Orcha


Após Kajuharo, a nossa próxima parada foi a mais do que impressionante cidade de Orcha. Tal cidade encontra-se situada praticamente no centro da Índia e seus palácios suntuosos são pouco conhecidos pela galera daqui do Ocidente (como quase tudo na Índia). A cidade foi fundada em 1501 pelo chefe da etnia Bundela, Rudra Prata Singh, que dentre os seus maiores feitos, morreu quando tentava salvar uma de suas vacas do ataque de um leão (mas é um Bundela, mesmo!!!! Desculpe, não resisti ao trocadilho).
O seu império progrediu por centenas de anos. Devido a isso, hoje, Orcha, apesar de ser uma cidade minúscula (aproximadamente 9.000 habitantes), é simplesmente rodeada por dezenas de palácios suntuosos que denunciam a presença de tempos áureos no passado. A cidade hoje é decadente e as pessoas basicamente sobrevivem trabalhando em Jansi (cidade grande e próxima) ou do escasso turismo dessa jóia intocada no meio do subcontinente indiano.

Chegar lá foi, como tudo relacionado a transportes na Índia, muito engraçado. Eu e Samanta nos informamos no hotel sobre quanto deveríamos pagar na rodoviária pelo ônibus de Kajuharo para Jansi (de Jansi deveríamos pagar um táxi para Orcha, já que esta estava apenas a 12 quilômetros daquela). Eles nos responderam que existiam dois ônibus: Um público e um privado. O público demorava seis horas pra chegar, saía um por dia, era velho, os bancos eram de plástico e, não raro, quebrava no caminho. O privado demorava quatro horas, saiam cinco por dia, eram novos, bancos alcochoados e sempre chegavam na hora. O privado custava 250 rúpias (algo como seis reais) e o público custava módicos 200 (algo como cinco reais).

Na hora fiquei num dilema.
“Poxa, o público pode ser ruim, mas, olha só, ele é mais barato! Se pegar o público eu economizo um real! Como sou eu e a Samanta, economizaremos incríveis DOIS REAIS!!
Tudo bem que viajaremos por mais duas horas! Mas com dois reais a mais nos bolsos!”
Decisão difícil, né? Juro que lembrei um dia em que fui almoçar num restaurante em Campinas e o garçom chegou pra mim e disse que eu poderia escolher dentre dois acompanhamentos: Lasanha e… Abóbora!! Lasanha e o que, homi? Ãhn?!? Eu quase que falei pra ele “O senhor tá de sacanagem? Tá tirando onda com minha cara? Traz logo essa abóbora!! Mas é claro que eu vou preferir abóbora!”. Juro que na hora que o cara me falou a diferença dos preços eu quase falei pra ele me dar o público só de sacanagem!!! Perguntei por que tem gente que prefere pagar pelo público e ele falou que não sabia, que apenas me contava as duas opções por via das dúvidas.

Fomos pra rodoviária e a única parte interessante que lembro ser necessária citar foi o cara do balcão da rodoviária querer me cobrar 500 rúpias pela passagem que eu já sabia que custava 250 rúpias. Enfim, adotei a tática do “esmurre a mesa e grite quando você sabe que o cara está te roubando” e, depois de uns dez minutos, ele me vendeu a passagem pelo preço correto. Se tem uma coisa que não podemos negar é que, pelo menos em relação a tentar te roubar em todo canto, a Índia é um país quase que homogêneo.
Enfim, embarcamos para Jansi e de lá pegamos nosso táxi para Orcha.
E aqui começa mais uma de nossas aventuras…
P.s: Pra galera que anda perguntando onde estou. Encontro-me postando em Brasília, mas amanhã chego a São Luís. Se alguém quiser marcar de tomar uma cerveja ou algo assim, pode deixar uma mensagem.
P.s2: Perguntaram-me se aquela Índia que aparece na novela “Caminho das Índias” existe mesmo ou é ficcional. Sim, aquela Índia existe mesmo! Cara, a Índia é um pais fascinante e, como já falei várias vezes, foi meu país preferido. Ainda não postei quase nada das cidades em que viajei na Índia. Vocês estão com uma má impressão da Índia porque até agora eu só postei algo relacionado às partes ruins, que foram minoria, diga-se de passagem. Agora que estou começando a postar as verdadeiras jóias arquitetônicas da Índia, com Orcha cumprindo perfeitamente o papel de um grande “abre-alas” vocês vão ver porque a Índia foi meu destino preferido.

6 comentários em “Orcha

  1. <><> Poutz velho, sabe o que é foda?Para nós, um real não faz a menpr diferença. Mas, talvez, para um indiano pobre e fodido no meio da Índia 50 rúplias façam toda a diferença.E o pior é saber que o cara se sujeita a pegar um ônibus todo arregaçando e quebrado, sendo que há um bem melhor, por uma ninharia de dinheiro, que deve contar muito para ele no fim do mês.Enfim…Foste prestar concurso para o que?De qualquer forma, boa sorte. 😉<><>

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  2. Poza Claudiomar!tenta dar uma acelarada nos posts…assim vc vai demorar 5 anos pra terminar de contar a viagem!Daqui a pouco o blog vai começar a ser menos acessado pq o povo vai cansando!Abs!

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  3. Gostaria de sugerir uma modificação no sistema de votos para os posts, porque eu sem querer cliquei em “não gostei” sendo que eu queria clicar em interessante para este post.O problema é que não existe uma forma de retificar. No mais , gostaria de parabenizar pelo blog, acompanho já há alguns meses e gosto principalmente dos posts sobre a cultura e história dos os países, já que neles podemos quebrar alguns mitos e nos deparar com realidades e filosofias de vida totalmente diferente das nossas.[]s

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  4. Este post fez-me lembrar de um casal que queria ir de Camocim para Jericoacoara e, por R$ 5,00, optou em pegar, em suas palavras, algo comparável com o ônibus público…Mas… eram R$ 5,00 e não hum, neh?TE AMO!

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