Viagem a Belize: multiculturalismo, dólar belizense,  desafios locais e os paraísos chamados Caye Caulker e Shark Ray Alley

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Belize sempre foi um país que me fascinou. É uma daquelas regiões que parecem ter se perdido do resto do continente. Enquanto seus vizinhos falam espanhol e carregam a herança das colônias espanholas, Belize segue seu próprio caminho com o inglês como língua oficial, legado da colonização britânica. É o único país da América Central continental com esse perfil, quase como uma Guiana da América Central, sendo deslocado linguisticamente e, de certa forma, culturalmente também. Assim como nas Guianas da América do Sul, percebi que entre os centro-americanos, quase ninguém sabia direito o que tinha por lá. Muita gente com quem eu conversava em El Salvador ou Honduras me olhava com cara de interrogação quando eu dizia que meu próximo destino era Belize. “Mas o que tem lá?”, perguntavam. E, honestamente, era essa mesma pergunta que me atiçava.

Mas havia também um outro motivo bem mais prático: o mar. Eu já tinha visto alguns vídeos de uma galera fazendo snorkel em Belize, nadando no meio de tubarões e arraias, num lugar chamado Shark Ray Alley, e desde então fiquei obcecado com a ideia de viver aquilo. Não era uma aventura estilo Discovery Channel com jaula de ferro nem cilindro de oxigênio — era simplesmente colocar a máscara, cair na água e nadar com os bichos. E, por mais contraditório que pareça, a ideia de nadar cercado por tubarões naquele cenário de águas cristalinas me transmitia mais curiosidade do que medo.

Além disso, Belize me parecia ter um tipo de beleza ainda meio bruta, não domesticada. Eu queria ver isso de perto: esse país que ninguém conhecia direito, que tinha praias caribenhas, floresta tropical, influência maia, rastafári, placas em inglês e até mesmo fronteiras ainda em disputa com a Guatemala. Um país estranho aos vizinhos e ainda mais estranho para quem o visita pela primeira vez — ou seja, exatamente o tipo de lugar que eu gosto de colocar na minha mochila.

Em alguns lugares da América Central quando perguntava se era bom de fazer snorkeling em uma praia específica, as pessoas me diziam “cara, não é como Belize, mas é muito bom”. Então, assim, nadar com peixes em Belize devia ser muito bom mesmo.

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O motivo de haver tantos tubarões por lá, especialmente nas áreas de snorkel como Caye Caulker, a região que eu mais queria conhecer, tem a ver com uma combinação rara de fatores ambientais, culturais e até econômicos. Primeiro, a costa de Belize abriga a segunda maior barreira de corais do mundo, atrás apenas da Austrália, o que cria um ecossistema marinho riquíssimo, com abundância de peixes, crustáceos e outras espécies que fazem parte da cadeia alimentar dos tubarões. Além disso, ao contrário de outros países do Caribe que historicamente incentivaram a pesca predatória de tubarões ou simplesmente nunca regulamentaram o setor, Belize implementou medidas de conservação bem antes dos vizinhos. Em lugares como Caye Caulker, é comum ver guias alimentando os tubarões com pequenos peixes para atrair os bichos e proporcionar aquele visual cinematográfico durante os mergulhos. Os ambientalistas odeiam isso, mas enfim, os tubarões amam. O resultado é esse: um país pequeno, com mar calmo, água cristalina e uma concentração de tubarões costeiros que nenhum outro vizinho consegue igualar.

História de Belize

A história de Belize é marcada por uma trajetória peculiar dentro da América Central. Originalmente habitada por povos maias, a região foi alvo de disputas coloniais entre espanhóis e britânicos a partir do século XVII. Embora a Espanha alegasse soberania sobre o território, foram os britânicos que, pouco a pouco, consolidaram sua presença, inicialmente com assentamentos de madeireiros conhecidos como “Baymen”. Esses colonos extraíam mogno e outros recursos da floresta tropical, estabelecendo um sistema econômico voltado para a exportação à metrópole. Apesar das tentativas espanholas de expulsá-los, os britânicos resistiram, e após diversos tratados e conflitos diplomáticos, a Coroa britânica formalizou o controle da região em 1862, batizando-a oficialmente como Honduras Britânica. Então a Inglaterra tinha a Honduras Britânica na América Central e a “Guiana Britânica” na América do Sul, atual Guiana. Isso mostra como Belize sempre foi visto como uma exceção regional, mais ou menos um Espírito Santo da América Central, mais alinhado com o mundo anglófono do que com seus vizinhos centro-americanos.

E essa origem colonial é a chave para entender por que Belize não virou um país de falantes de espanhol como os demais da América Central. Ao contrário de países como Honduras ou Guatemala, que foram colônias espanholas e herdaram a língua e instituições da Coroa espanhola, Belize manteve-se sob controle britânico por mais de um século, consolidando o inglês como língua oficial, o sistema jurídico de common law e uma estrutura administrativa ao estilo britânico. Até sua independência, conquistada apenas em 1981, Belize permaneceu culturalmente isolado de seus vizinhos hispânicos. Isso não quer dizer que o espanhol não esteja presente — ele é amplamente falado como segunda língua, especialmente nas regiões próximas à fronteira com a Guatemala e o México. Mas o país se estruturou com base no inglês, e essa identidade linguística diferenciada acabou reforçando seu status de “peça solta” no quebra-cabeça centro-americano.

Vida em Belize

Assim como diversos países caribenhos, Belize é um mix de descendentes de africanos que foram trazidos como escravos (que eles se referem como “criolos”), maias, ingleses (hoje bem poucos), árabes, indianos e muitos, mas muitos descendentes de central americanos que fugiram para lá como refugiados das diversas guerras civis que ocorreram pela América Central (notadamente de El Salvadorenhos, Guatemaltecos, Hondurenhos e Nicaraguenses) e mexicanos que basicamente foram procurar um lugar para viver. Então, amigo, o país tem como língua oficial o inglês, mas muita gente por lá fala espanhol, muita mesmo. “Aqui tem muita terra e somos apenas 400.000 habitantes, então tem espaço para todo mundo” – me disse um cara de Belize. Lá, o multiculturalismo não é só marcante, como é celebrado. Para mim foi uma sensação semelhante a que vi no Suriname.

Acaba então que lá a coisa se inverte em relação a San Andrés na Colômbia ou Roatan em Honduras, os descendentes de africanos falam só inglês e saem em desvantagem com os descendentes de latinos que aprendem inglês na escola e espanhol em casa com os pais. Era engraçado, qualquer vendinha que eu e Bruna entrava, apesar da gente falar inglês, os vendedores iam buscar um latino e ele já começava a conversar em espanhol com a gente. Isso quando não era um mini-mercadinho, porque aí parecia que todo mini-mercadinho era de um chinês. 

Outra coisa interessante, eles têm uma moeda própria, o dólar belizense, mas na verdade a economia é dolarizada de fato. Cada dólar americano valia dois dólares belizenses. Então você tem que perguntar em qual dólar tá os preços, porque às vezes você pode se dar mal. Na verdade, por conta disso eu vi porque que as coisas são tão caras para turista no Caribe. Cara, enquanto eu e Bruna estávamos economizando cada centavo de dólar para poder fazer os passeios, um gringo simplesmente tirou um calhamaço de notas de dez dólares do bolso e deu de gorjeta pro pessoal do barco. Juro, pelo que eu tinha conseguido contar, era ao menos 80 dólares de gorjeta. Quase 500 reais. Ali… de “gorjeta”. Aí é mole. Eu nasci no país em que um dólar é seis reais. Ele nasceu no país em que um dólar é um dólar. O problema é que acaba o passeio e todo mundo do barco fica meio que esperando que você deixe um agrado. Se eu deixei? Rapaz, eu dei um abraço nos caras e vida que segue.

Em Cozumel, onde nós fomos antes, chegamos a pegar um passeio de barco onde a tripulação ficou uns 10 minutos explicando o quanto gorjeta era importante pro trabalho deles. E qual foi o problema? Mano, no barco só tinha latinos. Era eles pedindo gorjeta e cada um olhando pros lados fingindo que não era com eles. Eu, obviamente, fiquei olhando para a água procurando peixinho. E nada dos caras ganharem gorjeta.

Cara, só para você ter uma ideia, em uma outra vendinha, teve uma gringa que foi comprar um suco e a moça da vendinha falou que era vinte dólares. Primeiro que, mano, quem paga 120 reais em um suco, pelamordedeus. Ela foi lá e deu 20 dólares americanos. Aí a mina da vendinha falou “não moça, são 20 dólares de Belize, então são 10 dólares dos Estados Unidos”. O suco era “apenas” 60 reais. Rapaz, depois a que moça da vendinha deu o suco para a gringa, ela pegou os 20 dólares de Belize de troco (que dá o total de 10 dólares americanos) e simplesmente pôs na caixinha de gorjeta de papelão que a vendinha tinha bem na frente. Sessenta reais, assim, de graça. De gorjeta. Cara, aí fica fácil entender porque eles devem odiar atender latino como a gente que economiza cada dólar. 

Nadando com os tubarões, a caminho de Caye Caulker

Como eu não queria correr o risco de cair em uma roubada igual foi a natação com os porcos de Bahamas, desde o Brasil eu já fui reservando o barco para a gente ir ver os tubarões  em Belize. Paguei caro, bem caro. Poderia ter pago mais barato se eu descesse em Belize e tentasse negociar direto no porto? Sim. Eu queria arriscar? De forma alguma.

Interessante que ao contrário de todos os outros países que visitei de cruzeiros, Belize foi o único até agora em que o navio não atracou. Cara, o navio ficava no meio do oceano, aí vinha um barquinho pegar a gente e levar para o continente. Mas, assim, ainda foi uns 20 minutos nesse barquinho, era longe mesmo. 

Isso acontece porque o litoral de Belize, especialmente na região da capital, é raso e protegido por uma extensa barreira de corais — a segunda maior do mundo como já falei. Essa formação natural, embora seja ótima para preservar a biodiversidade marinha e proporcionar águas calmas e cristalinas, torna impossível que navios de grande porte se aproximem da costa sem risco de encalhar. Não existe um porto com profundidade suficiente para receber cruzeiros diretamente, então a solução é o chamado “tender service”: os navios de cruzeiro ficam fundeados em alto-mar, e pequenos barcos fazem o translado dos passageiros até a terra firme.

