Porque todo mochileiro deveria ter um óculos de realidade virtual?

Eu fico impressionado como existem coisas revolucionárias que são lançadas e parece que demora para as pessoas prestarem atenção. Para mim esse é o caso da realidade virtual!

Sempre achei que fosse alguma coisa cara e inacessível, de milhares de dólares ou coisa do tipo. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que existem óculos que custam a bagatela de menos de 100 reais e dão conta do recado.

Hoje meu óculos de realidade virtual é o meu maior parceiro em questões de viagens de longas distâncias. Por quê?

Bem, sempre tive um problema em relação ao tédio em relação a transportes em longas distâncias (seja de trem, ônibus, avião) fora o tempo que você perde aguardando em rodoviárias ou aeroportos. Você leva uns livros, mas depois de uma ou duas horas você tá de saco cheio. E ainda tem que esperar outras seis, oito, dez…

Antes eu baixava filmes e séries e ficava assistindo no celular. Só que isso era um saco. Além da tela ser pequena ou você tem que ficar segurando ou deixar ele inclinado em cima de algum lugar de alguma superfície e NUNCA é em um ângulo que te agrada. Continuar lendo “Porque todo mochileiro deveria ter um óculos de realidade virtual?”

O robô vira-latas brasileiro

Miguel Nicolelis é o mais destacado cientista brasileiro. Foi considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo segundo a Scientific American e o primeiro brasileiro a ter um artigo publicado na capa da revista Science. Fez a sua carreira no exterior, porque, enfim, o governo brasileiro e, principalmente, o mercado privado (que é o principal motor da inovação) não dão tanta prioridade a ciência o quanto deveriam.
Porém, Nicolelis tinha várias ideias. Concebeu e lidera o projeto do Instituto Internacional de Neurociências de Natal. Sim, em Natal, criou um centro de pesquisas em neurociências com referência internacional afastado dos grandes centros científicos do país, descentralizando a pesquisa acadêmica. Lógico, como isso não gera danos, os feitos de um dos maiores cientistas da atualidade no Brasil não foram notícia e ninguém se importou ou sequer sabia disso.
Porém, Nicolelis tinha um plano. Com uma tecnologia digna de filmes de ficção científica, um paraplégico iria caminhar e dar o chute inicial na abertura da Copa do Mundo do Brasil com reconhecimento tátil por eletrodos ligados diretamente no seu cérebro. Lançou a si mesmo a ambiciosa meta de fazer isso em quatro anos. Em um país que se queixa da perda de cérebros para o estrangeiro, isso deveria ser notícia, mas não foi nada comparada ao penteado do Neymar.
Porém, Nicolelis seguiu em frente, obteve avanços no projeto e estava preparado para a exibição na Copa do Mundo. A FIFA havia prometido o pontapé inicial, mas alegou que o exoesqueleto iria danificar o gramado (!!!) e por isso só permitiu alguns segundos de exibição. Lógico que houve a frustação depois disso.
Porém, o pior estava por vir. De repente, todos se tornaram especialistas em exoesqueletos, que a tecnologia era ultrapassada, que não tinha nada demais, que ele reinventou o que já havia sido inventado, que era mais um papelão, que nada no Brasil nunca dá certo mesmo, Imagina na Copa. Porém, ainda havia o pior e mais ridículo. Como Nicolelis recebeu recursos do Estado Brasileiro, que hoje é coordenado pelo PT, a sua ciência era suja, os seus feitos eram ridículos e só podia haver mensalão no meio. Chamem o Joaquim Barbosa!
Porém, nada me enojou tanto quanto esses tweets. Reinaldo Azevedo, Roger e Mainardi são ridículos e isso é um fato. Todavia, o pior é que eles sejam levados a sério por tantas pessoas nesse país e elevados a níveis de pensadores sem nunca terem criado nada, apenas viverem de ataques e achincalhes rasteiros. Que milhões de pessoas nesse país pensem exatamente como ele.
Enfim, menos um cientista de ponta atuando no país. Parabéns, povo idiota!

