Mochila Bumerangue

Porque eu expliquei toda essa história de cidade “base”? Então, porque essa história está intimamente ligada a isso. Expliquei para Nicknack meus planos e ele falou que seria tudo bem deixar a minha mochila na casa dele por alguns meses e quando eu voltasse à Bangkok poderia ir à casa dele, pegar minhas coisas e seguir viagem.
Tudo certo, peguei o busão e desci pra ilha de Ko Tao pra poder fazer o meu curso de mergulho. Rapaz, quando eu tou lá na ilha, a surpresa: Nicknack me liga e fala que ele não poderia mais ficar com a minha bagagem, que era pra eu voltar pra Bangkok, buscar a minha mochila e depois continuar viagem. Coisa boba, era só pegar uma viagem de 17 horas de barco, táxi e busão pra Bangkok, pegar uma mochila e depois pegar mais 17 horas de táxi, busão e barco pra poder voltar pra Ko Tao. Só ia perder uma grana e um tempo miserável, nada demais. Mermão, nessa hora eu peguei mais ar que pneu de trator. Pô, o cara tinha me falado que tava tudo bem em deixar a mochila na casa dele e três dias depois quando eu tou do outro lado da Tailândia ele me fala que não pode mais. Dizendo ele que o cara que dividia quarto, encanou por causa da mochila. Só sei que conversa daqui, conversa dali, o cara tava intrasigente, não queria nem saber se ele tinha falado pra mim que tava tudo bem ou não, mandou eu voltar pra buscar.
Desespero a parte, lembrei de uma brasileira que morava em Bangkok, fazia estágio na ONU e tinha trocado umas duas ou três palavras POR E-MAIL comigo. Como eu não tinha opção, resolvi apelar pra cara de pau:
– Alô, Thereza, tudo bom? Então, quem tá falando é o Claudiomar, aquele maranhense que trocou umas palavrinhas contigo no Couchsurfing. Olha, eu sei que você não me conhece, eu sei que eu não te conheço, mas sério, tou precisando DEMAIS de você.
Expliquei toda a história da minha vida pra ela, desde os tempos em que eu ainda era um maranhensezinho fazendo castelinho na praia da Ponta D’Areia até os tempos em que me tornei o terror da mulherada. Cara, essa mina foi um anjo, brother. Ela falou que tava tudo bem. Pegou o telefone do Nicknack, marcou um lugar com ele e foi buscar a minha mochila no outro dia. Cara, paguei pau demais pra essa mina. Eita mina arretada da moléstia, cara!
Quando voltei “tive” que ligar pra ela pra poder pegar a minha mochila de volta e, afinal, pombas, eu queria conhecer essa menina, praticamente uma “Nossa Senhora protetora das mochilas”. Liguei pra ela e marcamos de nos encontrar na Kao San Road, já que ela estava indo pra lá “fazer umas compras”. No caminho pra encontrá-la, acabei topando com o canadense no caminho e falei pra ele me acompanhar, já que ia encontrar uma brasileira e ainda por cima ela era de pele morena (mermão, como eles curtem minas de pele marrom, meu amigo!).
Encontramos com ela e começamos a trocar uma idéia. Ela estava com uma amiga colombiana e uma amiga alemã mais comprida que explicação de gago. Antes de começarmos a fazer as compras, a colombiana falou que tava com fome e pediu pra paramos em uma lanchonete pra poder comer um lanche. Fomos lá e quando cheguei à lanchonete, os preços eram absurdamente caros. Pedi licença e fui comer em um lugar mais barato. Fui ao Burger’s King. Lanchei e voltei pra lanchonete. Quando eu voltei, olha a cena: A colombiana comendo algo, o canadense com uma jarra de um litro de cerveja e uma garrafa CHEIA de Rum lustrava na mesa. Mermão, INSANO! Perguntei pra Thereza o que significava aquela garrafa e ela me falou que era caso alguém sentisse “sede”. Mermão, nessas horas minhas pernas tremeram. Eu tava numa sinuca de bico. O meu lado bom falava no meu ouvido: – “Claudiomar ,você não bebe tanto, você não vai agüentar nem a primeira garrafa de Rum. Pede um copo de leite e uma maçã.
Já o meu lado maranhense me falava: – “Você é um maranhense!! Um maranhense nunca bebe menos que uma mulher ainda mais quando ela lhe chama de frouxo em inglês e em português. Honre os seus antepassados e beba como um homem!”.
No comeco estavamos assim

Não teve jeito. No começo eu ainda vim com a desculpinha de “eu não bebo Rum” e fiquei tomando cerveja com o canadense enquanto as minas detonavam a garrafa de Rum. Quando veio a segunda garrafa e elas falaram que eu mais parecia um frouxo, tive que honrar Beckman (gente, não é David Beckham jogador de futebol, é o maranhense Beckman, cara que liderou uma revolta em 1684 e todo mundo estuda sobre ele) e peguei mais um copo.
Só sei que a noite terminou com um maranhense mais bêbado que um gambá, voltando pra casa escorado em um canadense mais louco que o Batman e dormindo onze e meia da noite.
No final estavamos assim

Saldo da noite? Três garrafas de rum, três litros de cerveja em cinco pessoas e ninguém pegou ninguém. Eu amo a Tailândia.

6 comentários em “Mochila Bumerangue

  1. huauhahuauha muito boa! J´agostei dessa Thereza de cara, gente boa e tomadora de rum… tenho impressão que essa menina tem sangue de paraibana….

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