Bali – Vulcão

Cheguei no vulcão por volta do meio-dia. Valeu toda a grana que eu havia gastado pra poder chegar lá. O lugar era absurdamente lindo e, sério, como tudo em Bali, parece que Deus teimou em ser caprichoso. Além de um vulcão, ainda havia um lago imenso pra poder completar a paisagem. Louco demais!
Fiquei dando um rolê com a motinha, dessa vez a 20km/h pra poder admirar a paisagem. Quando me toquei, estava sendo seguido. Um balinês numa motinha um pouco mais potente que a minha (o que não era muita coisa, já que até uma tia gorda numa bicicleta devia ser mais potente que minha lambreta) trafegava à mesma velocidade que eu e teimava em não sumir do meu retrovisor. Como vi que ele queria alguma coisa, fui reduzindo a velocidade pra ver se ele me ultrapassava. Quando finalmente parei a moto ele colou do meu lado e falou:
– Oi, meu caro amigo, você não quer dar uma olhada no meu trabalho? Eu faço alg…
Acelerei a moto e deixei ele falando sozinho. Rapaz, não é que o cara continuou me seguindo? Pra satisfazer um pouco mais meu prazer sádico fiquei nessa umas cinco vezes. Parava a moto, esperava ele colar do lado e quando ele começava a falar, eu deixava ele falando sozinho. E fui assim até a hora de vencê-lo pelo cansaço. Não, depois de cinco vezes ele continou me seguindo. Resolvi dessa vez esticar, andar em alta velocidade pra ver se ele me deixava em paz. Deixei o espírito Felipe Massa tomar conta de mim e enfiei a mão no acelerador. Comecei a trafegar a incríveis 60 km/h, próximo a velocidade da luz. O cara continuou me seguindo. Rapaz, mas eu andei, contados, nove quilômetros com o bicho atrás de mim. Fui lá, dei a volta, voltei os noves quilômetros e o bicho continuava no meu retrovisor. Rapaz, ele realmente sabia como ser chato. Só sei que depois de muito tempo, eu acabei foi ficando com pena dele e resolvi parar a moto pra ver essa droga desse trabalho dele. Depois de quase uma hora me seguindo, o pobrezinho foi lá me mostrar alguns desenhos toscos do vulcão e perguntando o que eu achava. Se liga no papo dele:
– Amigo, olha como meus desenhos são legais. Dá uma olhada nesse aqui. E esse. E esse.
Todos desenhos toscos que só o Batoré. Me senti tratando com o Ednaldo Pereira (http://www.youtube.com/watch?v=r6Zv6QPFG2s) balinês. Mas o mais engraçado foi ele falando depois:
– Não que eu esteja pressionando você, longe de mim querer fazer isso, eu só quero lhe mostrar minha arte.
Depois de 20 km me seguindo, realmente a última coisa no mundo que ele tava fazendo era me pressionar. Só pra vocês terem uma idéia de como ele era gente boa, eu falei que eu precisava trocar dólares por rúpias. Ele falou que não tinha problema, que ele fazia aquilo pra mim com o maior gosto, que ele fazia aquele “favor” “só porque queria ser meu amigo”. Falou que pra cada dólar que eu desse pra ele, ele me dava 7000 rúpias. O bicho era gente boa mesmo, o único problema era que a taxa de câmbio, na pior das casas de câmbio, era uma dólar valendo 9200 rúpias. Depois dessa, deixei ele falando sozinho e segui pro local aonde eu poderia contratar um guia pra poder subir o vulcão. O Ednaldo Pereira, claro, foi me seguindo até lá.

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