"Paloscada vai a Brasilia" e emprego novo de novo

Sem ter o que fazer entre um dia e outro de trabalho, com medo do meu cérebro atrofiar e pra lembrar dos velhos tempos em que eu usava o meu cerebro pra pensar e nao pra ficar lavando prato mais rapido, resolvi baixar as provas da Fuvest na internet e refazê-las, já que nem dinheiro pra poder comprar livros eu tenho mais. Qual não foi a minha surpresa quando eu vi na prova um texto do Amyr Klink que eu achei simplesmente sensacional, diria que o cara praticamente escreveu pensando em minha viagem pra Austrália (eu sei que saiu meio homosexual essa frase, mas deixa pra lá…), se liga no mistério:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Cara… isso é simplesmente genial …plantar as suas próprias árvores pra dar valor… Conhecer o frio pra desfrutar o Calor… sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto… Nus.. bom demais.. quando eu li este texto na prova eu PIREI. Vou tentar de algum jeito decorá-lo pra ter pra sempre na minha memória. Pois é, o pior que eu só fui acabar a prova hoje. Ainda consegui fazer 71 questões, não passava no vestibular de relações internacionais, mas pra quem já está 3 anos sem estudar biologia e química, acho que até mandei bem…

Pois é, acabou-se o que era doce. A Paloscada, tão rápido como chegou, foi embora. Jonas Pai, Jonas Mãe e Jonas pequenino voltaram pro Brasil. O apartamento voltou a ficar vazio, voltou a ficar sem graça e, claro, vai voltar a ficar fedorento, já que daqui a alguns dias, o Jonas vai parar de ficar limpando a casa constantemente. Apesar de ter passado bem menos tempo com a Paloscada do que eu queria ter passado (já que, quando eles chegaram eu não parava em casa a procura de emprego), foi bem legal a estadia da galera aqui. Eu ficando com o pescoço doendo de tanto levantar a cabeca pra conversar com eles (já que o único que era do meu tamanho era o Matias, do alto dos seus dez anos), o arroz carreteiro que a Mãe do Jonas fazia pra gente, a gente conversando quando era mais de noite e também de noite, eles me mostrando as fotos que eles tiraram durante o dia.

O mais engraçado da “Paloscada vai a Sydney”, foi, claro, além deles fazendo chinês e coreano tomar chimarrão, foi que os pobrezinhos não tiveram sorte com o tempo. Dos dias que eles ficaram aqui, ou choveu o dia inteiro ou fez um calor infernal. Meu deus, que calor infernal fez no primeiro dia de Paloscada aqui. Dia primeiro de Janeiro, primeiro dia do ano, eu acordo meio dia (acordar é jeito de falar, já que fui dormir era 10 da manhã) e ligo pra galera, perguntando aonde eles estavam. Neguinho me falou que tava todo mundo na praia, mas que já estavam voltando porque estava quente demais PRA PODER FICAR NA PRAIA!! Gente do

céu, eu comecei a pensar: – Que calor é esse que ninguém consegue ficar na praia? Desci pra praia e vi o que era. Meu deus do céu, tava um calor que você sentado, embaixo da sombra, você não sabia o que estava acontecendo, até o vento era desconfortável, procurei abrigo na casa de Neto e companhia e fiquei jogando um Winning Eleven com a galera, mas nem assim deu pra ficar tranquilo. O melhor foi descer pra casa e torcer pra ficar logo de noite. Resultado, depois foi só ver no jornal, o primeiro dia do ano em Sydney fez inacreditáveis 44 GRAUS!!! Caraca, nem no Maranhão eu nunca tinha pegado uma temperatura dessas. Se eu, moreno latino do jeito que sou, já fiquei sofrendo, imagina aquela paloscada branquinha como ficaram malucos.. uhauhahueauha. A melhor nao e’ essa (repararam que tou escrevendo sem acento agora? E’ que tou no staff room do trampo, mais detalhes abaixo) , a melhor e’ que depois desse dia INFERNAL, os outros dias foram so chuva, chuva e chuva. Quer dizer, eles nem puderam pegar um solzinho legal, fiquei com pena da Paloscada. So foi fazer sol quando eles foram embora. Eu ate cheguei a comentar com eles, rapaz, voces nao tem sorte mesmo.. uhaehauhaeuaehae


