Lidando com a situação novamente


Depois que o tiozão bêbado foi embora dando prosseguimento a sua saga em busca do quarto, eu voltei pra guarita e fiquei de boa, trabalhando. De repente, houve aquele chamado que todo ser humano recebe algumas horas durante o dia. Aquele, que segundo a velha piada, é mais rápido que a velocidade da luz ou do pensamento. Sim, deu vontade de ir no banheiro. Esperei mais uns 20 minutos até dar umas 1:30 (geralmente depois desse horário ninguém chega mais) e fui. Fiz o que manda o protocolo, tranquei todas as portas, peguei a chave da máquina registradora, botei meu notebook debaixo do braço e fui. Quando tou lavando as mãos, escuto uns gritos vindo daqui da recepção. Brother, pense num menino que ficou desesperado que nem ateu no dia do juízo final? Rapaz, mais eu corri pra recepção numa vula que só vocês vendo.
O que eu achei que era? Alguém se acidentou e um hóspede veio pra recepção pedir ajuda ou pra usar o telefone. Só assim pra alguém nào poder esperar cinco minutos.
Quando cheguei na recepção, meus olhos pareciam os de uma coruja, tamanho o estado em que eu estava assustado. Quando vi, era só mais um bêbado tentando fazer check in, nada mais normal. O animal tinha forçado uma porta que não dá pra trancar (ela é difícil de abrir, por isso só deixamos enconstada. Sim, meu hotel às vezes é precário) e entrou. O cara, quando viu o meu estado de choque (sim, eu tava tremendo, pô) começou a tirar onda com minha cara, eu entrei na onda e comecei a trocar idéia com ele. Comecei a dar início aos procedimentos de praxe do check-in e pedi pra ele um cartão de crédito e uma carteira de identificação. O cidadão se recusou a me dar o cartão de crédito porque falou que não queria pagar no cartão, queria pagar em dinheiro. Falei que tudo bem, ele poderia pagar em dinheiro, mas que eu precisava de um cartão de crédito. Depois de muito tempo discutindo e enchendo o meu saco para não dar um cartão de crédito, o cidadão resolveu parar de encher e me dar um cartão e uma identificação. Quando ele me deu o cartão e o documento, e viu que eu comecei a fazer os procedimentos normais do check-in, o cidadão ficou um pouco mais calmo e começou a ser gente boa comigo novamente. Tentando ser gentil, foi lá e me ofereceu um cigarro. Falei que não fumava. Vendo que eu nào fumava cigarro, me perguntou se eu fumava MACONHA!! Falei que não e que tava trabalhando, logo não poderia aceitar nada. Depois disso, na hora de testar o crédito do cartão do cara, vi que o cartão do figura não tinha CRÉDITO ALGUM. Ixi, cumpade. Problemas a vista. Pedi desculpas e falei para ele que não poderia fazer o check-in já que o seu cartão não tinha crédito. Ah, cumpade, aí o bicho ficou puto, pegou mais ar que pneu de trator.
Ele começou a falar que era pra eu fazer aquilo de qualquer jeito que ele não queria nem saber. Depois de muito tempo me xingando, ele falou:
– Você pensa que dinheiro é problema? Dinheiro não é problema pra mim!
Meteu a mão no bolso e puxou um maço, mas um Maço com M maiúsculo de dólares do bolso. Quando fui olhar o maço do bicho, tinham só notas de 20 e 10 dólares, ou seja, pequenos valores. Me oferecendo maconha, totalmente embriagado, querendo pagar com dinheiro de qualquer maneira, com um maço de dinheiro com VÁRIAS notas pequenas, na hora eu deduzi:
– Esse cara é traficante! 
Na hora pensei em ligar pra polícia, ainda mais depois que o cidadão começou a me xingar de tudo que é nome. O cara me falou que eu era apenas mais um mexicano de merda no país dele, e que eu não era um criolo, logo devia parar de tentar agir como um preto merda. E começou a me pagar uma lição de moral sobre não ser um criolo merda. Sim, nesse nível.
Depois de delicadezas dessas, eu REALMENTE ia chamar a polícia. Quando ele viu que tava falando merda já, correu pro carro dele e foi embora, já que ele viu que se a polícia chegasse ele tava enrascado.
Como vocês podem ver, este foi mais um capítulo “Latino Sujo” do blog. Não importa se eu falo inglês ou não. Não importa se o trabalho é bem melhor do que o dos tempos em que eu lavava carros. Uma certeza que eu sempre vou ter é que SEMPRE que estiver trabalhando de subemprego, eu vou ser xingado, maltratado ou humilhado. Por favor, crianças e leitores do blog, não façam isso no nosso país. Vocês não sabem qual é a sensação de saber que o cara do outro lado tá querendo te humilhar (já que eu nào entendia metade dos palavrões que ele soltava pra mim, graças a deus não sou Native Speaker) e você não poder pular pelo balcão e voar na goela de um miserável desses.

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