Viagem a Saint Maarten – Como um voo cancelado me deu um país de presente

Bem, esse lugar nem estava nos meus planos imediatos. Não por agora, pelo menos. Eu sempre tive vontade de visitar Saint Maarten por causa de uma das praias mais famosas do mundo: Maho Beach.

O motivo da fama é simples e ao mesmo tempo completamente absurdo. A praia fica literalmente colada ao aeroporto. Não é figura de linguagem. A pista termina praticamente na areia, então os aviões passam tão baixo sobre a cabeça das pessoas que parece que vão pousar dentro do mar.

E não estou falando de teco-tecos ou aviões pequenos. Estou falando de gigantes dos céus: Boeing, Airbus, jatos enormes carregados de passageiros, cruzando o céu a poucos metros da praia. Você está ali deitado na areia, curtindo o mar do Caribe, quando de repente escuta um rugido ensurdecedor vindo atrás de você. Aí olha para cima e vê uma muralha de metal atravessando o céu.

Primeiro vem o barulho. Depois, o vento quente das turbinas. E então aquela sensação estranha de que um avião daquele tamanho simplesmente não deveria estar voando tão perto da sua cabeça.

É uma experiência completamente surreal. E, justamente por isso, acabou entrando na minha lista de lugares que eu precisava conhecer um dia.

Meu vôo foi cancelado e acordei em outro país

A verdade é que Saint Maarten nem fazia parte dos meus planos.

O roteiro original era simples: sair de Barbados e seguir para Dominica. Nada muito complicado. Eu já tinha chegado em Barbados, sobrevivido a uma experiência que chegou perigosamente perto de uma tentativa involuntária de homicídio cometida pelo motorista da van que me levou ao aeroporto, e agora bastava embarcar.

Ou pelo menos era o que eu pensava.

Quando fui imprimir o cartão de embarque, a máquina simplesmente deu erro. Na hora já bateu aquela sensação de que vinha problema pela frente. E vinha mesmo.

A companhia aérea tinha cancelado o meu voo.

Até aí já era ruim. O problema é que não existia outro voo para Dominica naquele dia. A solução encontrada pela companhia foi digna de alguém que resolveu um quebra-cabeça usando um martelo: me mandar para outro país.

Me mandar para Saint Maarten.

E só no dia seguinte me mandar para Dominica.

Eu cheguei ao aeroporto por volta das três da tarde para um voo previsto para as seis. Agora, em vez de ir para Dominica, eu embarcaria para Saint Maarten às 21h40. E Dominica? Só no dia seguinte, às cinco da tarde.

Inicialmente fiquei irritado. Mas fazer o quê? Eu estava no Caribe, não no Brasil. Não adiantava reclamar para gerente, abrir chamado no Reclame Aqui ou ligar para o Xandão.

O jeito era esperar para ver no que aquilo ia dar.

Maho Beach

Naquele momento começaram a surgir várias dúvidas existenciais. Onde eu iria dormir? Como eu sairia do aeroporto? Existia Uber na ilha? Quanto custaria um hotel? Será que eu conseguiria pagar um rim e ainda ficar com o outro? No céu tem pão? E, mais importante, quem foi o gênio que decidiu que uma das ilhas mais caras do Caribe seria justamente o lugar para onde eu seria despachado sem aviso prévio?

Porque Saint Maarten tem essa fama. E com razão. O Caribe já não é exatamente um destino econômico. Saint Maarten consegue ser cara até pelos padrões caribenhos.

No fim das contas, eu não tinha muitas opções. Poderia armar um barraco, correr pelado e gritando pelo aeroporto, ser preso e encerrar a viagem ali mesmo. Ou poderia aceitar que às vezes a vida resolve brincar com o seu roteiro e seguir em frente.

Escolhi a segunda alternativa. Fiquei vestido. E esperei meu voo.

Ironicamente, o voo para Saint Maarten saiu exatamente às 21h40, sem atrasos.

Acho que foi a primeira vez na história que um voo no Caribe realmente decolou no horário marcado.

Quando um voo cancelado acaba virando um upgrade de viagem

Então eu já estava começando a me conformar com a situação.

Pensando friamente, não era o pior desastre do mundo. Eu ainda iria para Dominica no dia seguinte e, de quebra, ganharia uma parada inesperada em Saint Maarten, um lugar que eu sempre tive vontade de conhecer. Claro que não estava nos planos para aquele momento, mas também não era exatamente um castigo.

Foi aí que a situação começou a melhorar.

Quando desembarcamos em Saint Maarten, tinha uma funcionária da companhia aérea esperando na área de desembarque.

— Claudiomar?

— Sou eu.

— Aqui está o seu voucher de hotel. Aqui está o voucher do café da manhã. E aqui está o voucher do almoço de amanhã.

