Pyongyang, Coreia do Norte, vista de cima

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Noite na praça de Pyongyang

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Revolving restaurant in Pyongyang

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Cidade cinematográfica na Coreia do Norte, a Hollywood Coreana – A barragem heroica!

Outra atração que visitamos e acho que merece destaque foi o set de filmagens dos longas-metragens de Kim Jong Il, ou seja, a Hollywood Coreana. Kim Jong Il era um grande aficionado por cinema e possuía um dos maiores acervos individuais do planeta, sendo “E o Vento Levou” o seu filme predileto. Diz a lenda que ele raptou diretores e produtores de outros países para “incentivar” o cinema local. Como homem lendário que era, Kim Jong Il foi diretor, roteirista, engenheiro de som e tudo mais que você imaginar relacionado a cinema.

Não há muito a se falar ou citar, apenas que o local possuía diversos cenários interessantes e, apesar de toda a galhofa, foi a primeira vez que eu visitei efetivamente um set de filmagem. Realmente é bem interessante você pensar que todas as cenas externas de longas-metragens podem ser filmados em espaços tão exíguos como aquele. E tinha gosto para tudo.

Lógico, uma estátua gigantesca de Kim Il Sung na entrada, abraçando crianças e rodeado por cineastas
Mais cenários
Cenário da Coreia antiga
Cenário retratando o Japão
Cenários de vilas
Cenários ainda em confecção

Tinha cenário do Japão, da Coréia antiga, Estados Unidos, Europa.. Só não tinha do Brasil =(

Alemanha
Mole, mole, um passeio muito mais legal e interessante do que bater foto no letreiro da Hollywood normal

BARRAGEM HERÓICA

Um dia, assim que havíamos chegado ao hotel, o maníaco do David nos confidenciou que no outro dia iríamos ter que acordar bem cedo, por volta das sete da manhã para poder fazer um passeio “surpresa”. Acordamos, tomamos café e seguimos viagem para aquela que seria um dos mais heroicos lugares que iríamos na Coréia do Norte.
Fomos viajar para conhecer a grande barragem da Coréia do Norte, uma obra tão admirada pelo Grande Líder que até está estampada nas notas de dinheiro que valem cinco qualquer coisa como vocês podem ver na foto abaixo.
Eu não entendi direito o que essa barragem representava, até porque eu tava mais interessado mesmo em bater fotos, mas até onde entendi ela foi um grande marco na engenharia norte-coreana. Para quem estava esperando encontrar uma Itaipu ou algo do tipo, se decepcionou, é só uma barragem pequena mesmo.
Mas o mais bizarro de tudo e o que acaba pagando a viagem em si, é assistir ao videozinho de introdução que explica tooooddaaa a história da barragem e que tem uns vinte minutos de duração. Todos, eu disse TODOS os turistas que vão para esse passeio são obrigados a assistir a este documentário. Como eu havia acabado de sair do Brasil, meu inglês ainda tava meio enferrujado e não consegui entender tudo. Mas o que posso dizer é que não há dinheiro que pague ver o bizarro documentário sobre como a construção de uma simples barragem pode envolver toda a mão-de-obra e atenção de um país inteiro. Muito legal ver as imagens da galera emocionada vendo a barragem funcionando…
Quem quiser ver o vídeo que fomos obrigados a assistir, ele vai abaixo. Lógico que você não vai assistir 30 minutos de filme, mas sugiro ir vendo algumas cenas esparsas.

RESTAURANTE GIRATÓRIO DE PYONGYANG

Outra atração que eu nunca havia visitado antes, sendo a minha primeira vez na Coréia do Norte foi um, pasmem, “restaurante giratório”. Eu não sei se vocês estão familiarizados com o nome, mas é o que o nome diz mesmo, é um restaurante que gira. Eu cheguei a viajar para alguns países que tinham torres em que no topo havia um restaurante giratório e sempre achei isso uma tremenda de uma babaquice, afinal, ninguém vai jantar para ficar olhando pela janela, além de que esses lugares são caros que só a moléstia. Por isso nunca havia jantado em um lugar como esses.
Mas como qualquer coisa que seja idiota torna-se super da hora quando se trata de Coréia do Norte e como já estava incluso no pacote, fomos para lá. Basicamente a mesma estrutura de qualquer restaurante giratório, um haste central fixa com um anel ao redor que fica rodando junto com as mesas. Você fica lá sentado e chão rodando com você comendo em cima. Eu particularmente fiquei meio que enjoado por estar comendo e girando ao mesmo tempo, mas valeu pela experiência. Não sei se voltaria a outro restaurante giratório que continuei achando uma babaquice.
Sim, o restaurante era no 47º andar
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Museu de indústria pesada

