A paloscada vai a Sydney

Como prometido agora vamos comentar sobre as semanas em que a “Paloscada vai à Sydney”

Momentos depois de chegarmos aqui em Sydney, Macarrão (o meu fiel escudeiro), me falou que fazia parte dos planos dos Paloschi (sobrenome da família dele), aportar aqui em Sydney por uma temporada na Austrália e desde o início o pobrezinho tava procurando maneiras de conseguir alojar todo mundo (Helena Mãe, Lauro Pai, Matias irmão mais novo e Luísa Paloschi namorada) sem ter que pagar hotel. Combinamos então que quando os mesmos chegassem, eu saíria do meu quarto por duas semanas e o Jonas alojaria alguém lá, arrumando assim uma vaga para uma pessoa, só faltando lugar pra alojar mais três. Depois de semanas e semanas que o nosso amigo Jonas ficou mais aperriado que Perú em véspera de Natal, acabou que o fim de sua epopéia teve um final feliz. O nosso herói conseguiu alugar um quarto em outro apartamento que fica no mesmo bloco, indo para lá com a Luísa e colocou pai, mãe e Matias no nosso antigo quarto. Tudo estava feliz e belo, só com um detalhe no final. Aonde Claudiomarzinho vai ficar? Depois de alguns momentos de discussão, Jonas revelou que havia uma vaga no apartamento que ele ia ficar com a Luísa, mas que eu teria que dormir na sala. Como nesses dias sem emprego, o dinheiro começou a encurtar, comecei a perceber que seria uma boa já que o Jonas se comprometeu a pagar as duas semanas que eu ficaria na sala. Aceitei e no final tudo acabou feliz.

O nosso “novo” apartamento até que é legal. Tem um japonês que de cinco em cinco minutos sai do quarto, dá uma volta na sala, uma volta na cozinha, olha pra mim e volta pro quarto no melhor estilo “I see dead people” e um indiano que, como quase todos indianos que eu conheci aqui, fede mais que um porco todo cagado. A parte legal é quando esses bichos resolvem cozinhar, a casa vira um inferno. A Luísa algumas vezes já teve que falar pro japonês tirar a comida do fogo senão ele ia acabar queimando a mesma e o indiano quando resolve cozinhar empesta a casa inteira com um cheiro insuportável de gordura. Mais engraçado ainda é o indiano comendo. Por que usar talheres se você nasceu com dez dedos na mão? Caraca, o bicho enfia a mão dentro da panela de arroz, pega um bolo de arroz na panela, joga dentro do prato, enfia a mão dentro de outra panela com algum ensopado, pega o molho com a mão em concha, mistura tudo no prato, enfia o dedo no nariz (claro que não, né? Foi só pra ilustrar, uhaeuheauhea) e começa a comer. Meu deus do céu, que cena dos infernos é aquele cara comendo. Ainda bem que dentro de casa só existem dois seres no mínimo exóticos, o resto sou eu, a luís(z)a e o Jonas.

Mas voltando à “Paloscada em férias”. Tou curtindo bastante a estadia deles. Toda noite batemos um papo, vez ou outra sempre rola um “boquinha grátis” e ainda por cima, às vezes, pego o ticket de busão emprestado, (é ilimitado sendo possível usar quantas vezes quiser por uma semana inteira). Já o pobre do Jonas… Coitado, o menino tá sequinho. Tá andando o dia inteiro com todo mundo, visitando tudo que é lugar aqui por Sydney. A galera chega em casa lá pelas seis da tarde e tá todo mundo morto, sem conseguir mais fazer nada.

Mas a notícia principal é: Eu ACHAVA que ENFIM havia conseguido um emprego fixo. Estava claudiomarzinho, desenperançoso e triste na internet, mandando currículo pra deus e o mundo, quando, eu menos espero, um cara me ligou me convidando pra uma entrevista no outro dia pra trabalhar em uma boate daqui de Sydney. No outro dia, desci pra lá mais feliz que puta em dia de pagamento de quartel e começamos a entrevista. O cara na hora que viu meu currículo já começou: – Putz, cê é brasileiro, que legal! Nós adoramos brasileiros, eles são bem divertidos e adoram trabalhar. Certeza que você vai trabalhar pra mim e talz, aparece amanhã que você já começa… Nossa, mas pense num menino que ficou feliz!! Pronto, só pensei, vou correr AGORA pra escola e vou fazer um “blog extraordinário” no melhor estilo pan pan pan pan pan pan pan PAN!! Plantão Globo!!! Claudiomar ENFIM CONSEGUE EMPREGO FIXO!! Depois de um tempo a prudência falou mais alto e resolvi esperar pra deixar pra escrever só na outra semana mesmo. Fui chamado pra trampar na sexta e descobri que o trabalho seria de Glassier.

Nota do tradutor: Glassier vem do inglês Glass, que significa copo. O Glassier é o rapaz responsável por catar os copos na balada. A galera pega o seu copinho de cerveja, refri e adjacências e vai largando nos lugares mais criativos possíveis, tais quais o chão, em cima das cadeiras, embaixo das mesas, dentro dos vasos e etc… E claro, o pobre Glassier tem que ficar pegando os copos em todo canto adivinhando aonde os miseráveis enfiaram os copos.

