Chegando a Venezuela

Cara, só há uma palavra para se definir a chegada a Caracas: tensão! Sim, em Caracas a tensão é desde a hora em que você desce do avião. Primeiro que Caracas é de longe a cidade mais violenta das América do Sul, com um índice de homicídio pior do que o de Bagdá (sim, o esquema é tenso!). Segundo que, como expliquei, Tio Chávez achou que seria uma boa ideia controlar o dólar e, dessa forma, assim que você desce do avião você fica se perguntando como DIABOS você vai fazer para poder comprar bolívares, haja vista que comprar no câmbio oficial é uma roubada, comprar no câmbio negro é efetivamente um crime e pode te causar problemas. Taxista você não pode aceitar nenhum, pois vi relatos em fóruns de pessoas que foram sequestradas por taxistas COM CREDENCIAIS que as abordaram no aeroporto. Você precisa pagar o táxi no balcão oficial do aeroporto e entrar direto no indicado pela balconista (cara, quando um taxista com credencial pode te sequestrar, é sinal de que a situação tá realmente preta).


Saí da imigração já com a tensão em alta. Veio um taxista com credencial e já começou a cochichar “Táxi? Câmbio?”, juro que imaginei ele já ir emendando “Pó? Meninas? Pedra?”. Fingi que não era comigo e saí andando. Fui ao banheiro, coloquei todas as minhas notas de cem dólares no meu coldre e fui atrás de alguém pra trocar moeda para mim. Teria que trocar pouco, pois, se não fosse tensão suficiente, o aeroporto é famoso por possuir cambistas que lhe dão notas falsas. Fui andando e passei do lado de um carregador de malas que me falou baixinho “câmbio?”. Vi que ele era mais ou menos do meu tamanho e caso ele me dessa uma nota falsa, seria mais fácil sair na mão com ele. Respondi que sim e começamos a negociar no meio do aeroporto, cochichando, os dois visivelmente tensos e fechamos uma cotação, meio ruim para mim, mas tudo bem, eu só queria sair do aeroporto o mais rápido possível. Só para deixa-los mais a par da situação, estava com bastante dinheiro vivo no meu coldre, pois nem em Cuba, nem na Venezuela dá para viajar utilizando o cartão de crédito.
Quando estávamos no aeroporto, um muçulmano parou embaixo da escada e começou a fazer a as suas preces. Estranhei, pois aquela não era a hora apropriada para fazer uma das cinco preces do islamismo, haja vista que ainda havia algumas horas até o pôr-do-sol. Depois, o taxista, que também era muçulmano, me explicou que provavelmente aquele rapaz tava orando porque o pôr-do-sol seria quando ele estivesse dentro do avião e, imagina a cena, um muçulmano, no meio de um voo internacional ajoelha no chão e começa a orar! Isso poderia levar pânico aos passageiros, pois, afinal, tem muita gente idiota no mundo. Por isso, alguns muçulmanos preferem fazer as suas orações antes de embarcar. Interessante, né?
Ele me levou para dentro de um elevador (!!!!). Quando as portas fecharam e eu achei que ele ia me dar uma facada e fugir com meus dólares, ele me deu as notas de bolívares. Quando comecei a contar ele gritou “Espera, a porta do elevador fechar novamente!!!”, tava tão tenso que não havia visto que o elevador estava abrindo a porta. Nessa hora é botar tudo no bolso, assobiar e fingir que nada tá acontecendo! Quando as portas do elevador fecharam novamente, ranquei os quarenta dólares que tinha, dei para ele e estava realizada a primeira transação ilegal com dólares da minha vida!

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