Virei blog de destaque do WordPress!!!

Cara, é engraçado como as coisas vão acontecendo sem eu esperar.

Depois de sair na Revista Turismo & Viagem (a maior revista de turismo no Brasil) e também sair no Portal UOL, agora foi a hora do pessoal do WordPress entrar em contato comigo para saber se eu teria interesse em conceder uma entrevista a eles. Fui pego de surpresa por isso e estou muito feliz em saber que o blog está tendo algum tipo de audiência na internet. O número de seguidores no Facebook já tá bombando (mano, tou com mais de 2100 seguidores, se quiser conhecer, clique aqui) e o Instagram também (mais de 2700 seguidores, se quiser conhecer, clique aqui).

No blog do WordPress tem uma sessão chamada “blogs de destaque” onde eles separam alguns blogs do WordPress e entrevistam os blogueiros. Acho que a minha entrevista ficou muito legal. Coloquei a transcrição dela inteira abaixo, sem a edição que foi feita pelo WordPress, porém, caso queira vê-la editada e toda arrumada, clique aqui.

Segue a entrevista sem cortes:

1) Você começou escrevendo cartas para os seus pais, que viraram um blog que viraram livro. Você acredita que o exercício de escrever influencia na forma como você vive a experiência da viagem?

R – Sim, com certeza. Quando tento lembrar de viagens antigas minhas, não me recordo quase nada do que foi. Fico me perguntando “de que adianta viajar se eu não vou lembrar do que fiz depois?”. Por isso escrevo tanto, é uma forma de eternizar as experiências pelas quais passei. Os relatos no blog nada mais são do que meus diários de viagens.
E isso influencia minhas viagens porque quando acontece alguma coisa engraçada, eu sempre penso “caraca, isso vai dar uma bela história no blog!” ou então “rapaz, vou naquele lugar porque vai render uma boa história do blog”.
Tem até um relato onde eu pensava “se eu morrer hoje e aqui, quem vai postar essa história maluca no blog?”. O relato é esse aqui:

“…na hora eu deduzi o óbvio: “TÃO ASSALTANDO O HOTEL!!!”.

Em um primeiro momento eu fiquei mais angustiado que barata de cabeça pra baixo, mas depois lembrei dos conselhos do meu pai que numa situação de perigo você nunca deve entrar em pânico, logo, me acalmei e fiz o que tinha que ser feito: Corri pra dentro da recepção e me joguei embaixo da mesa!! 

O que? Cê achou que eu ia fazer o que?? “Não, em caso de assalto eu vou lutar bravamente para garantir que os ladrões não levem a grana e o patrimônio milionário do meu patrão seja mantido”?? Cê tá de sacanagem, né?? Eu tava era lá, tremendo que só cachorro na chuva, embaixo da mesa, pensando que se tudo não terminasse tão rápido, pelo menos virava uma história de blog (imagina se era um assalto mesmo?? Ixi, mas eu ia botar muita coisa na história, ia fazer era uns trinta blogs só sobre esse assalto, pô se eu já escrevo abobrinha por causa de nada, imagina uma história louca como essa?)….”

O post completo tá aqui:

https://omundonumamochila.com.br/2008/01/10/pra-nao-dizer-que-nao-falei-das-presepadas/

2) Você planeja publicar outros livros contando coletâneas de suas viagens, talvez com os melhores trechos do blog ou coisa parecida?

R – Sim. Infelizmente, na internet, com o grande afluxo de informações, as pessoas não têm muita paciência para ler posts grandes, apesar de engraçados e interessantes como os que escrevo. Hoje em dia, tudo que já tem mais de 140 caracteres de um tweet, já é suficiente para as pessoas perderem o interesse. E é impossível fazer um post sobre um país, analisando cultura, contando presepadas, descrevendo o lugar, sem fazer de forma aprofundada.
Acho que leitores de livros tem mais interesses a escritas mais aprofundadas.
Minha ideia é republicar meus diários em livros 10 anos depois de ocorrida a viagem, separando os melhores trechos e, principalmente, fazendo comentários de como era engraçado e difícil viajar com tecnologias de 10 anos atrás (já parou para pensar que há 10 anos não existiam smartphones, sequer google maps?)

3) Como você escolhe os seus roteiros? Tenho a impressão de que você viaja para lugares aparentemente perigosos, quais os cuidados que você tem no seu planejamento de viagem?

