Tel Aviv

Além de Jerusalém, precisava visitar também a capital de Israel, né? Como tava com pouco tempo, resolvi fazer uma viagem de apenas um dia a Tel Aviv. Peguei um busão bem cedo e comprei a minha volta para um pouco tarde da noite. Tel Aviv, é uma cidade relativamente nova (tem cem anos) e, portanto, não tem muita coisa pra ser vista. É uma cidade de praia, mas com o frio que estava eu nem animava de cair no mar. Trocando em miúdos, eu achei que ia ser uma viagem meio sem graça, só pra bater foto e pronto. Rapaz, ledo engano. Já no busão, conheci três caras que eram MUITO engraçados. Um deles era equatoriano, o outro etíope e o terceiro, brasileiro e amazonense! Rapaz, mas o amazonense era engraçado DEMAIS!!

Eu e o Equatoriano

Eles três eram de uma congregação cristã e, pelo que entendi, trabalhavam parte em Israel e parte nos seus países de origem. Conhecemos-nos ainda na rodoviária e fomos conversando (o equatoriano falava português) até chegar a Tel Aviv. Como eles também só iam passar um dia por lá, acabou que ficamos nós quatro juntos pra poder dar uma volta na cidade.

Olha o que achamos assim que chegamos lá na praia. Bom que se quisesse o serviço, eu já tinha achado o cardápio

A gente foi pra praia e aí já começou a farofa! Os bichos abriram a mochila e começaram a tirar UM BANDO de sanduíche e comida que eles tinham trago de Jerusalém. Sem noção! Ficamos lá conversando, dando risada e farofando na praia.

O amazonense farofando. Grande figura!

O amazonense começou a me contar as histórias de lá das bandas dele. Rapaz, mas eu ria. Contou-me de uma vez que ele e uns primos foram dormir numa casa de uma vó deles que ficava enfiada no meio do mato. De noite a vó começou a contar uma história de um bicho que tava comendo os cachorros dela e ela não sabia mais o que fazer. Diz ela que a noite, quando estava dormindo, ela ouvia o barulho das asas de um bicho que sobrevoava a casa dela e no final, quando ia ver, mais um cachorro tinha sumido. Ela dizia que era um animal que não lembro o nome, um ser lendário da selva. Quando ela foi dormir, por volta de meia-noite, diz que começou aquela típica conversa de primos querendo um ser mais macho que o outro:
– Rapá, tu acha que esse bicho existe mesmo?
– Que existe que nada, rapaz. Isso é conversa desse povo que vive no mato
– Nada! Tu tá falando isso só porque tá morrendo de medo!
– Que tou com medo nada! Se tu quiser eu vou é naquele mato agora e caço o que você quiser com essa espingarda aqui!
– Pois então vamos nós três agora??!?!?!?
– Vamos, vou te mostrar que não existe bicho de porra nenhuma lá no meio do mato!

Eles se entocaram perto de onde estavam os cachorros da veia e ficaram lá, diz que pra caçar o bicho que tava comendo os cachorros. O narrador da história disse que, não sabia os outros dois primos, mas ele suava frio pensando nesse tal desse bicho alado que tava lá pelas cercanias. Rapaz, mas disse que passou uma meia hora, deu uma ventania forte, as árvores começaram a balançar e eles lá, morrendo de medo, mas tudo fazendo pose de macho. Cara, mas foi só eles ouvirem barulho de umas asas batendo que largaram espingarda, chinelo, dignidade, o que havia por lá, e correram pra dentro da casa o mais rápido que puderam! Diz ele que até hoje não sabe se foi esse bicho comedor de cachorro ou um canarinho qualquer! Também, ninguém quis pagar pra ver!

Tel Aviv

O outro que ele contou foram algumas histórias bem engraçadas sobre um bicho lendário que supostamente habita a Amazônia brasileira. É o Manpiguari, uma criatura coberta de pelos vermelhos, que possui um olho só, quase dois metros de altura, pele a prova de bala e alimenta-se, adivinhem, de carne humana. Diz ele que o Manpiguari é o sonho de consumo de dez em dez caçadores da Amazônia porque é praticamente impossível matar o bicho, a única maneira de matá-lo é atirando no umbigo da criatura. Diz ele que uma vez estava caçando com o pai no meio do mato e até chegou a ouvir o barulho do bicho correndo pela mata. Quando eles tentaram meter a bala no bicho, o Manpiguari correu e até hoje eles não conseguiram o suposto troféu que a cabeça do bicho representaria.

Já ouvi falar em história de pescador, mas história de caçador foi a primeira.
Passamos o dia conversando, farofando e rindo juntos na praia. Quando já estava ficando de tardinha, começamos a ir em direção a rodoviária de Tel Aviv porque o busão deles saía as seis horas. No caminho ainda nos deparamos com uma cena, no mínimo, estranha. Uma mulher começou a andar pelo meio da rua e ficava dando tapas nos carros que passavam por ela. Depois posto o vídeo que fiz dessa cena dantesca.

Eles foram embora um pouco mais cedo e eu fiquei por lá, dando voltas pela cidade e batendo algumas fotos. Depois voltei pra Jerusalém e comecei a planejar a minha viagem para Massada. Manpiguari… Grande figura…

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