Viajando pelo Chipre, o único país com um muro cortando sua capital!

Bem, uma coisa é certa. O Irã é longe que é danado! O caminho de ida foi longo e o de volta seria tão tortuoso quanto. Pensei, bem, de tentar fazer essa volta um pouco menos complicada. Comecei a traçar uns trajetos e vi que daria para ir do Irã para o Chipre com apenas uma escala em Atenas. Depois, dava para pegar um voo direto de lá para Romênia, depois um voo direto da Romênia para Barcelona, dormia uma noite por lá e depois seguiria de volta para Brasília.

E assim eu cheguei ao Chipre.

Tudo o que eu conhecia do Chipre era que era uma ilha próxima à Turquia, tinha um nome bacana (era quase como “chifre”) e só.chipreMas não, lá tem coisa interessante sim! Tem a questão do muro!

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Eu e o Muro

A gente sempre escutou falar do Muro de Berlim, um muro que foi construído do dia para a noite e dividiu a capital e principal cidade da Alemanha ao meio por décadas. Acaba que ninguém lembra que no Chipre tem um muro exatamente da mesma forma. Na capital, Nicósia, um muro separa a parte grega cipriota da parte turca cipriota.

 

Explico.

Os gregos foram os primeiros a colonizar a ilha do Chipre. Apesar do comando da ilha ter trocado de mãos entre os diversos povos europeus, os gregos sempre foram maioria na ilha. Até que, em 1570, os turcos otomanos conquistaram a ilha e, obviamente, começaram a colonizá-la também. Depois de quase 300 anos, os ingleses tomaram o Chipre dos otomanos e os cipriotas começaram a lutar pela anexação da ilha à Grécia (queriam ser mais ou menos como a ilha de Creta, que também é uma ilha bem grande do Mediterrâneo e hoje pertence a Grécia).

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Ilha de Creta, bem próxima do Chipre e da Grécia

A Inglaterra não queria abrir mão tão facilmente de um território tão estratégico e o pau começou a comer. Depois de um tempo. Os ingleses foram embora.

 

Ficou de boa? Então, não! Os Cipriotas descendentes de gregos acreditavam ser os únicos donos da ilha inteira e pensaram que não seria uma má ideia se eles se livrassem dos turcos cipriotas. Daí começaram as escaramuças. Os gregos, em maior número, começaram a massacrar os turcos, que começaram a fugir de suas casas e pedir ajuda a quem podiam. Daí pediram ajuda do irmão mais velho. No caso, os turcos da Turquia.

A Turquia invadiu o norte da ilha, de maioria turca cipriota, e a anexou a seu território. Aí foi a vez dos gregos cipriotas que moravam na parte Norte fugirem para a parte sul temendo represálias dos turcos. Bala daqui, bala de lá, ninguém conseguiu tomar Nicósia, a capital da ilha, que acabou sendo dividida ao meio. Literalmente. Hoje, o muro separa a parte Norte de Nicósia, turca, da parte Sul, grega. Depois de alguns anos, o Chipre do Norte decretou independência, que só é reconhecida pela Turquia. O aeroporto de Nicósia acabou que não ficou com ninguém ficou dentro do muro, no meio da terra de ninguém.

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Aeroporto de Nicosia no Google Maps

260d127c-fbaa-4801-896e-76913c65f2a8Hoje é possível passar de um lado para outro de Nicosia tranquilamente. Eles só checam o seu passaporte e é tranquilo.

E assim temos de pé o único muro existente separando uma capital do mundo.

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E não é que nas barricadas tinham sacos do Brasil?!?!?
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Parte grega de Nicosia
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Se liga nos buracos de bala na zona entre os muros
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Nicósia Turca. Bandeira da Turquia e bandeira do Chipre do Norte, país cuja independência só é reconhecida pela Turquia
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Travessia entre a Nicósia Grega e Turca
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Saímos na imprensa novamente. Dessa vez, Viagem & Turismo, maior revista de turismo do Brasil!!!!

A revista Viagem & Turismo tem uma seção chamada “VT Responde” onde blogueiros contribuem respondendo a dúvidas de leitores sobre viagens a determinados lugares do mundo.
Estavam procurando alguém que já tivesse viajado a Goa, ex-colônia portuguesa na Índia, e acabaram chegando a meu blog devido aos posts que escrevi sobre lá. Se tiver curiosidade pode conferir clicando nos links abaixo:

Goa
Hospedagem em Goa – Meu couch
Perambulando por Panjim, a Lisboa de Goa

Ou assistindo o vídeo abaixo:

Abaixo a reportagem e a transcrição das dicas que dei: Continuar lendo “Saímos na imprensa novamente. Dessa vez, Viagem & Turismo, maior revista de turismo do Brasil!!!!”

