Autor: claudiomar23
CUCs X Pesos Cubanos
Economia em Cuba
Revolução Cubana


A Revolução Cubana zerou o analfabetismo de Cuba e simplesmente catapultou os índices sociais do país para os de um país de primeiro mundo. Para servir de ilustração, Cuba possui índices de mortalidade infantil e expectativa de vida melhor do que os Estados Unidos que possui um gasto por pessoa em saúde dez vezes maior que o cubano. Conheci um argentino no albergue da Magnólia que um dos motivos dele viajar a Cuba era o de comprar uma medicação de vitiligo para a cunhada dele e que só era vendida em Cuba. Isso é Cuba!


Educação é também outra coisa muito forte no país. Em Cuba, parece que virtualmente qualquer pessoa tem um diploma de curso superior e as pessoas que não tem, me disseram que foi porque não quiseram mais estudar, ou por achar que iam ganhar pouco, ou por preguiça mesmo. Se você é de outra cidade e não tem o curso que você quer, nas universidades há dormitórios para todos, assim você não tem que pagar albergue.





Apesar de ser uma ditadura comunista, há em muitos setores da sociedade muito mais liberdade do que temos no Brasil e até mesmo em alguns países desenvolvidos. A mulher na sociedade cubana é efetivamente incluída no mercado de trabalho e não possuem as disparidades de renda que possuímos no Brasil, onde mulheres recebem quase a metade para fazer o mesmo tipo de trabalho que um homem.
E, claro, o mais visível, não existe a diferença entre as cores como em toda a América. Assistindo um pouco de TV cubana, vi um programa falando sobre uma conferência de médicos cirurgiões que houve em Havana. Você olhava na plateia e via brancos, mas também uns negros, mas negões mesmo, cara, entre os médicos sentados e participando das discussões. Apesar de ser do segundo estado mais negro do país, nunca fui atendido por médico negro no Maranhão e em lugar algum no Brasil. Isso era alguma coisa que eu via e dizia “Cuba é foda!”. Os caras que moravam naquela puta casa que descrevi e nos levaram para uma festa eram todos bem negros e puta inteligentes, eu fiquei impressionado com o nível das discussões que eu levava com um em particular que depois até pedi para bater uma foto com ele. O cara gente boa demais.







E sim, o que mais me deixava impressionado era o nível educacional da população em si. Você ia discutir com um cara sobre a Revolução, quando ele te dava argumentos contra não era aquele besta que você imagina (ah, eu não posso ter um carro, ah eu não posso comprar isso ou aquilo), mas argumentações inteligentes.
Fidel e coisas assim

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| Os três comandantes. Fidel, Che Guevara e Cienfuegos |
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| Cienfuegos e Che Guevara em um museu de Havana |
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| Pintura em um teto do Museu da Revolução em Havana |
Os cubanos

