Tailandeses de rastafári

Agora, cara, com toda certeza, com imensa certeza, o que mais me marcou em Ko Tao foi um barzinho que tinha em frente ao meu hotel. Era um barzinho reggae, com fotos de Bob Marley por todos os lados e o tempo todo tocando reggae (confesso que me arrependi de não ter um Tribo de Jah no meu laptop pra poder mostrar um pouco de reggae do Maranhão pra eles).
Eu me lembro até hoje como foi o primeirao dia que eu cheguei naquele bar e como fiquei amigo dos dois caras que trabalhavam lá. Gente boa demais os bichos!
Uma irlandesa do couchsurfing.com me chamou pra sair com mais uma amiga dela na parte central da ilha (eu tava na parte sul). Já havia saído com elas pra poder comer uma pizza e as minas eram gente boa demais. Não pensei duas vezes, troquei de roupa, escovei os dentes e fui embora. Peguei um táxi e depois de muito barganhar consegui com que ele fizesse o caminho sul-centro por metade do preço. Achei que tinha me dado bem. Estava redondamente enganado.
Como todo bom tailandês que se preze, o taxista tentou de toda maneira me enrolar e no final acabou conseguindo. Se aproveitando de uma distração minha, ele acabou me largando no meio do caminho, numa vila em que NINGUÉM fala inglês. Cara, fiquei mais perdido que calcinha em lua-de-mel quando isso ocorreu. Fiquei um tempão, mas um tempão mesmo tentando sair dessa vila, mas não consegui, já que tava tudo escuro, tudo escrito em tailandês e, como disse, ninguém falava inglês. Pra melhorar ainda mais a situação começou a chover. Fiquei quase uma hora zanzando até a hora que consegui sair dessa maldita vila e pegar o caminho de volta pra parte sul da ilha. Depois de quase duas horas e meia na chuva, eu cheguei ao hotel.
Chegando ao hotel, eu tava tão injuriado que nem troquei de roupa, fui logo pra essa droga desse bar e já fui pedindo uma cerveja. Tava tão transtornado (pombas, eu andei na chuva quase 2 horas e, além disso, não saí com as minas) que cheguei ao bar e falei:
– Brother, me dá a cerveja mais barata que você tiver e não quero gelada não, pode trazer uma QUENTE porque eu quero passar é raiva!
– Porque tão nervoso, Brasil? – O atendente me perguntou.
– Pombas, eu fiquei quase duas horas andando na chuva pra voltar pra casa, cara!
– Poxa Brasil, mas você também não foi esperto.
– Por que não fui tão esperto?
– Ora bolas, você veio andando? Isso não é esperto!
– E o que eu deveria fazer então, brother?
– Seria mais fácil se você tivesse vindo correndo. Você chegaria mais rápido!
Toda vez que voce pedia uma cerveja, os caras perguntavam: “Ja brindaste no lugar apropriado?”. Ai’ a gente ia la e brindava. Fica ai’ pro leitor o exercicio de imaginacao pra descobrir no que a gente brindava.

Muleque, tu sabe o que é o cara dar aquela risada de quase meia hora sem parar? Não sei se ficou tão engraçado com vocês lendo assim, mas cara, foi muito engraçado quando ele me contou. Eu achando que ele ia falar pra eu pegar um táxi ou algo do tipo, mas não, simplesmente correr teria sido mais esperto. Heheheh.
Depois dessa noite, todo noite eu começava minha noite naquele barzinho. Não sabia como minha noite ia terminar, mas sabia como ela sempre começava. Eu chegava ao bar, pedia uma cerveja barata, colava do lado do primeiro grupo de amigos que via conversando e já ia me entrosando. Mas chegava nas toras mesmo! Perguntava de onde era, o que fazia ali e no final acabava fazendo novos amigos. Depois era só a gente descer pra balada todo mundo junto. Cara, mas conheci muita gente desse jeito…
Um dos motivos de nao poder beber em Ko Tao, alem do mergulho era esse. Se liga no caminho de volta pro bangalo como era. Ta iluminado assim porque larguei um flash! O caminho de volta era no meio do mato, literalmente no meio do mato. Um breu danado, nao dava pra ver nem um metro na sua frente. Hehehe. O que teve de amigo meu que dormiu em cima da grama porque tentava voltar bebado pro bangalo nao ta escrito.

Teve um dia que foi muito engraçado. Conheci uns instrutores de mergulho, um de cada canto do mundo (italiano, escocês, americano…) e tudo morando junto. Largaram tudo que tinham nos seus países pra ficar vivendo em Ko Tao e mergulhando o resto da vida. Confesso que nutri uma ponta de inveja deles.
Hoje sinto saudades das infinitas risadas que dei naquele bar. Só fico triste que nunca mais na minha vida poderei vê-los novamente. Mas enfim, viajar é isso, conhecer pessoas maravilhosas num dia e no outro pé na estrada.

2 comentários em “Tailandeses de rastafári

  1. curti esse bar. Essa do “porque tu não veio correndo” é muito filosofia de um cara que passa o dia todo ouvindo reggae mesmo hahaha muito relax!Se fosse um bar punk, o barman vomitava na tua cara e se fosse de música sertaneja, ele diria “Pelo menos você não é corno” hahahaha

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  2. Por consideração ao fato de vc ter dedicado um parágrafo do seu post a minha pessoa, deixo este comentário!

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