Então descemos no porto e já fomos encontrar a menina da agência que tinha negociado comigo o passeio. Interessante que ela já veio conversando comigo em espanhol. Me explicou que ela era descendente de mexicanos e que a avó dela, mesmo tendo nascido em Belize, não falava inglês até hoje. A guia me falou que só falava inglês porque tinha ido a escola, porque os mais velhos da família dela não falavam inglês até hoje, só os jovens porque aprenderam na escola. 

Pegamos o barco e fomos fazer o nosso passeio. E, cara, chegar a Caye Caulker foi bem demorado. 

Caye Caulker realmente era um paraíso. Cara, não havia nem carros por lá. Travessias mais longas ou eram feitas de carrinho de golfe ou de trator. Assim que chegamos, aportamos em um restaurante com preços abusivos em dólares que estava bem aquém do que poderíamos pagar. Dólares de Belize? Não, dólares americanos mesmo. Coisas absurdas, cara, tipo sessenta dólares americanos para comer qualquer peixinho mequetrefe lá. Os gringos foram pedindo todos os itens do menu e eu e Bruna fomos atrás de uma vendinha na ilha para poder comprar ao menos uma Coca Cola para tomar. Acabamos achando um mini mercadinho de, vejam você, um chinês. Engraçado que o mercadinho chamava “Amigo market”. Então a gente tinha certeza que o dono era latino. Chegando lá era um chinês. Tentei bater um papo com ele para saber como era a vida de um chinês em Belize, mas ele não quis nem papo. Só falou “obrigado” e tacou a gente para fora da vendinha. De “amigo”, o mercado só tinha o nome. 

Dá para ver os tubarões na água, são as manchas

Na volta a gente viu uma garçonete correndo aos gritos mandando um barco voltar. Acredita que um gringo quis dar calote? Eu posso contar cada centavo de dólar que eu gasto, mas calote nunca vão botar na nossa conta. Gringo miserável e caloteiro, rapaz.

Depois voltamos para o barco e de lá fomos fazer o passeio dos tubarões. Chegando lá, foi, impressionante. Cara, eu já tinha visto alguns tubarões nadando em Noronha, mas era sempre um ou outro e lááá longe. Onde a gente parou era quase um cardume. E não só de tubarões, mas tubarões e arraias também. Era tanto tubarão que você quase que se esbarrava neles. Foi fascinante demais.

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Depois ainda fomos nadar com peixes em um local com corais, mas nem de longe foi tão legal quanto ver os tubarões. Um dos caras do barco era engraçado demais. Ele era descendente de latinos, falava espanhol e contou várias curiosidades sobre Belize. Uma delas é que quando ele era jovem, as crianças que não se comportavam eram levadas para cortar cana debaixo do sol escaldante de meio dia. Como ele sabia disso? Segundo ele, ele acabou ficando muito bom em cortar cana por conta disso. 

Perambulando pela capital, a Cidade de Belize

Depois que voltamos do nosso passeio com os tubarões e de eu dar o abraço de gorjeta para a tripulação fomos dar uma volta pela cidade de Belize. Cara, vou te contar, caminhar pela Cidade de Belize foi aqueles momentos em que você dá valor em ter nascido no Brasil. Cara, a cidade era toda zoada, suja, com umas construções caindo aos pedaços. Não vimos um edifício de apartamentos ou coisa do tipo. Sério, era uma desolação parecida com o que eu vi em Georgetown quando viajei à Guiana ou ao Haiti. 

Visitamos a “Biblioteca Nacional” que devia ser menor que a biblioteca que tinha na minha escola no Maranhão e o “Museu Nacional” que devia ser menor do que a casa que muita gente mora no Brasil. O melhor do museu mesmo foi só que lá tinha um ar-condicionado moendo de frio, então valeu os sete dólares americanos que tivemos que pagar por pessoa para poder entrar. O prédio do museu nacional era uma ex-prisão, então até tinha umas coisas legais por lá. Além disso, também tinha uma ala sobre escravidão que eu achei bem interessante.

Biblioteca Nacional

Mas o que mais me chamou a mesmo a atenção foi o fato de que a gente estava caminhando na capital de um país e simplesmente quase não havia ninguém nas ruas. Em plena quarta feira. Cara, aquilo me chamou a atenção demais. Andamos, caminhamos pelas ruas e depois voltamos pro nosso barco que estava lá no meio do mar. Infelizmente no outro dia, ainda tínhamos mais uma parada marcada em outra praia do México. Mas, cara, acredita que o barco não parou? O comandante do navio falou que não conseguiu fazer as manobras porque segundo ele “o vento tava muito forte” e simplesmente cancelaram um dia nosso de passeio. Cara, o barbeiro do italiano não conseguiu fazer a baliza direito e cancelou o nosso passeio. Pelo menos deu para a gente descansar um pouco. E bem, ainda bem que Belize deu certo, porque foi o local mais legal que eu fui em toda essa minha viagem.

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HONDURAS – Vida em Roatán: os bastidores de uma ilha paradisíaca e suas contradições

Depois que passei por El Salvador e Nicarágua, viajei de Manágua, capital da Nicarágua, para Forte Lartedeaule para encontrar a Bruna. De lá pegamos um cruzeiro pela América Central. Como já mencionei algumas vezes, cruzeiros são uma das melhores formas de visitar países que eu não quero passar muito tempo, haja vista que eles me economizam gastos com voo e hospedagem e até mesmo com alimentação. Bem, basta você comer bastante no navio antes de sair (sim, meio que encher o tanque), descer, passear no lugar e depois só comer quando voltar ao navio novamente.

Bem, eu e Bruna nos encontramos e seguimos para o nosso cruzeiro. A nossa primeira parada foi em Cozumel, ilha que eu já havia visitado há 10 anos atrás em 2015 e por isso não vou postar sobre, e depois descemos em Roatán, o principal ponto turístico de Honduras

Roatán, em Honduras

Mas antes vamos entender sobre a história do lugar

História de Honduras

Honduras, localizada no coração da América Central, tem uma história marcada por civilizações antigas, conquistas coloniais e turbulências políticas. Antes da chegada dos espanhóis, o território hondurenho era habitado por povos indígenas, com destaque para os maias, que deixaram vestígios impressionantes em sítios arqueológicos como Copán. Em 1502, Cristóvão Colombo desembarcou na costa atlântica de Honduras durante sua quarta viagem às Américas e logo depois os espanhóis iniciaram a colonização, subjugando os povos nativos. O país conquistou sua independência da Espanha em 1821, junto com outras colônias da região, passando por diversas configurações políticas até se tornar uma república autônoma.

Durante o século XX, Honduras ganhou notoriedade como uma “república das bananas”, expressão usada para descrever países onde empresas estrangeiras, especialmente norte-americanas, controlavam grande parte da economia, sobretudo por meio da produção e exportação de banana. Esse domínio econômico externo, somado a golpes militares, instabilidade política e pobreza crônica, moldou uma parte significativa da identidade contemporânea hondurenha. Apesar disso, Honduras é um país com uma cultura rica, forte presença indígena, tradições caribenhas e um povo hospitaleiro que dá seu jeito para desenrolar a vida, basicamente como em toda América Latina onde a gente vai levando a vida do jeito que dá.

Já Roatán, uma ilha localizada no Caribe hondurenho, tem uma história à parte. Colonizada inicialmente pelos espanhóis, a ilha foi posteriormente tomada por piratas e corsários ingleses, servindo como base estratégica para ataques à frota espanhola. No século XIX, Roatán chegou a ser formalmente administrada pelos britânicos, e até hoje grande parte da população, principalmente os descendentes de escravizados, tem o inglês como primeira língua. Hoje, Roatán é o principal destino turístico de Honduras, famoso por suas praias de areia branca, águas cristalinas e recifes de corais que fazem parte do segundo maior sistema de barreira de corais do mundo. Ao contrário do continente, onde os problemas sociais são mais visíveis, Roatán vive do turismo e da vida marinha, com um ritmo próprio, bem mais tranquilo e voltado para os visitantes que chegam em cruzeiros ou aviões pequenos buscando um pedaço do paraíso no Caribe longe da violência que assola Honduras.

Ao descermos em Roatán o primeiro problema foi que o porto era bem longe de qualquer resquício de civilização, então para ver alguma coisa da ilha ficamos refém do pior tipo de ser humano que existe neste planeta: os taxistas. Saímos andando da região do porto para a estrada e fomos tentar achar um táxi. Negocia daqui, negocia de lá, chora daqui, eles choram de lá, conseguimos um bom preço e chegamos a West End, a melhor praia de Roatán para poder nadar e ver os peixes. Depois conversando com uns guias, fiquei feliz quando descobri que paguei para o taxista quase o preço que um local pagaria para fazer o mesmo trajeto. Aí foi só orgulho. Valeu a pena chorar.

Como é a vida em Roatán

No caminho para West End (que deu quase uns 40 minutos) fomos conversando com o taxista e já entendendo a dureza que é a vida dos hondurenhos que vivem por lá. Na verdade, todo hondurenho local que eu pude conversar me falava o tanto que a vida em Roatán era dura. Pelo o que eu pude entender, era ainda pior que a vida do pessoal que mora em Fernando de Noronha. Cara, as casas da maioria da galera da ilha e também os comércios (que não estavam relacionados ao turismo) era bem precários. Mas assim, ruim mesmo, pobre, meio que caindo aos pedaços. A galera lá vive no fio da navalha.

Conversando com um local, eu descobri que a ilha só foi ter luz elétrica em 1991. Luz elétrica, cara. Eu perguntei para o local como era e ele falou: “Cara, era maravilhoso, a gente vivia superfeliz. Hoje em dia que é ruim, porque falta luz e a gente fica sentindo falta.”