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| E o pior que a carne que eu comia lá em Cuba devia ser exposta desse jeito… Lá não tem ANVISA, amigo! |
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| Havana Velha |
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| Livro sobre a Coluna Prestes em uma livraria de Cuba |
Maior aprendizado em Cuba
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| Alunos de Medicina com a professora nas escadarias da Universidade de Havana, uma obra de arte por si só. Interessante vê-los discutindo sobre Mal de Parkison… |
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| Universidade de Medicina de Havana. Na foto Che Guevara, que também era médico |
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| Universidade de Havana |
Antes de sair de Brasília, no caminho para o aeroporto, Taíze me perguntou se eu estava levando um casaco comigo. Podia fazer frio no avião. Lógico que desdenhei dela. “Arf, levar casaco para poder viajar para Venezuela e Cuba, dois países tropicais, é cada uma que eu tenho que escutar. Eu, grande mochileiro, quase um Marco Polo maranhense, tenho que ficar escutando esses tipos de baboseiras” – eu pensava. Cara, que derrota viu? Já no primeiro avião fez um frio de eu querer checar se havia bola de neve descendo pelo corredor. Cheguei na Venezuela, frio pela noite. Cuba? Caraca, frio, frio, FRIO!!!! Tava tão frio que no segundo dia em Cuba foi obrigado dar o braço a torcer e comprar um casaco em uma loja cubana. Um frio dos próprios cubanos me disserem que nunca viram Cuba fazer tanto frio na vida deles. Eu quase que dizia a eles quando reclamavam do frio “Esquenta não, a culpa é minha, eu devia ter escutado Taíze”. Da próxima vez é bom ser obediente.
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| Vista de cima das escadarias da Universidade de Havana |
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| Na foto, o Museu Napoleônico de Cuba, vou falar sobre ele em um post posterior |
Hasta siempre, Comandante
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| Tamanho da fila quilométrica para ver a FOTO de Chávez. Segundo o guardinha tava levando mais ou menos cinco horas para chegar na foto. Lógico que eu não fui… |
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| Dica, há só uma carroça na foto… |
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| Gambiarra que existia na porta de entrada do albergue. Diga aí se não dá medo… |

Por que Cuba?
Quando me perguntavam sobre onde eu iria passar férias e eu dizia que iria para Venezuela e depois para Cuba todo mundo perguntava se eu estava me esforçando para nunca mais poder entrar nos Estados Unidos, ainda mais depois que fui para a Coréia do Norte. Porém, cara, Cuba é um aprendizado. Assim como falam muita besteira sobre a Coréia do Norte, pude testemunhar que também se fala muita besteira sobre Cuba, como vou demonstrando durante os posts.












Los Roques – Entre Lagostas, Arraias Gigantes e Derivados de petróleo




Dizem que todo o resto dos roraimenses compram gasolina contrabandeada da Venezuela. O cara arranca tudo do carro, dá um jeito de transformar a sua modesta Belina em um caminhão-tanque por debaixo dos bancos e tenta a sorte atravessando a fronteira de volta cheio de gasolina. Diz que para abastecer em Roraima, você vai em uma casa que vende, sei lá, manga, e diz para o cara que quer gasolina. Ele vai falar que não tem, você tira uma nota de 50 do bolso, fala para ele “dá uma olhadinha melhor” e minutos depois vem o cara com uma cambada de garrafas PET de gasolina nos braços.
SOBRE GASOLINA E SILICONE

Toda vez que entrava nos barcos para fazer passeios pelas ilhas de Los Roques tinha a impressão de que era o único que não tinha silicone no peito. Bicho, é muito engraçado. Vou te dizer que, sem brincadeira, uns 90% das menininhas que vão nos barcos, vão com os peitos parecendo que vão explodir de silicone. Tem umas que mais parece um cabo de vassoura com dois balões de gás hélio. Teve uma outra que, não satisfeita, enfiou também dois baldes de silicone na bunda e ficava andando parecendo uma saúva! Quase que eu cheguei para ela para dar um toque e falar “Filha, na boa, não ficou bom! Tá parecendo duas bolas de boliche!”. Ainda bem que eu ficava a maior parte do tempo com a cara na água vendo corais e peixes.





LAGOSTAS BOLIVARIANAS
Bem, pelo menos mergulhei. E que mergulho!! Consegui ver uma jamanta! Algo que nunca tinha visto na vida! Nadando, graciosa, por duas vezes, bem próxima da gente. Ela estava nadando a menos de três metros de profundidade, portanto se estivesse só fazendo snorkel na superfície conseguiria tê-la visto! Foi tão impressionante! Quando ela apareceu e ficou bailando sobre nossas cabeças todo o grupo de mergulhadores (éramos uns 12), estávamos alinhadinhos em fila a uns 10 metros de profundidade. Depois que ela foi embora, tinha mergulhador a quinze metros, outro a dez, eu a cinco e inclusive um dos nossos ficou tão extasiado que quando foi perceber, já estava com a cabeça quase saindo da água. Inesquecível…