Lógico que entre as diversas atrações da Coréia do Norte não seria possível passar em branco sem visitar uma “típica” (porque todo lugar que a gente ia era sempre “típico” algo) instalação industrial coreana.
Fomos a um galpão que mais parecia saído de uma feira de ciências do colégio onde vários brinquedinhos diferentes daqui pra lá, de lá para cá, demonstrando que a Coréia do Norte também sabia como produzir em escala industrial…
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Vida campesina na Coréia do Norte

Uma grande nação não é nada sem uma cadeia de produção agrícola eficiente com camponeses motivados e felizes. No mundo mágico de Kim Il Sung não era diferente. Fomos levados dessa vez para uma “típica” fazenda Norte Coreana para sabermos como viviam os camponeses de lá.
Lógico que vimos de tudo, menos plantações. Mas para que isso? Vimos estátuas, a casa “padrão” de um camponês norte-coreano, como ele vive e coisas do tipo. Como falei já várias vezes, parecia que estava passeando em uma sessão de algum parque temático, algo como o vale dos duendes no Beto Carrero ou algo do tipo, só que, dessa vez, falávamos de pessoas, que, infelizmente, sabíamos que não viviam com nenhum um pouco daquele luxo demonstrado…
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Escola de Talentos em Pyongyang, Coreia do Norte

Tivemos também a oportunidade de visitar a escola de onde saem os maiores talentos a serem utilizados pela propaganda do regime. Essas crianças são precocemente selecionadas para servirem para a máquina de propaganda do Estado. Como não fazem nada além disso, elas são realmente muito boas no que fazem. Uma dedicação de uma vida inteira para apresentações e demonstrações da perfeição do regime e felicidade que os coreanos possuem em fazer parte da grande nação comunista de Kim Il Sung. Repare, mais uma vez, no sorriso macabro das meninas do balé.
De todas as salas que visitamos, as meninas abaixo foram as minhas preferidas. A afinação de suas vozes, a sincronia dos seus movimentos, o sorriso forçado que continuava nos seus rostos, tudo isso contribuía para aumentar o meu fascínio por essa escola de Pyongyang. Vale a pena aumentar um pouco o volume e escutá-las cantar. No final assistimos a uma apresentação onde filmei pouco porque, bem, dormi metade dela, não porque foi ruim, mas porque eu realmente estava bem cansado dessa vida louca que levamos na Coréia do Norte
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DMZ – Zona desmilitarizada na fronteira da Coreia do Norte

Como já havia explicado em um post anterior, entre as duas Coréias fica a fronteira mais vigiada do planeta, a famosa DMZ – Zona Desmilitarizada. As vias mais bem asfaltadas e os melhores soldados norte-coreanos ficam nesta fronteira, de prontidão caso seja necessário cruzar para o outro lado.
Porém, inicialmente ela era vigiada mesmo para evitar que as duas Coréias saíssem no pau, mas hoje, na verdade, ela é mais vigiada mesmo pela Coréia do Norte para evitar que coreanos famintos tentem cruzar para a Coréia do Sul. Um retrato fiel de como um tracejado feito em um mapa pode ser tão visível para dois países
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Metrô em Pyongyang, Coreia do Norte – parte 2

Uma das maiores atrações de Pyongyang é o seu metrô. Copiando o metrô de Moscou (umas das maiores obras arquitetônicas do mundo e propaganda do regime) eles também fizeram um metrô grandioso, cheio de luxo e bem bonito.
O interessante, e o que é possível ver algum dos vídeos, é a profundidade que o metrô foi construído, você gasta DOIS MINUTOS subindo a escada rolante para poder chegar na superfície, é realmente BEM FUNDO! Segundo a explicação mais crível que li, isso ocorre porque o metrô foi construído também para servir como abrigo em caso de um bombardeio, segundo outras fontes, até uma bomba nuclear.