Como a ilha vive a base de turismo, tudo por lá é cotado em dólar, inclusive para os locais. Então tudo lá é caro, MUITO caro. O preço da gasolina era quase o dobro do preço cobrado no continente hondurenho. Então você imagina como é viver em uma ilha onde tudo é dolarizado e os salários são bem baixos. Pelo que entendi muita gente tem empregos normais como vendedores em lojas, em comércios, coisas assim, mas quando um navio de cruzeiro chega, a ilha meio que para. Todo mundo corre para atender os turistas do navio e aí é um salve-se quem puder. Quem tem carro sai fazendo táxi, quem pode faz uma banca na frente de casa e vai vender souvenir, fruta, comida… Quem pode, oferece massagem, serviço de guia e por aí vai. Todo mundo sai para se virar. Imagina? É um navio com, literalmente, milhares de pessoas que ganham em dólar descendo na ilha do dia para a noite. É simplesmente uma loucura. Infelizmente não descem navios todo dia. Na baixa temporada, que foi a que eu fui, são 2 a 3 navios por semana. Na alta, de 4 a 5. Roatán também tem um voo internacional que recebe voos diretos do Canadá, Estados Unidos e até de alguns países da Europa. Segundo um taxista que eu conversei, a maioria são de turistas que conheceram a ilha por meio de cruzeiro, gostaram e depois resolveram voltar para ficar mais tempo.

Assim como várias ilhas caribenhas que eu visitei que são partes de países latinos, Roatán também é cheia de negros, resquícios da época que a ilha era de propriedade da Inglaterra. Os negros geralmente pareciam se dar um pouco melhor que os latinos porque eles têm inglês como a primeira língua. Inglês eles aprendem em casa e aprendem espanhol na escola, então saem bem na frente dos habitantes que falam espanhol quando é para tratar com turistas americanos e europeus.

Visitando a praia de água cristalina

Quando chegamos à praia pudemos ter ideia de como os preços por lá são exorbitantes. Mas, bem, a praia era pública, então a gente encontrou um cantinho com sombra, pusemos nossas coisas e fomos fazer snorkeling. Mas quando falo um cantinho, era um cantinho mesmo, cabia uma pessoa na sombra. Uma pessoa sentada. Depois vimos que os guias levavam todo mundo para lá para não pagar por cadeiras nem guarda sol. Mas acabou que lá era o melhor lugar para nadar e ver os peixes também.

Cara, a água lá era tão cristalina que dava para você, literalmente, ver peixes mesmo sem estar com o rosto na água. Assim que chegamos já existia um cardume de peixes esperando a gente. Nadamos perto deles por um tempão. Depois eu me aventurei para mais dentro dos corais e vi mais alguns peixes, mas o pior que a maioria dos peixes se concentrava perto da areia mesmo. Em uma dessas nadadas com os cardumes, era tanto peixe que eu quase dei um tapa em uma barracuda que eu não tava vendo. Quase perco uma mão ali, rapaz. E acho que foi sorte de não ter um dedo arrancado mesmo, porque em Honduras a bruxa ficou solta para gente. Eu entrei no mar com o meu celular em uma capa que eu jurava que protegia ele da água e, bem, encharcou meu celular que acabou indo pro lixo. Ainda por cima a Bruna comeu alguma coisa que não fez bem e, rapaz, a gente chegou a pensar em abandonar o cruzeiro e descer no continente na próxima parada do tanto que ela tava passando mal.

Como eu nunca tive muita curiosidade de conhecer Honduras em si, me dei por satisfeito em visitar Roatán. O lugar é um paraíso e fiz um snorkeling muito bacana na ilha. Depois foi só voltar pro barco e se preparar pro destino mais aguardado, Belize.

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VIAGEM A SAN FRANCISCO| Beleza, Desafios e uma Visita Inesquecível a prisão de Alcatraz #california

Neste vídeo do O Mundo Numa Mochila, compartilho como foi explorar San Francisco, uma cidade cheia de contrastes e histórias fascinantes. Famosa por sua riqueza e organização, a cidade também enfrenta grandes desafios sociais, como a crise de moradia e o uso de drogas. Além disso, você vai me acompanhar na visita a uma das atrações mais icônicas da cidade e do mundo: a prisão de Alcatraz, localizada em uma ilha cercada pelas águas geladas da Baía de San Francisco. San Francisco é linda, mas prepare o bolso! Descubra como a cidade é uma das mais caras do mundo, com preços altos até para as coisas mais básicas, como transporte público e comida. Apesar disso, a visita vale a pena pelas experiências únicas: passeios por ruas famosas, museus interativos de ciência e até táxis com carros autônomos! Um dos momentos mais impactantes foi a visita à prisão de Alcatraz, conhecida como “A Rocha”. Neste vídeo, mostro como a prisão foi construída para ser inescapável e compartilho histórias sombrias dos detentos que passaram por lá, além de curiosidades sobre sua desativação e os desafios de mantê-la funcionando. O passeio é guiado por áudio em português e permite que você mergulhe na história de um dos lugares mais emblemáticos dos Estados Unidos. Também reflito sobre o contraste social da cidade, com muitas pessoas em situação de rua, impactadas pela falta de moradia acessível e pela crise de drogas. Caminhar por San Francisco é uma mistura de admiração e choque, com bairros organizados lado a lado com barracas improvisadas. Aperte o play para explorar San Francisco comigo, aprender sobre Alcatraz e descobrir os contrastes dessa cidade fascinante. Não se esqueça de se inscrever no canal, deixar seu like e ativar o sininho para não perder nenhum vídeo. Tem muita coisa legal por aqui!

VIAGEM A ESWATINI| Entre Montanhas e Realeza, a Umhlanga em 2024, a Reed Dance #mbabane #essuatini

Neste vídeo de O Mundo Numa Mochila, eu levo você para conhecer o pequeno e fascinante reino de Essuatíni, um país montanhoso e uma das últimas monarquias absolutistas do mundo. A minha visita aconteceu durante um dos eventos culturais mais importantes do país, o Reed Dance, ou Umhlanga, que celebra as tradições do povo suázi. A cerimônia, realizada todos os anos, é uma experiência única e impressionante, onde milhares de jovens, vestidas com trajes tradicionais, dançam e oferecem juncos ao rei e à rainha-mãe em uma celebração de cultura e pureza. Minha jornada começou em Joanesburgo, de onde viajei com a empresa Transmagnific até Mbabane, a capital administrativa de Essuatíni. Ao chegar, fui surpreendido pelo frio intenso que não esperava encontrar no país. Apesar do clima gelado, Essuatíni me conquistou com a beleza de suas montanhas e a simpatia de seu povo. Além de compartilhar os desafios econômicos e de saúde que o país enfrenta, como a alta taxa de HIV/AIDS e a dependência agrícola, conto como foi vivenciar uma cultura marcada pela presença do rei Mswati III, que governa o país com autoridade há décadas. No vídeo, mostro também minha experiência no Reed Dance, que acontece em Lobamba, a capital legislativa e o centro da monarquia suázi. Cheguei ao evento ansioso para ver a cerimônia, e pude testemunhar a impressionante organização do festival. Enquanto os grupos de jovens desfilavam, o país inteiro parecia parar para acompanhar a celebração. E embora o Reed Dance seja hoje um símbolo de tradição e unidade nacional, ele já teve um passado bem diferente, onde o rei poderia escolher uma nova esposa entre as participantes do evento. As curiosidades de Essuatíni não pararam por aí. Compartilho momentos que me marcaram, como a ausência de táxis convencionais, o preço inacreditavelmente baixo dos mirtilos e a sensação de estar em um país seguro e acolhedor, mesmo com suas complexidades políticas e sociais. Se você tem curiosidade em saber como é viajar para um dos países mais singulares da África, vem comigo nessa jornada fascinante e descubra mais sobre Essuatíni e o encantador Reed Dance! Aperte o play para mergulhar nessa cultura, e não esqueça de se inscrever no canal, deixar seu like e ativar o sininho para acompanhar minhas próximas aventuras pelo mundo!

Descubra a Nicarágua: história, ditadura de Ortega, pontos turísticos e calor infernal

Continuando no meu giro pela América Central, depois de viajar a El Salvador, meu próximo destino foi a Nicarágua. Enquanto El Salvador é fortemente apoiado pela galera de direita, a Nicarágua é exatamente o oposto. Hoje o país é dominado por uma ditadura de esquerda chefiado pelo ditador Daniel Ortega.

Justiça seja feita, o PT se distanciou da Nicarágua há uns dois anos só porque o Ortega resolveu prender opositores, perseguir a imprensa e condenar um bispo a 26 anos de prisão por “traição a pátria”. Essas bobeiras que todo ditador sempre faz. Porém, eu só fico pensando, o que você tem que fazer para um partido como o PT, que apoia abertamente o Maduro e Putin, romper relações com você. De qualquer forma, o embaixador do Brasil foi expulso e Brasil e Nicarágua não tem mais relações diplomáticas de fato. Era esse país que eu tava indo visitar e, o pior, tendo conhecimento de tudo isso que tava acontecendo.

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Historia da Nicarágua

A história da Nicarágua teve início com a presença de diversas etnias indígenas, como os sutiavas, chorotegas e nahuas, que habitavam a região antes da chegada dos europeus.  Em 1502, Cristóvão Colombo chegou à costa nicaraguense, mas a colonização espanhola efetiva só começou em 1524 com a fundação das cidades de Granada e León.  Durante o período colonial, assim como toda a América Central, a economia foi baseada na agroexportação e na mineração e a sociedade foi marcada por uma hierarquia social imposta pelos colonizadores. 

A Nicarágua conquistou sua independência da Espanha em 1821 e, após um período como parte das Províncias Unidas da América Central (onde se juntou com quase todos os países da América Central como Honduras, El Salvador…), tornou-se uma república soberana em 1838.  O século XIX foi caracterizado por instabilidade política, com conflitos entre liberais e conservadores, além de intervenções estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos.  O que era mais interessante era que os conversadores se concentravam na cidade de Granada e os liberais na cidade de Leon. Para evitar briga entre as duas cidades, Manágua acabou virando a capital, o que se mantém até hoje. No século XX, o país foi governado pela dinastia Somoza, que estabeleceu um regime apoiado pelos EUA.  Aí, teve de tudo, massacre, ditadura, revolução, invasão americana e por aí vai. Até que em 1979, a Revolução Sandinista, liderada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e por Daniel Ortega, derrubou o regime somozista, instaurando um outro governo ditatorial, mas dessa vez de orientação socialista. Ainda assim, eles trouxeram um pouco de estabilidade.

Após a Revolução Sandinista, a Nicarágua enfrentou uma guerra civil contra os “Contras”, grupos armados financiados pelos Estados Unidos.  Em 1990, enfim ocorreram eleições democráticas que resultaram na vitória de Violeta Chamorro e encerraram o governo sandinista.  Contudo, Daniel Ortega, retornou ao poder em 2007 e permanece na presidência desde então sempre se “reelegendo” assim como faz Putin e Maduro.  Seu governo tem sido marcado por autoritarismo, repressão a opositores e restrições à liberdade de imprensa, levando a críticas internacionais e ao distanciamento de antigos aliados políticos. 