Galera, outra coisa que eu queria muito falar. Putzgrila, eu ODEIO imprensa. Eu sou meio suspeito pra falar, ate porque eu sou um grande fa do presidente Lula. Eu ja odiava imprensa pelo esse showzinho de denuncismo que eles tava fazendo no pais, desestabilizando o pais com essa onda de apresentar indicios como se fossem provas, mas depois do que fizeram com a historia daquele brasileiro que foi espancado aqui na Australia eu passei a odiar mais ainda. Eu sei que isso pode parecer chocante, mas aqui na Australia NAO EXISTE UM GRUPO DE EXTERMINIO ANTI-BRASILEIROS!!!! NAO EXISTE!!! Ate porque se existisse um dos primeiros a ser morto seria eu, ja que os maranhenses sao os mais odiados pelo fato de pegarmos todas as mulheres (com menos de 1,60 e’ claro). Nossa, mas como fizeram um escarceu com o ocorrido com esta historia. Eu cheguei a ler varias versoes, mas a que me chegou aqui na Australia foi que o cidadao estava na praia, de boa, e uns traseuntes pediram um cigarro pra ele, diz que o cidadao disse nao e os caras do nada espancaram o nosso amigo ate ele pedir penico. E segundo essa mesma historia ele foi reconhecido como brasileiro e por causa disso o infeliz apanhou mais que vaca quando entra na horta. Gente, essa historia ta MUITO mal contada. Eu nunca conheci Ninguem, eu digo NINGUEM aqui na Australia que odiasse brasileiro. A galera ama a gente e paga o maior pau…

nota do tradutor: pagar pau – ato ou acao de admiracao, vontade de ser que nem voce, uma quase inveja (mas sem o tom perjorativo que carrega a palavra inveja). Deu pra entender, senhorita Irene?

paga o maior pau por sermos brasileiros. Quando eu falo pra neguinho que eu sou brasileiro (leva um tempo pra eu convence-los que nao sou nem da Bolivia e nem do Mexico, acreditem) a primeira reacao e’ um sorriso com todos os dentes pra fora e nao-raro frases como: … voce e’ brasileiro? Caraca, que legal. Brasileiros sao muito gente boa… ou entao… Brasil? Uau, Best football of the world, Ronaldo, Ronaldinho, Adriano, Carlos (aqui eles nao falam roberto carlos, falam so carlos, engracado, ne?)… ou .. Brasil? Hum, very hot girls!!!… ou ate… Brasil? Caraca!! E’ verdade que la voces conseguem ficar bebados gastando apenas 1 dolar?

nota do tradutor: a galera aqui na australia tem um certo trabalho pra poder ficar bebado, pois, aqui, todas as drogas licitas sao taxadas ao absurdo pra ninguem comprar. Um maco de cigarro (do normal, gente, do normal) custa inacreditaveis 10 DOLARES!!! E as bebidas alcoolicas sao taxadas proporcionalmente ao seu teor alcoolico, quanto mais alcool, mais caro. O que faz um copo de cerveja ser cobrado inacreditaveis 5 DOLARES em uma boate e uma garrafa de vodka ou cachaca (e’, aqui vende cachaca) custar quase 40 dolares. Por isso que quando os caras ouvem falar que uma garrafa de cachaca custa 3 reais, ou um dolar americano, os caras ficam pirados.

