Questão democrática venezuelana

Apesar de todas as suas conquistas sociais, apesar de fazer um grande trabalho relacionado a melhora da população mais pobre venezuelana, apesar de efetivamente ter diminuído a concentração de renda na Venezuela, tudo isso veio a custa de um preço. O país hoje é um barril de pólvora, extremamente cindido entre partidários e inimigos de Chávez.
Hoje Chávez não desfruta de tanto poder como antigamente e é obrigado a muitas vezes enfrentar greves gerais que acabam por comprometer ainda mais a já combalida economia venezuelana.
No dia 11 de abril de 2002, ocorreu uma marcha para pedir a renúncia de Chávez. Quando esta marcha estava chegando ao palácio do presidente, uma outra manifestação pró-Chávez estava ocorrendo. Não precisa dizer que isso deu um problema danado, afinal, há extremistas dos dois lados. O pau comeu e quinze pessoas de ambos os lados foram mortas. Chávez estava na berlinda, pois já havia perdido o apoio de diversos partidários e membros das altas patentes do exército venezuelano. No dia seguinte, aproveitando-se da convulsão social que se desencadeou dessas mortes indústria e contando com o apoio de Estados Unidos e Espanha, setores da mídia e da elite venezuelana tentaram um golpe de estado contra Chávez.
Porém, eles se esqueceram do enorme apoio popular que Chávez contava e o povo ocupou as principais sedes do governo alegando que só sairiam de lá quando Chávez voltasse, o que acabou ocorrendo.
Depois disso, Chávez ficou ainda mais neurótico e entrou de forma mais efetiva na sua revolução, cindindo mais ainda a população entre os pró-Chávez e os contra. Cassou a concessão de uma das principais emissoras que lhe faziam oposição (se bem que isso foi depois que um jornalista defendeu em rede nacional que Chávez deveria ser morto e amarrado de cabeça para baixo como um porco na praça central da Venezuela e fosse cuspido pelo povo que nem ocorreu com Mussolini. Ok, isso não é motivo para se fechar uma TV, mas demonstra o nível que a Venezuela está).
A situação tá tão louca que quando se aproximam as eleições venezuelanas, simplesmente se esgotam as passagens de voos internacionais saindo dos Estados Unidos e da Espanha para a Venezuela devido a venezuelanos “no exílio” que gastam o que for possível só para poder votar e tentar a fazer a sua diferença na deposição de Chávez.
Outro problema também do Chávez é a personalização do seu governo. As pessoas não entendem que o Estado Venezuelano as está abrigando sob um guarda-chuva de políticas públicas, mas sim que Chávez fez isso. Pode parecer banal, mas isso cria um problema tão grande que quando ficou doente, Chávez foi se tratar em Cuba porque se fosse se tratar no Brasil, na França, no México, seria mais possível as pessoas terem informações sobre o seu estado de saúde. Em Cuba, como tudo é controlado, ele pôde ficar tranquilo com isso.

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