Chegando a Manágua

Como todo país ditatorial, eu sabia que a imigração ia ser chata e iria dar trabalho. Geralmente esses países são bem desconfiados com estrangeiros, mas na Nicarágua, isso é meio paradoxal. A América Central e o Caribe dependem muito do turismo para movimentar a economia, então ao mesmo tempo que eles são desconfiados de estrangeiros, eles precisam de estrangeiros. Em um dos quatro checks que eu passei por agentes de imigração, uma oficial resolveu começar a me perguntar para quais países eu já tinha viajado. Falei que já tinha viajado a vários e seria difícil de lembrar. Eis que ela abriu o meu passaporte, começou a ver meus carimbos e começou a me perguntar “Para qual país você viajou em 2023?”. A mulher ficou encucada que eu não sabia responder e toma querer me pôr em contradição. Não adiantou eu falar que eu viajo a vários países por ano, enquanto eu não acertei o questionário dela, ela não me deixou passar. Enfim, no final deu certo.

A Nicarágua é tão atrasada que lá você ainda tem que preencher formulário na imigração. Quase país nenhum nas Américas você faz mais isso

Saí do aeroporto e, rapaz, parecia que eu tava no inferno. A Nicarágua é quente, QUENTE. Sério, é pior que São Luís. Graças a Deus consegui pegar o meu InDrive (na Nicarágua também o InDrive é mais popular que o Uber) e vamo que vamo.

Dia a dia na Nicarágua

Não sei se já falei, mas a Nicarágua é quente, quente como o próprio inferno. Às vezes eu tava andando na rua e entrava em um supermercado só porque tinha ar condicionado e ficava por lá, andando, só para esfriar o couro.

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A população por lá vive mal também. O país em toda sua história viveu na base do chicote de uma ditadura ou de uma revolução. Quando não era levante social, era terremoto, furacão e vulcão. Toda essa verdadeira sopa do diabo fez o país se tornar o segundo mais pobre das Américas, só não sendo pior que o Haiti.

E, cara, você vê pelas ruas que a população vive mal. Os próprios carros que eu andava era tudo caindo aos pedaços. Um desses motoristas era um engenheiro no mais clássico “engenheiro que dirige Uber” como a gente tinha no Brasil. Mas, cara, eu não sei nem como o carro dele saía do lugar, porque era todo caindo aos pedaços e ainda fazia uns barulhos estranhos. Conversando com ele, você percebia que o cara não tinha perspectiva nenhuma de vida, sabe? Me contava que estava triste porque havia perdido o seu emprego numa grande empresa como engenheiro. Quanto ele ganhava? 2000 reais por mês. Vendo aquilo eu entendia por que tinha gente que arriscava tudo e simplesmente tentava entrar nos Estados Unidos, nem que fosse a nado ou caminhando pelo deserto, como vários que eu conheci nessa minha viagem pela América Central e haviam sido deportados.

A pobreza que eu vi pela América Central não era como o Brasil. No Brasil a gente vive ferrado, mas você pode estudar, pode fazer um curso, enfim, você vai levando. O que eu conversava com o povo lá era falta de perspectiva total, nenhuma possibilidade de crescimento. Isso com os Estados Unidos ali do lado. Além de tudo, que, não sei se já falei, lá era quente demais. Meu Deus.

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Perambulando pela Nicarágua

Apesar de ser quente como só o diabo, eu gostei bastante da Nicarágua. A população era muito simpática e as coisas eram relativamente baratas. A comida também era muito boa.

O que eu achei interessante é que pela cidade você vê aqueles letreiros “à vitória sempre”, “iremos vencer” e coisas assim. Cara, juro, parecia até a Coreia do Norte. Outra coisa interessante também foi que tinha uma imagem imensa de Chávez no meio de uma das avenidas principais de Manágua.

Letreiro na igreja

Gostei também dos diversos lagos que foram formados em bocas de vulcões e que acabam dando uma visão bem bacana e bonita.

Outra coisa que chama a atenção é que por onde você anda em Manágua você vê umas árvores coloridas bregas pela cidade.

Essas coloridas estruturas metálicas conhecidas como “Árboles de la Vida” tornaram-se um dos elementos mais distintivos do cenário urbano de Manágua.  Elas começaram a ser instaladas a partir de 2013 por iniciativa da brilhante Rosario Murillo, vice-presidente e, veja você, primeira-dama da Nicarágua. Segundo a grande Rosario, essas esculturas de 15 a 20 metros de altura foram inspiradas na obra “Árvore da Vida” de Gustav Klimt e foram concebidas para simbolizar esperança e renovação.  No entanto, sua estética chamativa (eu prefiro chamar de brega) e, principalmente, o elevado custo de instalação e manutenção geram críticas significativas, especialmente considerando o contexto de pobreza do país. Cada mimo desses, cara, custa entre 20.000 e 25.000 DÓLARES, por unidade. Além de que essas árvores custam cerca de 1 milhão de DÓLARES anuais em eletricidade

Olha que parada brega

Durante os protestos de 2018 contra o governo de Daniel Ortega, muitos desses “árboles” foram derrubadas ou incendiadas por manifestantes, que as viam como símbolos do autoritarismo e do gasto excessivo do regime  . Apesar disso, o governo continuou a instalar novas estruturas, reforçando seu papel como emblemas do poder político vigente.

Viajando a Granada

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Por último, eu tive que viajar para a cidade de Granada, uma cidade histórica que fica do lado da capital Manágua. Eu fui porque todo mundo falava que eu não podia perder de ver a cidade de jeito nenhum. Eu não tava querendo muito ir porque era longe, eu ia perder um dia inteiro e, bem, eu já visitei muita cidade histórica na América Latina, então elas meio que se repetem depois de um tempo, mas vamos lá.

Peguei o meu Indrive, me preparei para enfrentar o calor infernal e vamos que vamos. A primeira coisa que me chamou a atenção é como o povo da América Central gosta do nome “Granada”. É Granada na Guatemala, é Granada na Nicarágua, é país chamado Granada e por aí vai.

Cheguei na cidade e era o que eu esperava. Quente. E nada demais. Mais uma cidade colonial latina americana, mas bem mais ou menos. A cidade de Granada da Guatemala eu achei bem mais legal e ainda tinha umas visões de uns vulcões ao redor que eram bem legais. Ruim não foi, mas não valeu o esforço.

No final, não vou dizer que não vale a pena, mas de todos os países que eu visitei na América Central continental, acabou que a Nicarágua foi o que eu menos me interessei.

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Viagem ao HAVAÍ| O que ocorre quando o Predador te recebe na casa dele #havaí #honolulu

Neste vídeo compartilho uma das histórias mais inacreditáveis e bizarras da minha viagem de volta ao mundo, quando fiquei hospedado em uma casa pelo Couchsurfing no Havaí. Se você já assistiu aos meus vídeos, sabe que eu gosto de explorar o inesperado em cada destino, mas nada me preparou para o que estava por vir nessa hospedagem. O que parecia ser uma estadia tranquila em Honolulu rapidamente se transformou em uma das experiências mais malucas da minha vida! Cheguei no Havaí pronto para me aventurar pelas paisagens paradisíacas e viver um pouco do estilo de vida havaiano. Mas, ao ser recebido no aeroporto pelo meu anfitrião, que, na foto do Couchsurfing, parecia um artista plástico tranquilo, percebi que as aparências realmente enganam. Ele parecia mais o Predador, com seus 13 piercings e estilo punk hardcore! Fui levado para uma casa cheia de personagens excêntricos, como um cara com cinco brincos transversais na mesma orelha e outro com um PhD em matemática, o qual eu nunca imaginaria encontrar nesse cenário maluco. Durante minha estadia, enfrentei uma série de situações bizarras, desde uma casa caótica cheia de revistas de death metal espalhadas pelo chão até um banheiro que parecia saído de um filme de terror, com pelos por toda parte e uma banheira imunda. E, claro, quem não ficaria assustado ao descobrir que o anfitrião era satanista e mantinha cruzes de ponta-cabeça em seu quarto? Foi uma semana de insanidades que me deixou no limite, mas que também me ensinou a importância de quebrar preconceitos e ver além das aparências. Mesmo com todas essas situações assustadoras, Bobby e os outros moradores da casa acabaram sendo pessoas extremamente solícitas e amigáveis, me mostrando o Havaí de uma forma que eu jamais imaginaria. No fim das contas, apesar dos choques iniciais, a experiência acabou se tornando inesquecível e cheia de histórias para contar. Neste vídeo, você vai ver como sobrevivi a essa aventura fora do comum e, claro, todos os momentos inusitados que fizeram dessa hospedagem uma das mais marcantes da minha volta ao mundo. Aperte o play para acompanhar cada detalhe dessa jornada e aproveite para explorar outros vídeos do canal, onde compartilho documentários sobre os 32 países que visitei durante a viagem. Se você curtir esse vídeo, não se esqueça de deixar o seu like para ajudar no engajamento, inscrever-se no canal e ativar o sininho para receber notificações de novos vídeos. Tem muita coisa legal vindo por aí! E não se esqueça de votar nas enquetes para escolher os próximos documentários. Vem viajar comigo em mais essa aventura louca! Kit-viagem, os 11 itens essenciais que sempre levo comigo em todas as viagens e sugiro: 📱📷🎥 Meu celular/câmera __ https://amzn.to/3z9vHkS 📷🎥✈️Minha câmera/drone 360º __ https://amzn.to/3Vu6qcu 💾 Cartão de memória __ https://amzn.to/4eBInRQ 🔋 Meu Carregador Portátil __ https://amzn.to/3zoinc8 🎒 Minha mochila __ https://amzn.to/3KUluLB 🔌 Adaptador de tomada universal __ https://amzn.to/3VPEBwG 👜 Organizador de cabos __ https://amzn.to/45CujmF 🎧 Fone cancelador de ruído __ https://amzn.to/4es6PVH 🛁 Kit de higiene bucal para viagem __ https://amzn.to/3VRm6YB 🔋 Kit de adaptadores para viagem __https://amzn.to/3KZkV2Y 💰 Doleira para esconder o dinheiro __https://amzn.to/3VD0rSG Outros produtos que sugiro: 🎒 Mochila mais barata https://amzn.to/3VTIhh5 🧳 Mala de viagem https://amzn.to/3XAxWYG 💲💲 Quer me dar uma força pro canal para eu sempre produzir conteúdo?💲💲 PIX: claudiounb@gmail.com Inscreva-se no canal para sempre receber atualizações Acesse http://www.omundonumamochila.com.br para ter acesso a essa e outras histórias Nos siga no http://www.instagram.com/omundonumamochila para mais fotos de viagem

El Salvador hoje: seguro, polêmico e cheio de contrastes

Então, respondendo a sua pergunta. A sensação de segurança no país é absurda, você vê meninas andando sozinha nas ruas, pessoas deitadas em banco de praça a noite usando celulares despreocupadas e coisas assim. Ainda tem um ou outro segurança privado na rua andando de escopeta, mas me disseram que isso é mais por conta de costume do que realmente necessário.

