Era chegada a hora de visitar meu quarto país no Caribe: São Vicente e Granadinas. E, como já vinha acontecendo nessa sequência de viagens, era mais um daqueles países que eu praticamente nunca tinha ouvido falar antes de começar minha missão de conhecer todos os países das Américas. Para muita gente, São Vicente e Granadinas é apenas um nome perdido no mapa. Mas, como quase tudo no Caribe, por trás desse nome comprido existe uma combinação de mar azul-turquesa, praias espetaculares, pequenas ilhas e paisagens que parecem saídas de um catálogo de agência de viagem.

O curioso é que, depois de alguns dias viajando pelo Caribe, eu já estava começando a perceber um padrão: toda ilha promete praias paradisíacas com águas cristalinas e pôr do sol inesquecível. E era exatamente isso que eu pretendia descobrir em São Vicente e Granadinas. Eu tinha ouvido muito falar de uma pequena ilha, Bequia, e também de um Parque Nacional chamado Tobago Cays que seria um dos melhores pontos do Caribe. Era para lá que eu estava indo.

Um país pequeno com uma história bem agitada
Quando os europeus chegaram ao Caribe, a ilha de São Vicente era habitada principalmente pelos caribes, povo local. Durante séculos, a ilha foi disputada por franceses e britânicos, mudando de mãos várias vezes. Os franceses chegaram a estabelecer plantações e alianças com os habitantes locais, mas, ao final das guerras coloniais do século XVIII, os britânicos consolidaram o controle da ilha.

Durante o período colonial, a economia dependia da produção agrícola, especialmente açúcar, algodão e, mais tarde, banana. Após a abolição da escravidão em 1834, a ilha continuou sendo uma colônia britânica por mais de um século, até conquistar sua independência em 1979. Hoje, São Vicente e Granadinas é uma democracia estável e membro da Commonwealth of Nations. Apesar do tamanho reduzido e da população de pouco mais de 100 mil habitantes, o país ganhou destaque internacional nos últimos anos por sua atuação diplomática em organismos internacionais e por abrigar algumas das paisagens mais bonitas do Caribe, espalhadas entre a ilha principal de São Vicente e as dezenas de pequenas ilhas que formam as Granadinas. E, claro, devido a Tobago Cays.

Cenas de cinema, preços de filme de terror
A vida em São Vicente e Granadinas parece tranquila para quem chega como turista. O ritmo é lento, o trânsito é pequeno, as pessoas costumam ser educadas e o mar está sempre por perto. Mas basta conversar um pouco com os moradores para perceber que a realidade é menos paradisíaca do que as praias sugerem. Como acontece em muitos países insulares do Caribe, quase tudo precisa ser importado: combustível, veículos, eletrodomésticos, materiais de construção e até boa parte dos alimentos consumidos pela população. Isso faz com que os preços sejam elevados para praticamente tudo, enquanto os salários locais permanecem relativamente baixos.

A população vive no veneno. Moradia, energia elétrica, internet e supermercado consomem uma parcela significativa da renda das famílias. Muitos vicentinos dependem de parentes que vivem no exterior, especialmente nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, que enviam dinheiro regularmente para ajudar nas despesas. Ao caminhar pelas cidades e vilarejos, é comum perceber que as pessoas levam uma vida simples e trabalham duro para manter o padrão de vida básico.

A reclamação era sempre a mesma. Aluguel muito alto, salário que não aumentava, preço no supermercado que parece aumentar toda a semana. Cara, coisa de louco. Eu fiquei só de supermercado e busão e ainda assim sofri bastante. Imagina para quem realmente mora por lá. Conversando com um local, ele me falou que várias pessoas lá vivem com o salário mínimo, que é quase igual ao nosso. Eu fiquei pensando que loucura deve ser viver assim em um lugar tão caro.

Vez ou outra parava alguém do lado para conversar, ainda mais quando eu falava que era do Brasil. Todo mundo queria falar da Copa do Mundo, falava que ilha inteira torcia pelo Brasil e que hoje o futebol era o esporte mais popular, bem mais popular que o críquete. Assim, isso quando eu entendia o que eles falavam porque, mano, o sotaque deles é MUITO difícil de entender.
Um táxi, um ferry e um rombo no orçamento
Desci no aeroporto e a realidade caribenha me deu as boas-vindas quase instantaneamente. Mostrei ao taxista para onde eu queria ir e ele respondeu sem piscar: 40 dólares. Sim, cerca de 210 reais por uma corrida de vinte minutos. Achei que tivesse entendido errado. Olhei para um lado, olhei para o outro, procurei um ônibus, uma van, um camelo, qualquer coisa mais barata. Nada. Para ajudar, era domingo, então se existia transporte público, provavelmente estava tirando folga também.

