E o dia amanhece na Eslovênia

No dia “pós balada”, pela manhã, era chegada a hora de fazer o mais difícil: Levantar da cama! Caraca, doido, é sério, é muito difícil você tentar levantar da cama quando se está na Eslovênia. O clima é MUIITOO gostoso, aquele friozinho saboroso que dá vontade de ficar o dia inteiro debaixo das cobertas (fico imaginando como deve ser ainda mais difícil levantar quando se tem uma loira eslovena ao lado).

Chegamos da balada quase cinco horas da manhã. Quando cheguei em casa pra dormir, achei que teria sossego pra poder ficar na cama até umas cinco da tarde. Ledo engano. Quando foi no outro dia, nove da madrugada, o telefone fixo da casa começou a chiar sem parar. Enfiei o travesseiro entre as orelhas e fiquei esperando que a Tanja uma hora atendesse o telefone. Ela não foi atender. Depois de um tempo que eu fui me lembrar que ela havia me dito que sairia cedo pro trabalho no outro dia e eu ficaria sozinho em casa. Bem, achei que era melhor deixar ele tocando porque, mesmo que eu atendesse, eu não falava esloveno. E o telefone tocou até cair a ligação. Depois tocou novamente. E depois novamente. E depois novamente. Comecei a ficar preocupado se alguma coisa tinha dado errado e resolvi levantar pra ver o que era. Quando atendi, surpresa, a ligação era pra mim:

– Claudio?

– Urghehaekhaehgaha (rosnei de sono)… Sim?

– Oie! Somos as meninas que ontem fomos para a balada contigo. A Tanja falou que era pra te pegar no outro dia pela manhã pra podermos fazer uma coisa que sempre fazemos após uma noite de balada como aquela.

A minha mente poluída pensou em algo bem legal, mas deixa pra lá…

– Ir pro hospital?

– Não, vamos fazer uma caminhada e subir um dos morros mais altos ao redor de Ljubljana. Dá pra ter uma vista fenomenal da cidade lá de cima.

Nossa, olha só que idéia genial. O que se fazer quando você não consegue ficar em pé de tão cansando? Isso, subir um morro pra ver a vista lá de cima. E depois? Ah, depois descer o morro. Pombas, baixa uma foto na Internet e pronto, cara, não precisa ir lá em cima pra ver a cidade, alguém já fez isso pra você… Eu fiquei pensando: – Será se eu tou sonhando? É isso mesmo que eu tou ouvindo? Tradiçãozinha sem-vergonha tem esses bichos, rapaz. Olha só, você sai pra balada, volta mais doido que o Robocop na chuva e no outro dia o que eles propõe? Subir um morro pra poder ver a cidade lá de cima. Gente do céu, isso sim é ser hardcore… Ainda bem que eles não tinham essas idéias no Nepal…

– Gente, vocês beberam de mais ontem ou o que? Vocês tão é ficando loucas é? Deixa eu dormir, pelamordedeus? Eu não tenho mais idade pra ficar fazendo essas pirações não, amiga! Lá no Brasil a galera costuma pirar de várias maneiras, nenhuma que seja subindo morros depois de uma balada destruição.

– Cláudio, você não me entendeu. Você NÃO TEM ESCOLHA, nós não estamos pedindo que você vá com a gente. Nós estamos DIZENDO que você vai. Ou você vai ou vamos ficar ligando até a hora que você resolver descer. E vem logo que a gente tá com pressa.

Como eu vi que não tinha muita escolha, acabei entrando naquela loucura junto com elas. Fui ao monte.

SUBINDO O EVEREST ESLOVENO

Cara, vou te dizer, não foi um Everest, mas pareceu viu? Mermão, como foi engraçado subir aquela parada. Pra começar que fomos eu, uma amiga da Tanja, a “cigana” e a sua “filha” fruto do relacionamento entre um sérvio e uma cigana.

Chegamos lá e começamos a subir a trilha. Pô, o lugar era realmente muito bonito, um perfeito local para se dar uma volta quando a noite passada foi bem dormida (longe de ser meu caso). As folhas das árvores estavam num misto de verde e avermelhado, de um outono que estava para começar.  Engraçado que a gente ia seguindo a trilha e a cachorrinha também ia junto com a gente, andando pra todo lado, fazendo maior bagunça e tentando brincar com todo tipo de bichinho que aparecia por lá.

Depois de mais ou menos uma hora de intensa caminhada nos deparamos com uma cena inusitada. Cara, DO NADA, apareceu um burrico caminhando pela trilha sem NINGUÉM segurando ele ou algo assim. Eu achei bem engraçado e aproveitei até pra bater uma foto com ele.

