Líbano


Depois da Síria, era chegada a hora de seguir para o próximo destino: Líbano.
O Líbano é um país situado no Oriente Médio e ilustra perfeitamente o mosaico de religiões e conflitos que se desenrolam pela região. Ao contrário de seus vizinhos que possuem maiorias incontestáveis de uma ou outra religião (Israel é um país judeu e Síria, Iraque, Irã, entre outros, são países muçulmanos), o Líbano não possui uma maioria religiosa que consegue se impôr. É interessante, mas o Líbano possui a maior comunidade católica entre os árabes! Sim, árabes católicos! Sabe aquele esterótipo que a gente tem dos muçulmanos? Barbudos, morenos e com rostos de traços robustos? Pois é, há vários desses, mas que professam a fé cristã assim como nós! Isso pode ser uma vantagem ou até bonitinho para as pessoas dizerem “olha só, são várias religiões reunidas!!”, mas na verdade esse é o grande problema do Líbano. Como nem católicos, nem muçulmanos conseguem se impor uns aos outros, o pau sempre come solto por lá, com guerras civis sendo tão constantes como Copas do Mundo.
Para se tentar conseguir algum tipo de paz ou estabilidade, amplos governos de coalizão necessitam ser formados para que as várias correntes possam ser representadas. Durante boa parte do século passado isso até funcionou, pois a população se dividia basicamente em metade católicos, metade muçulmanos. O problema é que as taxas de natalidades das famílias católicas costumam ser menores do que as das famílias muçulmanas. E isso desequilibrou a frágil estabilidade religiosa no país. Eu cheguei a ouvir que hoje provavelmente o Líbano possui 70% de muçulmanos contra 30% de católicos e outras minorias. Para evitar que o pau coma solto mais ainda, que essa proporção seja oficializada e assim os árabes clamem por mais poder e por transformar o Líbano em um país muçulmano assim como a Arábia Saudita ou a Síria, nunca mais houve um censo oficial para que seja atestada essa proporção. Apesar das diversas demonstrações de força, pressão e apoio popular do Hezbollah, o acordo de repartição dos poderes entre católicos e muçulmanos se mantém como há décadas atrás.

Devido a todo a sua instabilidade, o Líbano foi palco de diversas guerras civis e bombardeios israelenses que sempre comprometem a infraestrutura do país. O país foi sede de vários massacres (com Sabra e Chatila o seu mais famoso. Quem quiser ler o massacre, basta clica nesse link aqui, a reportagem está sensacional, vale a pena gastar uns minutos lendo) e de guerras que muitas vezes nem tem relação com o povo libanês.
Isso ocorre porque durante muitos anos o Líbano foi quase uma “terra de ninguém”, com tropas israelenses, sírias, francesas e americanas estacionadas no seu território. Se aproveitando desse vácuo de poder, diversos grupos terroristas ali se abrigam para poder atacar Israel. Como nenhum país árabe é páreo contra o poderio militar da nação judia (na verdade Egito, Síria, Jordânia, Iraque, Arábia Saudita, Sudão, Argélia e Kuwait chegaram até mesmo a se juntar para lutar contra o pequeno país judeu e levaram um cacete TREMENDO), diversos países fornecem armamentos a grupos terroristas que atuam no Líbano e, de suas fronteiras, atacam o norte de Israel. O maior e mais poderoso entre eles é o Hezbollah que, acredita-se, recebe um grande apoio de tropas e armamentos da Síria e do Irã. Não sei se vocês lembram de 2006, quando Israel bombardeou mais uma vez o Líbano e mais uma vez comprometeu a infra-estrutura de Beirute. Isso ocorreu por causa de ataques terroristas provenientes do território libanês. Quem acabou pagando o pato foi o Líbano inteiro.
Foto da internet

Devido a essa história marcada por sangue e guerras constantes, grande parte dos libaneses (principalmente os cristãos) migraram para o Brasil para buscar uma vida melhor e com um pouco mais de paz. Chegando aqui encontram um país miscigenado e com grande aceitação a estrangeiros. Por aqui ficaram e deixaram as suas marcas como grandes comerciantes e, er…, políticos: Rua 25 de março, Hospital Sírio-Libanês, Paulo Maluf, Gilberto Kassab, Geraldo Alckmin…
Mas nem tudo é sangue nesse belo país. O Líbano foi um dos berços de toda a civilização ocidental. Uma de suas cidades (onde estive e escreverei sobre ela) chama-se Byblos, não por coincidência parecido com o a palavra Bíblia. Byblos em grego significa “livro” e foi o nome que eles deram a essa cidade libanesa que segundo se acredita foi uma das cidades que criou o alfabeto grego que depois evoluiu para o nosso. Posteriormente falarei sobre ela. Além disso, Beirute (capital do Líbano e principal cidade com quase dois milhões de habitantes), devido ao seus diversos cafés, também foi durante muito tempo conhecida como a “Paris do Oriente Médio”.

Bem, acho que já falei demais. Vou parando por aqui, falarei mais das cidades quando estiver escrevendo sobre elas.

2 comentários em “Líbano

  1. O meu filho!!! Até que enfim você atualizou esta bagaça!

    Bem, pena que não deu certo aí teu concurso. Mas bola pra frente que nesse nosso glorioso e amigável país emprego público é o que não faltará (NUNCA).

    Quanto ao post, a 1ª coisa que me veio à cabeça: Depois que o Richard Dawinks desce o sarrafo na religião, a ataca, diz que ela não só é desnecessaria, mas perigosa; tem uma galera que acha ruim. Que reclama.
    Líbano é só um exemplo do quanto se mata (se matou e ainda matará) em nome de um Senhor invisível diferente do que o que os antepassados de um acreditavam.

    E a parte da cidade de Byblos, sobre ela ter sido um possível berço do alfabeto romano, ficou meio esquisito. Que eu me lembre, o nosso alfabeto (romano) foi originado, em partes, pelo alfabeto. Este por sua vez teve início, novamente em partes, pelo alfabeto fenício. Este tendo sido um grande precursos de diversos outros alfabetos, iclusive o árabe.

    Agora onde entra Byblos aí no meio eu não sei…

    De qualquer forma, excelente post. Estou no aguardo das aventuras de um Maranhense perdido pelo Mundo.

    Abraços

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  2. Adendo:

    “Que eu me lembre, o nosso alfabeto (romano) foi originado, em partes, pelo alfabeto. Este por sua vez teve início, novamente em partes, pelo alfabeto fenício.”

    Na 1ª frase faltou completar que o alfabeto romano foi originado, em partes, pelo alfabeto GREGO.

    ^_^

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