A caminho de Praga

Era chegada a hora de ir para Praga, nossa meta. Na nossa única noite em Wroclaw, encontramos uma galera do Couchsurfing.org em um pub e tomamos uma cerveja. Papo vai, papo vem, descobrimos que uma das meninas que estavam lá iria no outro dia para uma cidade no caminho de Praga e poderia nos dar uma carona. Encurtou-nos o nosso caminho em uns 50 km.

Sim, é pra aquele lado que estamos indo…

Aceitamos prontamente e no outro dia nos encontramos cedo em uma praça da cidade e seguimos viagem. Quando chegamos à cidade tive uma surpresa: o local era um vilarejo minúsculo de apenas 3000 habitantes. Na hora achei isso muito louco. Como assim alguém poderia morar numa cidade com 3000 habitantes? Brother, só a UnB tem 26.000 alunos!!! Eu tenho quase a metade disso só em amigo no orkut!! Sério, isso é quase nada!!! Mas sim, ela era desse vilarejo e nos largou por lá.

Engraçado como é praticamente possível você deduzir se o país em que você se encontra possui um nível alto, médio ou baixo do índice de desenvolvimento humano apenas pela observação de suas cidades. Em países de baixo desenvolvimento humano (Índia ou o Nepal) as grandes cidades parecem com as pequenas cidades do Brasil; Prédios pequenos, ruas estreitas e com pouco asfalto, poucas casas com saneamento básico, eletricidade, internet e etc. Em países de alto desenvolvimento humano, praticamente não parece haver diferença entre cidades grandes e cidades pequenas; andar por uma rua de uma cidade pequena é quase como andar em Wall Street. Parece não haver aquele “ar de cidade pequena” que podemos sentir em cidades como Cajazeiras, Caxias ou outras cidades do interior do Nordeste. Já países de médio desenvolvimento humano, como o Brasil, se você mora em cidades grandes e possui um nível de renda não tão alto é possível possuir água encanada, internet banda larga, telefone etc. em sua casa. Não sendo tão fácil ocorrer o mesmo em cidades com menos de 5000 habitantes. Eu não sei se fica muito claro pra vocês que estão lendo, mas só presenciando para perceber o que estou falando e como isso parece ser muito claro. Eu cheguei a comentar no post acerca de Jaipur: http://claudiomar.blogspot.com/2009/03/jaipur.html

Mas enfim, chegamos à cidade da mina. Um pacato vilarejo que possuía até a sua própria atração turística: uma torre inclinada ao estilo “torre de Pisa”. Batemos uma foto, eu e Gosia e fomos para a “saída da cidade” e começamos a pedir carona. Um frio lazarento comia as nossas costas e não nos restou outra opção a não ser tremer como uma vara de bambu verde e tentar descolar nossa carona para Praga.

Torre de Pisa polonesa

Praga. Alguém, alguém?

Depois de uns dez minutos um caminhão CHEIO de galinhas parou e nos ofereceu uma carona. Um tiozão caipira como o Chico Bento, nos enfiou dentro do caminhãozinho dele e seguimos viagem em direção à República Tcheca. Gritaria generalizada de galinhas (que pareciam saber o triste desfecho reservado a elas assim que fossem desembarcadas), cheiro de merda, pena voando na nossa cara, nada baixava a nossa moral! Quem já morou no Maranhão e teve “Sarneys” como governadores sabe como é viver na adversidade.

Gosia querendo pagar de fotografia artística enquanto caminhávamos para o posto

Chegamos à fronteira, andamos mais uns 10 quilômetros e o cara nos largou na saída da vilazinha dele. Tentamos pedir carona por uns 40 minutos e NADA de passar pelo menos um carro. A cidade parecia perdida no meio do faroeste americano! Percebemos que aquilo não ia dar muito certo e então resolvemos voltar à cidade e pedir alguma informação. Pra melhor a situação ninguém falava inglês, mas Gosia conseguiu entender algo do que eles falavam (a língua polonesa é parecida com a língua tcheca) e eles nos disseram que a cidade era fora de qualquer via importante à República Tcheca. Eles nos aconselharam a andar CINCO quilômetros até um posto de gasolina que ficava em um entroncamento com uma via que seguia diretamente à Praga. Como estávamos sem escolha, resolvemos caminhar! Pode parecer pouco, mas imaginar caminhar essa distância com uma mochila de uns cinco quilos nas costas!

Se liga na mochila da mina…

Enfim, fomos indo e depois de mais ou menos uma hora chegamos ao posto. Depois de uns 30 minutos parou um cidadão lá e Gosia começou a trocar uma ideia com ele em “Poloteco” (mistura de polonês e tcheco). O cara entendeu, falou que estava indo a Praga e que poderíamos ir com ele. Entramos no carro e seguimos viagem.

Felizmente o cara não falava inglês, não puxou conversa e pudemos descansar um pouco a caminho de Praga. O cara era tão gente boa que antes de descermos ele insistiu em nos dar dez dólares para gastarmos como quiséssemos. Não quisemos pegar, mas o cara insistiu tanto que não tivemos outra opção senão a de aceitar. Hahahaha. Diga aí, essa carona rendeu. Se pegássemos um busão de Wroclaw a Praga gastaríamos vinte dólares cada um. Fomos de carona e ainda ganhamos dez dólares!!! Hehehehe… Viva a vida nas estradas…

8 comentários em “A caminho de Praga

  1. “3000 habitantes é a metade do número de amigos que eu tenho no orkut!! Sério, isso é quase nada!!!”

    Peraí, quer dizer então que vc tem 6 mil amigos no Orkut????

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  2. Cara, o que me impressionou mais nesse post não foi nem o 6000 “amigos' no orkut. Eu tenho menos de trinta, já querendo tirar uns 5…

    Mas além de ganhar carona, vocês ainda ganharam dinheiro do cara!!!!
    Porra, nunca nessa minha vida bandida vi cara além de dar caona oferecer dinheiro aos caroneiros.

    Gente rica esses tchecos hein…

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