Guiana Inglesa, como é a vida? Como vivem os brasileiros que moram lá?

Das três guianas, o único país que efetivamente ficou com o nome de Guiana foi a antiga Guiana Inglesa.

Se o Suriname foi tudo o que eu não imaginava, a Guiana Inglesa terminou por ser tudo o que eu imaginava. Ou pior. Não há nada que deixe um surinamês mais feliz do que comentar como o Suriname parece um país ano-luz na frente da Guiana Inglesa e não há nada que deixe um guiano mais chateado do que comentar como o Suriname parece um país ano-luz à frente da Guiana.

A Guiana Inglesa é a mais pobre das três guianas e, de longe, a mais caótica. Quando comentava no Suriname que iria viajar a Guiana as pessoas me perguntavam “vai lá para ser morto?”. Georgetown é uma cidade entregue ao caos onde parece que não há nenhuma presença de Estado. Comércio, favela, vala de esgoto, plantação de cana, cabras passeando pelas ruas, tudo misturado em meio ao ambiente urbano. O trânsito é maluco e não há uma rua da cidade onde não há uma vala de esgoto passando. Assim, eu sei que no Brasil tem muitas ruas assim, mas o que eu estou falando é que na avenida principal, da principal cidade da Guiana, tem uma vala de esgoto margeando a pista. Seria mais ou menos como termos isso na Avenida Paulista. Em defesa dos guianos pode-se dizer que a cidade de Georgetown foi construída abaixo do nível do mar e essas valas são para drenar a cidade por meio de uma bomba que está na cidade desde a época dos ingleses.

Como diria um amigo meu, a gente acha que entende de pobreza porque vive no Brasil, porque vemos pobreza e tal, mas cara, quando você chega na Guiana você aprende que a lição número 1 do lugar é que tudo sempre pode piorar. A aparente ausência de estado, o “salve-se quem puder” no meio das ruas, tudo isso pode até ter em uma cidade de fronteira do Brasil ou em cidades do interior mais pobres, mas na Guiana Inglesa é na capital do país, em Georgetown.
Depois do Camboja, a Guiana foi o único lugar onde pude ver alguém na rua cobrando para você utilizar uma balança e ver seu peso. Clique aqui para ver a foto no Camboja
Como curiosidade, a Guiana é o único país da comunidade dos países de língua inglesa na América do Sul. O termo Guiana vem de dialetos indígenas locais e significa “terra de muitas águas”, devido ao grande números de rios. A sua economia é dependente da exportação de produtos primários, principalmente minérios, o grande responsável pelo afluxo de brasileiros. Ao que me parece, a única coisa que faria valer uma viagem para o país seriam as impressionantes Cataratas de Kaieteur para ler mais sobre elas clique aqui), pois Georgetown é caos.
Estátua de Gandhi em um parque de Georgetown
Georgetown é uma cidade litorânea, porém a praia foi o de mais sujo e horripilante que pude presenciar e não vi ninguém corajoso o bastante para pular na água enquanto estive andando na orla.
Inicialmente estava planejando ficar em um hotel indicado pelo Lonely Planet. Quando comecei a checar, vi que o hotelzinho era sujo e caro o que me fez seguir uma sugestão de hotel que um couchsurfer me indicou onde ficar. Chama-se Juliens guesthouse. Era nova, perto do bairro onde ficavam os brasileiros e em um bairro relativamente seguro. No final, o hotelzinho era até bom, tirando o fato que ele literalmente balançava quando passava um caminhão do lado.
Tentei dar uma volta, sair do hotel a noite, porém caminhei por Georgetown procurando por um suposto bar brasileiro a noite e posso dizer que foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida. Acabou que fiquei a noite encastelado no hotel que serviu quase como um bunker.

E OS BRASILEIROS NA GUIANA – COMO ELES VIVEM?

Enquanto no Suriname a pergunta padrão era “você é de Belém?” na Guiana a pergunta quando eu falava que era brasileiro era “você é garimpeiro?”. No início eu imaginei que os garimpeiros brasileiros eram visto com maus olhos pelos guianos, por supostamente roubar empregos deles ou algo assim, porém pude perceber que há uma certa convivência pacífica.  Um dos motivos é devido a forma como é feito o garimpo hoje em dia. Quando se fala em garimpo, eu imaginava aquela galera peneirando na beira do rio esperando que dali vai sair algum ouro. Pelo que pude perceber, o garimpo hoje está longe disso e é algo extremamente mecanizado. E grande parte dessa mecanização na Guiana é devido aos brasileiros que tem mais capital que os guianos para isso. Lógico que isso não deve ser sempre a regra, também deve haver muitos brasileiros pobres disputando vagas com Guianenses.

Em Georgetown há diversos empreendimentos ou de brasileiros ou para brasileiros, em vários deles todo mundo só falava português. Fui em um restaurante brasileiro recomendado pelo livro-guia, que na verdade era pior que aquelas churrascarias de posto de gasolina do interior do Maranhão, tentei bater papo com o dono do restaurante. Ele era paranaense . Como esse cara veio se tocar lá do Sul para a Guiana não tive tempo de conversar já que ele não me deu papo e era todo desconfiado. O máximo que consegui de informação com ele foi um bar onde facilmente eu iria encontrar brasileiros, ele me indicou um que era até do lado de onde eu estava hospedado. Fui em um dia a noite só para descobrir que o lugar era um prostíbulo. Bem, em viagens prostíbulos sempre são os melhores lugares para ser preso, ferido ou morto, então voltei para o hotel.

