Tretas has been planted


Hora que os gringos furões saíram e começaram a ir para o começo da fila. Repare na galera rindo na foto.
Cheguei às quatro e meia e já tinha uma fila gigantesca. Tou eu lá, morrendo de sono, com a bunda no chão gelado, esperando, quando um guia fala para um grupo que tava logo na minha frente:
– Óh, tá vendo aqueles dois guias? Eles tão guardando lugar para um grupo. Isso não é justo! Vocês tão aqui esperando e não podem deixar eles entrarem na frente! Façam barulho quando o grupo chegar.
Deu cinco da manhã chegou o grupo que os guias tavam marcando lugar. É lógico que os gringos da frente não fizeram nada. Ah rapaz, eu não deixei barato. Pensei no tempo que eu estava lá, na minha bunda gelada e, bem, comecei a gritar:
– Ow, tem fila aqui, vocês não perceberam não? Amigos gringos!! Tem uma fila aqui atrás.
E os caras começaram a fingir que não era com eles. Comecei a pensar que, bem, eu ia ter que ficar lá até as cinco e meia da manhã. Se eu não tinha o que fazer, eu ia começar ao menos na zueira com eles. Zueira never ends. Comecei a gritar em inglês e portunhol (para a fila toda entender):
– Ow!! Quantos custou a “espertotaxa”? Eu não quero ser bobo de ficar na fila não! Eu quero ser esperto que nem vocês! Eu quero pagar essa espertotaxa que vocês pagaram!
– Nossa, eu sou gringo! Eu sou tão esperto! Vou para América Latina e vou fazer os latinos de idiota furando fila!
– Amigos gringoooooosss!!! A fiiiilllaaaaa!!! É você mesmo que eu tou falando!!! Você de camisa verde, boné verde, calça jeans e cara de espertalhão, vamos pegar a filaaaaa!!
Rapaz, daí começou meio que uma revolução! A fila inteira começou a gritar e os caras começaram a ficar visivelmente sem graça. E eu lá, tacando o terror e dando risada. Rapaz… Até que teve uma hora que um dos gringos, um galego imenso, virou para mim e me mandou eu calar a boca… Ah, bicho, aí eu virei um capeta do avesso. Lembrei de todas as vezes na Austrália quando me tratavam como lixo, me mandavam eu calar a boca e eu ficava caladinho, pois sabia que não tava em casa. Daquela vez eu não ia calar…
Comecei a gritar que ele não podia vir para América Latina e mandar os latinos se calarem. Quem ele achava que era! Um gringo sacaneando na minha casa! Comecei a gritar alto mesmo, que ele era um safado, um miserável, que fazia as coisas erradas e ainda queria me mandar calar a boca. Comecei a gritar tanto que acharam que eu ia sair na porrada com ele. Ele obviamente não esperava a minha reação e ficou com olhar de assustado enquanto a “turma do deixa disso” chegou e ficou me segurando. Obviamente eu não ia sair na mão com ele, além de ser idiotice brigar na rua, se fizesse isso, ia perder o passeio a Machu Picchu. Acabou que parte deles saíram da fila e foram lá para o final, só os mais velhos que ficaram. Eu vi que nem todos haviam saído, mas fiquei de boa, afinal, os que ficaram eram senhores de mais idade.
A fila começou a andar. Quando eu ainda tava um pouco atrás, um dos motoristas gritou “Aqui tem uma vaga no ônibus ainda! Tem alguém sozinho? Se tiver alguém sozinho pode passar a frente”. Eu me voluntariei e, quando eu vi o lugar que tinha para sentar… Rapaz… Parecia filme. Sentei do lado dos velhinhos que furaram. Deu até pena ver o tanto que eles tavam sem-graça, pois sabiam que tavam errados.
Esses aí nunca mais furam fila na vida.

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