R – Os roteiros eu escolho geralmente me perguntando “Pouca gente vai nesse país?”, “Tenho algum amigo morando lá?”, “Lá é seguro?”, “Lá vai render histórias interessantes?”. Se sim, é só planejar as rotas e cair no mundo. Quando alguém vem e te pergunta para qual país você viajou e você responde “Estados Unidos”, geralmente a pessoa manda um “ah que legal”. Agora, quando você fala que acabou de chegar do Irã ou da Coréia do Norte, por exemplo, os olhos da pessoa se arregalam e ela começa a te perguntar “eita! O que tem lá? Como foi? Você não sente medo? Não é perigoso?”. Isso é muito legal.

Qual a graça de viajar para um lugar que todo mundo vai? Que você já sabe perfeitamente tudo que vai encontrar lá? O legal da viagem é a descoberta!
E, sim, viajo muito por lugares perigosos. Viajo bastante pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Maranhão, Pernambuco e outros Estados brasileiros com as maiores taxas de homicídio do mundo. Os países os quais viajo costumam ser diferentes, mas andar na rua neles é bem seguro. Nunca me senti inseguro viajando na Coreia do Norte, Cuba, Síria (fui antes da guerra civil), Irã, Israel, Palestina… mas me sinto muito inseguro andando pelas ruas no Brasil.
Sobre o planejamento, é muita pesquisa na internet, principalmente wikitravel e fóruns de viajantes. Pelo couchsurfing.org e facebook.com costumo mandar mensagem para as pessoas que moram no local pedindo dicas de lugares para visitar e de como me portar nos países. Ninguém melhor do que quem mora no local para me ajudar com dicas =)

4) Como as ferramentas digitais te ajudam a viajar hoje, você recomenda algum “kit” de aplicativos ou sites para o viajante digital?

R – Éguas. Vamos lá:
1 – Procurar lugar para ficar em ordem de preferência: Couchsurfing.org, Airbnb.com e, em último caso, hostelworld.com e booking.com
2 – Pesquisa sobre os lugares que vou viajar: Wikitravel.org, Mochileiros.com, Tripadvisor.com e Fórum do Lonely Planet
3 – Buscador de voos e planejamento de rotas: Google Flights
4 – Organizador de viagens: worldmate.com e google trips
5 – Para carona compartilhada: blablacar.com
6 – Para baixar mapas off-line: Google maps e Maps.me do Google
7 – Para organizar seus programas de milhas: Oktoplus
8 – Para se distrair durante os voos: Palestras do TED baixadas off-line por meio do aplicativo deles

Sempre bom também ter um bom cartão de crédito que te dê acesso a salas vip de aeroportos do mundo inteiro, assim é tranquilo ficar seis, sete horas aguardando no aeroporto dentro de uma sala com ar condicionado e comida a vontade. Uso o Diners Club, ele me dá acesso a centenas de salas VIP de aeroportos do mundo inteiro sem cobrar nada a mais por isso. Porém cobra 60 reais para usar as do Brasil (apesar de não cobrar pelas internacionais) e não ter me dado isenção da anuidade ¬¬

5) Como você decidiu usar o WordPress.com?

R – Eu sempre fui meio frustrado de ter um conteúdo de escrita instrutivo e profissional e um layout do blog que parecia que foi desenhado por crianças do jardim de infância. Até que um dia vi um blog de uma amiga que parecia ter um aspecto super profissional, mesmo eu sabendo que ela não entendia bulhufas de layout, html, blogs… Foi aí que vi que o blog dela era hospedado no wordpress.com e pensei “por que não?”. Rapaz, curti demais os layouts que havia no wordpress, como tudo parecia tão profissional e bem feito. Curto também os chats online com o suporte (que tem atendentes que falam português!) que me ajudam DEMAIS a arrumar problemas no blog. Não me arrependo de ter migrado para o wordpress.com

6) Qual o impacto que o blog teve na sua trajetória pessoal e profissional?

R – Rapaz, antes eu pensava que escrever um blog não ia ter impacto algum na minha vida profissional . “Pô, o que escrever sobre viagens tem a ver com trabalho?”. Porém, hoje vejo que tenho uma habilidade muito maior para escrever. Escrevo bem e de forma ágil, fruto de 10 anos de treinamento de escrita tanto em livros, quanto em relatos de viagens. Geralmente sou o mais acionado do meu setor quando é necessário escrever algo.
Já na trajetória pessoal, o impacto é enorme. Na verdade, eu vivo para as minhas viagens. Quando não estou viajando, estou escrevendo sobre viagens e/ou planejando novas viagens. Então, meio que viajo os 365 dias no ano. É o que me mantém vivo e feliz. O Lemann, homem mais rico do Brasil e sócio majoritário do 3G Capital e da Ambev, costuma dizer que todo mundo tem que ter um sonho grande. O dele era ser bilionário, o meu é viajar o mundo inteiro. Cá entre nós, o meu é muito mais legal, né?