Eu perguntava pros seguranças porque eles andavam de escopeta e eles me falavam pq era a arma que eles tinham. Não muito porque precisavam
Cara lendo celular no meio de uma praça no centro da capital de El Salvador. Cena rara em outros países da América Latina

Confesso que a única capital na América Latina que eu senti esse nível de tranquilidade foi em Havana, Cuba. O que eu vejo é que El Salvador é hoje a Cuba da direita. El Salvador e Cuba tem problemas de abuso de direitos humanos? Sim. Tem problemas com instituições democráticas? Sem sombra de dúvidas. Principalmente Cuba.

O que eu acho disso? Cara, eu só acho que eu fico muito feliz de andar na rua sem medo de alguém me passar na bala para roubar meu celular. Essa também foi a impressão que eu tive quando eu perguntava sobre Bukele aos salvadorenhos. Todo mundo dizia “Eu sei que ele faz algumas coisas meio diferentes, mas esse país era um inferno de violência antes dele”. Os motoristas de Uber faziam questão de passar dentro das favelas salvadorenhas e me dizer “Há uns anos atrás ninguém podia passar por aqui sem permissão e você não via crianças brincando na rua como vê agora.”

Mas sim, o país continua bem pobre. Na verdade, é um dos mais pobres das Américas. Mais pobre até que o Paraguai. Como eles não tem moeda e usam o dólar para tudo, acaba que as coisas são bem caras. O que eu via o pessoal falando é que depois de Bukele o turismo em El Salvador explodiu (principalmente de americanos que agora tem um país da América Latina para viajar sem medo de segurança), mas as coisas acabaram por ficar bem mais caras. “Tudo me cobram preço de turista” – me dizia um motorista de Uber. Outro motorista de Uber me falou “Temos um ditado em El Salvador que se diz, se eu não trabalho, eu não como. Agora ao menos com a segurança nas ruas eu posso trabalhar e ao menos tentar comer, mas sim, está tudo muito caro”. Queixas de América Latina.

TURISMO EM EL SALVADOR

Sobre a parte de turismo, assim, não é ruim, mas a questão é que a Guatemala e a Costa Rica foram bem mais legais. Em El Salvador tem vulcão, tem parte histórica, tem praia, mas não se compara a Costa Rica e a Guatemala.

Mas ainda assim vale a visita a El Salvador.

O centro histórico de lá é bacana. Visitei o antigo palácio presidencial. É impressionante como lá tem uns relógios que eles ganharam da Espanha que custam a bagatela de milhões de dólares.

Relógio que custou algumas dezenas de milhões de dólares para ser feito. Ouro maciço

Mas o que mais me impressionou é que há um palácio inteiro que simplesmente não serve mais para nada. Sim, o presidente não trabalha nem viver mais lá “Aqui não é seguro, o presidente pode ser atingido por uma bala de um sniper” – me dizia o guia. Então fica aquela estrutura imensa só para a gente ficar fazendo passeio guiado pagando cinco dólares de tíquete. Não deve dá nem para pagar a conta de luz daquele elefante branco.

A Igreja do Rosário é provavelmente o lugar mais inesperado de San Salvador. Por fora, parece um galpão mal acabado, quase feio, e muita gente passa reto sem saber o que tem ali dentro. Mas é só entrar pra levar um choque. O interior é uma explosão de luz colorida passando por vitrais em arcos de concreto, criando um efeito quase psicodélico. A arquitetura é moderna, brutalista mesmo, mas com um toque espiritual que surpreende. Ela foi projetada por Rubén Martínez, um escultor que ignorou completamente os padrões de igreja colonial. E ainda tem o detalhe histórico: foi ali que soldados abriram fogo contra manifestantes durante a guerra civil.

Saindo um pouco da capital, visitei o Lago Ilopango. Ele é uma daquelas paisagens que misturam beleza e história geológica pesada. Ele é, na verdade, uma cratera vulcânica gigante que explodiu com força apocalíptica há mais de mil anos, afetando até civilizações maias na região. Hoje, a cratera virou um lago calmo e bonito, cercado de pequenos restaurantes, vilarejos e pontos de mergulho. O que mais me chamou atenção foi o contraste: você tá ali, tomando uma água de coco, e embaixo daquele espelho d’água tranquilo tá um vulcão adormecido que já causou destruição em escala continental. É fácil chegar até lá saindo de San Salvador, e apesar de algumas áreas serem meio largadas, ainda vale a visita pela vista, pelo banho e pelo contexto todo.

Lago Ilopango

Depois fui ao Puerta del Diablo, um mirante com nome de filme de terror e visual de cartão-postal. Fica nos arredores da capital e dizem que o nome veio de uma lenda local envolvendo pactos demoníacos — mas na prática o que se vê são duas formações rochosas que parecem uma “porta” aberta para o abismo. O lugar já foi cenário de execuções durante a guerra civil, o que dá uma camada a mais de peso à paisagem. Hoje, o clima é bem mais tranquilo: tem trilha, barraca de comida e aquele ventinho constante que dá uma paz danada. Dali de cima dá para ver todo o vale e, se o tempo estiver limpo, até o oceano lá no fundo.

Puerta del Diablo

Joya de Cerén e San Andrés são dois sítios arqueológicos que mostram o passado maia de El Salvador — mas com histórias bem diferentes. Joya de Cerén é conhecido como a “Pompéia das Américas”, porque foi soterrado por uma erupção e preservado quase intacto. É um vilarejo simples, com casas de barro e utensílios ainda no lugar, dando uma ideia real de como vivia o povão maia.

Joya de Céren

Já San Andrés é mais monumental, com estruturas maiores, incluindo pirâmides. O problema é que, em algum momento, alguém teve a brilhante ideia de cobrir as ruínas com concreto pra “proteger” — o que, além de descaracterizar tudo, fez o sítio perder o status de Patrimônio da Humanidade da UNESCO. É o tipo de gambiarra oficial que dói na alma de quem gosta de história. Mesmo assim, vale a visita pra entender como esse passado ainda resiste, mesmo depois de tanta burrada.

San Andres

Mas sim, adorei a minha visita a El Salvador. Foi um dos meus países preferidos na América Central

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Como é viajar por El Salvador: história, segurança e turismo

Me faltavam quatro países para eu finalizar todos os países continentais da América Central: El Salvador, Nicarágua, Honduras e Belize. Na verdade, me faltavam apenas esses países para finalizar todos os países continentais das Américas à exceção do Canadá. Comecei a fazer planos e acabou que eu consegui achar um cruzeiro que passava por Belize e Honduras. Separei esse cruzeiro para viajar eu e Bruna e antes de encontra-la em Miami para isso, viajei sozinho para El Salvador e depois Nicarágua, por voo mesmo. Minha primeira parada foi San Salvador, pois consegui um voo barato de Brasília para El Salvador com apenas uma escala em Bogotá na Colômbia. 

Assim que desci em San Salvador a primeira coisa que me impressionou é o quanto que o país é quente. Rapaz, parece São Luís. No aeroporto ia chamar um Uber, mas depois pesquisei pelo Chatgpt e vi que o InDriver em El Salvador funciona melhor que o Uber. Por conta disso acabei pagando metade do preço, já que o Uber é bem caro em El Salvador. Dentro do Indrive que eu fui descobrir que a moeda de El Salvador é o dólar, eles não têm moeda própria. Devia ter pesquisado isso antes no Brasil, porque acabei chegando em El Salvador com poucos dólares no bolso e tive que pagar uma nota para sacar no caixa eletrônico da minha conta da Wise.

HISTORIA DE EL SALVADOR

El Salvador é aquele tipo de país que muita gente nem lembrava que existe, e quando lembrava, pensava em gangue, migração ou violência. Mas a verdade é que o menor país da América Central tem em uma história pesada. Um bom exemplo disso é que boa parte da riqueza do país foi construída às custas do café. Sim, o café salvadorenho foi o motor da economia por décadas. Quem dominava o café, dominava o país. A tal “república cafeeira” concentrou a terra e o poder político nas mãos de uma elite, enquanto o povão ralava, muitas vezes em condições quase feudais. Bem, nada muito diferente da história da América Latina inteira, né?

O café não só moldou a economia, como também preparou o palco para tragédia. As desigualdades cresceram, os conflitos de terra explodiram e o clima social foi ficando cada vez mais tenso. Na segunda metade do século XX, a panela de pressão estourou. O país mergulhou numa guerra civil que durou 12 anos, de 1980 a 1992, deixando mais de 75 mil mortos. A título de comparação, o Brasil que é infinitas vezes maior teve pouco mais de 400 vítimas mortas na ditadura militar. A guerra civil salvadorenha foi uma guerra suja, com envolvimento direto dos EUA, que bancavam o governo militar em nome da luta contra o comunismo, e apoio de Cuba e União Soviética à guerrilha. Sim, o conflito foi mais um de diversos conflitos por procuração que ocorreu devido a Guerra Fria, tanto é que finalizou um ano depois da queda da União Soviética. Quem pagou o preço, como sempre, foi a população.

Museu da Guerra Civil de El Salvador

Um filme que ajuda a entender esse período, mesmo sendo meio hollywoodiano, é Salvador, do Oliver Stone. O filme acompanha um jornalista decadente que se mete no olho do furacão, em plena guerra. É um retrato cru — e ainda assim romantizado — da brutalidade do conflito, dos massacres de civis, da manipulação política e do caos generalizado. Ele mostra, por exemplo, o assassinato de uma freira americana e de uma ativista católica, num momento em que até a Igreja virou alvo. Cara, isso foi uma coisa que me impressionou, o tanto de gente da Igreja Católica que a ditadura de El Salvador matou sem preocupação alguma. 

