Uma Guiana francesa diferente – Visão dos garimpeiros brasileiros

P.S: As imagens não são minhas. Foram todas tiradas da internet
Não cheguei a visitar a Guiana Francesa devido a questão do tempo e também porque lá precisamos de visto para entrar. Sim, não precisamos de visto para entrar na França, porém, para a Guiana Francesa, sim. Doido, né? Isso é devido ao grande fluxo de garimpeiros brasileiros que se aventuram na Guiana Francesa e que a França tenta evitar de todo jeito.
Porém, conversando com os garimpeiros que nas guianas, aprendi bastante sobre a Guiana Francesa, pelo menos sobre os garimpos. Todos os garimpeiros que conversei eram unânimes em falar que o pior garimpo é o da Guiana Francesa. Por mais que eu esperasse o contrário (bem, a França é um país um pouquinho mais organizado que as Guianas), o “Garimpo da França” era absurdamente mais perigoso que os garimpos do Suriname e da Guiana Inglesa. Nos garimpos da França todo mundo anda armado e, segundo as próprias palavras dos garimpeiros, o seu documento é uma escopeta. Os garimpos brasileiros na França são ilegais e, onde não há Estado, não há lei. Todas as pendengas são resolvidas na base da bala.

Conheci um cara que trabalhava como músico de garimpo. Ele me disse que era de um dos bairros mais violentos de Belém, mas que ainda assim se assustou com o que viu nos garimpos franceses. O bando de armas que as pessoas carregavam foi a visão mais próxima que ele viu de um filme de faroeste. Disse-me que quem anda “desarmado” por lá anda pelo menos com uma pistola no bolso. Apesar de tudo, diz que rola um respeito entre os garimpeiros e eles não saem se matando assim gratuitamente, até porque, bem, em um lugar que todo mundo anda armado, talvez seja melhor manter a calma.

Ele me disse que uma vez estava tocando em um garimpo e caiu na besteira de tocar uma música do rei da sofrência. Sim, ele começou a tocar Pablo. Rapaz, diz que é só tocar Pablo que os cabas ficam doidos. Diz que ele tava lá de boa, moendo o teclado quando só escutou uma rajada que de tão alta ele se assustou e caiu por cima do teclado. Quando foi ver o que estava acontecendo, era um cara empolgado dando tiro para cima com uma escopeta. O que a sofrência não faz.

 O pagamento por todo tipo de serviço, como o de músico, é feito, lógico, em ouro, não em dinheiro. Mas como eles fazem, metem o ouro no bolso e voltam ao Brasil? Eu também fiquei com essa dúvida. Não, não dá para fazer isso. Andar com ouro no bolso é muito arriscado, ainda mais no meio do mato e na ilegalidade. Alguém pode querer te matar para ficar com seu ouro ou a polícia ou alfândega do Brasil ou das Guianas vão te questionar o que você vai fazer com isso e, como nada é declarado, obviamente, será confiscado. Nesses lugares de garimpo ou tem várias casas que simplesmente compram ouro ou casas em que você faz o depósito em ouro e eles remetem o valor para uma conta no Brasil, obviamente tirando a comissão deles. Cara, tudo já é engrenado para o garimpo, por isso que tem tantos brasileiros pelas Guianas fazendo isso.
Diz que esses garimpos ilegais na França dão uma grana danada para todo mundo, mas tem que extrair tudo o mais rápido possível, pois dá um mês, dois meses, chega a polícia francesa, dá o flagrante e leva todo mundo preso além de tacar fogo em tudo que for possível, das cabanas ao maquinário. A polícia taca fogo, os caras perdem tudo, são mandados de volta ao Brasil só para dar o tempo de comprar novamente um novo maquinário e se embrenhar na selva francesa novamente com máquina e tudo para um novo garimpo. E aí fica esse eterno jogo de gato e rato. Por isso que precisamos de visto para viajar a Guiana Francesa como se isso, obviamente, fizesse alguma diferença a quem sai se embrenhando no mato.
Engraçado que conversando com Raimundo, o maranhense que conheci no aeroporto da Guiana Inglesa, fiquei surpreso quando ele me disse que já tinha ido a Guiana Francesa:
–          Mas como tu conseguiste entrar lá, Raimundo? Lá precisa de visto!
–          Ah, eu dei um jeito.
Hoje fico pensando o quão idiota foi pergunta isso para ele. Cara, os bichos conseguem atravessar o rio e entrar ilegalmente na Guiana Francesa com TONELADAS de equipamentos e maquinários. Dragas do tamanho de carretas. Imagina como deve ser difícil só atravessar o esquálido do Raimundo.
Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s