Dois pesos, duas medidas e muita bagunça

Isso no final acabou por bagunçar toda a economia cubana, diferenciando quem trabalha por CUC por quem trabalha por pesos cubanos. Um médico em Cuba ganha por volta de 45 CUCs por mês. Só para efeito de comparação, outro dia quis andar numa daquelas bicicletinhas que usam de táxi, tal qual no Nepal, chorei, chorei, chorei e o cara fez por quatro CUCs, ou seja, ganhou 10% do salário de um médico em vinte minutos.
Esses dois estavam casando e batendo algumas fotos do albúm. Achei muito legal o lugar que eles estavam posando e bati algumas fotos.
Sim, o noivo era bem fanfarrão

O setor médico de Cuba é tão estratégico e tão que só para citar um exemplo, quando estava voltando de Varadero para Havana, conheci um italiano que estava casado com uma cubana e tinha tido um filho com ela. Eles estavam esperando há SETE anos que o Governo Cubano desse baixa do serviço dela, pois enquanto ela não tivesse a baixa, não poderia ter passaporte e, portanto, não poderia deixar legalmente o país. O Governo efetivamente sabe que paga muito pouco a essas pessoas e por isso não as deixa sair do país com medo de que elas não retornem.
Só para ter noção de como tudo pode ser distorcido, conheci um guia turístico cubano que ganhava 1000 dólares por mês só porque trabalhava para uma empresa de turismo australiana e um outro cara na rua que vendia chapéu, cada um por três CUCs e que me disse que conheceu uma brasileira de Trancoso e foi ao Brasil visita-la. Pagou 950 CUCs na passagem de avião!!!! Só foi, possível, claro, porque trabalha com CUCs.
O problema é que quanto mais pessoas recebem em CUCs, mais pessoas também querem receber nesta moeda. Então o cara que vende roupas, vai colocar os preços em CUCs, o cara que vende pastel também e por aí vai, inflacionando toda a economia. Por isso que o que todos dizem é que todo cubano consegue viver de boa metade do mês e na outra metade “se vira”.
A comida do governo, que vem em uma quantidade específica por pessoas, dura só duas semanas. Para comprar “supérfluos” como roupas, cervejas, iorgutes, você tem que pagar em CUCS. As outras duas, você tem que dar um jeito. Arrumar um táxi para trabalhar a noite, alugar quartos da sua casa para hospedar turistas chatos abdicando absurdamente da sua intimidade, comprar rum e vender mojitos na praia, tocar violão e cantar para turista e pedir um CUC por isso, dar golpe em turistas desavisados, trabalhar de guia nas suas folgas e por aí vai. Isso, como gosto sempre de frisar, em uma população extremamente estudada e educada.
 Por isso que Cuba era o único lugar que eu nunca barganhava pelo preço do quarto, me doía o coração, cara! Os caras te cobravam vinte CUC, eu sei que se eu chorasse um pouco, eles fariam por quinze, mas porra, dez reais para gente não é NADA, mas para os bichos pode ser cinco, dez por cento do que ganham por mês juntando o trabalho com o aluguel do quarto da sua casa. Além do que, com Magnólia eu economizava vinte dólares POR DIA (!!!!), já que, por dia, eu iria pagar 25 CUCs na outra casa particular e na casa dela eu pagava 5 CUCs por noite.

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