Couch no Cairo

Eu sei que isso acabou ficando meio que como um clichê aqui do blog, mas o meu couch de Cairo, sem sombra de dúvidas, foi um dos melhores de todos que tive. Acho que o colocaria entre os três melhores couchs que fiquei em toda minha viagem. Mr. French (Senhor “French”, nome do cara que me hospedou) foi uma das pessoas mais gentis que pude conhecer em minha vida e um cara que eu realmente fico feliz do Couchsurfing ter me proporcionado o prazer de conhecer. O cara era muito gente boa e de uma simpatia indescritível. Uma pessoa boa como hoje é difícil de se conhecer…
Olha o que achei num shopping perto da casa do David
De início, quando planejava viajar para o Egito, eu tinha em mente pedir hospedagem na casa de algum egípcio mesmo para ter uma imersão cultural maior. Ocorre que devido a limitação do tempo, eu tive que sair pedindo couch pra uma galera sem que fosse possível escolher bastante a quem eu iria pedir. No final, o David (primeiro nome, French era sobrenome) foi o único que respondeu a tempo de poder me hospedar quando cheguei ao Egito. Ele era australiano e vinha de uma cidade, ou vila, que, segundo ele, tinha 90 habitantes. Ãhn? Não faltou alguns zeros na hora de dizer o número de habitantes da cidade não? Não, amigo, é isso mesmo! Não eram 90 mil, mas sim NOVENTA pessoas que efetivamente viviam na cidade. Segundo David, a cidade dele era turística e só “funcionava” alguns meses por ano, durante o inverno. Nas outras estações, os donos dos hotéis, pousadas e coisas do tipo fechavam os lugares e só retornavam no próximo inverno novamente, deixando a cidade quase que como uma cidade-fantasma. Escolas, supermercados e outras pequenas lojas de grandes necessidades ficavam na cidade vizinha, que eles iam caso precisassem comprar alguma coisa. Numa cidade como essa, qual seria a profissão do pai dele? Cara, você consegue pensar em algum tipo de trabalho que uma cidade dessas pode oferecer em épocas de baixa temporada que não na agricultura? Pois é, eu não consegui pensar em nenhum, só o pai do French que conseguiu pensar e trabalhava como policial. Fico até imaginando como deveria ser difícil o trabalho dele. Ser policial lá só não deve ser melhor do que ser policial em Uzupio.
Metrô perto do apartamento do David

David mudou-se para Cairo para poder dar aula pra crianças na escola inglesa do Egito (e era por isso que eu o chamava de “Mr. French”, pois era como os seus alunos se referiam a ele). Ele me falou que era um trabalho dos sonhos para qualquer professor com espírito aventureiro. Ele recebia um pouco mais que o salário que tinha em Londres (que é mais ou menos duas vezes mais cara que uma cidade como Brasília, por exemplo) pra morar numa cidade como Cairo [que é facilmente duas vezes mais barata que uma cidade como Brasília, por exemplo (Sim, a repetição foi pra dar ênfase, não foi pleonasmo vicioso :P)]. Fazendo as contas. o bicho ganhava MUITA grana pra poder viver em Cairo. Ele podia manter um estilo de vida que poucos em todo o Egito poderiam algum dia pensar em sonhar. Quando eu saia com ele, pra comprar um sanduíche que fosse, ele não deixava eu pagar, sempre pagava as contas de tudo “Aqui é tudo barato, Claudio, pode ficar tranqüilo…”. Eu fiz as contas quando estive por lá e era mais ou menos como se ele fosse professor e ganhasse um salário de 15000 reais líquidos pra viver em São Luís. Bom, porque eu tou dizendo isso? Ah, amigão, só pra vocês entenderem como o couch do bicho era cinco estrelas. Rapaz… Eu fui chegando na casa dele e ele foi me mostrando: “Aqui tem cereal, aqui tem pão, aqui tem não sei o que, não sei o que, não sei o que… Quero tudo vazio até você ir embora…”. O negócio não foi nem a comida, o negócio foi quando o bicho abriu a geladeira. Lá dentro tinha uma caixa de Heineken com umas 30 latinhas de cerveja e, mais uma vez, ele falou que queria que eu secasse até eu ir embora. Rapaz, seu desejo é uma ordem! A casa do bicho parecia um hotel cinco estrelas! Apartamento gigantesco, comida a rodo, cerveja gelada e um quarto só pra mim com ar-condicionado, faltou só eu “ser amigo do rei e ter a mulher que quero na cama que escolherei”. Meu amigo!
Mas o mais engraçado ainda foi no primeiro dia que eu cheguei. Segue o diálogo:
– Claudio, você chegou a menos de 48 horas no Egito?
– Cara, acabei de chegar do aeroporto, por quê?
– Bem, é que é o seguinte. Aqui perto de casa tem uma Duty Free. Lá só podem entrar diplomatas ou turistas que chegaram com menos de 48 horas aqui no Egito e ainda assim só podem comprar até três litros de álcool. Eu tou a fim de comprar três garrafas de Absolut. A gente faz assim, compramos as garrafas juntos. Você entra com o passaporte, eu entro com o dinheiro e nós dois bebemos. Pode ser?
Eu e Mr. French

Ãhn? É o que, homi? Deixa eu ver… Eu dou passaporte, vou lá e… Bem, FECHADO! Temos um acordo, amigão! Rapaz e lá fomos nós comprar as vodkas. Mr. French, grande cara… Fiquei uma semana na casa dele no saudoso bairro de Maadi.

2 comentários em “Couch no Cairo

  1. Boas 😀

    Adorei este post…opá também queroooooooooo!!!!!!!

    Só eu é que nao encontro pessoas assim eheh
    Mas assim é que é, diversão até mais nao! 🙂

    Beijos Grandes

    Curtir

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