Saindo de Munique…

Pela manhã acordamos e fomos dar um rolê por Munique. Nada de muito importante a não ser a visita à sede da BMW. O que rolou de mais louco quando estive nessa cidade foi que a segunda feira que eu estive em Munique foi a famosa “Segunda-Feira negra”. Eu sei que isso já faz mais de um ano e que nosso país acabou, graças a Deus, saindo bem dessa crise (nunca antes na história desse país…). Pra quem não lembra, a “Segunda-Feira negra” ocorreu quando o Banco Lehman Brothers decretou falência e desencadeou, assim, a crise mundial do ano passado.

Pra maioria da galera que tava na vida do “vou pro trabalho, volta pra casa e durmo” no Brasil, recebendo em real e gastando em real, a crise não foi muito sentida, uma vez que, como falei, o nosso país sofreu pouco com a crise. Por outro lado, pra mim que estava no exterior, olhar aqueles jornais com cenas catastróficas de bolsas mundiais despencando e desespero por toda a parte foi uma cena aterradora. Primeiro porque estava tudo em alemão e não dava pra entender PATAVINAS do que estava escrito e segundo, bem, segundo porque a minha grana em dólar já tava acabando e o pouco que eu tinha estava em reais e eu sabia que, uma hora ou outra, eu iria precisar pedir ajuda pro meu pai pra terminar a viagem e ele iria (assim como me ajudou) também com reais. Em menos de um mês eu vi o real se desvalorizar quase 0,70 centavos em relação ao dólar e a outras moedas como o Euro. Era realmente desesperador abrir o site da Folha e ver que o dólar tinha fechado o dia com valorização de cinco, sete por cento em UM DIA. Houve um dia, que ainda está bem claro na minha mente, que eu abri o site e vi o euro se valorizando quase DOZE por cento em um dia em relação ao real!!! Aquilo realmente foi desesperador e foi um dos motivos em eu adiantar a minha volta ao Brasil em quase um mês. Minha grana simplesmente virou farelo!!!

Depois de passearmos pela cidade, eu e Gosia fomos para a casa do Chris, amigo do Eion que falou que iria nos hospedar.
Preparei um arroz para comermos, conversamos um pouco com aquele cara meio doido (pombas, ele praticamente recolheu dois malucos pra dentro de casa e levou pra dormir) e fomos dormir. O figura foi gente boa demais! No outro dia acordamos cedo e saímos pra poder conseguir uma carona de volta pra Varsóvia.
Tentando volta a Varsóvia
Cara, que parto foi pra poder conseguirmos sair de Munique!! A cidade era GIGANTESCA e tava extremamente difícil achar a saída dela. Descemos em um ponto de ônibus e ficamos perdidos tentando achar onde deveríamos pegar a carona sabendo que bastava apenas virar uma esquina e achar a rua certa. De repente, uma simpática senhora alemã se aproximou da gente com um inglês muito engraçadinho (Excuseeee me!! Do you want some heeeelllppp??) e nos indicou o local. Agradecemos a ela e saímos no sentido indicado e, pimba, estávamos na saída da cidade. Ficamos um bom tempo tentando conseguir uma carona, mas realmente tava muito difícil lá.
Caminho que deveríamos seguir até Praga
Depois de mais ou menos uma ou duas horas, conseguimos uma carona, mas só pra 30 quilômetros depois. Bom, vamos lá, pelo menos sair da cidade e ficar em um posto no meio da autoestrada facilitaria e muito a nossa vida. Chegamos no posto, compramos alguma coisa pra comer e ficamos pedindo carona pra cada um que entrava na loja de conveniência pra ver se alguém se sensibilizava e nos colocava pra dentro. Uma hora depois, nada de conseguirmos. Resolvemos mudar de estratégia e ficamos na saída do posto fazendo sinal de carona pra todos os carros/caminhões/bicicletas que saíam. Depois de uns quinze minutos um carro veio parando. Ôpa!! Uma carona.
Engraçado, o carro era meio diferente dos que estávamos acostumados a ver. Ele era azul, tinha uns detalhes em branco do lado… Eita porra!! POLÍCIA!! Era a polícia!! E tava vindo na nossa direção!! A polícia veio vindo e eu fui só pensando: – Bem, não era exatamente esse tipo de carona que eu esperava. Tá certo que cadeia é casa e comida de graça, mas não era muito o tipo de carona que eu esperava… O carro veio vindo, vindo e nós tentando aparentar tranquilidade fazendo que não era com a gente. Ele parou do nosso lado. Sim, era com a gente!! Eu pensei: – Pronto! Tou preso!! Nesse país facista do caralho tudo deve ser proibido! Deve ser proibido pegar carona também!!!”. Ficamos esperando o que ia rolar quando o vidrinho do carro foi baixando e o simpático guardinha foi falar comigo:
DOCUMENTO!!
Sim, não foi “Bom dia” não foi “Oi, tudo bom?” nada disso. O bicho só deu um grito no melhor estilo “DOCUMENTO, PORRA!!”. Dei meu passaporte, ele me fez algumas perguntas e depois nos deixou ir embora. Não tinha nada de errado, portanto ele não poderia fazer nada (não que ele não quisesse).
Depois dessa singela abordagem policial, continuamos na saída do posto, tremendo mais que trator em ponto morto devido o frio que dóia nos nossos ossos. Depois de mais ou menos uma hora, um simpático senhor parou seu caminhãozinho e nos ofereceu carona. Gosia enrolou um alemão lá com ele e ele falou que não iria para o nosso caminho, mas que só poderia nos deixar uns 70 quilômetros a frente em um posto um pouquinho mais movimentado. O dia realmente tava rendendo, em quase seis horas tínhamos conseguido viajar por volta de uns cem quilômetros. Só pra vocês utilizarem como base, se tivéssemos ido a pé teríamos percorrido quase a metade disso.

