CAPOEIRA EM CHISINAU, CAPITAL DA MOLDÁVIA

Na Moldávia eu já sabia que existia capoeira. No relato que fiz sobre a Romênia, eu já citava que o instrutor Minhoca (clique aqui para conferir a história) já havia me falado que tinha parceria com uma escola de lá. Então foi fácil, entrei em contato com o Minhoca que me passou o link do professor Serginho, moldavo que ministrava aulas de capoeira em Chisinau.

Quando encontrei com Serginho, comecei a ouvir a história dele. Serginho, durante muito tempo treinou ginástica olímpica e outras artes marciais também. Porém, ele nunca se achou em nenhuma arte marcial em específico sempre mudando e tentando outras. Até que um dia,  assim como Igor da Ucrânia (confira na história aqui), conheceu a capoeira por meio do filme “Only the Strong” (que foi traduzido para Esporte Sangrento em português) e se apaixonou pela arte. Também ficou que nem um doido procurando alguém que também desse aulas de capoeira até que conheceu o Mikail, moldavo que havia morado em Moscou e conhecido a capoeira por lá. Como ele estava em ótima forma física e já tinha formação em ginástica olímpica, acabou que pegou bem rápido as acrobacias e principais golpes de capoeira e depois de seis meses já estava craque.

Como Mikail trabalhava para uma multinacional, ele precisou sair da Moldávia e deixou a escola aos cuidados do Serginho que assim dá aula há 15 anos em Chisinau.

A capoeira hoje não é a principal atividade de Serginho, ele tem duas graduações, uma em agronomia e outra em filologia, portanto ele ganha a vida parte prestando consultorias para o governo moldavo, parte como tradutor do italiano, portanto a capoeira é algo complementar. Na verdade, na verdade, segundo ele mesmo me disse, a capoeira é mais diversão mesmo, já que dificilmente ele aufere renda dela, na verdade, na maior parte do tempo a academia é deficitária e ele precisa bancar do próprio bolso alguns custos. Inclusive a própria academia onde eles treinam foi reformada com ajuda dos próprios alunos. Hoje há por volta de 25 estudantes em sua academia e ele calcula que por volta de 200 pessoas já passaram por lá.

Sobre batizados e vinda de professores de capoeira, hoje ele disse que é mais fácil, pois há o Minhoca na Romênia, ali do lado, mas diz que há uns cinco anos atrás a coisa era bem mais complicada, já que precisava trazer professores de longe e, portanto, fazia batizados a cada dois anos. Hoje ele faz batizados ao menos uma vez por ano.

A sua principal divulgação é por meio da internet, eles tem uma ótima página no Facebook (cujo endereço é https://www.facebook.com/capoeirachisinau/) e vez ou outra são chamados pra participação em programas locais de TV (com uma frequência até razoável, uma dez vezes por ano), onde cada aparição gera uma grande repercussão. Além disso, assim como diversos outros centros de capoeira, eles também fazem um importante trabalho de divulgação da cultura brasileira por meio de festivais latinos onde fazem apresentações, além de capoeira, de forró, samba, dança do coco, maculelê etc. Forró principalmente eles aprenderam depois que foram para um seminário em Odessa e assistindo pelo youtube campeonatos de forró do Nordeste. Como são da capoeira, o forró deles é bem acrobático. Dois alunos que se conheceram durante as aulas dele, ao se casarem, inclusive dançaram forró durante a festa de casamento, uma surpresa para galera da capoeira.

Como todo capoeirista, Serginho também faz trabalhos sociais. Felizmente a Moldávia não possui favelas como a gente no Brasil, então ele dá aulas para órfãos.

Aproveitando que já estava lá, conversei com ele se existia alguém que dava aula de capoeira na Transínia. Ele me falou que conheceu um cara que dava aula lá, mas que mudou para Bucareste e fez assim como o Mikail fez com ele, saiu mas deixou um aluno responsável pelo espaço que agora dá aulas por lá.

Sobre apresentações e rodas de capoeira no meio da rua, inicialmente isso não é um problema. Obviamente, eles fazem quando a temperatura permite, já que durante o inverno as temperaturas lá podem chegar a -20ºC. O único problema que eles têm vez ou outra é de estarem fazendo uma roda, a polícia ver, achar que eles estão brigando e desfazer a roda. Para evitar esse tipo de problema, toda vez que eles trazem um mestre para batizados, pedem autorização aos órgãos públicos responsáveis para evitar problemas.

Foi muito bacana conhecer o Serginho e depois do nosso bate papo ainda ficamos conversando e pude aprender bastante sobre a Moldávia, grande parte das informações que escrevi sobre o país, inclusive tiveram ele como fonte.

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Eu e serginho

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2 comentários em “CAPOEIRA EM CHISINAU, CAPITAL DA MOLDÁVIA

  1. O que é que achou de Chisinau? Tenho bastante curiosidade em conhecer a Moldávia, pois sinto que deve ser um dos últimos sítios onde nas ruas ainda se pode sentir algum espírito soviético, uma vez que não é um país tão aberto como os outros!

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