Sujou! Sujou!

Cara, esses dias aconteceu algo engraçado lá no trabalho!
Cheguei, como de costume, às três horas pra poder trabalhar e, quando entrei na cozinha, notei que havia alguém diferente. Pra falar a verdade era um homem e não era dishwasher.
De início, já deu pra notar que o nosso amigo detinha modos estranhos, já que, ostentava uma bela pochete amarrado à sua cintura. Pô, cara, tem gente que fala que usa pochete porque a parada dá uma ajuda danada, mas, pra mim, aquela singela bolsinha amarrada na barriguinha proeminente deixa com um ar de fresco indescritível… Mas pois é, pela pochete eu pude perceber que algo bom não estava por vir.
Beleza, como de costume fui direto ao banheiro pra poder trocar a minha camisa e colocar a camisa do trabalho. Quando saio do banheiro, a chefe foi lá e me apresentou a figura. O cara era, nada mais, nada menos, que o representante da vigilância sanitária chegando à doceria! Mermão, resumindo, o cara era o “RÁPA”!! A casa caiu!!
Pela primeira vez na vida, após várias cozinhas já trabalhadas, tive contato com alguém da defesa sanitária. A maior ironia é que pela primeira vez a cozinha não era infestada de baratas e nem eu não torcia para que os responsáveis pela cozinha rodassem.
Mas beleza, fui lá e já comecei a agir como todo brasileiro age quando está diante de uma autoridade que tem poder pra azucrinar a sua vida: Sorrindo e tentando ser o mais simpático possível. De antemão, quando ele me foi apresentado, falei um “prazer meu nome é Claudio” e fui lá cumprimentar o figura. Foi quando veio a melhor parte. Estendi a mão e fiquei no famoso “vácuo”, já que o nosso amigo, o “senhor de pochete” se recusou a apertar a minha mão com a justificativa de que “já tinha lavado as mãos” (!!!!). Nessa hora, definitivamente, deu pra perceber que o nosso amigo pertencia ao grau mais alto de frescura, daqueles que na hora de transar, tiram a roupa, dobram, colocam em cima do criado mudo e depois consumam o ato. Porra, o que será que ele quis dizer com “já lavei as mãos”? Tá certo que eu sou o Dishwasher e faço todo o trabalho sujo da parada, mas caramba, o cara não tava ali pra cozinhar, tava só pra fiscalizar! Além disso, o cara tinha um tique MUITO irritante de ficar apertando e soltando a tampa da caneta que ele tinha na mão. Típico ato de nerd idiota.
Tentei, na medida do possível, ignorar a existência de um cidadão com poder de vida e morte sobre meu emprego dentro da cozinha e fui lá fazer o meu trabalho, fui terminar de lavar os últimos utensílios de cozinha que ainda jaziam na minha pia pra depois começar a lavar o chão. Rapaz, mas foi eu ligar aquela torneirinha da pia, pro senhor pochete começar a me azucrinar e a me falar uma pancada de coisa pra fazer. O pior que o inglês do bicho era enrolado que só rabo de porco e eu não conseguia entender nada. Enfim, em situações como essa é só balançar a cabeça e fingir que tá entendendo tudo.
A melhor do figura, foi quando o nosso amigo descobriu alguns ovos que se encontravam fora da geladeira. Ixi, mas ele soltou as penas quando viu aquilo. Soltou a franga mesmo!! Com as mãozinhas balançando no ar e tudo!! Falou que não podia, que não era permitido, que ovos NUNCA deveriam ficar fora da geladeira a não ser na hora que fossem consumidos. Pagou um sermão pra dona da parada, pegou os ovos e foi jogar fora na lixeirona que a gente tem na parte de trás da cozinha. O cidadão fez questão de jogar os ovos pessoalmente porque pareceu que ficou com medo da gente tentar reutilizar aquelas paradas. Tudo bem, foi lá atrás e, na hora de jogar os ovos fora, fez a gentileza de deixar cair metade dos ovos na parte fora da lixeira, fazendo uma bagunça danada e, claro, colocando tudo na conta do Dishwasher, que tinha deixado os carpetes da cozinha pra secar próximo ao local e depois teve trabalho em dobro, lavar os carpetes e lavar o chão que o imbecil sujou inteiro.
No final o senhor pochete foi embora e acabou não aplicando nenhuma multa, mas deixou avisado que ele ia voltar depois de duas semanas pra ver se tudo estava em ordem (leia-se: os ovos estavam na geladeira) e que a visita ia custar a bagatela de 150 dólares por hora
Façam as contas…

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