O engraçado era que estava previsto para nós vermos apenas uma estação de metrô e depois irmos embora. Mas, pombas, queríamos também ANDAR de metrô no meio do povo. Depois de muita insistência eles nos deixaram entrar no metrô. Depois da primeira estação que podemos ver a pegadinha. Só a PRIMEIRA estação que continha todos aqueles mosaicos, figuras e lustres.
As outras eram apenas estações normais e sem muita graça. Só na quinta, que foi a que descemos, que tinha mais mosaicos e lustres, não por coincidência, estação de metrô próxima do outro hotel em Pyongyang que aceita turistas estrangeiros. Trocando em miúdos, provavelmente só duas estações de metrô eram arrumadas apenas para turistas observarem, as outras, lógico, eram buracos no chão…
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Na Coreia do Norte – Os guias e metrô que também é um abrigo nuclear

Acaba que por todos os nossos passos serem vigiados e ser estritamente proibido conversar com locais na rua (até porque eles não falariam inglês de qualquer forma), os guias acabaram sendo o nosso link mais próximo que poderíamos ter como pensa e vive um norte-coreano. Tudo bem, todos os relatos aqui serão baseados na percepção de três ou quatro pessoas (nossos guias), mas ainda assim, de pouquinho e pouquinho, você consegue algumas informações legais. De qualquer forma, como já falei várias vezes, isso aqui é um blog e não uma dissertação de mestrado.

Havia poucos carros passeando pelas avenidas principais de Pyongyang. Porém, quando víamos, eram realmente carros de primeira como essa Mercedes acima. No comunismo do mundo mágico de Kim Il Sung, todos são iguais, porém uns são mais iguais que outros…

Eu não consegui identificar direito que carro era esse, mas os europeus que estavam no ônibus ficaram a polvorosa quando o viram. Segundo eles, um carro como esse não sai por menos de 70.000 euros…
E para você aí que tá com dinheiro sobrando, achei isso incrível, um out-door fazendo propaganda de um carro. Se você visse o tanto de carros nas ruas de Pyonyang saberia qual a minha surpresa em ver um out-door como esse. Além disso, não existem empresas no país. Para que diabos alguém faria propaganda então?

Eles dormiam no mesmo hotel que a gente. Apesar de que havia uns quartos “especiais” para guias. Especiais? Sim, especiais. Nos nossos quartos tínhamos acesso a Al Jaazera, canal internacional de notícias, e, salvo engano, BBC News.  Lógico que no quarto dos guias eles não tinham acesso a isso.Primeiro e antes de tudo é sempre importante citar, o guias são, sem sombra de duvidas, parte da elite da sociedade coreana. Conversando com eles você percebe que eles são estudados, inteligente e têm bastante cultura, apesar de ser algo limitado ao que eles podem saber. Um dos guias inclusive sabia a capital do Brasil (uau, meu Deus! Que coisa maravilhosa! É patrão, na China NINGUÉM sabia a capital do Brasil, no máximo um outro falava Rio de Janeiro. Por essas e outras que meu termômetro de cultura na Ásia é ver se alguém sabe o que é Brasília. Bem, de qualquer forma, experimente perguntar para um brasileiro médio qual a capital da Índia ou da China e vamos ver se ele sabe te dizer). Você conversa e vê que eles realmente sabem algo sobre a história de outros países (eles sabiam que fomos colonizados por Portugal, por exemplo), mas, mais uma vez, algo bem limitado ao que podem saber. O guia me falou que odiava Israel e que Israel era um câncer do Oriente Médio. Que a Síria e o Irã são países parceiros. Nada inesperado.

E AÍ? COMO VOCÊS VIVEM NA COREIA DO NORTE?

Para conseguir informações mesmo e tentar ter um panorama do que é Coréia do Norte, você precisa primeiro conquistar a confiança do guia, ficar amigo dele, porque aí uma hora ou outra ele começa a soltar algumas informações interessantes. Gente, não estou sendo maquiavélico não, eu não era nenhum espião tentando conseguir informações de onde estão as instalações nucleares ou a mansão de Kim Jong Il, eu basicamente queria descobrir um pouco da realidade da vida cotidiana, ainda que só de um membro da elite de Pyongyang. Pelo que pudemos conversar, a vida dele não é muito diferente da nossa. Eles vão para a escola, depois estudam bastante para poder passar em uma boa faculdade, se formam, procuram um emprego, trabalham. Trabalham de segunda a sexta, no fim de semana saem para tomar um chope com os amigos, conhecem pessoas, namoram, tem sonhos, casam, aplicam para um apartamento com as fotos de Kim Jong Il e Kim Il Sung lhe olhando de cima para baixo, tem filhos, constituem uma família e o ciclo recomeça. Ao que me parece uma vida normal. De qualquer forma, a guia vivia num apartamento de quatro quartos com os pais, muito maior do que qualquer apartamento que alguém do nosso grupo morasse =P