Sobre PS4, bananas e vacas francesas

Sempre tive muita preguiça de discutir comparações sobre o preço do PS4 no Brasil e nos Estados Unidos. Para mim, isso é de discussão de o “governo rouba”, “coisas assim só acontecem no Brasil” ou “imagina na Copa”.

Ver discussões dessas no Facebook ou na Veja realmente não me chocam mais, mas ver alguém do porte do Vladimir Safatle dando uma resposta simplista como tudo sendo culpa “dos oligopólios, amigos do governo” (como se a criação das controvertidas “empresas campeãs nacionais” por meio do Estado tivesse sido inventada no Brasil e não em países hoje desenvolvidos) é de uma tristeza imensa e o que me motiva a escrever isso.

No Brasil pagamos mais caros por carros, PS4 e outros eletrônicos, amigos, não por causa dos amigos do Governo ou porque o Governo, sempre ele, nos rouba. Precisamos pagar impostos altos porque depois da ditadura militar, várias demandas sociais reprimidas durante os anos de chumbo afloraram durante a elaboração da nossa Constituição Cidadã. Saúde pública para todos, aposentadoria garantida para todo e qualquer cidadão brasileiro ainda que não tenha contribuído a vida inteira, educação pública (que no nível fundamental e médio é de baixa qualidade, mas no nível universitário, para uma classe média que tanto gosta de falar que não usufrui dos impostos, mantém as melhores universidades da América Latina) entre outros, são conquistas sociais de extremo valor.

O problema é que tais conquistas custam caro, MUITO caro! Durante a abertura democrática, todas essas demandas sociais foram adicionadas a nossa Constituição sem que ninguém se preocupasse com o quanto isso ia custar. A conta para se manter o maior sistema de saúde pública do mundo, maior sistema público de transplantes do mundo, é cara! Bem cara! Só para título de comparação, na terra do PS4 barato, não existe universidade pública e nem sistema de saúde público. As pessoas literalmente morrem no meio da rua se não tiverem plano de saúde, mas claro, o importante é jogar GTA V a custo de poucos dólares.

Outro ponto que nosso amigo Safatle esqueceu de tocar é que os países naturalmente (seja por grupos de interesses, lobby ou mesmo para proteção de empregos) tendem a proteger os seus mercados menos competitivos. E isso, não é só no Brasil do “imagina na Copa”, é no mundo inteiro. Cada vaca francesa recebe um subsídio mensal do governo maior do que a maioria da África Subsaariana recebe de salário, por exemplo. Já que a moda agora é falar dos Estados Unidos, todo mundo fala que lá o PS4 é barato, mas ninguém fala que uma geração inteira de negros na terra do XBOX barato está sendo perdida para obesidade porque as pessoas não possuem recursos para se alimentar com vegetais e produtos naturais. Isso lá custa caro, MUITO caro. Na terra do Honda Civic a preço de banana, as pessoas não conseguem comprar bananas por causa do seu alto custo e são obrigado a se empanturrar com fast food. Porque isso ocorre? Porque assim como taxamos produtos eletrônicos esperando proteger uma indústria nacional que há anos se prova ineficiente neste setor, eles também fazem o mesmo com seu setor agrícola. Isso sem falar no preço dos serviços, basta apenas comparar quanto custa uma lavagem de carro, um corte de cabelo entre outros serviços.

Portanto, o que eu sugiro a todos é que desconfiem de soluções muito fáceis e simplistas para problemas complexos. Se é tão simples resolver, porque esquerda e direita em quase 30 anos de democracia nunca resolveram? Simples! Porque todo mundo é favor de mais liberdades econômicas, Estado eficiente e menos gastos públicos, o problema é que ninguém diz como fazer isso. Como vamos diminuir os gastos públicos? Privatizando universidades públicas? Privatizando hospitais? Diminuindo ainda mais a nossa taxa de investimento? Cortando o salário dos políticos (que se zerássemos não economizaríamos nem 1% do que gastamos)?

Pois é, se ninguém consegue responder isso agora, imagina na Copa?