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13 comentários em “Guiana Inglesa, como é a vida? Como vivem os brasileiros que moram lá?

  1. Haha, que sinixxxxxtro! Estive em Lethem e tive uma péssima impressão da Guiana, me pareceu “terra de ninguém”, um Camboja piorado. Que pena que até a capital é assim…

    PS: Sobre gente nas ruas cobrando para ver o peso, vi muito disso em alguns países asiáticos (Camboja e Mianmar) e também nos Balcãs (Kosovo e Albânia). Aparentemente é uma ideia genial que resolveu surgir na cabeça de todo mundo que tá precisando de uma graninha, rs

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  2. Olá Claudiomar que delícia sua escrita,consegui me imaginar na Guyana,apesar de não parecer muito agradável,rs
    Seu blog foi um achado porque leio muitas pessoas ´´achando´´ algo sobre a Guyana mas vocês realmente esteve lá.
    Gostaria de fazer intercâmbio,um curso de inglês na Guyana,o que você acha sobre isso?
    Abraço

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  3. Daniela,
    Não tenho muita informação sobre intercâmbio por lá. Seria pelo custo mais baixo?
    Eu não sei, eu não sugiro muito não. Às vezes fazer o intercâmbio na Inglaterra ou na Austrália lhe faça gastar um pouco mais até chegar lá, mas pelo menos nesses dois países você pode conseguir emprego e trabalhar.
    Bem, é minha sugestão =)

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  4. Excelente relato. Tenho a meta de conhecer todos os países da America do Sul. Infelizmente não rola ir sozinha, pelo que leio, talvez eu conheça pelo interior. Mas gosto dessa ótica de “ver com os próprios olhos”, rs

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  5. pelo que você fala e como em outros países como na África, por exemplo, a Guiana parece que ainda não estava no ponto de obter a sua emancipação.

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  6. Excelente o seu relato sobre Guiana, nós aqui do Brasil certamente de toda a América do Sul, pouco ou quase nada conhecemos sobre este país. Muitíssimo obrigado!

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  7. E nesta onda paradoxal, a África parece ser também um lugar de quebra dos mitos de línguas estrangeiras. Quando você fica sabendo que 70 milhões de pobres no Congo falam francês e vê frases como esta por exemplo “Ghana Haulage transport drivers association” escrita numa construção tosca de materiais pobres, tipo barraco de favela, na fronteira com Burkina Fasso; certifica-se daquele mito…:)

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  8. Wooow…Curti imenso teu relato pessoal a cerca da Guiana…É de fato um país o qual acabei de excluir do meu roteiro pela América Latina..Segunto teu texto,imaginei cenários de Cidades Angolanas ou algo do tipo..😮

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  9. Obrigado pelo relato abrangente e realista daqueles países.
    Ainda bem que D. Pedro II teve a sabedoria deixar esses abacaxis para os ingleses, franceses e holandeses.
    Seu relato sobre Georgetown me fez lembrar Brasília durante o período da construção, entre 1958 e 1965 que presenciei, quando adolescente, meu pai foi transferido para lá.
    Fizeram uma vila toda de madeira, que deveria ser provisória, chamada Cidade Livre. Acabou sendo urbanizada e passou a se chamar Núcleo Bandeirante, até a presente data.
    Era bem o que você relatou, sujeira, esgoto a céu aberto, incêndios devastadores, prostituição e muita violência. Tirando o colorido das casas, era a mesma coisa.
    Com todos os problemas que convivemos no Brasil esta realidade ficou no passado.
    Realmente não temos nada a fazer por lá.
    Obrigado,
    Ricardo H Vasconcelos

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  10. Você teria algum contato de alguém na Guiana Inglesa??? meu pai que era garimpeiro foi pra lá a muitos anos e gostaria de encontrá-lo… pensei inclusive em ir até lá… mas depois do relato fiquei com algum receio… além de não ter condições… Ele foi embora quando eu tinha 4 anos… hoje tenho 26 e vou me casar ano que vem e gostaria muito de reencontrar meu pai! Tive notícias de que ele está em Bartica… na Guiana Inglesa! Se vc puder me ajudar… serei grata por toda minha vida!

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  11. Eu não entendo porque o eleitor acima disse que Dom Pedro II teria deixado estes abacaxis para os ingleses, franceses e holandeses na verdade em uma disputa entre Brasil e a então Guiana Inglesa o Brasil perdeu infelizmente e tristemente cerca de 19.630 km2 de seu território, área quase equivalente ao estado de Sergipe para a atual Guiana.https://pt.wikipedia.org/wiki/Quest%C3%A3o_do_Pirara

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  12. Cara, se alguém que possuir a mesma destreza e poder monetário seu e viesse conhecer o Brasil e por azar caísse em alguma das cidades ou regiões brasileiras de aspecto bem parecido ou até mesmo muito pior que os “dois” lugares que você “visitou” por lá, com certeza soltaria comentários e relatos pobres e com bem pouca visão de quem realmente é um mochileiro.

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  13. vc nunca esteve em Georgetown,moro aqui desde 2014,seu relato nada tem de lógico,as valas não são esgoto,o tiête é esgoto.a pobreza,criminalidade aqui não tem como comparar com o Brasil assim como a corrupção,gostaria de ver brasileiros vindo visitar aqui sem pré conceito,o povo é acolhedor e tem exelentes hotéis/restaurantes sim.abraço

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