Tentei negociar. Chorei preço. Fiz cara de turista pobre. Nada funcionou. O problema é que eu não queria ficar na ilha principal de São Vicente. Meu destino era Bequia, uma ilha menor das Granadinas, e já passava do meio-dia. Se eu começasse a economizar naquele momento, corria o risco de perder o ferry e acabar gastando ainda mais. Ou ir nadando. Engoli o choro, entrei no táxi e segui viagem. Resultado: mal coloquei os pés no país e já tinha evaporado 210 reais da minha conta bancária. O Caribe é lindo, mas claramente não tem pena de turista.

Cheguei ao terminal do ferry por volta de meio-dia e meia e vi um barco atracado com um monte de gente desembarcando. Pensei: perfeito, vai sair agora. Corri para o guichê e descobri que não. O próximo ferry só partiria às quatro e meia da tarde. Ou seja, eu tinha acabado de comprar um ingresso para passar quatro horas num porto onde absolutamente tudo estava fechado, porque, claro, era domingo.

Depois de uma breve expedição pelas redondezas, consegui encontrar uma lata de Pringles e uma Coca Zero gelada. Pronto. Estava abastecido. Com aquela combinação, eu poderia esperar tranquilamente pelo ferry. Talvez não uma semana inteira, mas umas boas horas certamente dava. Então sentei, observei o movimento do porto e comecei a aceitar que, no Caribe, às vezes a programação do dia é simplesmente esperar. E pagar caro por isso..


Chegando no porto e já fazendo novos amigos. O homem que queria que o Brasil investigasse a Madonna
Só que quem já passou algumas horas em um porto sabe que porto é um verdadeiro para-raios de figuras excêntricas. E aquele não era diferente.

Eu estava lá, sentado com meus Pringles e minha Coca Zero, quando apareceu um sujeito perguntando se eu era da Cruz Vermelha. Respondi que não e ele começou a me contar sua história. Disse que era venezuelano, que tinha sido roubado dentro de um hospital e que estava esperando o pessoal da Cruz Vermelha chegar para ajudá-lo. Conversamos um pouco em espanhol. Pelo sotaque e pela forma de falar, ele realmente parecia ser latino-americano. No final, pediu dinheiro.

Obviamente não dei. Eu tinha acabado de gastar 210 reais num táxi mequetrefe. Naquele momento, eu é que estava precisando que alguém me ajudasse financeiramente.
Meia hora depois apareceu outro sujeito querendo puxar conversa. A princípio não animei muito. Além de o primeiro já ter me pedido dinheiro, o segundo era local, e entender o sotaque deles exige um esforço mental considerável. Eu já estava cansado. Mas aí ele perguntou de onde eu era.
— Brasil.
— Nossa, eu já viajei pelo Brasil.
Achei que vinha o de sempre: Rio de Janeiro, São Paulo, talvez Foz do Iguaçu.
— A primeira cidade onde pousei foi Belém.

Pera aí.
A conversa mudou instantaneamente de nível.
Um sujeito citar Belém já demonstra que o cidadão sabe ao menos onde fica o Brasil.
— E o que você fez em Belém?
— Visitei o Mercado Ver-o-Peso.
Nessa hora percebi que o homem não estava chutando. Ele realmente tinha passado por lá.
Continuei a conversa e comentei que era de São Luís, no Maranhão.
Foi aí que ele me desmontou completamente.
— Ah, Maranhão. Terra da Alcione, né?
Rapaz…
O CARA CITOU A MARROM.
No meio de um porto em São Vicente e Granadinas.
A partir daquele momento ele passou a ter toda a minha atenção.

Perguntou onde eu trabalhava. Quando respondi que trabalhava para o governo brasileiro, ele abriu um sorriso.
— Que bom. Estou precisando da ajuda de alguém da América do Sul para resolver um problema que estou tendo com a Madonna.
Confesso que achei que tinha entendido errado. O sotaque era complicado. Pedi para repetir.
Ele repetiu.
Não era só a Madonna.
Segundo ele, existia uma conspiração internacional envolvendo Madonna, Lenny Kravitz, Shakira e várias outras celebridades que estariam sabotando sua vida.
Ali eu percebi que estava diante de um profissional.
Não era um doido comum.
Era um doido premium.
Doido com pós-graduação.
Doido de dar bom dia para cavalo.
Doido de jogar pedra em avião.
Doido de levar escada para escalar arco-íris.
Mas não pense que ele não tinha provas.
Muito pelo contrário.
Ele carregava um verdadeiro dossiê.
Segundo a documentação apresentada, tudo começou durante uma viagem pela América do Sul em 2006. Ele tinha passaportes antigos, carimbos, recibos, recortes de jornal e anotações detalhadas sobre cidades, datas, artistas e eventos. Foi aí que entendi como ele conhecia Belém. De fato, ele tinha entrado na América do Sul por lá, num voo da Surinam Airways.
O núcleo da história acontecia em Buenos Aires, onde ele afirmava ter procurado um mediador chamado Marcelo Gustavo Feldman para tratar de um suposto caso de discriminação. A partir desse episódio, passou a registrar obsessivamente tudo o que acontecia ao seu redor.
Programas de televisão.
Notícias de jornal.
Turnês musicais.
Viagens internacionais.
Políticos.
Artistas.
Qualquer coincidência virava evidência.
Na interpretação dele, Madonna, Shakira, Lenny Kravitz, Cristina Kirchner, Néstor Kirchner e várias outras figuras públicas faziam parte de uma gigantesca rede internacional dedicada a persegui-lo.
Quanto mais ele explicava, mais conexões surgiam.


