City tour por La Paz – As Cholitas

Porém, nada é mais Bolívia do que as Cholitas.
As Cholitas são facilmente identificáveis pelas ruas bolivianas e estão virtualmente por toda a parte. Inicialmente eram das zonas rurais bolivianas, em suas maioria Quéchuas ou Aimarás, que migravam para La Paz a procura de uma vida melhor. Eram discriminadas e até impedidas de entrar em certos lugares, porém, devido a muita determinação e trabalho, hoje as Cholitas são parte fundamental da economia boliviana.
Como são as Cholitas? 
Bem, uma coisa que você vai facilmente perceber é o traje característico delas. Elas sempre estão de saias longas e grossas e um xale por cima de suas costas. Isso ocorre porque elas acordam bem cedo, quando está se fazendo muito frio, para poder trabalhar e usam os chales para se esquentar.
Seus cabelos são longos, porém sempre em tranças, para facilitar o trabalho.
Cholita com suas tranças
Elas geralmente tem um formato meio arredondado. Sim, as Cholitas são bem atarracadas. Isso é devido ao padrão de beleza Aimará. Enquanto para a gente uma mulher bonita é uma mulher esguia, para os indígenas das montanhas as mulheres atarracadas são bem mais atraentes. Isso ocorre porque elas precisam ser fortes para poder trabalhar e caminhar pelas montanhas. Quanto mais forte for uma mulher, mais forte será a prole que ela irá gerar. Para os Aimarás e Quechuas, “Strong and big is beautiful” (forte e grande é linda!). Inclusive a parte considerada mais atraente de uma Cholita são as suas canelas (enquanto para a gente é a… er… bunda?). Segundo o guia, uma Cholita pode estar seis meses grávida, carregando um saco de batata em cada braço, um bebê nas costas e ainda assim pode caminhar mais rápido e por mais tempo nas montanhas do que qualquer um de nós.
Porém nada, absolutamente nada, chama mais a atenção nas Cholitas do que o que elas tem na cabeça. Cara, é muito engraçado você ver aquela mulher toda agasalhada, com roupas coloridas, joias e na cabeça ter uma… CARTOLA MASCULINA. E MINÚSCULA! Sim, elas tem uma cartola minúscula, que não entra na cabeça,  amarrada entre as orelhas! Cara, como é engraçado ver aquilo na cabeça delas, parece a todo tempo que vai cair de tão pequena que é essa cartola. Segundo o guia isso aconteceu porque durante a construção de uma estrada de ferro os ingleses encomendaram milhares de cartolas a uma empresa italiana. Porém, houve um erro, as cartolas vieram bem menores do que o encomendado e lógico que não serviu na cabeça dos gringos. Eles tentaram dar um jeito e vender para os bolivianos. Porém, os bolivianos, apesar de pequenos, tem cabeças muito grandes e as cartolas também não serviram. Alguém vai saber porque cargas d´água, mas as Cholitas simplesmente adoraram as cartolas e as adotaram como vestimenta obrigatória! E isso tem mais de cem anos! As cartolas são tão importantes para as Cholitas que elas tem um código para usá-las. 
Se a cartola é colocada no meio da cabeça, a Cholita é casada. Se é colocada ao lado da cabeça, quer dizer que a Cholita é solteira e você pode ir lá tentar a sorte. Agora, prepare-se. Ser casado com uma Cholita implica em ter vários filhos, pelo menos uns sete, pois Cholitas gostam de famílias grandes. Então, nem pense que você vai passar o domingo vendo futebol. Vai passar o domingo “trabalhando”.
Uma coisa interessante e que você não vê muito facilmente em La paz: Supermercados. Sim! Segundo o guia, é porque tudo o que você queira comprar em La Paz é possível comprar nas mãos da Cholitas. Quando você quer comprar algo, não vai ao supermercado, mas sim aos mercados que existem por toda cidade.
Ele levou a gente para um mercado a céu aberto onde pudemos ver as “Caseras”, que são como são conhecidas as Cholitas que trabalham naquele mercado. No mercado inclusive vende-se muita folha de coca.
Mercado de rua com várias Cholitas
Nesse mercado, você estabelece um laço meio maternal com elas que inclusive te chamam de “Caserito”. Se algum dia estiver triste ou precisando de alguém para te escutar, pode só chegar do lado que ela vai escutar tudo o que você tem para falar com muita atenção e te dar vários conselhos. Porém, se prepare para que toda a feira saiba no outro dia, já que elas conversam sobre tudo entre elas. Disse-nos que depois que você compra um produto em uma determinada “Casera” você estabelece uma relação permanente e nunca mais pode comprar em outra, mais ou menos como a máfia das tias das Casas Particulares em Cuba (leia essa história aqui). Ela pode até te ver comprando em outra, uma banana por exemplo, porém se no outro dia você chegar e pedir alguma coisa à sua Casera, ela não vai te atender e vai te falar para você comprar na sua “nova Casera”. Explicou também que não costuma se barganhar naquele mercado aberto, pois sabe-se que fazendo isso está se roubando do pequeno lucro delas.
Porém, você pode pedir uma “Iapa”, que é como o nosso famoso “Chorinho”. Você compra dez bananas, daí vai lá e pede uma banana a mais de Iapa e a sua Casera fará o possível para atender ao seu Caserito.
Disse o guia também que várias delas são riquíssimas, inclusive são donas de imóveis e lojas, mas que todos os dias, faça chuva ou faça sol, estarão ali, na feira, esperando seus Caseritos para comprar mais uma penca de bananas ou apenas um ombro para ganhar um pouco de afeto.
América Latina e suas histórias peculiares…

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