Irã pós Revolução Islâmica – o país de Khomeini

Após a revolução, seguiu-se uma troca de escaramuças entre os grupos responsáveis pela deposição do xá, basicamente os comunistas e os religiosos islâmicos (liderados por um tal de um Aiatolá Khomeini). O Aiatolá era uma figura importante para a comunidade xiita do Irã e estava exilado no Iraque, pois para Saddam Hussein era interessante ter um fator de instabilidade contra o regime do Xá Pahlevi (sempre bom lembrar que a maioria dos muçulmanos se dividem entre sunitas e xiitas. Quer saber a diferença entre eles? Clique aqui e aqui).

Depois de um tempo, Khomeini foi expulso do Iraque e se exilou na França. Voltou para o Irã após a revolução. É algo óbvio para qualquer um que comunistas e religiosos são grupos totalmente antagônicos. Porém, os comunistas acreditavam que Khomeini iria se contentar apenas em ser um líder religioso da Revolução, já que ele nunca havia assumido nenhum cargo político e jurava de pé junto que iria ser sempre assim.

Foi o xá ser deposto, que Khomeini passou uma rasteira nos comunistas e assumiu como líder supremo do Irã. Seguiu-se outra troca de escaramuças, com assassinatos de ambos os lados, e no final Khomeini consolidou o seu poder. Sob a sua administração, o Irã se radicalizou, leis islâmicas foram implementadas e o Irã se transformou no país que é hoje.

Khomeini tinha uma retórica forte e uma proposta de expandir a revolução a outros países, o que preocupou os vizinhos, principalmente Síria e Iraque, que tinham uma forte presença de muçulmanos xiitas, como o Irã. Isso não iria acabar bem.

Aproveitando-se da instabilidade e dos expurgos dos oficiais das forças armadas que Khomeini estava realizando (que ele não confiava, já que haviam sido treinados pelo Ocidente), Saddam Hussein, nosso velho conhecido, viu uma oportunidade de ouro e tentou tomar na base da porrada a província mais rica em petróleo do Irã, o Cuzistão! CUZISTÃO!!! Mais conhecido como o c* do mundo! Deu-se início a Guerra Irã Iraque, uma das guerras mais longas do século XX!

De início, Saddam Hussein conseguiu alguns avanços, pois tinha um exército mais bem equipado e treinado. Porém, o Irã tinha uma população quatro vezes maior que o Iraque e se aproveitou disso. Khomeini criou o Exército Guardião da Revolução, os Basij, que atendiam o chamado dos imãs nas mesquitas e se voluntariavam aos milhares. Apesar de mal treinados e mal equipados, os Basij tiveram um papel importante na guerra. Acreditando fazer parte de uma Guerra Santa, eram jogados aos milhares para as linhas iraquianas em movimentos conhecidos como “ondas humanas” e morriam aos montes. Porém desarticulavam o Exército Iraquiano para o posterior ataque da Guarda Revolucionária Iraniana, mais bem equipada e treinada. Como a vida dos Basij valia muito pouco, eles foram inclusive utilizados para limpar campos minados. Acreditavam que se jogando ao martírio imitavam o gesto de Iman Hussein, uma importante figura religiosa do Xiismo Islâmico que também se martirizou pelos xiitas (assim como Jesus Cristo fez para os cristãos).

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Os Basij com Iman Houssein

A guerra se desenrolou por oito anos causando estragos humanitários e econômicos a ambas as nações. No final, não resultou em nenhuma alteração territorial e os dois países continuaram da forma como estavam. Só que com 1,5 milhão de vidas a menos.

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Perdas humanas dos dois lados. A diferença é que do lado dos iranianos onde se contam os mortos eles dizem “Mártires”, no iraquiano “matados”.

Porém, até hoje o Governo Iraniano tenta manter acesa essa lembrança para propaganda. Caminhando por todo o Irã é possível ver pinturas e fotos de vítimas, que eles chamam de mártires.

 

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Fotos de “mártires” que morreram na guerra Irã-Iraque lutando pelo Irã. Há VÁRIOS desses outdoors espalhados pelas cidades iranianas

Como herança para o Irã, ficou o estigma de país radical e desestabilizador, apesar de todos os seus vizinhos, Iraque, Síria, Afeganistão e Paquistão, estarem enfrentando guerras civis enquanto a última guerra do Irã foi a com o Iraque e nem foi uma guerra iniciada por eles.

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Fotos de crianças soldados são vistas por todo canto nos museus

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Todos os diversos povos que lutaram pelo Irã, não só os persas
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Imagem feita com MILHARES de cápsulas deflagradas de AK 47
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Apesar de não ter havido conquistas territoriais, os iranianos dizem que ganharam a guerra. Bem, eles expulsaram os invasores, não?
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Eles ODEIAM esse rapaz…

2 comentários em “Irã pós Revolução Islâmica – o país de Khomeini

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