Perambulando por Istambul

Já havia conseguido meu couch em Istambul há algum tempo antes de sair da Polônia. Os meus hosts eram super gente boa. Um casal: uma menina do Azerbaijão e um cara que era filho de um turco com uma brasileira, mas tinha nascido nos Estados Unidos. Sim, ele foi a primeira pessoa que eu conheci que tinha três nacionalidades ao mesmo tempo. Ele realmente tinha três passaportes diferentes. Chegou a morar um tempinho no Brasil e falava um pouquinho de português, idioma que conversávamos quando ele não queria que sua namorada entendesse o que estávamos falando, hehehe.
Estreito de Bósforo
A chegada a Istambul foi interessante já desde o trajeto pra poder chegar em casa. O povo turco parece ser um povo MUITO bruto, brother! Sério, foi muito engraçado já no primeiro ônibus que eu entrei. O cobrador, logicamente, não falava inglês e eu meio que no “mimication” tentava explicar pra ele que queria ir para um bairro que eu havia escrito no papel. Um outro turco já veio subindo no busão direto e não quis nem saber se eu tava no caminho ou não, foi me empurrando com tudo e passou a roleta. Eu meio que cambaleie, mas não caí no chão. O cara nem falou desculpa nem nada! Parecia até um trator!
Chegando à parada de ônibus combinada, vi um cara balançando uma bandeira do Brasil, era o meu host, que se chamava Yunus. Deixei minhas coisas na casa dele e perguntei o que havia de bom pra poder fazer em Istambul além de, claro, a Igreja Santa Sofia e a Mesquita Azul, os dois principais cartões postais da cidade. Ele foi me falando e eu fui só escrevendo: As cisternas da cidade, a torre Galata, o Estreito de Bósforo, o “banho-turco”… Ãhn? Banho-turco? Que diabos era aquilo? Perguntei pra ele e ele me explicou dizendo que era algo mais ou menos assim:
– Cara, é assim: um turco só de sunga, com pelo pra todo lado, um bigodão imenso, te deita em uma cama, te enche de porrada com umas pedras quentes, depois te joga água fervente nas costas e depois te faz uma massagem.
– !!!!
– Eu não consigo entender como alguém pode gostar disso – ele me disse.
– É, parece que não é muito meu tipo não – eu respondi.
Resolvi guardar o primeiro dia pra visitar o monumento que eu mais queria visitar desde que cheguei na Turquia, a Igreja de Santa Sofia. Mas o que foi a “Igreja de Santa Sofia” e o que ela é hoje? Bem, a Igreja de Santa Sofia foi construída pelo Imperador Teodósio em 532 d.C. como um símbolo da opulência e do poder do Império Bizantino. Durante muitos anos foi considerada uma das maravilhas do mundo da Idade Média. Em 1453, após a tomada de Constantinopla pelos turcos, a Igreja, devido a sua opulência, foi poupada. Ao invés de tacarem fogo e mandarem ao chão como eles costumavam fazer, os turcos ficaram impressionados com aquela construção milenar e gigantesca. Resolveram preservá-la e, melhor que isso, resolveram, er… digamos… pegá-la meio que emprestada pra dar uma rezadas ou outras. Sim, eles ergueram quatro minaretes (aquelas torres que ficam ao redor das mesquitas) e, PIMBA, a Igreja virou uma mesquita. O que ela é até hoje! A primeira celebração islâmica na nova mesquita ocorreu em 1 de Junho de 1453.
Foi engraçado tentar chegar à Igreja de Santa Sofia. Era meio complicado conseguir andar naquelas ruas medievais de Istambul. As ruas eram sinuosas e era difícil você se situar. Encontrei o primeiro turco e fui pedir informação pra ele:
– Oi senhor, tudo bom? O senhor poderia me dar uma informação? Onde fica a Sofia?
– Bulgária.
– Ãhn?
– Sim, Sofia fica na Bulgária, é a capital da Bulgária

Ah sim, ele era daqueles piadistas, pensei. Vou arrumar uma vaga pra ele no Zorra Total.
– Ok, e a “Hagia Sofia” (Santa Sofia em Turco)?
– Ah, sim, a Hagia Sofia fica naquele caminho.
Turco imbecil, pensei. Enfim, segui o caminho, mas me perdi depois novamente. Parei outro turco e pedi informação:
– Bom dia, Senhor. O senhor poderia me informar onde fica a Sofia?
– Bulgária, senhor! Sofia é a capital da Bulgária.
– Ok!!! E a Hagia Sofia, pra onde fica?
– Naquele caminho, senhor!
Gatinho comendo cabeças de peixes na saída da Hagia Sofia
Cara, dá pra acreditar nisso? Sério, muito engraçado, de quatro pessoas que eu pedi informação, três me falaram primeiro que Sofia era a capital da Bulgária. Os caras lá REALMENTE querem que você fale Hagia Sofia quando se referir à mesquita-igreja deles, ehehehe. Eu fiquei imaginando o tanto de turista imbecil que deve falar Sofia ao invés de Santa Sofia pra esses caras. Pensando bem, eu acho que até dou razão pra eles…
“Hagia Sofia” vista de fora
Vitrais na Hagia Sofia
Consegui chegar lá e paguei mais ou menos uns quinze dólares pra poder entrar. O interior da Igreja-Mesquita é… é… é… assim… bonitinho… Nada que valha o dinheiro que você paga pra poder entrar. Lá dentro há alguns dos mais famosos e bem preservados mosaicos bizantinos e cristãos-ortodoxos.
Esse mosaico fez parte de muitos livros de história da galera

Havia também dentro da Igreja um buraco na parede que os turcos costumavam dizer que era um teste pra poder checar se você não tinha pecados, se era uma pessoa pura. Bastava que você enfiasse o dedo dentro, mantivesse os pés juntos e imóveis e conseguisse dar uma volta de 360 graus com uma de suas mãos. Logicamente que eu, depois de quase um mês de Europa Oriental, não consegui girar nem 60 graus a minha mão. O que não faltava era pecado dentro de mim, rapaz…

Depois de mais ou menos uma hora, saí da Hagia Sofia e me dirigi a Mesquita Azul, uma das mais lindas mesquitas que pude presenciar em toda minha viagem.

5 comentários em “Perambulando por Istambul

  1. Seria tipo os gringos em são paulo na Copa de 2014 pedirem informação de carro:

    -Con Liçênçá, Donde fica RI-O?
    – RIO? – Brasileiro aponta o dedo para uma direção.
    O gringo viaja uns 5km de carro, vê um rio fedorento. Rio Tiête.

    JV

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