Grande parte dos empregos que eu consegui, contou bastante o fato de eu ser brasileiro, pois a galera sabe que os povo brasileiro e’ um povo amavel e sempre bem humorado. A “marca Brasil” e’ uma marca muito forte. Qualquer produto que brasileiro que carregue uma bandeira brasileira ou o nome Brasil junto e’ um produto que vende bastante, por isso as havaianas com bandeira brasileira vendem mais que farinha no maranhao, por isso que a 51 ou a Pitu (aqui vende PITU!!!) tem uma bandeirinha brasileira, ate jucara (o nome e’ Jucara, o pais inteiro fala Acai, mas o certo e’ Jucara!) esta comecando a ser vendido aqui e claro, com o nome PRODUTO BRASILEIRO. Sabe por que? Porque todo mundo que ser brasileiro, todo mundo paga pau pro nosso povo e pro nosso pais (caraca, tou comecando a arrepiar). Serio, o unico cara ate hoje que eu vi odiar brasileiro, foi um australiano, que apelidamos carinhosamente de Shrek. O pobrezinho queria de qualquer jeito pegar uma brasileira e ela beijava todos os brasucas, menos o pobre do Shrek, so assim pra odiar a gente. Tou dizendo isso tudo, porque fiquei muito puto com o que a imprensa transformou este episodio, todo mundo com medo da australia, achando que aqui a galera inteira quer matar a gente. Essa historia ta muito mal contada, aqui nao tem muito disso de voce ta no meio da rua e o cara perguntar: Ei que horas sao? – Voce nao responde e ele te espanca ate a morte. Esse cara deve ter arrumado alguma treta com esses bichos, deve ter tido algum desentendimento, ou pode ate mesmo ter negado um cigarro, mas de um jeito rispido ou querendo se aparecer pra namorada (que nem o frango que quis arrumar treta com o Edu e quase vira frango xadrez). Os riots (a galera se matando no meio das ruas aqui na Australia) aconteceram a quase 1000 KILOMETROS da cidade que esse cara pegou esse sacode e foram contra LIBANESES querendo brincar de malandro, nao tem nada a ver com esse brasuca. Eu sei que nada justifica bater no cara daquele jeito, mas tambem nada justifica fazer esse escarceu todo, fazendo maes de amigos meus ligarem aos prantos DESESPERADAS (minha mae nao me ligou porque nao tem meu telefone, mas poxa, podia ao menos mandar um mail, ne senhorita Irene?) pros filhos aqui na Australia, preocupadas com o que poderia vim a acontecer com seus pimpolhos. Arf, odeio imprensa. Fica ai o desabafo…

Agora sobre o novo trampo que consegui…
Esses dias eu vinha pensando… rapaz… essa vida ingrata que só me pega por trás…

Esta última semana que passou tivemos sete dias como 

sempre (dããã!!), mas pelamordedeus, o que foi aquilo? Eu nunca tinha visto nuvens no céu, desde quando cheguei aqui em Sydney. O tempo sempre era ou 8 ou 80, isto é, ou tava muito quente ou tava muito frio. Mas o que foi essa semana? Tivemos CINCO DIAS de nuvens, nuvens e nuvens no céu e dois dias daquela temperatura perfeita pra se poder ir pra praia. Adivinha quais foram os dias que a Pinnacle me chamou pra trabalhar? Claro, na sexta e sábado que FAZIA SOL!!!



Não lembro com quem eu falava, mas um certo amigo me falou que não me entende, eu reclamo quando eu não tenho trabalho e agora ando reclamando por ter que trabalhar. Há um certo ponto de verdade nisso, mas é que no final acaba enchendo o saco. Pelamordedeus!!! Como estou, novamente, sem emprego, aceitei o shift da Pinnacle pra trabalhar numa cozinha de um restaurante em Coogee, uma praia aqui perto. Nada de estranho, restaurante limpo, garçons sempre sorrindo, mesas brilhando, pessoas bem vestidas, super satisfeitas, comendo do lado de fora, um indiano fedorento mandando eu fazer as coisas mais rapido e eu lá dentro da cozinha, vendo as baratas passearem por cima dos pratos e tentando mata-las com a vassoura. Já soltei essa piada, mas como o blog sempre congrega novos adeptos, volto a repetir, esses dias me convenci que mulher é que nem comida de restaurante, se você conhecer o seu passado, você realmente não come. Meu deus do céu, como causa uma tristeza isso, restaurante cinco estrelas mais sujo que o meu quarto. Mas vamos voltando.

E o local de trabalho? D

E FRENTE PRA PRAIA!!! É muita maldade com a gente mesmo!! Pra que diabos os caras vão construir um restaurante de frente pra praia? Putzgrila, não satisfeitos os nossos amigos ainda colocaram umas janelinha pelo corredores, então toda vez que eu tenho que sair de uma cozinha e correr pra outra eu dou de cara com aquela praiona e a galera se divertindo.. nuss… mas na hora que eu passo e eu olho aquela galera se divertindo na praia e eu me matando de trabalhar dá uma vontade de querer ver aparecer uma tsunami e matar esses miseráveis tudinho afogado!!!! O trampo (caraca, tou falando que nem paulistano já, trampo = trabalho) foi até sossegado, mas uma vez um chef chinês enchendo o saco e o indiano mandando eu lavar mais rápido.