Depois tive que sair mendigando uma carona, até que uma lancha de uma pousada me levou de volta para o povoado.
E ENTÃO…

Na hora que eu fui dormir, o que eu descubro? Que a minha pousada era uma das mais famosas em Los Roques porque a noite ela fervia e rolava uma BALADA em FRENTE AO MEU QUARTO. Seis dias que eu quero frever, a cidade dorme as oito, no dia que eu quero dormir, rola o dia da balada na minha pousada. Ê beleza! Saí do quarto pensando “bem, vamos aproveitar…”. Quando olhei ao redor, lógico, só tinha casal dançando e uma ou outra mesa com uns velhos tomando uísque, não era mesmo a minha noite de sorte.Sem problemas. Depois de mergulhar e testemunhar uma lagosta sendo torturada até a morte, cheguei à pousada umas três da tarde, aproveitei para colocar as postagens em dia e lutar contra a internet. Pensei em dormir cedo para ao menos tentar um bate-volta em uma ilha mais próxima. Na hora do jantar pude perceber porque a pousada era mais cara. Coisa chique, de gente fresca mesmo. O jantar sendo servido ao som de ópera e música clássica. Os talheres sendo postos de uma forma que devia fazer alguma lógica para quem é versado na arte da frescura, com alguns para ser utilizado na entrada, outros no prato principal e o outro na sobremesa. Eu, como não entendia nada, fui pegando do jeito que achava certo.


Como não tinha o que fazer, fui dar uma volta na ilha e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que havia uma balada próxima a pousada. Resolvi descer para lá ao menos para poder ouvir um som e qual não é a minha surpresa ao descobrir que tava a galera inteira da minha ex-pousada lá dançando, inclusive os funcionários. Resolvi chegar lá e qual não é a minha surpresa ao descobrir que entre o grupo de hóspedes e funcionários da minha ex-pousada, havia um cara que eu havia conhecido no Rio de Janeiro em um encontro do couchsurfing. O mundo é pequeno mesmo.
EU SEI FAZER O MELHOR
Estava de boa na lagoa na pousada, sem fazer absolutamente nada, só na internet e vendo alguns filmes que tinha no computador. Depois de terminar de assistir a um filme, pensei que não seria uma má ideia se eu desse uma última checada no horário do meu vôo de volta a Caracas. Daí, não sei como, não tenho a mínima ideia de como eu consegui me esforçar a tanto, vi que meu voo na verdade não sairia as 15 da tarde e sim as TREZE! O único problema era que já eram rodadas, uma hora e meia após o meio dia, ou seja, perdi o voo. Corri para o aeroporto para poder confirmar se meu voo não estava atrasado e descobri que esse maldito saiu pontualmente no horário.


Até que, não sei da onde e como, o brother da empresa aérea que eu comprei a passagem me falou que ia remarcar meu voo, me cobrou a quantia astronômica de vinte dólares (!!!!!!!) e me remarcou em outro voo que saía em quinze minutos. Eu realmente não acreditei que isso era verdade, mas fui VOADO para a pousada, pegar minhas coisas e sair correndo pela porta. Quem tivesse de fora até ia pensar que eu tava era fugindo sem pagar a hospedagem. O cara não me entregou bilhete de embarque nem nada, só um cartão de “acesso a pista”.
Eu fiquei lá na fila do voo jurando que alguém ia me dizer que foi um erro e eu iria ficar na ilha. Na última hora alguém ia chegar, me ver sentado e me mostrar que aquele assento pertencia a ele. Fiquei que nem aqueles caras do filme Argo que só ficaram tranquilos mesmo quando saíram do espaço aéreo do Irã. Eu só fiquei tranquilo mesmo quando o avião começou a levantar voo. O problema de eu não saber o que fazer com o dinheiro restante que eu tinha estava solucionado.

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