Apesar que, os nossos guias, como falei, não eram muito parâmetro. Uma noite, logo no começo, nós predispomos a pagar uma cerveja para um dos nossos guias, parte para confraternizar, parte para ver se, bem, ele ficava um pouco mais “soltinho” e assim pudesse nos dar alguma informação interessante sobre a vida na Coréia. O cara recusou porque disse que não bebia cerveja, só tomava uísque!! Eu juro que deu vontade de rir na hora lembrando o quanto é raro eu beber uísque no Brasil.

Visitamos também um navio americano espião americano que foi capturado em águas norte-coreanas. Dá pra ver que a situação foi um pouco complicada pelas marcas de bala marcadas em vermelho na figura abaixo
Buracos de balas na porta do navio

CURIOSIDADE ATIÇADAS

Em um país que mais parece saído de dentro de uma máquina do tempo há trinta anos atrás, em um país sem internet, é LÓGICO que a sua curiosidade fica deveras atiçada e você começa a perguntar e querer saber tudo sobre a vida cotidiana. Não foi diferente com os nossos guias. E dá-lhe perguntar para ele se lá existe internet, cartão de crédito, cheque…

Recepção do nosso hotel

Bem, não há acesso a internet externa, eles só tem um rede interna. Eles não podem mandar e-mails ou se comunicar com o mundo lá fora. Só tem acesso a internet quem o regime acredita que realmente precisa ter acesso como por exemplo os cientistas (que precisam saber da tecnologia do mundo afora), altos funcionários do governo, empresas de comercio exterior… Excepcionalmente alunos que forem muito brilhantes. Se eu quiser me contactar com o guia hoje, por exemplo, devo mandar um e-mail pra companhia dele, eles imprimem e o entregam. Não há forma de nos comunicarmos diretamente.

Lá existem bancos, mas todos estatais. Há o Banco Central, Banco de Comercio Exterior… Eles também têm cartão de crédito e cheques. Perguntei se o cheque do guia era bumerangue (aquele que vai e volta), ele me respondeu que o dele na verdade é frisbee, só vai e não volta. Como eles não tem internet acabam tendo que ir pagar as contas no correio mesmo.Segundo o guia, lá não existe empresa privada. Todos vivem de salario. Há uma hierarquia que é mais ou menos assim. Há o cara do balcão, o gerente da loja, o gerente de todas as lojas e lá no final, o Estado como dono de tudo.

Apesar de termos nossos celulares apreendidos no aeroporto, os coreanos podem possuir celulares, basta ter dinheiro para poder comprar e, segundo o guia, não é tão caro.

Depois de uns vinte minutos praticamente INTERROGANDO o pobre do guia sobre como se faz as coisas mais simples da vida cotidiana, como pagar uma conta ou assinar um cheque, ele simplesmente deve ter começado a achar que nos éramos um bando de idiotas mesmo. Nós ficamos tão “idiotas” com as coisas mais simples da vida, em saber como as coisas mais banais da vida funcionavam que uma noite fomos numa pizzaria e eu realmente fiquei impressionado como havia um delivery por lá.

Outro dia fomos andar de metro e ficamos fascinados com aquela geringonça que parecia ter saído de uma máquina do tempo, como já havia dito. Parecíamos crianças nos divertindo e andando naquele metrô. Mais uma vez o guia deve nos achar um bando de idiotas, como é que ficamos tão fascinados por andarmos em um simples metro. Ele deve ficar pensando se de onde nos viemos não tem metro.

