Grandes Muralhas

Cara, sabe aquela história do deixar sempre tudo para a última hora? Pois é, isso em viagens também acontece. As grandes muralhas, eram de longe o lugar que mais me interessava em Pequim. Eu fui deixando, deixando, deixando. Não era tão fácil chegar lá e parecia que não seria lá tão da hora ir sozinho. O problema é que o tempo foi passando e, quando dei por mim, já estava quase que no último fim de semana de China e precisa ir nessas muralhas.
 Comecei a pesquisar como fazia para ir e estava decidido a ir sozinho quando uma menina postou no grupo que estava a fim de visitar as muralhas no sábado, meu último dia em Pequim. Não era muito inteligente fazer isso, afinal, sábado é fim de semana e, se tudo na China já é lotado, imagina no fim de semana quando todos estão de folga. Logo mais uns dois também postaram e resolvi me entrosar no grupo. Trocamos mensagens por telefone e ficamos de nos encontrar no outro dia as seis e  meia da manhã numa estação de metrô, pois o busão para as Muralhas saía as sete de Pequim. Previsão de duas horas e meia para poder chegar lá.

Cheguei no horário combinado e me encontrei com a menina, uma chinesa (meu, como tudo fica mais fácil quando temos alguém que fala chinês) e um alemão, Mark. Fomos para a parada de ônibus e ficamos esperando o terceiro couchsurfer que deveria chegar. Esperamos dez, quinze, vinte minutos e nada do bicho chegar. De repente, ele liga, fala que tava chegando na estação de metrô e que precisava que a chinesa fosse busca-lo por lá. Ela foi correndo para não perder o ônibus e eu acabei ficando com o alemão lá esperando. Do nada um outro alemão que também estava indo para as muralhas se entrosou com a gente (aprendam uma coisa, se viajarem na Ásia, SEMPRE, se entrosem com os ocidentais. Tentar resolver as coisas em grupo é sempre mais fácil do que sozinho).

 De repente o busão começou a ir embora e o Mark falou que ia esperar os outros dois chegarem e talvez pegar o ônibus de mais tarde. Apesar de sair como babaca, resolvi não esperar e seguir logo. Pombas, era o meu último dia de Pequim, eu não poderia arriscar e, caraca, eu havia chegado na hora, brother! É complicado você comprometer um grupo por causa de uma pessoa que se atrasa e que você nem conhece (no final acabei me arrependendo do que fiz, pois conseguimos fazer o passeio de boa, como vou explicar posteriormente, e o cara que se atrasou era super gente boa).
Isso, gira a câmera para esse lado

 Antes de falar como foi o passeio nas muralhas, um briefing. As muralhas, segundo a história oficial, foram erguidas para conter as diversas hordas mongóis que apavoravam a China durante anos. Segundo os historiadores mais sérios e respeitados, a Muralha na verdade foi construída para deter Chuck Norris. Bem, em ambas as hipóteses, elas falharam miseravelmente. São uma das maiores obras de engenharias da humanidade (depois da construção da Ponte José Sarney em São Luís) e além de serem usadas como proteção, foram de grande utilidade para ligar diversos pontos montanhosos do Império Chinês, haja vista que era possível caminhar entre suas paredes e com isso abria uma “trilha” em pleno terreno montanhoso chinês.

VOTO VENCIDO 

Eles conseguiram pegar um outro busão, se viraram por lá e acabou que chegamos quase ao mesmo tempo. Como falei, quando há alguém que fala chinês é tudo mais fácil.
Quando fomos para subir a muralha, havia duas opções. Uma era pegar um bondinho, aproveitar a vista, cair direto nas muralhas e pagar uns quinze reais e a outra era subir um lance de escadas de quase meia hora. Meu, você tem noção do que é subir meia hora de escadas? Se você acha que já é difícil subir quatro andares, imagina uns 50. Se eu gostasse de subir escada alugava um apartamento no terceiro andar sem elevador nas quadras das 400. Pô, 15 reais não vai matar ninguém!!! É lógico que era a melhor ideia. É lógico que não pegamos o bondinho. Fui voto vencido. É lógico que os couchsurfers escolheram o mais barato. E lá vou eu subir escadas.
Bondinho, ao longe. Longe de mim que subia as escadas
Subimos um lance gigantesco de escadas e no final fizemos o que? Mais e mais escadas, mas dessa vez caminhando pela muralha da China.
Quando chegamos lá em cima já éramos um grupo de seis couchsurfers, pois não sei como uma polonesa acabou nos encontrando por lá. No caminho um outro chinês acabou se juntando a gente.
Depois de duas horas de caminhadas, subindo e descendo escadas, chegamos a um local onde dizia que a partir dali não era mais permitido caminhar porque as muralhas começavam a ficar perigosas. Um dos alemães disse que checou no GPS que se seguíssemos em frente caminhando na muralha, iriamos levar menos de duas horas para poder chegar a um outro vilarejo e de lá poderíamos pegar um taxi. Tínhamos cinco litros de agua para sete pessoas, sendo duas mulheres. Ou seja, tinha tudo pra dar errado, por isso todo mundo ficou doido pra ir.
Isso pra mim é um nível de racionalidade semelhante ao de torcer pro Botafogo, mas enfim, voto vencido novamente, seguimos em frente. Juro que me imaginei alguns anos depois estrelando algum documentário da Discovery tipo o “Sobrevivi” que conta como pessoas escaparam de situações extremas sem agua e comida!
 

Um comentário em “Grandes Muralhas

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