Turismo em Malé, capital das Maldivas

Diria que 99% dos turistas que viajam às Maldivas só passam em Malé devido ao aeroporto. Na verdade, grande parte deles nem isso, já que geralmente os resorts já mandam um iate buscar os hóspedes na ilha do aeroporto e depois te deixam de volta, ou seja, ninguém nem passa por Malé.

Tudo bem, já viajei por diversos países-arquipélagos que viviam do turismo. Porém, Malé foi a primeira capital, de um país turístico, que não é turística de FORMA ALGUMA. Mano, tudo bem, você não espera que a capital tenha diversas atrações, mas Malé não tem atração ALGUMA a não ser atravessar pela primeira vez uma ponta a outra uma cidade de 100.000 habitantes (dá um caminhadinha de 2km) e capital de um país. Nem em Andorra era tão simples assim.

Desci na cidade, fui lá dar uma banda, atravessei e depois pensei “Bom, agora é só encontrar uma agência de turismo e marcar uns passeios nas ilhas mais próximas”. QUEM DISSE que eu encontrava? Mano, simplesmente parece que não existe agência de turismo ALGUMA na cidade inteira. Essa atravessada de uma ponta a outra da ilha fiz e refiz umas vinte vezes e nada de eu achar uma agência. Imaginava que eu ia sair na rua e ia ter um bando de gente gritando para eu comprar coisas, querendo me colocar dentro das lojas delas (o que sempre acontece em cidades turísticas). Mas quem disse? Naaaadda! As agências de turismo que eu achava eram só para comprar passagens aéreas e pacotes de viagem para fora das Maldivas (ou seja, para os locais viajarem) e nenhuma para marcar um passeio de barco que fosse. Acabou que o São Google me ajudou e eu conseguir achar uma agência onde marquei um mergulho para o outro dia (nessa agência inclusive conheci uma austríaca que falava português. Ela morou 8 anos no Rio de Janeiro quando foi casada com um brasileiro). A agência era Maldives Dive Shop e sugiro a qualquer brasileiro perdido que passe por lá, os caras são muito gente boa e também marcam passeios sem cilindro de oxigênio.

COMO É A VIDA NAS MALDIVAS? COMO VIVEM AS PESSOAS QUE MORAM LÁ?

Primeira coisa a se entender. As Maldivas são um país muçulmano e isso é bem claro na vida da população. Virtualmente quase todas as mulheres que andavam nas ruas usavam o véu cobrindo a cabeça. Se você chega ao aeroporto com bebidas alcoólicas na mochila (compradas em um free shop no caminho, por exemplo), eles retiram a sua cana, guardam em um compartimento do aeroporto (mesmo se você for aos resorts) e te entregam quando você vai embora. Porém, nos resorts você bebe até morrer que não tem problema, principalmente os all inclusive. Em Malé não é possível encontrar bebida alcóolica que não as contrabandeadas, a não ser em um hotel específico que fica na ilha do aeroporto. Conversando com os locais sobre drogas, eles me disseram que você encontra facilmente. Se você for pego traficando, leva prisão perpétua, porém não tem pena de morte. Fiquei curioso. Como em um lugar diminuto como aquele, impossível de se esconder, é possível alguém traficar drogas sem conhecimento da polícia? Segundo os locais, os traficantes têm acordos com o Governo. Se um gringo é pego usando alguma droga, ele só é expulso do país, mas se for um local, a coisa pode ficar bem mais séria. Se você for pego com bebida alcoólica, leva só 24 horas de cana.

Assim, existe esse cerco todo sobre álcool para os locais. Beber é feio, mas fumar é tudo bem. Então, cara, em Malé parece que tem uma névoa do tanto que os caras fumam o DIA INTEIRO. Sério, fumam mais que caipora!

O povo lá parece viver no veneno. Conforme já disse, o país vive sob uma ditadura miserável que tolhe os direitos individuais, pilha o Estado e censura a imprensa.  Para se ter uma ideia, eu estava em um restaurante comendo em uma área de “não-fumantes”. É óbvio que eu estava quase sozinho, pois todo mundo comia na zona de fumantes, já que, como disse, os maldivos fumam mais que uma caipora.

Daí entram quatro caras no restaurante, em uma mesa do lado da minha e começam fumar. Mas, assim, como não querem nada. Chamei o garçom e perguntei se, assim, né, eles poderiam pedir para os caras serem um pouco menos FILHOS DA PUTA e pararem de fumar em uma zona de não-fumantes. O garçom, um indiano, veio todo sem jeito me pedir desculpas dizendo que não poderia fazer nada, já que eles “eram do governo” e podiam fazer o que queriam. Mesmo que o gerente do restaurante fosse pedir que eles parassem de fumar, eles iriam ignorar e ainda poderia sobrar para o indiano, que poderia ser deportado. Só me restou ir para uma mesa afastada.

Porém, ainda assim a vida lá parece ser melhor do que outros países da região, haja vista que por todo canto havia imigrantes do Sri Lanka, Índia, Paquistão, Indonésia… trabalhando em restaurantes e inclusive havia uma fila no aeroporto separada só para quem viajava de visto de trabalho! Primeira vez que vi isso em um aeroporto!

E O TSUNAMI, COMO FOI?

Por último, me restou uma curiosidade. E como ficou as Maldivas durante o tsunami? Se houve países que quase foram destruídos, como ficou uma ilhota com altura máxima de um metro acima do mar? Os locais me explicaram que não houve ondas gigantescas como em outros países, o máximo que ocorreu foi que o nível do mar subiu absurdamente de uma hora para outra, coisa de cinco metros. Inundou a cidade inteira e momentos depois já esvaziou novamente. A sorte foi que isso ocorreu durante a manhã, quando todos já estavam fora de casa, de forma que houve pouquíssimas mortes devido ao tsunami.

PAIXÃO PELO FUTEBOL NAS MALDIVAS

Por último, uma das coisas que mais impressionou nas Maldivas é o tanto que eles são apaixonados por futebol (além do “cardume” de arraias jamantas e tubarões que passou por cima da minha cabeça quando eu mergulhava, mas isso é para outro post). Explico. Maldivas está cercada por países que são simplesmente apaixonados por críquete, como Índia, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka e que não dão a mínima para o futebol. Pense que Índia e Paquistão, juntos, tem mais de 1,5 bilhão de pessoas e eu não lembro de ver um dos dois na Copa do Mundo. Como grande parte dos imigrantes vem desses países, imaginava que eles também seriam apaixonados por críquete. Mas que nada! Andando pela ilha, você só vê pessoas jogando futebol, um ou outro por ali jogando vôlei. São quadras e quadras de futebol por todos os cantos. Fiquei surpreso com o quanto eles gostam da gente e o quanto você vê bandeiras do Brasil pintadas pelas ruas de Malé.

Maldivas são ilhas isoladas não só geograficamente, como também culturalmente.20170920_185708

Como é possível ver na foto acima, eles inclusive têm uma imagem de um jogador de futebol impressa em notas de dinheiro. Nem o Brasil ou a Argentina nunca foram tão longe em sua paixão futebolística.20170919_09373220170919_09462020170921_102036

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Criançada se preparando para aprender a nadar em uma piscina criada no meio do mar. É óbvio que em Malé não há espaço para se fazer piscinas

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Parte rica da cidade

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As pessoas meio que vivem umas por cima das outras

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