E, curiosamente, aquilo ajudava a explicar como ele conhecia Alcione. Pelo que contou, trabalhou durante muitos anos com eventos e música. Então não seria impossível que realmente tivesse cruzado com artistas de vários países.
Confesso que fiquei fascinado.
Ariano Suassuna dizia que gostava de conversar com doido porque doido sempre tinha uma história interessante para contar.
Comecei a entender o que Suassuna queria dizer.
Depois de quase uma hora ouvindo aquela epopeia conspiratória, assumi um compromisso solene: informei que colocaria o governo brasileiro à disposição da investigação.
Ele ficou visivelmente emocionado.
Afinal, acabava de conquistar o apoio da maior potência da América do Sul.
Quando nos despedimos, fiquei com uma sensação estranha.
Por trás de toda aquela teoria absurda existia alguém articulado, inteligente e bastante culto. Ele me contou que tinha estudado numa universidade inglesa, falava espanhol fluentemente, conhecia um pouco de português e demonstrava um conhecimento impressionante de lugares, datas e acontecimentos.
O que me pareceu foi que, em algum momento da vida, ele provavelmente tinha sido uma pessoa completamente funcional. Alguém inteligente, viajado e capaz.
Mas alguma coisa desarrumou as peças no caminho.
Hoje eu imagino que um psiquiatra provavelmente chamaria aquilo de transtorno delirante.
Ou talvez ele estivesse certo.
Nunca saberemos.
Maldita Madonna.
Tobago Cays: o cartão-postal do país
Depois de me despedir do meu amigo que estava sendo perseguido pela Madonna, finalmente embarquei no ferry para o verdadeiro objetivo daquela etapa da viagem: a ilha de Bequia. Era dali que, no dia seguinte, partiria para visitar Tobago Cays, considerado por muita gente o lugar mais bonito de todo São Vicente e Granadinas.

Tobago Cays é um pequeno parque marinho formado por cinco ilhotas praticamente desabitadas, cercadas por uma extensa barreira de corais. As fotos na internet parecem até exageradas: água azul-turquesa, praias de areia branca, tartarugas-marinhas nadando livremente e uma paisagem tão bonita que serviu de cenário para filmes da série Piratas do Caribe. Não é raro encontrar listas colocando Tobago Cays entre os lugares mais bonitos de todo o Caribe. Era exatamente esse tipo de propaganda que eu tinha ouvido antes de chegar ali.

Com uma fama dessas, não foi difícil ficar empolgado. Larguei as malas no Airbnb e fui direto procurar uma empresa que fizesse o passeio. No centro de informações turísticas me disseram que eu tinha dado sorte: não saía barco todos os dias e, por coincidência, havia um passeio marcado para a manhã seguinte com apenas uma vaga disponível. Liguei para a empresa e recebi a notícia de que ela já tinha sido ocupada. Claudiomar triste.

Voltei à agência, eles ligaram novamente e descobriram que tinha havido uma confusão. A vaga nunca tinha sido vendida; era a minha vaga. Eles apenas pensaram que quem estava ligando era outra pessoa. Claudiomar feliz.
A empolgação começou a diminuir quando vieram os detalhes. O passeio custava 130 dólares e incluía apenas água, sucos e frutas. O almoço era pago à parte. A opção mais barata, chamada de “vegetariana”, era basicamente arroz e salada pela bagatela de 30 dólares — cerca de 160 reais. Até para os padrões do Caribe, aquilo doía.

Como eu já tinha aprendido que sobreviver financeiramente na região exigia criatividade, passei em um supermercado, comprei arroz, cenoura e alguns pedaços de frango, pedi um pote emprestado para a dona do Airbnb, lacrei tudo com fita crepe e preparei minha marmita. Se Tobago Cays queria testar meu bolso, pelo menos naquela batalha eu não iria perder.
Tobago Cays – O dia em que passei oito horas num barco à toa

No dia do passeio, o combinado era bem claro: às 6h30 da manhã todo mundo deveria estar no píer. A recomendação era quase uma ameaça velada. Quem chegasse às 6h31 ficaria para trás.
Como eu já tinha aprendido que, em viagem, é melhor pecar pelo excesso de pontualidade, apareci às 6h20.
Cheguei no píer, olhei em volta… e nada.
Só estavam lá os outros turistas.
06h25.
06h30.
06h40.
06h50.