Assim que cheguei aqui em Sydney, quando eu pegava uns shifts pra trabalhar 5 horas seguidas sem parar eu só faltava morrer. – Deus do céu, será se eu aguento? – eu me perguntava. A hora andava mais devagar que o Rubens Barrichelo. Hoje em dia que já desfruto o calor por conhecer o frio, 5 horas pra mim passam voando, eu nem bem percebo e já acabou o shift e lá tou eu indo pra casa com mais algums dólares no bolso. Pois é, os shifts que me passaram pra trabalhar no hotel foram de cinco horas e apesar do indiano ficar torrando a minha paciência passaram bem rápidos. Quando a coisa começou a ficar mais sossegada o indiano falou pra eu pegar um break (intervalo) de meia hora, pra poder dar uma descansada. Eu nunca gostei tanto de breaks, pelo fato de que os mesmos fazem você perder dinheiro (já que você trabalha meia hora a menos), mas sussa, só perguntei aonde era o staff room (sala da galera que trabalha lá) e desci pra aproveitar o meu break. Meu deus, o que era aquilo? O staff room parecia um parque de diversões. Primeiro que eu entro e já tinha uma mesa LOTADA de comida! Sabe aquelas mesinhas de self-service? Que você vai só se servindo? Tem um recipiente com arroz, outro com feijão, outro com aquele mocotó fedorento e etc.. Esse mesmo. Eu só pensei, QUE PORRA É ESSA?? Já peguei meu prato e comecei a ficar mais feliz que cachorro de madame, abro a geladeira o que eu vejo? Suco, BOLO DE CHOCOLATE CONFEITADO, iorgute, frutas… Quando eu já estava quase pirando ao ver isso tudo, veio o golpe final. FREE SODA!!!

Refrigerante de GRAÇA!!!! Coca-Cola, Limonada e outras variantes!! EU NÃO QUERO SAIR DESSA SALA NUNCA MAIS!! Ainda mais que na sala além de tudo ainda tinha um computador com acesso a internet pros funcionários. O que eu mais precisava? Comida pra cacete, refrigerante de graça e internet pra usar. Preciso de mais o que? De mulher? Claro que não! Quando fazia computação aprendi um grito que era assim: Mulher pra que, Mulher pra que? SE EU TENHO O MEU PC??? Como aquelas meia hora passaram rápido. Depois de terminar o meu break, voltei a trabalhar e, claro, depois de terminado o meu shift, volto pro staff room doido pra encher a pança novamente. Quando cheguei lá, notei que não havia mais comida, pois já era mais de meia noite e os caras resolveram tirá-la de lá. Mas em compensação tinha PÃO, PRESUNTO, QUEIJO, ALFACE, TOMATE, PIMENTÃO, MOLHO TÁRTARO… Não precisa dizer que mais uma vez eu comi mais que uma família de elefantes esfomeados. Agora faço assim, como antes de começar a trabalhar, como na hora do break e, claro, como ninguém é de ferro, como na hora de ir embora. Como (quantos “como” uhaeuhaueh) eu adoro esse trampo!!!


Dois dias depois, quando eu menos me espanto, liga a Pinnacle de novo: Hello Claudio, do you want to work more days at Cronwee Plaza? Eu só digo!! SURE!!! Caraca.. a mulher de uma vez só, marcou pra eu ir trabalhar lá na quinta, na sexta, no sábado e no domingo, vou ganhar uma grana que, se eu não arrumar trampo depois, eu consigo me sustentar tranquilamente por mais um mês.. uhauehauhaeuhae… Depois de um e-mail depressivo como aquele último, nada como um e-mail motivado como este, mas como a minha vida parece um gráfico de seno ou cosseno, uns dias eu tou lá embaixo, outros já tou lá em cima, é muito provável que o próximo blog eu já esteja chorando de novo.. uhauauh.. apesar de eu achar meio difícil já que a mulher ligou perguntando se eu não queria marcar um shift pra segunda feira!!! UUUHHHUUUuuhhuuu Vamos lá!!!

ah so… o grande amigo modesto pediu pra eu mandar um abraco pra ele… uhaeuhauehaeh… vou mandando, mas vou logo dizendo que tem que chamar uns quatro pra me ajudar a abracar, ja que o bicho esses dias ta IMENSO!!!

abracos maranhenses

Um comentário em “"Paloscada vai a Brasilia" e emprego novo de novo

  1. Bom, tenho 3 comentários a fazer:01: Que diabo de grito de guerra é esse??? Tem certeza que era uma galera de computação? Nerd eh fogo! 😡 NAO GOSTEI!02: Rola de arrumar um trampo desse fixo pra mim?03: Eu sou alta demais ou não? Senti uma ironia no “que isso!”

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