Nosso albergue em Cuba

Para deixa-los mais por dentro. Pelo menos até onde li, em Cuba é ilegal você receber estrangeiros em sua casa sem possuir uma autorização especial do governo. Depois descobri que eles tem um esquema parecido com a China, a imigração quer monitorar todos os seus passos.
Assim que chegávamos, eles nos colocavam para assinar um livro e os levavam até a imigração, mais ou menos como o registro da China. Assim, Couchsurfing, além do já problema de Cuba quase não possuir internet (segundo a lenda que eu escutei, Cuba não pode se conectar a rede mundial de fibra óptica devido aos problemas com os Estados Unidos, por isso a internet lá é jurássica e cara), não é permitido.
Tive que apelar para hotéis e pousadas. Se você não quer gastar muita grana, pode optar por não ficar em hotéis e ficar nas famosas “casas particulares” de Cuba. Elas funcionam assim, você que tem uma casa, paga uma taxa extremamente cara para o governo (um dono de casa particular me disse que pagava algo como 132 dólares por mês, independente se hospedasse 40 pessoas ou ninguém durante o mês) e pode transformar sua casa em uma pousada recebendo uma graninha no fim do mês que pode fazer toda a diferença. Procurei, procurei e nada de conseguir achar um albergue, tive que acabar indo para uma casa particular mesmo.
Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, fuçando no Couchsurfing, que uma simpática senhora possuía uma casa particular em Havana só que com uma particularidade, ela os transformou em quartos coletivos. Tá certo que era só um banheiro para 11 camas, mas ela cobrava cinco dólares por noite, enquanto na outra casa que eu ia, eu iria pagar VINTE E CINCO dólares por noite. Albergue, absurdamente mais barato? Tou dentro.
Magnólia, a dona do albergue com a sua cachorrinha Lucy (homenagem a Lucy in the Sky of Diamonts, clássico dos Beatles. Ela era muito fã deles.)

Engraçado que assim que eu fui chegando no albergue, a Magnólia, dona do albergue (que era uma outra atração a parte. Super meiga e atenciosa com a gente. Depois descobri que todas donas de casas particulares são sempre muito atenciosas), me disse que ainda ia ver em que cama eu iria ficar, porque havia acabado de chegar três suecas lá no albergue (!!!!!!!!!). Beleza, a minha época de correr atrás de suecas quentes (UUUhhhhhh!!) já passou, porém, porra, três suecas mexem com o coração de qualquer brasileiro. Depois, quando as conheci, vi que as três eram feias e bem chatinhas. Menos mal, mas continuam sendo três suecas.
Outra vantagem do albergue da Magnólia era que do lado tinha uma padaria 24 horas. Mas não, não era aquelas padarias que conhecemos no Brasil, que você volta da balada e vai na padoca para comer um misto ou um salgado. A padaria só vendia pão. E era 24 HORAS!! Quem diabos vai querer comprar um pedaço de pão as três da manhã, eu também me perguntava. A gente voltava da bagunça as duas, três da manhã e lá dentro tava o padeiro fazendo pães e vez ou outra alguém comprando. Se o cara tivesse com uma mulher grávida em casa e ela despertasse com uma daquelas vontades estranhas, era torcer para que fosse uma baguete! Era tão estranho que um dia um espanhol sugeriu de, ao voltar da balada, comprar um pão as três da manhã e tentar fumar para ver se dava um barato legal.
E que escolha da hora o albergue, viu? Tinha uma galera lá que tava praticamente morando no albergue, uns ficando um mês, outra menina que ia ficar lá quase quatro (cara, lá era muito barato) e as pessoas que conheci lá foram uma atração em si. Rolou uma interação entre a turma que depois de algumas horas parecia que éramos amigos há anos. E como parte dos que estavam hospedados também estudavam em universidades, vez ou outra rolava uma festinha universitária e eles nos convidavam. Teve uma vez que foi até engraçado, a menina falou assim “vamos ali numa festinha, vai ser uma coisa meio intimista, nem sei se posso levar vocês, mas vamos, qualquer coisa vocês voltam”. Quando a gente chegou, descobriu que a festa era em um estádio de baseball e mais parecia um Woodstock a parada!!!

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