Uma visita inesperada e muita confusão.

O problema é que desse jeito não acontece quase nada. Só hoje que teve uma presepada que foi um pouquinho engraçada. Dois caras fedendo a cachaça apareceram aqui e tentaram fazer o check in. Logicamente que, devido ao estado de cana dos caras, eu ia inventar alguma desculpa (dizer que o cartão deles não tava funcionando ou algo do tipo) pra não deixá-los dormirem aqui. Nem precisou, já que nem cartão eles tinham.
Os caras começaram a ficar indignados e quando eles começaram a gritar eu já peguei o telefone do gancho e fingi que tava ligando pra polícia. Ah rapaz, mas a palavrinha “polícia” é mágica aqui nos EUA! Foram eles me ver ligando pra polícia pra ficarem caladinhos, colocarem o rabo entre as pernas e ir embora!
Beleza, o que esqueci de citar é que depois de quatro anos de universidade pública você começa a entender a malevolência de bêbado. Todo mundo sabe que o cara quando tá bêbado ele se acha o cara mais engraçado, o mais gente boa, bom de briga e, claro, o mais esperto. Deu uns vinte minutos e eu fui dar um rolê por aqui pra poder ver se tava tudo certo. Qual não foi minha surpresa? Cara, eu tava andando por aqui, indo em direção ao jardim e eu só vi aquela “cachoeira” caindo nas plantas. Aquela cachoeira amarela! Doido, o cidadão tava secando a bexiga no jardim do hotel! Ah mermão! Pense num cara que ficou popêro? Nessa hora eu peguei mais ar que pneu de trator! Fui lá e, quando fui falar com o figura, pensa que ele parou de urinar? Que nada! Continuou falando comigo e urinando ao mesmo tempo! Como se nada de errado estivesse acontecendo! Juro que na hora deu uma vontade de rir danada, mas me contive.
Como sou um rapaz solidário, esperei o nosso amigo “tirar água do joelho” pra poder conversar com ele. Falei que pela última vez eu pediria a ele que se retirasse do hotel. Ele falou que já estava saindo.
Quando eu menos me espanto, eu vejo um serelepe PÉ atrás de uma laranjeira no jardim. Mermão, eu já vi pé de laranja, mas laranja com pé foi a primeira vez na minha vida! Fui lá atrás da árvore e constatei o inevitável, o outro cara tava dormindo, deitado no meu jardim! Eu “disse pronto”, o poste quer urinar no cachorro, o capeta quer espetar o diabo, o mendigo que se dar bem em cima do maranhense! Pensei em explicar pro cidadão que a função principal de um hotel é fazer com que as pessoas DURMAM dentro dele e NÃO DO LADO DE FORA dele! E claro, que as pessoas pagam CARO pra poder dormir na parte de dentro, já que isso aqui não é República do Potro (minha república estudantil em Brasília)! Me contive e mandei ele capar o gato e ir embora, porque dessa vez eu realmente tava pensando em chamar a polícia! Ele se levantou e o outro bêbado foi ajudá-lo a ir embora do hotel.
Peguei, voltei pra recepção e fiquei observando se o cara iria embora ou não. Cara, depois que esse bicho se levantou é que foi engraçado! Eu fiquei aqui dentro, sadicamente, admirando aquele belo balé alcoólico que o embriagado cidadão parecia dançar, quando na verdade ele tentava apenas se levantar, andar e ir embora do estacionamento! Ele não andava, doido! Ele na verdade se remexia que nem um boneco de posto, dava três passos e se espatifava no chão que nem uma jaca! Era aquilo que certa vez o Guimarães Rosa chamara de “embriagatinhar”. Bicho, mas não eram umas quedinhas “véia besta” não! Não era aquela queda que você vai caindo, vai caindo, vai se desequilibrando, vai caindo e rebola no chão! Eram umas quedas “federais” mesmo, caía de maduro! O bicho chega quicava quando batia no chão! Eu ria que me mijava aqui de dentro. Eu cheguei até a contar, ele caiu seis vezes no chão. Uma queda mais bonita que a outra! Eu confesso que não liguei pra polícia porque fiquei com pena do cidadão e também porque ele me rendia boas risadas. Pombas, quem nunca ficou bêbado que jogue a primeira pedra! Que ligue pra polícia pra terminar a festa do vizinho!
Depois de capotar no chão por diversas vezes, eles começaram a ir embora. Fiquei observando e quando eles já estavam fora do estacionamento, andando pela calçada do hotel, o cara DESABOU! Mas eu nunca tinha visto isso, brother!! Ele desabou, caiu de uma vez!! Na hora a primeira coisa que eu pensei foi: – Abateram o cara! Um head shot de um sniper (um tiro na cabeça de um atirador de elite)! Cataplof! Bêbado ao chão novamente! Só que dessa vez ele não caiu com a cara na brita, caiu num gramado que tem na calçada aqui do prédio. Nessa hora eu entrei aqui na recepção e comecei a procurar o telefone da polícia.
Depois de tirar o telefone do gancho, mais uma vez fiquei com pena dos cidadãos, fui lá e sacudi o cara, falando que daquela vez era a última vez que eu falava! Voltei e ele nem se mexeu, desmaiado de bêbado. Confesso que até pensei em ligar pra polícia, mas aquilo ia dar uma dor-de-cabeça danada. E liga pra polícia, e explica pro policial, e explica pro gerente, e explica pros hóspedes que vierem aqui perguntar o porquê da polícia… Aí já viu, deixei ele lá. Caso o gerente me perguntasse no outro dia, ia falar que não vi, já que ele estava bem longe da recepção.
Quando foi de manhã, eu fui lá ver se o cidadão ainda tava dormindo. Não deu outra, ele tava lá jogado no gramado. Não era deitado não, era jogado mesmo! Você percebia claramente que ele não tinha deitado pra dormir, já que a posição era estranha e claramente ele estava desconfortável. Parecia até um cachorro atropelado! Parecia um ovo estrelado! Das duas uma, ou ele desmaiou e dormiu ou ele desmaiou, bateu com a cabeça e morreu. Eu fui embora antes de ser acusado de homicídio culposo ou de não dar assistência à vítima.


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