquário na vida acabei não entrando

Se liga no aquário NO MEIO do shopping
Essa aqui é uma das mais icônicas esculturas do Dubai Mall
Na meiuca do shopping
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Além disso fui visitar o fascinante Dubai Miracle Garden, um oásis de flores e esculturas em meio ao deserto dos Emirados Árabes Unidos. Ele foi inaugurado em 2013 e abriga mais de 150 milhões de plantas transformadas em gigantescas esculturas florais, incluindo uma réplica do avião A380 da Emirates, a escultura mais famosa.

A escultura mais famosa do Miracle Garden
Ah, é um rolê legal, vai?

Durante a temporada de outono-inverno, época que tive sorte de ir, os visitantes podem explorar os mais de 72 mil m² meticulosamente projetados e renovados ano após ano. Imagino que no verão não deva dar para ir porque as flores devem torrar com o calor. Quando eu fui tinha de barcos a réplicas de personagens da Disney. Além disso, o complexo também abrigava o Dubai Butterfly Garden, um dos maiores jardins de borboletas cobertos do mundo, com cerca de 15 mil borboletas de diferentes variedades em uma estufa de mais de 6 mil m², mas que era pago a parte. Como eu tinha pouco tempo, acabei só explorando mesmo aquele paraíso floral. Cara, pior que eu acabei gostando muito mais do que eu imaginei que iria gostar.

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Entre Conexões e Multidões: A Experiência no Aeroporto de Dubai e no Dubai Frame

Os Emirados Árabes Unidos não exigem visto de turista de brasileiros. Na verdade, de todos esses países que eu viajei, só o Bahrein mesmo que precisa de visto de turista. Se no aeroporto de Doha eu encontrei muito menos gente do que eu imaginava que iria encontrar, Dubai foi o contrário, lá tinha MUITO mais gente do que eu imaginava que iria ver. Rapaz, como aquele aeroporto é imenso, na verdade, aparentemente é o maior do mundo em área.

Como o aeroporto é IMENSO, é meio complicado você conseguir sair dele. Eu tive problemas no meu segundo voo de volta porque desci em um Terminal que não é muito bem conectado com ônibus (acho que foi o Terminal 3) e, cara, paguei de Uber quase o que eu paguei de passagem.

Mercados e Molduras: A Experiência Turística na Dubai Antiga – Dubai Souq e Dubai Frame

Por uma dessas incríveis coincidências do destino, acabei chegando em Dubai no mesmo dia em que o meu irmão que mora nos Estados Unidos chegaria para fazer uma conexão em direção a Índia. Consegue acreditar nisso? Ele iria passar um dia em Dubai e eu também.

Acabou que fomos visitar a região antiga de Dubai e algo como seria o antigo mercado central (ou Souq, como se chama nessas áreas). Eu falo que é antigo porque realmente parecia ser onde o povo da região ia comerciar, porém hoje em dia só tem coisa turística. Era interessante como a gente conversava em português e os vendedores (indianos em sua imensa maioria) reconheciam e começavam a falar algumas gracinhas em português para gente. O mais engraçado é que o que eles mais falavam era “Brasileiro? Lula ladrão, viva Bolsonaro” o que dá uma pista do espectro político da maioria dos brasileiros que viajam a Dubai, kkk.

Eu, meu irmão e minha cunhada na entrada do Dubai Souq

O centrinho é bem turístico mesmo, mas é muito legal. Acabou que nesse primeiro dia ficamos passeando por lá e até demos uma volta em um barco que, apesar de ser um passeio bem interessante, custa quase nada o transporte, já que ele realmente é um transporte público que a população local usa para poder atravessar o rio que corta o centro.

Se liga nas instruções de não lavar o pé na pia e de como usar o vaso sanitário (foto abaixo). Tem uma galera muito humilde que vem “trabalhar” (na verdade ser escravizada) em Dubai.
Passeio de barco que fizemos que custa quase nada

Além disso também visitamos “The Frame” (algo como “A Moldura”) uma construção em formato de moldura de quadro. É uma construção IMENSA com 150 metros de altura no meio de Dubai com nenhum tipo de serventia, a não ser ter um elevador que te leva muito, mas MUITO alto e de onde você pode bater várias fotos aéreas de Dubai. Sim, é isso mesmo, é um prédio sem serventia alguma a não ser servir como atração turística no meio de Dubai. Também tem uma passarela elevada transparente de 93 metros de comprimento (em 150 metros de altura) que até dá um pouco de vertigem de caminhar em cima dela. Sim, é muito legal subir lá e vale cada centavo. Além disso, ele faz “moldura” para o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo. No final, tem um túnel de neon que guia a gente até uma exposição interativa de realidade aumentada.

The Frame
Dentro do the Frame

Embora o projeto tenha sido conduzido sem grandes controvérsias (até porque ninguém tem muita coragem de gerar controvérsias em Dubai), recentemente surgiu a informação de que o desenho pode ter sido utilizado sem o consentimento do arquiteto responsável por sua concepção. Quero ver ele ir reclamar lá para o Khalifa.

Dentro do Frame é legal porque dá para bater várias fotos aéreas de Dubai. Perceba o Burj Khalifa lááááá atrás ao fundo

Nos outros dias eu gostava de ficar perdido por Dubai até mesmo para poder ficar batendo fotos dos arranha-céus que são distribuídos por toda a cidade.

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