Rapaz…

Naquele instante eu passei de passageiro revoltado para garoto-propaganda da companhia aérea. Winair eu te amo!

Quer dizer então que eu tinha acabado de ganhar um país novo, uma diária de hotel, café da manhã, almoço e transporte? Aquele cancelamento de voo estava começando a ficar cada vez mais interessante.

Eu até estava preparado para o pior. Ainda no aeroporto de Barbados eu já pesquisava hotéis em Saint Maarten porque tinha certeza de que a companhia iria simplesmente me largar na ilha e desejar boa sorte. E olha… os preços não eram exatamente amigáveis.

Tinha cada espelunca custando mil reais a diária que me fez questionar se o quarto vinha acompanhado de uma participação acionária no hotel.

Mas não.

O hotel que me deram era perfeitamente decente. Nada de resort cinco estrelas, mas exatamente o tipo de lugar que eu provavelmente escolheria por conta própria. Limpo, confortável e perto do aeroporto.

E, sinceramente, eu já estava satisfeito só pelo fato de não precisar discutir com ninguém. Porque, convenhamos, se eles simplesmente me largassem na ilha sem hotel, o que eu faria? Entraria com uma ação no Juizado Especial Cível de Saint Maarten? Nem eu sabia onde Saint Maarten ficava no mapa até poucos meses antes. Imagina onde fica o Juizado de Pequenas Causas.

Quanto mais eu pensava na história, mais desconfiado eu ficava de que aquele voo para Dominica tinha sido cancelado porque simplesmente não tinha gente suficiente.

No grupo dos “deportados involuntários para Saint Maarten” éramos quatro pessoas: eu, duas moças de Dominica e uma chinesa.

Só.

Quatro passageiros.

Olha… não tenho provas, mas também não tenho dúvidas.

O táxi para o hotel, obviamente, também foi pago pela companhia aérea.

Depois fiquei refletindo sobre outro detalhe curioso.

Tudo bem, eu tinha autorização para entrar em Saint Maarten. Mas a ilha faz parte do Reino dos Países Baixos. Na prática, eu estava entrando em território europeu. Nem todo mundo tem visto para a Europa como nós brasileiros temos.

A chinesa que estava conosco, por exemplo, tinha passaporte diplomático, então não precisava de visto. Mas e se precisasse?

Fui pesquisar e descobri que existe uma solução extremamente sofisticada para esse problema.

A pessoa não entra.

Simples assim.

Há uma área específica do aeroporto para passageiros nessa situação. Eles ficam lá aguardando até surgir um voo que os leve embora. É praticamente uma sala de espera para quem foi parar no país errado por acidente.

Felizmente ninguém do nosso grupo precisou descobrir na prática como isso funciona.

No fim das contas, aquilo que começou como um problema virou um dos melhores negócios da viagem.

Ganhei uma visita inesperada a Saint Maarten, uma diária de hotel, refeições, transporte e ainda mantive meu voo para Dominica no dia seguinte.

Para não dizer que não gastei nada, durante todo o tempo que passei na ilha, meus gastos pessoais somaram exatamente 17 dólares: quinze em um táxi na volta da praia e dois em duas garrafas de água.

Para um dos lugares mais caros do Caribe, foi provavelmente a viagem mais próxima de um all inclusive que eu já fiz na vida.

E tudo começou porque uma companhia aérea decidiu cancelar meu voo.

Uma ilha, dois países e nenhuma fronteira

Saint Maarten é uma das ilhas mais curiosas do Caribe porque pertence a dois países diferentes ao mesmo tempo. A parte sul, chamada Sint Maarten, faz parte do Reino dos Países Baixos e possui autonomia semelhante à de um país dentro do reino holandês. Já a parte norte, Saint-Martin, é um território ultramarino da França e, portanto, parte integrante da República Francesa e da União Europeia. A divisão remonta ao século XVII, quando franceses e holandeses disputavam o controle da ilha. Em 1648, após alguns conflitos e negociações, foi assinado o Tratado de Concórdia, que definiu a fronteira entre os dois lados. Desde então, a ilha permaneceu dividida, tornando-se uma das menores massas de terra do mundo compartilhadas por dois países.

O mais curioso é que, apesar da fronteira internacional existir oficialmente, na prática ela quase não é percebida. Não há postos de imigração, muros ou barreiras físicas separando os dois lados. Em muitos pontos, a única indicação de que você mudou de país é uma placa na beira da estrada. Os moradores atravessam a fronteira diariamente para trabalhar, estudar, fazer compras ou visitar familiares. É perfeitamente comum morar no lado francês e trabalhar no lado holandês, ou vice-versa. Para os habitantes locais, a ilha funciona muito mais como uma única comunidade do que como dois territórios distintos.