Padres e freiras tiveram papel ativo e denunciaram injustiças, abrigaram perseguidos e acabaram pagando caro por isso. Um dos nomes mais simbólicos desse período é o de Dom Óscar Romero. Arcebispo de San Salvador, ele se tornou a principal voz contra os abusos do governo militar. Criticava abertamente a repressão nas suas homilias, transmitidas no rádio — e isso num país onde qualquer crítica podia te colocar na mira.

Dom Romero foi assassinado em 1980 enquanto celebrava uma missa. Atiraram nele no altar, diante da comunidade. Sim, cara, passaram o arcebispo, ao vivo, no meio de todo mundo. O crime chocou o mundo, mas dentro de El Salvador já não era novidade ver a violência atravessando as igrejas. Poucos meses depois, quatro religiosas norte-americanas — três freiras e uma missionária leiga — foram mortas por militares salvadorenhos. O caso teve repercussão internacional, mas mesmo assim o governo dos EUA seguiu financiando o regime. A morte dessas mulheres, que trabalhavam com comunidades pobres, escancarou o quanto a linha entre o bem e o mal era confusa nos discursos oficiais, mas muito clara na prática.

Religiosos assassinados durante a Guerra Civil de El Salvador

Além de Romero e das freiras, outros religiosos também tombaram. O jesuíta Ignacio Ellacuría, reitor da Universidade Centro-Americana (UCA), foi executado junto com outros cinco padres em 1989, num massacre que ficou conhecido como a matança da UCA. Todos eram religiosos engajados com a Teologia da Libertação, linha que defende o envolvimento da Igreja na luta contra a pobreza e a opressão. Esses episódios ajudaram a transformar Dom Romero em um herói nacional — e, anos depois, em santo canonizado pelo Papa Francisco. 

Para ter ideia, em 1983, em plena tensão da guerra civil, o Papa João Paulo II veio a El Salvador e visitou a tumba de Dom Óscar Romero. A visita foi cercada de pressão política — tanto da Igreja local quanto do governo militar — mas o papa insistiu em rezar no túmulo do arcebispo assassinado. Aquilo foi um recado claro, mesmo sem palavras: a Igreja de Roma reconhecia a importância de Romero e o absurdo do seu assassinato. Anos depois, o papa voltou ao país e novamente fez questão de homenageá-lo. Hoje a cripta onde Dom Romero está enterrado, no subsolo da Catedral Metropolitana, virou local de peregrinação. Não é um lugar pomposo, mas tem uma energia forte. É impossível sair de lá indiferente.

Cripta de Dom Romero

Outro lugar bem bacana é memorial às vítimas da guerra civil, no Parque Cuscatlán. O muro lembra muito os memoriais da Guerra do Vietnã que tem nos Estados Unidos, com milhares de nomes gravados — gente comum, camponeses, crianças, religiosos, estudantes, sindicalistas — mortos ou desaparecidos entre 1980 e 1992. O muro não é turístico, não tem loja de lembrancinha, nem guia fantasiado de história. É só um paredão enorme de dor e silêncio, no meio da cidade, quase escondido, mas poderoso. É bem pesada a visita por lá

Memorial às vítimas da Guerra Civil

Hoje El Salvador tenta vender uma imagem de modernidade e segurança, principalmente com o presidente Nayib Bukele investindo pesado em marketing e controle social. E, sim, Nayib Bukele é o principal responsável por por El Salvador no mapa hoje

BITCOIN E BUKELE, AS DUAS PRINCIPAIS MEMÓRIAS DE SAN SALVADOR

Com seu terno slim, boné virado pra trás e discurso afiado, Nayib Bukele se vende como um outsider, mas governa com mão de ferro. Desde que declarou guerra às gangues, Bukele colocou mais de 2% da população do país atrás das grades. É gente demais presa num país pequeno, e isso só foi possível com um estado de exceção que suspendeu garantias básicas por tempo indeterminado. O resultado? Os homicídios despencaram, os bairros antes controlados por facções viraram zonas livres, e o medo que travava o cotidiano deu lugar a uma sensação de segurança que muitos nunca tinham vivido. A conta em direitos humanos é alta, mas a popularidade dele continua nas alturas — e isso diz muito sobre o que o povo prioriza depois de décadas de terror. Cara, não teve uma pessoa que eu vi falar mal do Bukele, o homem é absurdamente popular em El Salvador. 

Bonecos do presidente Bukele são vendidos como lembracinhas para turistas em San Salvador

Bukele transformou El Salvador, literalmente, no país mais seguro das Américas. E isso porque El Salvador por alguns anos foi o país mais inseguro do planeta. Em bairros antes considerados intransitáveis, hoje se vê criança na rua, comércio funcionando à noite e turistas andando com câmera na mão. Em San Salvador, conversei com gente que nunca gostou de política, mas que agora se diz orgulhosa do país. O novo megacomplexo prisional que ele construiu virou símbolo dessa virada — e também um alerta. A oposição denuncia abusos, prisões arbitrárias e um poder cada vez mais concentrado. Mas, por enquanto, a maioria parece disposta a pagar esse preço em troca de paz. Em resumo: Bukele virou o “CEO” de um país que parecia falido, e agora opera como uma empresa de imagem renovada. É absurda a sensação de tranquilidade que você sente caminhando pelas ruas de San Salvador.

E como se não bastasse isso, ele ainda decidiu tentar colocar El Salvador na vanguarda digital ao adotar o bitcoin como moeda legal. Foi o primeiro país do mundo a fazer isso, e a aposta foi ousada: tentar atrair investidores, descentralizar a economia e romper com a dependência do dólar. Na prática, a coisa dividiu opiniões. Enquanto alguns comerciantes ainda se enrolam com a tecnologia, há regiões turísticas, como El Zonte, que surfaram na onda e viraram até modelo de economia do Bitcoin.

Para o salvadorenho comum, o impacto do bitcoin no bolso ainda é nebuloso — mas o impacto na propaganda política de Bukele foi direto. Ele se vende como futurista, como o cara que está levando o país do trauma para o “primeiro mundo”. Se vai dar certo ou não, ninguém sabe. Mas que ele colocou El Salvador de volta no radar, isso é inegável. O que eu vi de Bitcoin? Nada. Confesso que não vi uma venda, uma loja que usasse bitcoins. Acho que isso foi uma moda que chamou a atenção quando ele lançou, mas que no final ninguém deu muita bola para isso.

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Miami: Cruzeiro, Bahamas e um Furacão: A Jornada que Quase Deu Errado

Depois de Las Vegas pegamos um voo para Miami. De lá iríamos seguir de cruzeiro para os Bahamas, país que eu ainda não havia visitado. Acabamos pegando esse cruzeiro porque era um preço bom e viajar para o Bahamas de outra forma era sempre bem mais caro.

Descemos em Miami e o máximo que fizemos na cidade foi seguir para o nosso Airbnb para descansar já que o voo de Vegas a Miami foi longo, na verdade cruzou quase os Estados Unidos inteiro de uma ponta a outra. Descansamos e no outro dia pegamos o Uber e seguimos para o porto para pegar o navio.

No chão do elevador tem dizendo qual dia da semana estamos. Acredite, se não tem isso você realmente perde noção de que dia está

Inicialmente eu confesso que eu tinha um certo preconceito com cruzeiros. Achava que era um passeio daquele de tio velho aposentado, mas, cara, vou te dizer, acabei me surpreendendo. Primeira coisa que me chamou a atenção é como eles são organizados. Cara, estamos falando de uma logística para receber quase 8000 hóspedes em um pequeno espaço de horas e também acomodar quase 2500 tripulantes. É realmente algo bem interessante observar isso.

Observar a tripulação é outra coisa interessante também. Cara, parece que você está visitando aqueles bares do Star Wars, já que tem gente de todo canto do mundo trabalhando nesses navios. Mas sim, a grande maioria são indianos, chineses e filipinos.

No começo eu acabei não gostando muito porque eu fui descobrir que internet era paga a parte (e bem cara) além de que as bebidas, mesmo não alcoólicas, não estavam inclusas, só podia beber água. Mas no final achei até bom, foi uma oportunidade para se desintoxicar um pouco de refrigerante e internet.  Depois eu descobri que eu tinha alguns dólares de crédito por conta do pacote que eu comprei e os usei para comprar internet e alguns refrigerantes, ainda que não tenha gastado todo o crédito.

Comida no cruzeiro é a rodo. Você come o quanto quiser, quantas vezes quiser e tem vários restaurantes diferentes com pratos diferentes pelo barco inteiro. A noite você ainda pode reservar um restaurante mais requintado para poder ficar comendo pratos mais chiques, mas eu gostava mesmo era do buffet.

Comida para todo lado!

Além disso, tinha aquilo que eu achava que era a coisa mais de  tiozão dos cruzeiros: os show. Eu achava que era aquela coisa bobinha, para tiozão ver. Rapaz… Eu curti bastante. Na verdade curti bem mais do que a apresentação do Cirque du Soleil que eu vi em Vegas. Eram uns shows bem legais mesmo. Teve um show de patinação que tinham patinadores que chegaram a até mesmo a fazer parte da equipe nacional americana de patinação.

Outra coisa interessante é que no cruzeiro tem uma galera que vai em umas excursões enormes! É muito engraçado, eles fazem camisas personalizadas e todo os dias estão circulando pelo hall com as mesmas roupas.

Por fim, eu fiquei pensando na questão da segurança. Estamos falando de quase 10.000 pessoas confinadas. A título de comparação, quase metade dos municípios do Brasil não tem essa população. É um mundaréu de gente se divertindo e, principalmente, bebendo. Como faz para controlar todo esse povo? Conversei com uns seguranças que ficavam patrulhando o navio e eles me explicaram que, como o navio era de bandeira americana, lá todo mundo estava sob leis americanas. Então, assim, se duas pessoas saíssem no tapa, o que aconteceria? Ele me explicou que eles tentam o máximo resolver as coisas na boa, mas em situações específicas eles podiam usar a força e até mesmo “prender” pessoas. Dentro do navio tem até mesmo celas para conter pessoas até a hora que o navio possa chegar em um porto e a polícia possa assumir o caso em questão.