Capoeira pelo mundo – Capoeira no Irã

Bem, pensei, já viajo para caramba, por que não aproveitar e começar a reunir dados sobre como está a capoeira no mundo? Sempre ouvi gente falando que a capoeira está em 140, 150, 160 países diferentes, mas nunca um trabalho de ir lá e visitar os grupo de capoeira fora do Brasil! Daí pensei, bem, vou começar a fazer isso. Já havia praticado capoeira na Síria e na China (clique aqui e aqui para ler as histórias), presenciado galera jogando na Polônia e em Cuba (clique aqui e aqui). Porém, o Irã foi o primeiro lugar onde realmente parei para entrevistar um instrutor de capoeira!

Comecei a fuçar pela internet e vi que havia um grupo de capoeira chamado “Me Leva” que parecia ter alguma coisa de capoeira por lá. Entrei em contato com os caras e eles me passaram o contato do instrutor de lá, o Pouya, que marcou um horário comigo. Ele me passou o endereço e fui lá encontrá-lo.

Quando desci da estação de metrô, fiquei quase uma hora e meia andando de um lado para o outro tentando achar o lugar. Cara, não tinha jeito! Era quase impossível achar. O povo na rua não falava inglês e, depois de muito tentar, um vai daqui, outro vai dali, acabou que um cara na rua me pegou pelo braço, entrou em um prédio, subiu três lances de escada comigo e eu chegava no lugar. Não havia nada indicando que no lugar praticava-se capoeira. Sequer um anúncio. Sequer um cartaz. Aquilo era estranho. Acabou que deram três toques em uma porta, que mais parecia uma entrada de esconderijo, abriram só um pouco e perguntaram quem era. Quando falei que era o Claudiomar, me deixaram entrar! Lá dentro, por detrás de paredes de espuma, os capoeiras. Roupas brancas, sorriso, jogo, mandiga, aquele ambiente festivo de um lugar capoeira. Um dos rapazes, inclusive, usava uma bandana com a bandeira do Brasil. Porém, só homens.

E fui conversar com o Pouya sobre a história dele na Capoeira.

CARA, QUE HISTÓRIA

O Pouya havia sido campeão mundial de Kickboxing e era fascinado por artes marciais, tendo estudos também em Caratê e Ninjutsu. Diz que certo dia estava procurando uma arte marcial que fosse mais acrobática e se APAIXONOU pela capoeira. Aqueles saltos, aqueles chutes, aqueles floreios, aquelas acrobacias, eram tudo que ele precisava. Procurou, procurou e procurou e viu que não havia nenhum capoeira no Irã. Ele deu o jeito dele. Há dez anos, por meio de vídeos da internet e baixando ebooks, ele mesmo foi o seu professor, um capoeirista autodidata. Continuar lendo “Capoeira pelo mundo – Capoeira no Irã”

Saí no portal da UOL – Dicas sobre como arrumar a bagagem!

Esses dias recebi uma mensagem do nada no Facebook.

Era uma jornalista do portal da UOL que me questionou acerca do meu interesse em contribuir com uma reportagem do portal acerca de como melhor arrumar e empacotar a mochila antes de fazer um mochilão. Me perguntou acerca do que eu sempre carregava na mochila e o que eu achava que não podia faltar. Depois de alguns dias, estava lá a reportagem no portal da UOL. Continuar lendo “Saí no portal da UOL – Dicas sobre como arrumar a bagagem!”

Caminhando e cantando por 20kms na maior rua do Oriente Médio – Rua Valsiar em Teerã

Em Teerã, dei uma checada no Couchsurfing para ver se havia algum evento bacana por lá.  Qual não foi a minha surpresa em perceber que havia um cara marcando de caminharmos pela maior rua do Oriente Médio! Sim, era uma rua que conectava o Norte ao Sul de Teerã e tinha mais de 20 kms. Era o famoso passeio da rua Valsiar, caminhada que diversos iranianos tem que fazer pelo menos uma vez na vida! Quase uma peregrinação a Meca!

A rua era bacana porque passava por diversos parques e lugares turísticos de Teerã! Um convite como esse nunca se diz não ainda mais porque iria ser uma ótima oportunidade para eu conhecer e conversar com iranianos. Muitas das informações que coloquei aqui sobre a vida no Irã foram tiradas de conversas nesse dia. Até porque, bem, 20 kms de caminhada é um passeio bem longo. Começamos as nove da manhã e só fomos terminar por volta das cinco da tarde. Continuar lendo “Caminhando e cantando por 20kms na maior rua do Oriente Médio – Rua Valsiar em Teerã”

Chegamos à capital do Irã – Teerã

A última cidade do Irã que visitei acabou sendo Teerã. Ao contrário das outras cidades persas que tem milhares de anos, Teerã é relativamente nova. Demorou tanto a ganhar importância, que inclusive nem chegou a ser murada (a maior parte das grandes cidades medievais eram muradas para evitar invasões).