Existe até uma certa rivalidade amistosa entre os dois lados. De maneira geral, o lado francês costuma ser visto como mais tranquilo, residencial e com um estilo de vida um pouco mais relaxado. Já o lado holandês concentra a maior parte dos cassinos, dos navios de cruzeiro, das lojas duty free e da vida noturna. Muitos moradores preferem viver no lado francês, que costuma ser ligeiramente mais organizado e, em algumas áreas, mais barato para moradia. Por outro lado, boa parte dos empregos ligados ao turismo está concentrada no lado holandês, o que faz muita gente cruzar a fronteira diariamente para trabalhar.

Outra curiosidade é a questão do dinheiro. Oficialmente, o lado francês utiliza o euro e o lado holandês possui sua própria moeda, o florim das Antilhas Holandesas. Na prática, porém, quase ninguém parece se importar muito com isso. O dólar americano domina a economia da ilha inteira. Hotéis, restaurantes, táxis, lojas e passeios turísticos normalmente anunciam seus preços em dólares, mesmo do lado francês. O euro também é amplamente aceito, mas o dólar é, de longe, a moeda que realmente faz a ilha funcionar.

A vida em Saint Martin gira principalmente em torno do turismo. Hotéis, restaurantes, cassinos, lojas duty free e atividades ligadas ao mar empregam grande parte da população. Ao mesmo tempo, a ilha enfrenta desafios típicos de muitos destinos caribenhos: custo de vida elevado, forte dependência do turismo e vulnerabilidade a furacões, como ficou evidente em 2017, quando o Furacão Irma causou destruição generalizada. Ainda assim, muitos moradores valorizam a qualidade de vida oferecida pelo clima tropical, pelas praias e pelo ambiente multicultural. Em uma mesma rua é comum ouvir inglês, francês, holandês, espanhol e crioulo caribenho, refletindo a mistura de povos que ajudou a moldar a identidade única da ilha.

Maho Beach, a praia onde os aviões quase batem na sua cabeça

Se você nunca ouviu falar de Saint Maarten, existe uma boa chance de já ter visto uma foto de Maho Beach sem saber onde ela fica. A praia se tornou famosa no mundo inteiro por um motivo bastante simples: ela fica literalmente ao lado da pista do principal aeroporto da ilha. Como o terreno é limitado, os aviões precisam passar extremamente baixo sobre a praia durante a aproximação para o pouso. Dependendo do modelo da aeronave, a distância entre as rodas do avião e a cabeça dos turistas pode parecer assustadoramente pequena. O resultado é uma cena que parece saída de um filme: centenas de pessoas na areia olhando para o céu enquanto enormes jatos comerciais passam rugindo poucos metros acima delas.

Os bares trazem os horários de chegada de cada voo

A fama de Maho Beach cresceu com a internet e as redes sociais. Vídeos de turistas sendo surpreendidos pelo barulho ensurdecedor das turbinas e pelo deslocamento de ar dos aviões viralizaram diversas vezes ao longo dos anos. Hoje, muita gente visita Saint Maarten especificamente para passar algumas horas naquela faixa de areia observando pousos e decolagens. Existem até aplicativos e sites que mostram os horários previstos dos voos para que os visitantes possam se posicionar na praia quando os maiores aviões estiverem chegando. Afinal, não é todo dia que você tem a oportunidade de tomar banho de mar enquanto um Boeing ou um Airbus passa praticamente sobre a sua cabeça. Sim, eu iria aproveitar a oportunidade e conhecer uma das praias mais famosas do mundo

Aí cê compra a bebida e fica vendo de dentro do bar os pousos

E lá vamos nós conhecer a praia do aeroporto

Chegamos ao hotel por volta de uma da manhã e, no dia seguinte, eu precisava estar de volta ao aeroporto às duas da tarde para embarcar rumo a Dominica. Ou seja, o plano era simples: dormir algumas horas, tomar café da manhã, largar as malas na recepção e aproveitar ao máximo aquela visita inesperada a Saint Maarten.

A praia de Maho ficava relativamente perto do hotel. Eu tinha duas opções. A primeira era pegar um táxi e chegar lá em poucos minutos. A segunda era caminhar cerca de uma hora e meia debaixo do sol caribenho. Como você já deve imaginar, escolhi a opção menos inteligente e mais divertida.

Mas havia uma lógica por trás da minha aparente falta de bom senso. Se eu pegasse um táxi, veria apenas o hotel e a praia. Caminhando, eu poderia conhecer um pouco da ilha pelo caminho, observar as ruas, os bairros, os restaurantes, os mercados e tentar entender como era a vida naquele pedaço do Caribe. Afinal, quando é que eu voltaria para Saint Maarten? Talvez nunca.

