Portugal


Era chegada a hora do último país, da última semana, da última parada de toda minha viagem de volta ao mundo. Era chegada a hora de pousar em Portugal. Nos meus planos iniciais, eu iria ficar apenas uns dois ou três dias em Lisboa, acabou que eu cheguei mais cedo e fiquei um pouco mais de uma semana devido um encontro internacional do Couchsurfing (parecido com o que eu fui em Praga) que iria ocorrer lá e eu tava doido pra poder participar. Fiquei num couch de uma portuguesa que havia conhecido no encontro em Praga com mais outros quatro couchsurfers, o que deixou a casa BEM da hora.

O encontro e o passeio por Lisboa foram super da hora. Um dos problemas foi que lá não parava de chover e acabou por impossibilitar algumas atividades que a galera tinha planejado, mas não foi um grande problema.

Show de malabares de um dos couchsurfers que teve que ser interrompido devido a chuva

Lisboa é uma cidade bem legal e bem bonitinha. Uma das coisas mais legais é que ela é MUITO parecida com São Luís (ou São Luís é muito parecida com ela, como achar melhor). Há casarões com aquele estilo colonial, tal qual São Luís, por toda a Lisboa velha além de suas diversas ladeiras com ruas de paralelepípedos, tal qual… bem… tá ficando chato ficar repetindo.

Fachada de prédio coloniais em Lisboa

Uma coisa que eu esperava que ia acontecer, mas ainda assim me assustou, é o tanto, mas TANTO de brasileiro que tem em Lisboa (ou tinha, já que depois da crise uma galera voltou pro Brasil). Isso ocorre devido a uma coisa meio óbvia, já que como a língua é a mesma, Portugal é um dos destinos preferidos dos brasucas, assim como a Espanha é para os latinos-americanos. Mas cara, falando assim você não deve imaginar, mas é que tem muito, mas MUITO brasileiro lá mesmo. Assim que eu cheguei, pra começo de conversa, no aeroporto e peguei o busão, metade do ônibus era de brasileiros. Me entrosei com eles e já de começo conheci uma maranhense de BARRA DO CORDA (um cidade do interior do Maranhão) no busão! Bicho, se em São Luís já se é difícil encontrar alguém de Barra do Corda, imagina em Lisboa! Ela realmente me impressionou! Foi a segunda maranhense que eu conheci na minha viagem inteira depois do cara de Riga, na Letônia (link da história aqui). A mina era bem gente boa, mas não tivemos muito tempo pra conversar, já que ela logo desceu.

Banco do Brasil em Lisboa

Além disso, outra coisa que me deixou impressionado, é como parece que eles não gostam de brasileiros por lá. Por quê? Bem, cara, segundo alguns amigos me confidenciaram isso ocorre porque, bem, imaginem quais brasileiros que vão pra lá. A maioria são trabalhadores braçais e de baixa educação, então os brasileiros lá são como são os “nordestinos” para galera do Sul ou Sudeste. Mas ser um trabalhador braçal não é lá uma grande problema, o problema é que os portugueses são um povo muito formal e a gente, pelo outro lado, é MUITO bagunçado, se for de baixa educação então… Imagina… Mas o principal problema é que Portugal sempre foi um país muito tranquilo e seguro e hoje vê os seus índices de violência indo para as alturas principalmente devido a brasileiros que entram na Europa de qualquer maneira e, uma vez estando lá, se veem sem alternativas. Aqui no Brasil já sabemos como essa história começa e também sabemos como ela termina. Pelo que meus amigos portugueses me falavam, Portugal agora está tendo que lidar com alguns tipos de crimes que não faziam parte de sua realidade como assaltos a banco e sequestros e parte deles possuem brasileiros como envolvidos ou protagonistas. Até mesmo o PCC, por um momento, começou a preocupar os portugueses. Então, é como disse a minha amiga que me hospedou, os portugueses não tem problema algum com brasileiros que eles sabem que são pobres e vão a Portugal à procura de uma vida melhor, que vão lá pra poder construir as suas vidas, isso é bem benéfico para o pais. O problema são os brasileiros que migram pra Portugal e de uma certa maneira exportam os problemas sociais do Brasil em um país que não está acostumado a assistir o Datena quando chega em casa do trabalho. Bem, se isso serve de consolo, Portugal também enfrenta o mesmo tipo de questão com imigrantes africanos e até mesmo o Brasil, em menor escala, também possui alguns problemas com gangues de imigrantes, notadamente angolanos e paraguaios. Isso é um problema sério, pois apesar da grande maioria dos imigrantes serem pessoas de bem e agirem de uma maneira benéfica para a sociedade, se 98 locais e 2 imigrantes cometem um crime, a imprensa vai cair em cima dos imigrantes, dar muito mais valor aos 2 e querer te levar a crer que são um problema muito maior do que a realidade.

Em menor escala isso acabou ocorrendo comigo também. Meu jeito menos formal de tratar com as pessoas na rua meio que irritava alguns portugueses. Pra ilustrar eu lembro bem um dos primeiros diálogos que eu tive assim que eu cheguei a Portugal. Eu tinha acabado de descer do metrô, cheio de malas nas costas, e fui perguntar a um policial que vi na rua onde ficava o restaurante que eu procurava, segue o diálogo:
    • Senhor, como chego no Restaurante Tal?
    • Boa noite! – respondeu ele de uma maneira bem rude – Aqui em Portugal dizemos “Boa Noite” antes de perguntar algo em sinal de educação. Em que posso ajudá-lo?
    • Senhor, boa noite, como chego no Restaurante Tal?
    • Virando ali a esquina.
Cara, sem brincadeira, foi assim mesmo que o bicho me respondeu. Tirando o povo do aeroporto, foi o primeiro português que eu conversei na rua e o bicho foi MUITO rude comigo. Não vou dizer que todos portugueses são assim, até porque TODOS os que conheci pelo couchsurfing foram MUITO gente boa, mas pude notar um certo “ranso” de alguns portugueses nas ruas a conversar comigo quando notavam o meu sotaque brasileiro. Às vezes podia ser só impressão minha, mas, por via das dúvidas, pra todo português na rua que eu fosse perguntar uma informação eu sempre falava “boa noite” antes de começar a conversar, ainda que fosse meio-dia.

Sabe-se lá o que poderia acontecer…
Lisboa também tem sua Rua Augusta…

2 comentários em “Portugal

  1. Olá Claudiomar, tudo bom??

    Estou lendo seu blog. Muito interessante. Legal tua forma de escrever, dos seus relatos históricos dos locais por onde andas.

    Divertido de mais as inúmeras situações que passaste e as formas com as quais relata.

    Agora mesmo, estava lendo sobre tu escrevendo lá em Istambul, na mesquita azul e conhecendo o outro brasileiro. Ri muito quando tu achaste que o cara tinha feito umas viagenzinhas bestas pela Europa e ele fala que tinha vindo da Libia, Azerbaijão e Turcomenistão.. (muitos risos da cara de espanto que tu deves ter feito). Sou super curioso sobre aqueles países. Gostaria muito de conhecer todos aqueles “FulanosTãos” exóticos, ex soviéticos. É isto, abraço, paulo

    pauloviniciusap@uol.com.br

    ps: Tentei de adicionar no Facebook

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