Los Roques – Entre Lagostas, Arraias Gigantes e Derivados de petróleo

Algo que é indiscutível na Venezuela é que este é um país imbatível quando falamos sobre o preço de derivados de petróleo. A gasolina é absurdamente barata e os próprios venezuelanos não sabem dizer quanto custa devido ao valor desprezível dela. Um dos couchsurfers me falou uma coisa que não pude confirmar, mas é que nos postos de gasolina não há o preço nas bombas, dado que ele não varia há mais dez anos. Só sei que o litro de gasolina custa a bagatela de alguns centavos de dólar.
Jantar na Pousada “Los Corales”
A coisa é tão absurda que amigos roraimenses dizem que o único motivo de ainda existir postos de gasolina em Roraima é o governo. Para as viaturas do governo é necessário nota fiscal e, portanto, eles tem que abastecer em postos legais (se você acha a gasolina de Brasília cara, imagina quanto não deve ser para levar até Roraima que, de tão desconhecida, até a piada do “não-existe” ficou com o Acre!).
Pôr do sol em Los Roques

Pôr do sol em Los Roques
Enquanto esperava o pôr-do-sol em Los Roques, um casalsinho subiu o morro e ficou lá me olhando com aquela cara de “você não vai embora não?”. Eu também só fui embora quando ficou escuro!!! HUNF!

Dizem que todo o resto dos roraimenses compram gasolina contrabandeada da Venezuela. O cara arranca tudo do carro, dá um jeito de transformar a sua modesta Belina em um caminhão-tanque por debaixo dos bancos e tenta a sorte atravessando a fronteira de volta cheio de gasolina. Diz que para abastecer em Roraima, você vai em uma casa que vende, sei lá, manga, e diz para o cara que quer gasolina. Ele vai falar que não tem, você tira uma nota de 50 do bolso, fala para ele “dá uma olhadinha melhor” e minutos depois vem o cara com uma cambada de garrafas PET de gasolina nos braços.

SOBRE GASOLINA E SILICONE

Além da gasolina, também há outro derivado do petróleo que acredito, e isso já é uma suposição minha, possui um preço imbatível também: o silicone. Deixa eu explicar. Bem, Los Roques é um destino caro até mesmo para um como eu que tenta jogar o preço lá embaixo até quando vou comprar uma caixa de fósforo. Para um país com um câmbio e um sistema político louco como a Venezuela é mais caro ainda, portanto só a elite de Venezuela consegue passar temporada por lá.
Essa foto ficou legal!

Toda vez que entrava nos barcos para fazer passeios pelas ilhas de Los Roques tinha a impressão de que era o único que não tinha silicone no peito. Bicho, é muito engraçado. Vou te dizer que, sem brincadeira, uns 90% das menininhas que vão nos barcos, vão com os peitos parecendo que vão explodir de silicone. Tem umas que mais parece um cabo de vassoura com dois balões de gás hélio. Teve uma outra que, não satisfeita, enfiou também dois baldes de silicone na bunda e ficava andando parecendo uma saúva! Quase que eu cheguei para ela para dar um toque e falar “Filha, na boa, não ficou bom! Tá parecendo duas bolas de boliche!”. Ainda bem que eu ficava a maior parte do tempo com a cara na água vendo corais e peixes.

Sempre tem um mané para atrapalhar a foto..

Não disse?
Até tem uma ou outra bonitinha, mas o que é o mais constante SEMPRE com caras muito, mas MUITO feios. Ok, eu sei que não sou nenhum Brad Pitty ou Rodrigo Santoro, mas porra, é umas meninas bem bonitas com uns cabras mais feios que paraguaios baleados. Uns gordos, outros com caras mongóis, outros que parecem que tacaram fogo na cara e apagaram na paulada. Fico olhando e pensando “é, deve ser legal ser rico!”, ainda bem que eu tive sorte no quesito mulher =)
Kit farofa em Los Roques
Kibon Bolivariana