Então acordei cedo, tomei meu café da manhã e coloquei o pé na estrada. O voo para Dominica sairia apenas às cinco da tarde, então havia tempo de sobra para a aventura. O calor estava daqueles que fazem a pessoa suar mais que tampa de marmita. A cidade me pareceu muito parecida com outras ilhas caribenhas que já visitei: ruas movimentadas, lojas voltadas para turistas, muitas placas em inglês e uma quantidade impressionante de carros para uma ilha tão pequena.

Quando finalmente cheguei a Maho Beach, entendi por que aquele lugar se tornou tão famoso. Os aviões realmente passam absurdamente perto da praia. E quando digo perto, quero dizer perto o suficiente para fazer você questionar se o piloto tem certeza do que está fazendo.

Outra cena curiosa era a quantidade de pessoas aglomeradas junto à cerca que separa a praia da pista do aeroporto. Alguns turistas ficam segurando na grade durante as decolagens para sentir a força das turbinas dos aviões. A ideia parece divertida até você lembrar que está tentando resistir ao empuxo gerado por motores projetados para mover centenas de toneladas pelos céus. Existem vários relatos de pessoas machucadas ao longo dos anos, e as autoridades locais colocaram placas alertando para o perigo. Então fica o registro: parece engraçado nos vídeos da internet, mas é uma das raras situações em que eu recomendo fortemente não imitar o que os outros turistas estão fazendo.

Lá vem ele!!!

Eu, pessoalmente, preferi ficar na areia observando o espetáculo. Já era emoção suficiente ter sido despachado para outro país por causa de um voo cancelado. Não havia necessidade de terminar a viagem sendo lançado contra um muro por uma turbina de Boeing. E, assim, teve uma hora que um avião foi levantar voo e, cara, eu quase saí rolando areia abaixo. Imagina se eu tivesse segurado em grade.

A primeira coisa que me chamou a atenção em Saint Marteen foi o trânsito. Cara, eu não vi uma pista dupla por onde eu estava. Pior que Barbados era assim também. Parece que não tem muito espaço plano para sair construindo ruas, então constroem o que dá. Então, assim, qualquer táxi que parasse para desembarcar alguém, qualquer van que parasse para pegar alguém, simplesmente parava a fila inteira e tá feito o engarrafamento. 

Galera em peso esperando os aviões

Mas, assim, cidade normal do Caribe, poucos prédios, muitos resorts e muito gringo andando nas ruas perto da praia. E, assim, ilha calma e segura. Lembro de um cara que eu conheci na República Dominicana que tinha sido adotado por um nacional de Saint Marteen e acabou crescendo lá. Ele tinha cidadania e tudo. Perguntei para ele pq ele não morava em Saint Marteen, já que ele tinha cidadania. Ele me falou que era policial na ilha e simplesmente pediu para ir embora porque lá era muito chato ser policial. Simplesmente não acontecia nada e você ficava o dia inteiro sem ter o que fazer. Daí você tira como era o lugar.

Outra coisa que me chamou a atenção é o tanto de árabe que tem por lá. Chama a atenção mesmo. Foi de longe a ilha do Caribe que eu mais vi árabes nas ruas e em lojas. O dono do hotel que eu fiquei hospedado era inclusive árabe também.

Hora de ir embora

Fiquei algumas horas ali vendo os aviões pousarem, filmando, tirando fotos e me divertindo como uma criança que acabou de descobrir que máquinas de centenas de toneladas conseguem voar. A cada pouso eu pensava: “beleza, agora chega”. Aí aparecia outro avião no horizonte e eu ficava mais um pouco.

Teve vento, teve areia voando para todo lado, teve momentos em que eu quase rolei barranco abaixo tentando encontrar um ângulo melhor para filmar e teve muito calor também. Mas, sinceramente, valeu cada minuto. Maho Beach é uma daquelas atrações que parecem meio bobas quando alguém descreve, mas que fazem muito mais sentido quando você está lá vendo tudo acontecer ao vivo.

No fim das contas, aquele voo cancelado acabou me dando uma experiência que eu provavelmente não teria tão cedo. Saint Maarten era um destino que estava na minha lista, mas não para agora. E, graças a uma combinação de logística duvidosa, planejamento criativo de companhia aérea e um pouco de sorte, eu consegui conhecer a ilha sem gastar praticamente nada.

Quando vi a hora passando, voltei correndo para o hotel, peguei minhas coisas, entrei no táxi pago pela companhia aérea e segui de volta para o aeroporto. Minha passagem inesperada por Saint Maarten estava chegando ao fim.

Mas a viagem continuava.

O próximo destino era Dominica. E, como eu descobriria em breve, as aventuras no Caribe estavam apenas começando.

Tchau, Saint Maarten

Gostou do post? Então veja nossos vídeos no nosso canal http://www.youtube.com/@omundonumamochila

Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!

Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog

Deixe um comentário