Como falei, o cruzeiro é como uma mini cidade em movimento.

Desembarcando do cruzeiro

Beleza, o cruzeiro foi muito legal, a viagem pros Bahamas foi super bacana. Agora era hora de descer do navio e aproveitar as duas noites que ainda tínhamos para aproveitar em Miami. Pelo menos assim era o plano.

Rapaz, quando ainda estávamos no navio começamos a ouvir as notícias sobre o furacão Milton, aquele furacão que ficou nas manchetes de jornais por um bom tempo em outubro de 2024. Quando começamos o cruzeiro, ele estava previsto para ser forte, depois mudou para muito forte e quando estávamos descendo do navio haviam mudado a previsão para apocalíptico. E o melhor era que a festinha com os quatro cavaleiros do apocalipse estava marcada para acontecer bem no dia do nosso voo de volta de Miami. Sério. No. Dia. Do Voo. De. Volta.

Começamos a ficar um pouco preocupados com isso, porque poucas coisas me deixam mais desconfortáveis e preocupados do que morrer. Começamos a falar com as pessoas e todo mundo falava “ah, cara, de boa, é só estocar comida, fechar as janelas e esperar tudo passar”. Mas, mano, como a gente ia fazer isso? A gente tava em um Airbnb cuja hospedagem acabava, veja você, no dia do apocalipse, haja vista que, mais uma vez, era o dia em que iríamos pegar o voo de volta para Brasília. Então, a gente ia estar meio que desabrigado no fatídico dia. Uai, então era só ir pro aeroporto, pegar o avião e ir embora, não? Então, não! Dois dias antes da gente viajar já estavam falando em fechar o aeroporto até o furacão passar. A companhia aérea podia até pagar o nosso hotel, mas com certeza eles não iriam procurar um para gente. Nas TVs a gente via o governo falando em estocar comida, água e dando endereços onde você poderia pegar sacos de areia e também abrigos caso “a sua casa fosse destruída”.

Eu e Bruna não pensamos duas vezes. Descemos do cruzeiro as nove da manhã e seguimos para o aeroporto de Miami para tentar pegar o voo de volta no mesmo dia antes do furacão chegar. Chegamos no aeroporto e não havia ninguém da GOL haja vista que o voo era só as 10 da noite e o povo do check in só iria chegar por volta das 6 da tarde. Enfim, decidimos ficar por lá e ver o que iria acontecer.

As horas foram passando. 10 horas, 11 horas, meio dia, uma hora, duas horas, quando foi umas três da tarde, em um dos nossos passeios pelo aeroporto para passar o tempo a gente só escuta um tumulto, uma gritaria, cachorro correndo para todo lado e policial gritando. E um bando de viatura da polícia com a sirena ligada no alto e carro cantando pneu. Pronto, o furacão tinha chegado dois dias mais cedo.

Nada!

Mano, acredita que teve uma ameaça de bomba e atentado terrorista no aeroporto? Bem. No dia. Que. A gente. Tava. Lá. Pronto, além de dançar com cavaleiros do apocalipse a gente ainda teria que lidar com um atentado terrorista. Só sei que não pensei duas vezes, saí correndo para onde a polícia tava gritando e voltei pro meu saguão.

Depois parece que era alarme falso, mas que parecia aquelas cenas de filme, parecia.

Cara, aquela viagem tinha tudo para ser zicada.

No final, aprece que foi alarme falso e foi só o susto.

https://aeroxplorer.com/articles/miami-airport-shut-down-and-evacuated-for-investigation-into-suspicious-item.php

Bom que ajudou a passar um pouco o tempo.

Mas, assim, ainda tínhamos que tentar a nossa passagem.

Quatro da tarde. Cinco. Seis horas da tarde começou a chegar o pessoal da GOL.

Conversa daqui, implora dali, acabou que o pessoal do aeroporto foi super gente boa e conseguiu por a gente no voo sem taxas. Argumentamos o óbvio, era melhor a gente ir logo naquele dia porque, como havia previsão do aeroporto ser fechado nos próximos dias, ia ficar muito mais caro para companhia aérea ficar pagando hospedagem e alimentação para gente até a hora de voltarmos para casa.

Entramos no voo e seguimos para Brasília.

E como foi o furacão? Bem, na parte Noroeste da Flórida foi realmente apocalíptico, mas acabou que em Miami não aconteceu quase nada. Na verdade, parte da galera da Flórida foi até se abrigar em Miami. Nosso voo dois dias depois, como foi?

Não só não foi cancelado, como ele saiu no horário, ao contrário do voo onde fomos recolocados dois dias antes que saiu com duas horas de atraso.

O importante foi que a gente chegou vivo e mais uma vez não ficamos desconfortáveis morrendo.

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Cruzeiro pelas Bahamas: Cocobay, Nassau e… Porcos Nadadores?

Conforme descrevi no outro post, compramos um cruzeiro para os Bahamas, eu e a Bruna, saindo e voltando de Miami. Sempre quis viajar para os Bahamas, mas estava postergando porque era bem difícil. Os voos eram caros, as hospedagens ainda mais, e nem tinham tantos voos disponíveis. Quando apareceu a ideia do cruzeiro, parecia a solução perfeita: um jeito prático e acessível de finalmente conhecer os Bahamas. Pelo cruzeiro, tivemos duas paradas: uma em Cocobay, uma ilha particular da Royal Caribbean, e outra em Nassau, a capital do país.

Juntamos as malas, embarcamos no navio e seguimos viagem!

Mas antes de contar os detalhes dessas paradas, vale a pena entender um pouco sobre o que são os Bahamas.

As Bahamas são um arquipélago de 700 ilhas e mais de 2.000 ilhotas. Elas eram habitadas pelos povos indígenas lucaios, uma ramificação dos tainos. Em 1492, Cristóvão Colombo desembarcou em uma de suas ilhas, acreditando ter chegado às Índias. Esse encontro marcou o início da colonização europeia e a derrocada da população indígena devido a doenças e escravização. Durante os séculos seguintes, as ilhas tornaram-se um refúgio para piratas, incluindo o infame Barba Negra, até que os britânicos assumiram o controle em 1718, transformando as Bahamas em uma colônia da coroa.

No século XIX, as Bahamas se beneficiaram do comércio de algodão e do tráfico de escravos, ainda que a escravidão tenha sido abolida em 1834. Durante a Lei Seca nos Estados Unidos no início do século XX, quando foi proibida a produção de bebidas alcoólicas em solo ianque, as Bahamas prosperaram como um centro de contrabando de rum. Em 1973, as Bahamas conquistaram sua independência do Reino Unido, tornando-se um estado soberano dentro da Comunidade das Nações. Hoje, o país é conhecido por suas praias paradisíacas, economia baseada no turismo e serviços financeiros, além de sua herança cultural, que reflete a influência africana, europeia e americana.

Perfect day in Cocobay

A primeira parada que fizemos pelo cruzeiro foi em uma ilha particular da Royal Caribbean chamada Cocobay. Originalmente conhecida como Little Stirrup Cay, Cocobay foi adquirida pela Royal Caribbean em 1990. No entanto, a empresa não comprou, comprou, a ilha. Na verdade, ocorreu uma concessão de longo prazo feita pelo governo das Bahamas que mantém a soberania sobre a área. A concessão permite à Royal Caribbean desenvolver e operar a ilha como um destino exclusivo para seus passageiros de cruzeiros, em troca de benefícios econômicos e turísticos para o país.

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O governo fez essa concessão porque ela envolveu um investimento significativo da Royal Caribbean no local. Nos últimos anos, foi implementado um projeto de revitalização chamado “Perfect Day at CocoCay”, com um aporte de mais de 250 milhões de dólares. A infraestrutura inclui praias privadas, toboáguas gigantes, cabanas luxuosas, um balão de observação e outras atrações que tornam Cocobay uma das paradas mais populares de cruzeiros no Caribe. O governo das Bahamas regula as operações para garantir que a concessão traga benefícios econômicos ao país, como empregos locais, receitas de impostos e maior visibilidade turística.

Além disso, as Bahamas monitoram o impacto ambiental das operações na ilha, especialmente considerando a importância do ecossistema marinho local. A Royal Caribbean é obrigada a seguir as leis ambientais do país e adotar medidas de conservação, como limitar a construção em áreas ecologicamente sensíveis. Embora a ilha seja majoritariamente operada pela empresa privada, a relação com o governo das Bahamas é crucial para garantir que o uso turístico esteja alinhado com os interesses nacionais. Assim, CocoCay exemplifica um modelo de parceria público-privada em que o setor privado investe em infraestrutura e operações, enquanto o governo mantém a soberania e supervisiona os benefícios gerados para a economia local.

Ainda assim, você não vê um policial que seja andando pela ilha, toda a gestão da ilha, até questão de segurança é feita pela companhia. Apenas se algo muito grave acontecer que a polícia dos Bahamas pode intervir, mas aparentemente isso nunca ocorreu porque a própria Royal Caribbean se esforça para que nada de ruim possa afetar a imagem da empresa.

Por fim, parte da tripulação do navio desce junto com a gente para trabalhar, porém uma galera da ilha também mora nela enquanto está a trabalho. A maioria dessa galera que mora em Cocobay é das Filipinas e tem um contrato de trabalho. O salva vida pelos menos me explicou que o contrato de trabalho dele é de seis meses trabalhando sete dias por semana para depois ter dois meses de férias nas Filipinas. Assim, o salva vidas ficava torcendo para chover para ele ter folga, mas se o tempo estiver bom, era isso mesmo, sete vezes por semana de trabalho. Tempo bom pros turistas era tempo ruim para ele. Ela me explicou que tem uma parte privada da ilha onde ficam só os trabalhadores e que lá tem até um mini supermercado para eles comprarem sabão, coisas pessoais e outras miudezas. Apesar deles serem contratados da Royal Caribean eles precisam de autorização do governo do Bahamas para ficar trabalhando na ilha. Além disso, também tem um povo local do Bahamas que trabalha na ilha, mas mora em outra ilha, indo e voltando todo dia para trabalhar.

O interessante foi que a gente desceu nas Bahamas sem nenhum controle de passaporte. Teoricamente esse controle foi feito na hora que embarcamos em Miami, então vida que segue. A ilha em si é bem bacana para passar o dia, a água é realmente azul e cristalina e bem quentinha. Além disso, diversos restaurantes ficam disponíveis para que você possa pegar comida o tanto que quiser. Foi um passeio muito legal.

