Subindo o vulcão

Cheguei na sede já fazendo “zuada”. Conversa daqui, conversa dali, me foi cedido um guiazinho pra poder subir o vulcão comigo e os caras enxotaram de vez o “mala dos desenhos”. Paguei um pouco caro, é verdade, 22 dólares só pra essa bendita subida, mas depois de dias e dias gastando 10 dólares por dia, meu orçamento permitia um luxo desses.
A subida do vulcão não foi nada impressionante, mas foi legal. Eu não sou muito fã de ficar fazendo “trekking” (caminhada). O que salvou foi o lago, que me rendia umas boas paisagens.

Chegando no topo, na cratera do vulcão foi até engraçado. Eu achando que lá no meio ia ter um bando de lava explodindo, pterodatilos voando, o Smegol com o anel do Senhor dos Anéis lá dentro, uma placa escrito “Ahá, pegadinha do Malandro” e tudo! Mas que nada! Nada demais. A cratera era um buraco, nada mais que um buraco com umas pedras dentro. O vulcão era inativo. Só tinha umas fumacinhas subindo, mas nada de muito impressionante.
Cadê o Frodo


Fiquei meio decepcionado, porque havia gastado uma grana absurda. Até que o passeio foi legal, só não valeu os 22 dólares.
Na beirada da cratera do vulcao, tinham varias garrafas plasticas d’agua. O guia me explicou que os hindus da ilha aproveitam que o vapor da cratera condensa em algumas saliencias da rocha e goteja. Esse liquido e’ algo como um liquido puro e sagrado que eles utilizam pra fazer sacrificios de pequenos animais, como galinhas.


De mais interessante mesmo, foi que do lado da cratera, tinha uma vendinha. Fui lá pra ver quanto custava uma garrafa d’água e quase que caí pra trás. O cara cobrava nada mais nada menos que cinco vezes o valor de mercado! Enquanto você paga 5000 rúpias numa garrafa d’água na cidade, na mão dele era 25000. Beleza, é a mão invisível do mercado, meu amigo! A demanda de garrafas d’águas por turistas exaustos depois de uma hora caminhando e subindo uma montanha, deve ser alta, e só ele fornece. Além disso, a mão invisível do mercado não ajuda ele a carregar as garrafas d’água nas costas todos os dias e ele também não tem helicóptero. Logo, todo santo dia, o cara coloca dez ou quinze quilos de águas e outras mercadorias e sobe mais de 1000 metros num sol escaldante. Pode cobrar cinco vezes mais, não tem problema.

Depois de cair fora da cratera do vulcão, o guia ainda foi gente boa e me levou pra dar uma volta na cidade. Pedi pra ele me levar pra dar um banho no lago e lá fomos nós. O lago em si não tinha nada demais, mas parecia um açude, fui logo tirando minha roupa e caindo dentro d’água. Depois do açude, falei pra ele que queria tomar um banho e ele me levou pra um local aonde todos os moradores locais tomavam banho e que, segundo ele, era uma fonte de água quente natural.
Quando cheguei nesse lugar demorou um pouco pra eu poder tomar coragem e cair dentro d’água, viu? Mermão, era todo mundo de cueca e calcinha, velho, criança, homem, mulher, maranhense, tudo, tudo! Todo mundo dentro de uma pocinha de uns 5 metros por 7. Todo mundo caía dentro da parada e ficava se ensaboando lá dentro mesmo. A água chega era azulada, só de sabão. Fiquei pensando: – Pô, se é assim de sabão imagina como não deve ser de urina.
Deixei de frescura e caí logo dentro da pocinha, que realmente, era quente demais, cara! Ele depois me explicou que aquela água era quente devido ao fato de que a fonte dela era próximo à cratera do vulcão.
Depois de algum tempo tomando um banho de urina e sabão, resolvi trocar de roupa e cair na estrada pra poder voltar pra casa. Como só tinha uma estrada de acesso, era quase 100% de chance dos guardinhas lazarentos ainda estarem lá e eu ter que pagar mais 50000 rúpias pra minha carteira de motorista “virar internacional”.
Decidi que ia ficar lá pelas montanhas, até esperar anoitecer. De noite é BEM melhor pra se dirigir, haja vista que o trânsito é inexistente e não tem guardinha checando nada também. Só sei que quando deu umas 5 da tarde, eu desisti e fui me embora logo. Por quê? Mermão, eu tava a 2000 metros de altura. A cada minuto que escurecia fazia um frio MISERÁVEL (so pra voces terem uma ideia, Campos do Jordão, a “Suica brasileira”, fica a 1600 metros) e ainda tava ventando muito! Pra piorar eu não tinha nenhum agasalho (valeu, levar agasalho pra Indonésia, é como levar agasalho pra ir pra Teresina!). Como não queria ficar duas horas tremendo mais que vara de bambu verde por causa de 10 reais, resolvi arriscar dar de cara com os guardinhas de novo.
Mandei tudo pro inferno, cd do Matanza no ouvido e pé na estrada. Graças a Deus tudo transcorreu bem, não me deparei com nenhum guardinha e voltei pra Kuta de boa, são e salvo.
Só algo que eu deveria citar. Sabe aqueles insetos que você vê em fazendas, que ficam ao redor das lâmpadas de noite? Pois é, eu andava tão devagar que eles ficavam voando ao redor do farol da minha motinha. De vez em quando eu dava uma acelerada e acabava que engolia uns. Eles são salgadinhos.
Eu e o guia
Depois dessa viagem, foi só continuar a vida PPC de Kuta e pegar meu vôo no outro dia pra Malásia.
Mas aí já é outra história.
Bali me deixou saudades.

3 comentários em “Subindo o vulcão

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