STAND UP NORTE COREANO

No meio de todo esse interrogatório, ele mandou uma piada que apesar de ser bem imbecil eu ri pra caramba. Como se chama um veado sem olhos (dear without eyes)? No eye dear (trocadilho com “no idea” do inglês “não tenho ideia”. Quem manja inglês vai entender a piada. Pra mim ela é parecida com a piada de se perguntar qual animal tem entre três e quatro olhos? Simples, é o Piolho. Eu não vou explicar a piada, gente, fica pra vocês entenderem, hahahah).
Pior que não foi só essa piada não, o guia não parava de contar piadas, só que as outras bem mais sem graças. Contou uma piada do Robin Hood (quando na verdade ele queria dizer Don Juan), mas que no final fez sentido. Depois contou outras piadas bem simplesinhas. (Doutor, quanto é para arrancar um dente? É 150 reais. Em quanto tempo o senhor arranca? Em 2 segundos! Nossa, mas é muito dinheiro para pouco tempo. Bem, se você preferir, então me pague 150 reais e eu arranco o dente bem devagarinho!!). Era interessante vê-lo contando piadas porque eles eram de uma simplicidade gritante, mas parece aquelas piadas que você contava quando era criança. Interessante ver o nível de inocência deles.O pior que conversando com os guias tinha hora que dava, sinceramente, pena, saca? Pombas, você via, como já falei, que eles eram MUITO inteligentes. Conseguiam levar uma conversa na boa sobre vários assuntos diferentes e, o melhor de tudo, que eles tinham um raciocínio bem rápido, principalmente para contar piadas ou zoar alguém. Ele era muito articulado e desenrolado. Era triste saber que toda aquela inteligência estava sendo desperdiçada e aprisionada no mundo mágico de Kim Il Sung. Dava uma pena tão grande saber, cara, que se eles não tivessem tido a maldita sorte de nascer na parte norte da península, provavelmente seriam pessoas bem sucedidas, enquanto que lá na Coréia do Norte o máximo que devem conseguir é ter uma vida um pouquinho mais confortável que de outros compatriotas.Era triste, cara. Um dia perguntei para ele que país ele gostaria de visitar e ele me respondeu sem pensar: Venezuela. Perguntei para ele e ele me respondeu que a Venezuela é um país impressionante. Que lá até os pobres tem dinheiro para poder comprar perfumes. Lá os pobres adoram se perfumar e deve ser uma experiência impressionante pegar um busão pela manhã para ir trabalhar e ir sentindo diferentes tipos de perfumes e cheiros. Cara, eu poderia até zoar com isso, mas quando ouvi essa história eu juro que eu fui tomado por uma tristeza indescritível justamente pelo que já expliquei acima.

PROCESSO ELEITORAL

Enfim, continuando nas perguntas sobre o maravilhoso mundo mágico de Kim Il Sung, perguntamos ao guia se haviam eleições por lá, ele disse que sim, que ele tinha o direito de dizer sim e dizer não? Ãhn? Como diabos funciona isso? Basicamente, há algo como um Conselho Municipal que escolhe quem vai ser o deputado que vai representar aquele município ou bairro no parlamento. Eles votam pra dizer se aceitam ou não a decisão. Segundo ele, eles geralmente aceitam porque o Conselho Municipal só escolhe as pessoas mais “trabalhadoras” pra poder ocupar o cargo. Ele ficou visivelmente desconfortável quando estávamos perguntando pra ele e tentava de toda forma mudar de assunto. Quando o desespero tomou conta dele, ele virou para o lado e começou a falar comigo: – “Então, Claudio, vamos lá no Tae Kon Do para ver se a guia quer casar com você?

Guia de Tae Kon do nos recepcionado no “templo ao Tae Kon Do”

Só para vocês entenderem mais ou menos que história é essa. Entre as milhares de atrações que fomos visitar enquanto estávamos na Coréia do Norte, uma delas foi uma escola de Tae Kon Do, arte marcial coreana. Em todas atrações que vamos, há sempre um “guia local”, haja vista que é impossível o guia que fica com a gente no ônibus saber o que significa as dezenas de atrações que fomos visitar. Quando chegamos a guia local era muito bonita, bem, na verdade, a maioria das “guias locais” eram coreanas bem bonitas. É muito interessante como os guias locais sempre são mulheres e de uma grande beleza. Além disso, elas sempre estão muito maquiadas e impecáveis. Parecem umas bonequinhas. Além disso, claro, sempre ha soldados de longe vigiando a gente e tentando passar desapercebidos. Quando um aparece ali atrás das árvores, tentando ser discreto, a galera vai a loucura e todo mundo fica doido tirando foto dele. É engraçado ver o desespero do pobre tentando se esconder atrás das árvores enquanto vê aquelas dezenas de lentes apontando para ele.Tecla PAUSE

Mas essa guia do Tae Kon Do era de uma beleza estonteante. Falei brincando para o guia da gente que queria casar com ela, porque, cara, ela realmente era muito linda. Ele ficou rindo, mas depois, toda vez que a gente conversava sobre algum assunto, digamos, “sensível”, ele para mudar de assunto me falava: – Então, Claudio, vamos lá no Tae Kon Do para ver se a guia quer casar com você?