TECLA Pause
Esse é um dos grandes problemas de viajar de carona. A gente tem até aquela imagem romântica, você em pé do lado da auto-estrada com os ventos batendo nos seus cabelos, viajando pra onde o vento lhe levar. Sem gastar nada, sem se preocupar com o tempo, apenas curtindo uma vida que teima em passar rápido demais. Quase uma mistura de um filme de James Dean e Indiana Jones. Beleza, realmente é desse jeito, cara!! NO COMEÇO é desse jeito. No começo tudo é novidade, você fica ali em pé com o braço estendido e só curtindo a onda. Mas, sério, imagina você depois de duas horas segurando uma maldita placa, com um braço estendido no calor ou no frio, sem que ninguém pare pra poder te ajudar? Bem, você imaginou. Era exatamente assim que eu estava me sentido depois de seis horas, e apenas 100 quilômetros depois, implorando pra que as pessoas nos enfiassem dentro dos carros delas. Sério, depois de uma hora, pedir carona começa a encher o saco…

Senhor, me dá um carona, pelamordedeus…

TECLA Play
O tiozão era até gente boa. Ele foi nos guiando e explicando várias coisas no caminho. Dizia que nutria uma certa simpatia por Hitler quando ele assumiu o poder na Alemanha. Falou que ele tinha feito importates reformas no país, mas depois de um tempo ele começou a ficar louco e matar todo mundo, aí ele não tinha ficado mais tão legal assim. Nos deixou em um posto e continuamos tentando ver se conseguíamos pelo menos dormir em Praga, um terço do trajeto até Varsóvia, mas já ajudava em alguma coisa.

3 comentários em “Saindo de Munique…

  1. Maranhão

    Essa polaquinha faz o que da vida?

    Trampa, estuda…e o restante da galera que vc conheceu?
    A coração gelado,o indiano que o recebeu…Como eles ganham a vida?

    Curtir

  2. Velho, ante3s de comentar o post, só tenho uma coisa a dizer: PQP, você estava em München a uma semana da Oktoberfest e não ficou para a festa!?!? Tipo, uahuahuahauhauhau… sem palavras…

    Enfim… não sei se tu acompanhava/acompanha notícias do mercado financeiro. Mas é que mesmo antes da quebra do L.B. o mercado cambial já dava sinais de uma depreciação da moeda brasileira. A porra da crise já tinha “começado” bem antes. A segunda-feira negra (que de negra não teve porra nenhuma, em comparação com a quinta-feira negra de 1929) foi só o fundo do poço.

    Whatever… pena que a especulação alheia fodeu com tua viagem no último mês.

    De resto, é muito caro pegar um trem? Tipo, sempre ouvi falar muito do sistema ferroriário na Europa. Não saia mais em conta não? Levando em consideração tempo, cansaço…

    Abraços fio.

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