Visita a Nassau, capital dos Bahamas

No outro dia, fomos visitar Nassau, a capital dos Bahamas. Beleza, descer em uma ilha privada não precisa de passaporte, mas como seria descer na capital do país? Cara, foi a mesma coisa. O navio atracou, nós descemos e… vida que segue. Fiquei impressionado como essas coisas ocorrem, um país simplesmente abrir mão de sua soberania desse jeito. Teoricamente quem faz o seu controle de passaporte é a empresa de turismo quando você ainda está nos Estados Unidos, então eles que são responsáveis por checar se você precisa ou não de visto para poder descer no Bahamas. Beleza, se fossem pedir para ver o passaporte de todo mundo que fosse descer em um dia em Nassau ia praticamente inviabilizar o cruzeiro, mas, caramba, como um país abre mão de sua soberania desse jeito deixando um mundaréu de gente descer sem controle estatal nenhum no meio de sua capital? Pode parecer bobeira, mas Índia e Filipinas precisam de visto para visitar o Bahamas, então metade da tripulação do navio não pode ir a Nassau. Como eles controlam isso, não tenho a mínima ideia.

A primeira coisa que me chamou a atenção em Nassau é como as coisas por lá são dolarizadas. Eles até tem uma moeda chamada dólar bahamense, mas pelo menos em Nassau ninguém parece usar. Como tudo é dolarizado, Nassau é caro, MUITO caro. Malditos americanos que inundam o Caribe e fazem todos os países por lá serem extremamente caros para viajar.

Passeio dos porcos nadadores

Eu tinha separado um dia para passear pela capital, mas depois, lendo mais sobre Nassau, me interessei por um dos passeios mais famosos que tem por lá que é o passeio com os chamados porcos nadadores.

O famoso passeio dos porcos nadadores é uma das atrações mais icônicas das Bahamas e ocorre em Big Major Cay, conhecida como “Pig Beach”, localizada nas Exumas, um arquipélago ao sul de Nassau. Nesse passeio, os visitantes têm a oportunidade de interagir com os porcos que vivem na ilha e são conhecidos por nadar alegremente no mar cristalino. Acredita-se que os porcos tenham sido levados para a ilha por marinheiros e piratas para serem comidos posteriormente ou tenham nadado até lá após um naufrágio. Hoje, eles são cuidados pelos habitantes locais e se tornaram uma atração internacionalmente reconhecida.

Os tours geralmente partem de Nassau em barcos rápidos, que levam os turistas até as Exumas. Durante o passeio, os porcos nadam até os barcos em busca de petiscos, e os visitantes podem alimentá-los e tirar fotos únicas. O problema é que essa Exumas parece ser bem longe de Nassau e caro, amigo, muito caro. Os caras queriam cobrar 150 dólares. Por pessoa. No final inventaram um tal de um passeio em uma ilha mais próxima que era o que dava para fazer já que tínhamos que voltar a tempo de embarcar novamente no navio. A gente começou a andar pelo centro de Nassau e começaram a oferecer esse passeio dessa ilha mais próxima por 100 dólares. Eu simplesmente joguei a toalha e ficamos eu e Bruna passeando pela cidade.

De repente chegou um senhor vestido de marinheiro fedendo a pinga oferecendo esse passeio por 90 dólares. Nós agradecemos educadamente falando que não queríamos que se fôssemos iríamos pagar bem mais barato. Ele ficou insistindo e perguntando quanto queríamos pagar e nós só respondemos 50! Falamos isso para ele parar de encher o saco. Ele simplesmente resmungou alguma coisa do tipo “vocês não podem estar falando sério” e foi embora. Ficamos aliviados que o cara se foi. Passou uns 15 minutos volta ele falando que, tudo bem, que faria por 50 dólares para cada um de nós desde que a gente não falasse nada aos outros turistas. Bem, então vamos.

Fomos lá para a banquinha dele e ficamos esperando o barco chegar. De repente, um grupo de turistas americanas começa a quebrar o maior pau na banca do lado da dele o que acabou atraindo a polícia. A gente ficou sem entender o que tava acontecendo. Rapaz, quando chegou a polícia… Cadê o marinheiro que tava vendendo para gente? Mano, o cara simplesmente vazou. E nós já tínhamos pago! Realmente, tinha tudo para dar certo. De repente, chega o barco dele e a gente embarcou normalmente. O importante foi que deu certo. Cara, nós subimos no barco e fomos para a ilha. A gente imagina aquela cena paradisíaca, com porquinhos fofinhos nadando e farreando com a gente…

… Rapaz… quando a gente chegou…

Mano… você esperava o que? São PORCOS!! Deve existir algum motivo para metade das religiões não permitirem que você coma porcos ou da gente chamar uma pessoa suja de porco, pois, porcos, são… sujos! Mano, a gente chegou naquela ilha, era uma farofa da porra, um som alto na orelha e uns dois ou três porcos correndo para lá e para cá comendo o mamão que a galera dava para eles. Um zona, uma bagunça, uma sujeira… Eu e Bruna só olhamos aquilo e começamos a dar risada, não tinha muito o que fazer. Os porcos eram IMENSOS e, bicho, tu pegava a comida, ele corria para cima de você para tentar comer da sua mão. A gente achava que ia ser uma coisa fofinha, mas depois só pensava em dar logo a comida pro bicho senão ele comia era a mão da gente.

Antes da gente pagar, o cara tinha falado para gente que era tudo incluso, que tinha bebida, que tinha comida, que tinha comida pros porcos. Rapaz… quando a gente chegou lá. A bebida era um suco daqueles de pó misturado com uma vodka barata e a comida era saco de Doritos. Eu ainda fui lá tentar conseguir uma garrafa de água. Quando eu fui na banquinha pedir, tinha um menino de uns dez anos super mal encarado, com um cutelo na mão e uma cicatriz que ia de cima a baixo da cabeça. Sem brincadeira, bem parecido com o moleque do desenho abaixo.

Ele só me olhou e falou que cada água custava cinco dólares. Protestei, com um pouco de cuidado já que ele tinha um cutelo na mão, e ele me falou que eu podia pegar uma água. Mas só aquela, melhor era não reclamar.

No final, saímos do meio daquela muvuca, do meio dos porcos e fomos ficar mais afastados curtindo a praia que pelo menos era bem bonita.

Pior que no final o passeio só valeu a pena mesmo pelas praias que tinham naquela ilha que levaram a gente. As praias eram realmente bem bonitas, água quentinha e deu para curtir bastante. No final, pegamos o barco de volta para Nassau e demos o pé da ilha.

Pior que na volta a lancha ainda parou em uns lugares bem bacanas para gente fazer snorkeling. Mais uma vez, água cristalina e ainda deu para ver uns bichos legais como alguns pequenos cardumes e duas arraias. Já foi melhor que o snorkeling que eu fiz quando estava em Blue Bay nas ilhas Maurício.

De volta a Nassau com meus canhões fake

A Bruna resolveu voltar para o navio da Royal Caribbean e eu fui meter o pé na cidade para conhecer de verdade Nassau, a capital dos Bahamas.

Infelizmente não tive muito tempo para poder passear pela cidade dado que gastei metade de um dia andando com aquela roubada dos porcos, mas ainda assim deu para ver muita coisa da cidade. Só tem que ficar ligado quando anda por lá, já que os Bahamas são um dos países com maiores taxa de homicídio do mundo, maiores até que as do Brasil.

Mas beleza, lá fui eu caminhando pela cidade. Pro meu azar, os dois principais museus da cidade fechavam no dia da semana que desci por lá. Tinha um outro museu sobre os piratas, mas os comentários que eu vi na internet era que era super caro e só tinha uns piratas de cera, não tinha muita informação sobre o histórico do lugar. Devido a isso, resolvi sair caminhando até uma das principais fortificações que ficavam na parte mais alta de Nassau, o Fort Fincastle, que foi usado pelos ingleses para proteger a cidade.

Saí andando, andando, andando… E lá fui eu tentar chegar nesse forte histórico. Quando cheguei lá me atentei ao fato de que não tinha quase nenhum tostão furado no bolso, só tinha dois dólares. Cheguei no forte e quanto era a entrada? Óbvio, três dólares. Pensei em esmolar na porta para poder tentar conseguir um dólar, mas vi que aceitava cartão. Quando fui pagar a moça ela falou que o cartão de crédito só era aceito a partir de cinco dólares. Olhei para ela com aquela cara de gatinho do Shrek e ela falou “vai, moço, entra com seus dois dólares aí. Me dá aqui que eu vou levar como se fosse uma doação para o forte”. Acredita? Perdi dois dólares e ainda tomei um relaxo. Certeza que ela pôs esses dois dólares no bolso.

Subi lá e não tinha nada demais esse maldito forte. Até tinha uma boa visão de Nassau e realmente parece ser o ponto mais alto da ilha, mas é só. Nem os canhões que tinham por lá eram de verdade. Eram cópias, já que os originais tinham sido levados de volta para a Inglaterra. No final, perdi dois dólares e tomei um relaxo de graça.

Do lado pelo menos tinha a Escadaria da Rainha (Queen’s Staircase), um dos pontos históricos mais icônicos de Nassau. A escadaria foi construída no final do século XVIII e foi escavada em calcário por ex-escravizados, que levaram mais de 16 anos para completá-la. Originalmente ela foi criada como um caminho estratégico para conectar Fort Fincastle, no topo de uma colina, ao resto da cidade, portantoa escadaria tinha um propósito militar, permitindo um acesso mais rápido em caso de ataque. No entanto, seu nome atual é uma homenagem à Rainha Vitória, que governava o Reino Unido quando a escravidão foi abolida em 1834, por isso a homenagem dos ex-escravizados.

A escada

Com 66 degraus que simbolizam os anos de reinado da monarca, a escadaria é cercada por um ambiente repleto de vegetação tropical e um pequeno riacho artificial que proporciona um ar de tranquilidade ao local. A área ao redor é como um pequeno oásis no meio da cidade, atraindo tanto turistas quanto moradores locais.

Depois dessa roubada que foi essa ilha dos porcos e o forte de Nassau acabei voltando pro navio para poder continuar minha viagem de volta para Miami.

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