Tecla PLAY

QUERENDO SAIR DO HOTEL

Outro dia também fomos perguntar porque não podíamos sair do hotel sem a companhia do guia. Lógico que sabíamos porque, mas queríamos ouvir o que ele iria falar para a gente. Ele disse que não podíamos sair do hotel sozinhos porque ninguém falava inglês e podíamos entrar em uma enrascada. Quando íamos continuar a conversar, ele virou para mim e, adivinha? – “Então, Claudio, vamos lá no Tae Kon Do para ver se a guia quer casar com você?”. Lógico que entendi a senha =P

Prédios modernos em Pyongyang

Perguntei também para a guia se ela já tinha tido problemas com algum turista muito chato. Ela disse que teve problema só com um cara. Ele era um psicólogo e todos os dias pela manhã queria que ela fizesse um teste pra ele ter certeza que ela, veja você, não era louca. Sim, isso mesmo, vários itens que ela deveria escolher e figuras e coisas assim. No terceiro dia que ele pediu pra ela fazer isso, ela começou a chorar falando que não queria fazer isso. No final o doido era ele mesmo.

Sim, cara, lá tava tão quente que algumas vezes tudo o que a gente queria era ficar sentando de frente para um ventilador…
Quanto valia um escravo no tempo feudal coreano por idade e sexo. A mulher valia mais porque podia ter filhos. Sim uma vaca valia bem mais que o dobro que qualquer ser humano…

Por último, os guias parecem ter um certo fascínio por números. Todos monumentos que chegamos, eles antes de explicar tudo, fazem uma grande e detalhada explicação de quantos metros quadrados tem a área do monumento, qual sua altura, quanto pesa, do que é feito, quando e quantas vezes um dos três notáveis visitou o lugar. Parece que essas paradas são pra poder transparecer grandeza e aumentar o nosso fascínio, já que fica claro quando você vê a cara do guia o quanto ela brilha quando ele diz mais uma de suas grandes curiosidades, como quantas pedras de mármores foram utilizadas para fazer tal e tal estatua e quanto metros quadrados ocupa o lugar.

Galera batendo foto em um monumento
Dentro do Metrô!

METRÔ NORTE COREANO – UMA OBRA DE ARTE

O metrô era uma atração por si só. Copiando o metrô de Moscou (umas das maiores obras arquitetônicas do mundo e propaganda do regime) eles também fizeram um metrô grandioso, cheio de luxo e bem bonito.

Nosso amigo, todo pimpão, guiando os coreanos à prosperidade

O engraçado era que estava previsto para nós vermos apenas uma estação de metrô e depois irmos embora. Mas, pombas, queríamos também ANDAR de metrô no meio do povo. Depois de muita insistência eles nos deixaram entrar no metrô. Depois da primeira estação que podemos ver a pegadinha. Só a PRIMEIRA estação que continha todos aqueles mosaicos, figuras e lustres.

Linha viária do metrô

Lógico que, dentro do metrô, iriam haver fotos dos dois grandes líderes

Jornais estatais eram disponibilizados de graça e expostos no metrô

As outras eram apenas estações normais e sem muita graça. Só na quinta, que foi a que descemos, que tinha mais mosaicos e lustres, não por coincidência, estação de metrô próxima do outro hotel em Pyongyang que aceita turistas estrangeiros. Trocando em miúdos, provavelmente  só duas estações de metrô eram arrumadas apenas para turistas observarem, as outras, lógico, eram buracos no chão…

Exemplo de estação de metrô “normal” onde, lógico, não nos foi permitido descer

Nas paredes, lógicos, mosaicos exaltando a felicidade que os coreanos tem em viver sob a tutela do grande Kim Il Sung.
Nos mosaicos, sempre representações de comida, prosperidade, tecnologia e muita, MUITA felicidade.

Saudações!
Mosaicos

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