Os cubanos


A primeira coisa que me deixou mais impressionado sobre Cuba em si, disparado, foi, cara, como eles são gente boa. Como os cubanos nas ruas são educados, solícitos, sempre estão dispostos a te ajudar e parecem ter uma alegria indescritível. O taxista que me trouxe do aeroporto ia me explicando tudo da cidade, o que era cada prédio, juro que achei que ele ia me pedir dinheiro depois, afinal, ele era taxista. Mas não, fomos dando risada do aeroporto até o albergue e ele só me cobrou o combinado.
Isso fora os locais que toda vez que a gente saía e ficava fazendo zoada na rua se juntavam e começavam a beber com a gente e, claro, sempre muito engraçados e divertidos. Eles parecem ter uma alegria de viver indescritível. Teve uma vez que foi inclusive bem engraçado. Tava andando em Trinidad procurando um restaurante que não fosse os olhos da cara para poder comer (caraca e que cidade cara! É mais cara que Havana) e parei em frente a uma casa e pedi informação de onde poderia achar um restaurante. O cara não sabia, foi perguntar para a mãe, depois para a avó, pro primo e eu na porta esperando. Quando enfim ele descobriu onde havia um, parou o que tava fazendo e fez questão de me levar até o restaurante. Eu no caminho já fui pensando “que droga, vai acabar me pedindo dinheiro”, mas que nada, ele só me deixou no restaurante, perguntou se eu precisava de mais algo e depois fui embora, simples assim. Parecia a Índia 
E o pior que a carne que eu comia lá em Cuba devia ser exposta desse jeito… Lá não tem ANVISA, amigo!
Teve até um dia que a gente foi sair para beber e paramos em um bar cubano porque lá a cerveja era bem barata, coisa de 2,5 reais por um litro e meio de chopp. Viva la Revolucion. Tá certo que o bicho teve que ir na casa de um amigo dele buscar umas garrafas plásticas de água para encher de cerveja para gente, já que o bicho tirava diretamente do barril de chopp e não tinha embalagem. Ver o cara lavando aquelas garrafas d´água na pia do bar, foi algo singelo. Quando estávamos no bar, uns cubanos chamaram a gente para beber na mesa deles. Os caras sangue-bom DEMAIS, engraçados e, lógico, barulhentos!
Havana Velha
Trabalhavam para a TV estatal e um deles era até diretor. O pior era que ficavam querendo pagar cerveja para gente, tá certo que era barato, mas porra, um país onde um médico ganha 45 dólares por mês, você sabe que uns dois reais de cerveja devem fazer falta. Estávamos fazendo uma zorra danada no bar até que chegou a polícia e perguntou o que estava havendo. O funcionário do bar (que eu achava que era dono, mas não, o bar era estatal! “Se esse bar fosse meu não estaria caindo aos pedaços” – me disse depois o bartender) foi lá falar com a polícia e eles nos deixaram em paz).
Quando estávamos indo embora eles nos convidaram para no outro dia visitar a sua casa. Ficamos meio desconfiados um pouco, afinal, eles eram todos homens, mas no outro dia fomos. E cara, que grande decisão. Eles moravam em uma casa colonial que era uma verdadeira jóia por si só. Datava de 1939 e possuía um estilo colonial bem forte, com um luxo decadente (pô, algumas partes do teto eram banhadas a ouro!). Até um banco feito todo de mármore enfeitava a sala.
Lustre de cristal

Um dos antepassados
Banheiro da casa
Aproveitamos para poder ficar conversando e depois fui descobrir que um deles era um produtor premiado em alguns festivais internacionais. Ele até nos mostrou seus certificados. Um cara que você não dava nada, só um bêbado barulhento em um bar na noite passada. Ficamos lá fazendo muito barulho, dançando e bebendo rum (lógico) a noite inteira. Coisas que só acontecem em Havana.
Livro sobre a Coluna Prestes em uma livraria de Cuba

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