LAGOSTAS BOLIVARIANAS

Bem, pelo menos mergulhei. E que mergulho!! Consegui ver uma jamanta! Algo que nunca tinha visto na vida! Nadando, graciosa, por duas vezes, bem próxima da gente. Ela estava nadando a menos de três metros de profundidade, portanto se estivesse só fazendo snorkel na superfície conseguiria tê-la visto! Foi tão impressionante! Quando ela apareceu e ficou bailando sobre nossas cabeças todo o grupo de mergulhadores (éramos uns 12), estávamos alinhadinhos em fila a uns 10 metros de profundidade. Depois que ela foi embora, tinha mergulhador a quinze metros, outro a dez, eu a cinco e inclusive um dos nossos ficou tão extasiado que quando foi perceber, já estava com a cabeça quase saindo da água. Inesquecível…

Depois do mergulho, pedi para o nosso barco me deixar em uma ilha próxima e aproveitei que estava com bolívares sobrando e aproveitei para experimentar algo que, até onde lembre, nunca havia comido: Lagosta. Todos me falaram que lá em Los Roques a lagosta era bem barata e que eu devia experimentar. É bem da hora. Você vai no barzinho. Em frente, na praia, tem um viveiro onde você pode escolher a lagosta que lhe for mais aprazível, aponta, o cidadão cata ela e coloca em uma cesta.

Enquanto ele pesa a lagosta, você pode olhar os olhinhos dela, fazer alguns carinhos, dar um nome, criar um laço afetivo e depois ver a sua recém-amiga sendo cozinhada VIVA dentro da panela. É possível ouvir ela se debatendo na panela que, não sendo crueldade suficiente, possui água fria que vai lentamente esquentando e fervendo a lagosta. Quase dá para ouvir os gritos de desespero lá de dentro. Realmente é um saco perder a batalha da seleção natural e acabar sendo relegado a uma escala abaixo na cadeia alimentar.
Vista da ilha onde comi as lagostas

Depois tive que sair mendigando uma carona, até que uma lancha de uma pousada me levou de volta para o povoado.

E ENTÃO…

Como é meio complicado ir e voltar no mesmo dia de alguma das ilhas de Los Roques, decidi que no meu último dia, não iria para lugar nenhum, só ia ficar morgando e engordando na pousada que mudei na minha última noite, já que a Pousada Los Corales ia ficar lotada apenas no meu último dia em Los Roques.
Escolhi a pousada porque enquanto lutava bravamente por um sinal de internet na Los Corales, sempre aparecia o sinal da pousada Galápagos que era do outro lado da rua! Cara, se o sinal da outra pousada dava dentro do meu quarto, um bom sinal eles deveriam ter, nem pensei duas vezes e mudei para lá no meu último dia só para constatar que o sinal até que era bom, só a internet que nunca funcionava =(
Ah, a beleza de um governo opressor ferrando sua vida… Essa loja foi fechada por ter “aumentado os preços” sem autorização do governo

Na hora que eu fui dormir, o que eu descubro? Que a minha pousada era uma das mais famosas em Los Roques porque a noite ela fervia e rolava uma BALADA em FRENTE AO MEU QUARTO. Seis dias que eu quero frever, a cidade dorme as oito, no dia que eu quero dormir, rola o dia da balada na minha pousada. Ê beleza! Saí do quarto pensando “bem, vamos aproveitar…”. Quando olhei ao redor, lógico, só tinha casal dançando e uma ou outra mesa com uns velhos tomando uísque, não era mesmo a minha noite de sorte.Sem problemas. Depois de mergulhar e testemunhar uma lagosta sendo torturada até a morte, cheguei à pousada umas três da tarde, aproveitei para colocar as postagens em dia e lutar contra a internet. Pensei em dormir cedo para ao menos tentar um bate-volta em uma ilha mais próxima. Na hora do jantar pude perceber porque a pousada era mais cara. Coisa chique, de gente fresca mesmo. O jantar sendo servido ao som de ópera e música clássica. Os talheres sendo postos de uma forma que devia fazer alguma lógica para quem é versado na arte da frescura, com alguns para ser utilizado na entrada, outros no prato principal e o outro na sobremesa. Eu, como não entendia nada, fui pegando do jeito que achava certo.