Pois é, o trampo até que é sossegado. Não tem ninguém gritando no seu ouvido, você não fica molhado e nem tem que ir rápido, sem falar que você fica o tempo inteiro andando passeando pela balada e pode curtir um pouco do som também. PERFEITO. Quando cheguei o cidadão foi me explicando tudo: copo fica aqui, lavadora de copo ali, aqui fica a vassoura e talz. E depois de alguns minutos eu já estava lá, trabalhando, pegando copos em todos os cantos. O mais legal foi que, no decorrer do trabalho, eu fui aprendendo mais sobre o comportamento feminino. Algumas mulheres
tem fantasias sexuais com bombeiros, outras no estilo mais “me-pega-de-jeito” tem fantasias sexuais com mecânicos, algumas muitas têm fantasias sexuais com maranhenses baixinhos e troncudos e nesse trampo eu fui descobrir que existem VÁRIAS mulheres que tem fantasias sexuais com Glassiers. Rapaz, que aperreio eu passei nessa balada. Como era meu primeiro dia, eu teria que me comportar exemplarmente, então imagina como eu fiquei. Diria que eu fiquei que nem cachorro olhando frango de padaria. Era eu andando com uma pilha de copos quase do meu tamanho e a mulherada bêbada e INSANA! Uma hora eu passei e uma mulher me puxou porque queria de qualquer jeito “dançar” comigo, outra hora eu tava andando e senti uma mão, digamos, boba no meu traseiro, fora as incontáveis mulheres que ficavam me encarando quase que furando os meus olhos e eu lá, claro, me comportando direitinho. Já os outros Glassiers… Os caras não tavam nem aí, os bichos tavam era CAUSANDO!!! A mulher puxava o bicho, ele dava um jeito de se esconder e ficava conversando com a mulé, outra hora eu entrei na nossa salinha pra poder botar os copos pra lavar e tinha um Glassier escrevendo em VÁRIOS cartãozinhos o seu telefone pra sair dando pra mulherada. Meu deus do céu, como eu tava adorando aquele trampo. Na hora de receber o cidadão só me informou as cifras de quantos eu iria receber (17 dólares por hora em dia de semana, 20 no sábado e INACREDITÁVEIS 25 DÓLARES NO DOMINGO) e falou que ia me ligar na segunda pra eu poder trabalhar pra ele. Depois que terminei o trampo eu saí feliz, mas MUITO FELIZ e voltei pra casa.

Com um trampo desse na mão, eu claro, fiquei felizaço e não queria mais nem saber de trabalhar de DishWasher novamente. Fiquei só esperando o cara me chamar pra trabalhar. Quando é na segunda a Pinacle (a agência de emprego que eu tava trabalhando) me chamou pra trabalhar de Dishwasher e claro, eu recusei prontamente. Me ligaram de novo pra eu poder trabalhar na quarta feira e eu recusei MAIS UMA VEZ. Tava recusando, claro, porque eu estava só esperando o nosso amigo do Glassier, me ligar pra eu poder voltar a trabalhar pra ele. Passou segunda e nada do cara ligar, passou terça, quando foi na quarta comecei a ficar preocupado e resolvi ligar pro nosso amigo pra saber o que estava acontecendo. Claro, como a minha onda de azar ainda não saiu de mim, só recebo a notícia: Infelizmente apareceram outros caras aqui mais experientes e tive que contratá-los e infelizmente não vou precisar de você pra trabalhar pra mim novamente. E mais uma vez volto à minha vida de procurar emprego. Fazer o que?

agora vou saindo que vou bater na porta de uns restaurantes, é hora de procurar trampo, espero que no próximo blog eu tenha notícias mais otimistas…

abraços maranhenses

4 comentários em “A paloscada vai a Sydney

  1. Fala Maranhão, td bão?Ow véio, foi mal por nunca mais ter postado. Andei saindo daqui d Bsb no reveillon, então tou lendo os posts (mó acumulados, diga-se d passagem) agora.Velho, é engraçado ver tuas metáforas, já q, afinal, tu parece ter mais metáforas na ponta da língua do q o nosso ilustrissimo presidente da Republica hahahaha. Além, claro, d ver suas histórias d estrepulias, confusões, etc.Abs Maranhão e t cuida

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  2. Oi Claudiomar, me indicaram seu blog e tou viciada nas suas historias… e não só sou eu não, existem varias pessoas que não te conhecem mas tbm estao viciadas!Estou sempre torcendo para que vc se der bem por ai, ta? beijo grande da amiga desconhecida

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  3. Hello, I am a Brazilian living in the US for 5 years now. I have a son that has just turned one and that I would like to teach Portuguese to. I know that you guys are specialized in teaching English, but I thought that no matter what language I teach, the approach can be the same. Please, let me know what is the best thing to do to teach him Portuguese at this early age.

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