7) Como é o seu relacionamento com os leitores? Vi que você usa muito as redes sociais, principalmente Facebook e Instagram.

R – Tento utilizar o máximo possível as redes sociais, mas as que mais utilizo são o Facebook e o Instagram, além do wordpress.com. Quando publiquei o livro “O Mundo numa Mochila: Presepadas e agruras na Austrália, África do Sul e Ilhas Fiji de um mochileiro com muita vontade de conhecer o mundo, porém com quase nada na carteira” achei que a maioria da galera que iria comprar ia ser só os meus amigos próximos. Mais na camaradagem mesmo. Cara, fiquei impressionado, mais de 90% das minhas vendas ocorreram por meio de Facebook e Instagram, sendo que a maioria foram de pessoas que eu nunca conheci na vida. Conheceram meu blog e meu trabalho pela internet mesmo. Isso é muito gratificante, ainda mais que desempenho uma atividade ingrata, sou um escritor de livros em um país onde ninguém lê. É mais ou menos como um vendedor de geladeiras no Polo Norte.

Ah sim, meus amigos mais próximos não compraram nem por camaradagem. Só queriam o livro se fosse de graça ¬¬

8) Que conselho você daria para quem está pensando em publicar conteúdo na internet ou escrever um livro?

R – Cara, é uma vida ingrata. Conforme falei, é difícil ser escritor em um país onde ninguém lê. Mas, nessas horas lembro do Rocky Balboa do Stallone quando perguntavam porque ele lutava e ele respondia: “Por que não sei nem dançar nem cantar”. A minha resposta é a mesma quando me perguntam porque escrevo, não sei dançar nem cantar. Porém, quando eu recebo comentários como “Claudiomar, fazia anos que eu não lia um livro. Confesso que comprei o seu só para te ajudar (?!?!), mas depois que eu comecei, cara, li em menos de uma semana!!” ou “– Claudiomar, eu comprei o livro e deixei aqui no quarto para poder ir lendo aos poucos. Meu pai achou ele, pegou, começou a ler e não me deixou tocar o livro enquanto ele não terminasse!” ou “– Claudiomar, meu primo tinha comprado um livro e quando fui passar um tempo na casa dele, peguei e comecei a ler. Rapaz, não consegui parar e nem terminar a tempo! Agora vou ter que comprar um, já que não terminei a leitura e ele não quer me emprestar de jeito nenhum!” são as horas que penso que ser escritor, desculpe o clichê, não tem preço.
Inclusive a minha história preferida de livros é essa aqui:
https://omundonumamochila.com.br/2015/04/28/historias-de-um-vendedor-de-livros/
Então, saiba que escritor tem uma vida mais difícil que fazer gargarejo de bruços, mas no final é gratificante. Escreva, escreva, escreva, como qualquer coisa na vida, escrita é treino. E, conforme falei, isso acaba resvalando na sua vida profissional.

9) Tem alguma outra coisa que você gostaria de compartilhar que não está incluso nas perguntas acima?

R – Pô, leiam o blog, leiam livros, leiam o meu livro, leiam o que for. Menos Facebook e mais livros. Sei que pareço um velho falando, mas é a mensagem =)
E viajem! Mas sempre viajem com o pé no chão lembrando que nem toda loucura é genial e nem toda lucidez é velha, além de que melhor do que viver viajando é ter sempre um motivo para voltar e não uma vida para fugir. Viajar é viver! Lembro sempre do Quintana que dizia “Morrer: Que me importa? O diabo é deixar de viver” o que o Chaves mais sabiamente traduziu no “Prefiro morrer do que perder a vida!”.
Ah sim, e parem de ficar falando bobeira do Brasil. Já viajei 65 países, morando em 4 deles, e vi que viver na gringolândia não é tão legal quanto você imagina. Pare de ficar falando “Só no Brasil acontece isso” a não ser que já tenha viajado a todos os países do mundo. Com base nas viagens que já fiz, sempre digo, da Suécia à Índia, da Suíça ao Camboja, as pessoas sempre reclamam do governo. Aqui não é essa várzea toda não!
“Seu guri não fugiu/Só quis saber como é/Qual é/Perna no mundo sumiu/E hoje/Depois de tantas batalhas/A lama dos sapatos/É a medalha/Que ele tem pra mostrar” – Com a perna no mundo, Gonzaguinha.

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