Teerã é uma metrópole com sete milhões de habitantes e principal centro financeiro e político persa. A gente acha que vai chegar no Irã e encontrar várzea, mas se impressiona quando chega a Teerã. A cidade tem parques para todos os lados e é bem parecida com São Paulo. E, assim como São Paulo, tem um trânsito caótico! Para andar de carro em Teerã, só com o Waze (é engraçado e irônico que um aplicativo de celular israelense nos salvava por lá).

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Parques em Teerã

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Road trip pelo Irã- Depois de Esfahan, fomos a Abyaneh e Kashan

Depois de Esfahan seguimos para Abyaneh. Era uma cidade escondida no meio das montanhas e, de tão isolada, falava um persa muito arcaico, semelhante ao falado no começo do milênio. A cidade era bem charmosa, mas passamos só uma noite lá.20161017_061631

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Ciro em frente a placa de mais um Mártir da Revolução Islâmica

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Os iranianos gostam bastante de acampar. O que no Brasil seria uma farofa, lá é uma importante fonte de entretenimento.

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Depois seguimos para Kashan, uma cidade bem interessante e que, por um curto período de tempo, foi capital do Irã sob a dinastia dos Qazars, reis de origem azari (do Azerbaijão). Sim, assim como a China foi governada um tempo pelos mongóis, os persas também foram governados por estrangeiros. O mais interessante em Kashan (além dos palácios) era um esconderijo subterrâneo que foi construído para se proteger das invasões mongóis.20161017_10234520161017_10263020161017_11220420161017_11255820161017_12082420161017_12133120161017_12253720161017_12272920161018_054528020161018_05584920161018_060202Esse esconderijo foi feito porque à época das invasões dos mongóis, o bagulho era feio mesmo. Não existia meio termo, se ganhassem a batalha, matavam todos os homens, estupravam as mulheres (e as transformavam em escravas sexuais) e escravizavam as crianças. E a gente hoje se achando porque faz textão no Facebook reclamando do governo! Devido a isso, o povo de Kashan fez meio que uma cidade subterrânea para se esconder quando os mongóis passassem. É a cidade subterrânea de  Nooshabad. Mano, o lugar era engenhoso demais!

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Qnat para abastecimento de água
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À esquerda era um “quarto” para uma família de até cinco pessoas

Lá dentro passava um qnat (não lembra o que é qnat? Clica aqui) para abastecimento de água. Túneis que levavam até o topo garantiam ventilação. E, assim, o lugar parecia que tinha sido planejado para um filme do Indiana Jones, porque era um labirinto e com várias armadilhas. Apesar de estar a dezena de metros do chão, não fazia tanto calor e havia um clima fresco lá dentro, até um pouco de frio, tamanha a engenhosidade do sistema de ventilação do lugar.

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Imagem de um monarca iraniano com roupas turcas, típica da dinastia dos Qazars

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O Zigurate de quase 10.000 anos atrás que expliquei mais neste post
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Esfahan – a joia do Irã

Depois de Parságada, seguimos para Esfahan. Ela já foi capital do Irã e hoje é o principal destino turístico do país. Destaca-se a sua praça principal, a segunda maior do mundo (a primeira é a Tiananmen, na China, que é bem mais sem graça). Ao chegar ao Irã, imaginava que, devido a má fama do país pelas nossas bandas, quase não haveria turistas por lá. Ledo engano. Cara, tem hordas e hordas de turistas por todos os cantos nas cidades iranianas que visitei. Nem em cidades brasileiras vi tanto gringo. E não faltam lugares para visitar, pois, com mais de 4.000 anos de história, a civilização persa rivaliza com a chinesa e a indiana em matéria de antiguidade. Esfahan era cheia deles.

Veja a impressionante acústica das mesquitas de lá. Parece que o cara tá cantando com alto falante

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Viajando pelo Irã – De Yazd, por terra, para Shiraz, passando por Abarkuh

De Yazd seguimos para Shiraz, cidade mais ao sul do Irã, mas antes passamos por Abarkuh.

Em Abarkuh não há muita coisa a se ver, porém a única atração vale a parada na cidade. Lá é possível ver a Cipreste de Abarkuh, uma árvore gigantesca e que é símbolo do Irã. Acredita-se que ela tenha 4.000 anos de vida e seja o segundo ser vivo mais velho de toda a Ásia. Mano, ela é gigantesca, tem 25 metros de altura por 18 metros de circunferência. É grande, mas ainda é menor que o Cajueiro de Natal =)

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Um Basij, polícia religiosa, em Abarkuh
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A Cipreste de Abarkuh
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O cajueiro de Natal

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