Aí quero ver extraviar uma bagagem. Aeroporto bom é assim…
Às vezes uma barrinha de cereal faz um banquete

Como não tinha o que fazer, fui dar uma volta na ilha e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que havia uma balada próxima a pousada. Resolvi descer para lá ao menos para poder ouvir um som e qual não é a minha surpresa ao descobrir que tava a galera inteira da minha ex-pousada lá dançando, inclusive os funcionários. Resolvi chegar lá e qual não é a minha surpresa ao descobrir que entre o grupo de hóspedes e funcionários da minha ex-pousada, havia um cara que eu havia conhecido no Rio de Janeiro em um encontro do couchsurfing. O mundo é pequeno mesmo.

EU SEI FAZER O MELHOR

Cochilou o cachimbo cai, camarão que dorme a onda leva, camarão que dorme acorda na empada, chapéu de otário é marreta, pode escolher qualquer um desses provérbios populares para descrever o quão idiota alguém pode ser se se esforçar bastante e der o seu melhor. Pois eu me dei o melhor.

Estava de boa na lagoa na pousada, sem fazer absolutamente nada, só na internet e vendo alguns filmes que tinha no computador. Depois de terminar de assistir a um filme, pensei que não seria uma má ideia se eu desse uma última checada no horário do meu vôo de volta a Caracas. Daí, não sei como, não tenho a mínima ideia de como eu consegui me esforçar a tanto, vi que meu voo na verdade não sairia as 15 da tarde e sim as TREZE! O único problema era que já eram rodadas, uma hora e meia após o meio dia, ou seja, perdi o voo. Corri para o aeroporto para poder confirmar se meu voo não estava atrasado e descobri que esse maldito saiu pontualmente no horário.

“Projeto Tamar Venezuelano” em Los Roques

Até que, não sei da onde e como, o brother da empresa aérea que eu comprei a passagem me falou que ia remarcar meu voo, me cobrou a quantia astronômica de vinte dólares (!!!!!!!) e me remarcou em outro voo que saía em quinze minutos. Eu realmente não acreditei que isso era verdade, mas fui VOADO para a pousada, pegar minhas coisas e sair correndo pela porta. Quem tivesse de fora até ia pensar que eu tava era fugindo sem pagar a hospedagem. O cara não me entregou bilhete de embarque nem nada, só um cartão de “acesso a pista”.Eu fiquei lá na fila do voo jurando que alguém ia me dizer que foi um erro e eu iria ficar na ilha. Na última hora alguém ia chegar, me ver sentado e me mostrar que aquele assento pertencia a ele. Fiquei que nem aqueles caras do filme Argo que só ficaram tranquilos mesmo quando saíram do espaço aéreo do Irã. Eu só fiquei tranquilo mesmo quando o avião começou a levantar voo. O problema de eu não saber o que fazer com o dinheiro restante que eu tinha estava solucionado.

O grave problema não era passar mais um dia em Los Roques, isso era tranquilo, o grande problema mesmo era que no outro dia meu voo saía para Cuba bem cedo e, portanto, se eu não saísse da ilha aquele dia iria perder meu voo para Cuba e isso sim era um problema sério. Conversa daqui, conversa dali, fala com Raimundo Chaveiro, que é o cara que além de fazer chaves também resolve os voos de uma empresa aérea X, fala com a Dona Josefina Rendeira que é a responsável pela empresa Y, vai daqui, vai de lá e todos os voos estavam cheios. Eu estava efetivamente disposto a pagar um outro voo se fosse necessário, mas
nada de ter vaga.
Vila de Los Roques

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3 comentários em “Los Roques – Entre Lagostas, Arraias Gigantes e Derivados de petróleo

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