Além desse burrico tinhas umas ovelhas também, que eu, pra fazer graça, comecei a sair correndo atrás delas pra saber qual seria a reação delas.

Mas o mais engraçado de tudo, sem sombra de dúvidas, foi quando a cachorrinha achou de invocar com esse burro que apareceu do nada. Rapaz, ela ficou latindo no ouvido do bicho até a hora que ele perdeu a paciência e saiu correndo atrás dela. Foi uma das cenas mais surreais que eu já vi, um burro correndo atrás de um cachorro e o cachorro desesperado tentando fugir…

Subimos, batemos algumas fotos e depois eu voltei pra casa.

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Dá só uma olhada na neblina que a gente teve que enfrentar na volta para casa

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Embaixada brasileira

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SISTEMA EDUCACIONAL EFICIENTE

Chegamos já pelo começo da tarde. Tanja já havia voltado do trabalho e me esperava em casa pra podermos dar uma volta. Ela me levou em um castelo que havia lá em Ljubljana. Depois de um tempo dando uma volta, paramos numa doceria pra poder comer alguma coisa. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa doceria era em frente à nossa minúscula embaixada na Eslovênia.

Enquanto estávamos comendo e conversando por um tempo, um mendigo veio se aproximando pra falar com a gente. Ele chegou e começou a falar alguma coisa em esloveno pra mim, provavelmente pedindo dinheiro e eu só falei o de sempre: “Sorry, I just speak English”. Pensa que ele se fez de rogado? Nadaaaa… Ele só virou pra mim e começou a falar: “Sorry, sir, but I just wanna know…”. Cara, cê acredita nisso? O mendigo simplesmente apertou a tecla SAP e começou a falar inglês comigo. Nessa hora eu fiquei tão sem graça que pra mim não restou outra opção senão dar uns trocados pro bicho. Pô, cara!! Que país maluco é esse que até mendigo sabe falar inglês? Hahaehahe

Só sei que conversando com ela, acabei mudando os meus planos. Inicialmente os meus planos eram de visitar Ljubljana, seguir para Viena e de Viena pegar um trem ou alguma coisa que fosse pra poder descer para Itália. Ela me convenceu que seria muito melhor sair da Eslovênia direto para Itália, pois era bem mais barato e perto fazer isso. Foi o que eu acabei fazendo. Só liguei pra companhia aérea, remarquei a passagem de avião pra Viena pra uma semana depois e segui direto para a Itália.

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22 comentários em “E o dia amanhece na Eslovênia

  1. Se foi Outono, então, provavelmente entre final de setembro inicio de outubro. Pois não parece muito frio.

    Mas, na independente de vc te passado o rodo ou não nas loira. As minas dão mole pros latinos? mas na real, Polonesa, Thecas… é moleza arrastar na baladas?

    Para um paraiba, do teu naipe, quais as chances de se dar bem. De cada dez tentativas, quantos tocos vai tomar?

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  2. Maranhão, aqule jeguinho, vc matou a saudade de casa, tirou o atraso…ou só serviu pra dar mais saudade do kanguru ingrato?

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  3. hehehehe

    Velho, eu tava querendo escrever um comentário engraçadinho sobre o post, mas depois do que os Anonymous escreveram, resolvi deixar quieto.

    E larga a mão de ser reclamão Claudio. Tu estava na Europa, curtindo uma viagem ao mundo; tinha passado uma noite louca junto com um bando de loiras eslovenas, e precisou levantar “cedo” para dar um passeio num lugar lindo daquele.

    Queria ver você, depois de ter trabalhando até as 22:00, pegar 2 busões socados de gente mal-encarada, fedida, suja, para durmir menos de 6 horas, ter que madrugar para encarar outros 2 busões com pessoas igualmente mal-encaradas, mas menos fedidas e sujas.
    Tudo isso como pano de fundo a maravilhosa cidade de São Paulo, com seu ar revigorante, misto perfeito de fumaça de escapamento fodido, rio de bosta e mijo de mendigo amanhecido.

    Tenha um bom dia! =)

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  4. Maranhão

    Correndo atrás das ovelhinhas hum… aposto que vc lembrou quando aqui no norte vc corria era atrás das cabritinhas
    Bééééééééééééé.

    Tu fez muita maldade com as bichinhas

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  5. Maranhão

    é melhor vc mandar um post novo pois os kara vão ficar te zoando.
    Tambem, vc dar motivo, não pega as gringa ainda fica de graça com jumentinho, ovelhinha… A galera da tua região já tem fama de gostar de uma cabritinha

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  6. O maranhão entrou em depressão tá com saudade daquele kanguru ingrato, que não escreve uma carta, e-mail, um telegrama ou simples telefonema.

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