Às sete da manhã, finalmente apareceram os donos do barco, com a calma de quem claramente nunca tinha ameaçado deixar ninguém para trás por um minuto de atraso. Enfim embarcamos. O catamarã era confortável, serviram um café da manhã simples e pensei que dali para frente seria só aproveitar.
Foi exatamente nesse momento que minha felicidade resolveu abandonar o barco.
Assim que saímos do porto comecei a sentir um enjoo absurdo.

E isso nunca tinha acontecido comigo.
Eu já tinha passado seis dias em um barco de pesca nas Ilhas Galápagos, enfrentado mar aberto e não senti absolutamente nada. Mas bastou aquele catamarã colocar o nariz para fora da baía que meu organismo resolveu pedir demissão.
O mar estava mais agitado que o previsto, o vento era contra e a viagem ficou ainda mais lenta. As três horas prometidas acabaram virando quatro. Quatro horas balançando de um lado para o outro enquanto eu tentava decidir se morreria de enjoo ou de desidratação.

Em determinado momento fui perguntar se eles tinham algum remédio.
A resposta foi digna de um curso intensivo de hospitalidade caribenha.
— Devia ter tomado antes. Agora não adianta. Aguenta aí.
Isso quando eu conseguia entender alguma coisa, porque o sotaque deles continua sendo um dos negócios mais difíceis que já tentei decifrar na vida.
Quatro horas podem parecer pouco.
Mas quatro horas enjoado parecem uma semana.
A única coisa que me surpreendeu positivamente era que o 4G funcionava perfeitamente mesmo em alto-mar. Passei boa parte da viagem perguntando pro ChatGPT se eu iria morrer. Ele ficou me tranquilizando e dizendo que aquilo iria passar. Pode parecer besteira, mas naquela situação um ombro amigo cibernético ajuda bastante.
Por volta das onze da manhã finalmente chegamos.
Naquele momento eu cogitei seriamente pedir asilo político em Tobago Cays só para não precisar entrar naquele barco de novo.
Fui praticamente o primeiro a saltar para terra firme. Precisava recuperar a dignidade antes de qualquer coisa.

Depois disso fui fazer o snorkeling.
E…
Foi aí que veio a maior surpresa da viagem.
Não era ruim.
Mas também estava muito longe de justificar toda a fama.
Vi quatro tubarões, algo que nunca tinha acontecido comigo em um único mergulho, e isso foi realmente interessante. Fora isso, achei um snorkeling apenas bom. Nada que chegasse perto de lugares como Fernando de Noronha ou Galápagos.
Levando em conta o tempo, o dinheiro e o sofrimento para chegar até ali, eu esperava algo muito mais impressionante.

Passamos cerca de uma hora naquela praia. Depois seguimos para outra parada, onde a maioria foi almoçar.
Como eu já tinha levado minha marmita diplomática preparada no Airbnb, aproveitei o tempo para voltar para a água e fazer mais um pouco de snorkeling.
Pouco depois já estávamos embarcando novamente.
Sim.
Era só isso.
Quatro horas para ir.
Duas horas no destino.
Mais quatro horas para voltar.
E a viagem de volta foi praticamente uma repetição da ida.
Mais enjoo.

Mais balanço.
Mais ChatGPT dizendo que eu sobreviveria.
Obrigado, Sam Altman.
Quando finalmente desembarquei em Bequia, fiz uma promessa solene para mim mesmo: nunca mais passar oito horas dentro de um barco para ficar apenas duas horas no destino.
Durante o passeio ainda conheci um casal de romenos muito gente boa. Eles eram influenciadores e nômades digitais, e acabamos nos encontrando novamente alguns dias depois. Confesso que durante um tempo até pensei em produzir mais conteúdo para Instagram. Mas depois de ver o trabalho que eles tinham para filmar absolutamente tudo enquanto eu só queria aproveitar o mergulho, desisti rapidinho da ideia.

E o mais irônico veio depois.
Nos dias seguintes fiz snorkeling ali mesmo em Bequia.
E, sinceramente?
Gostei mais.
Havia muita vida marinha, recifes excelentes e mergulhos que, pelo menos para mim, não ficaram devendo absolutamente nada para Tobago Cays.
Então, se alguém me perguntar hoje o que eu recomendo, minha resposta é simples.
Vá para Bequia.
Tobago Cays eu deixo para quem gosta de passar oito horas dentro de um barco para descobrir que o paraíso nem sempre vale o ingresso.

Perambulando pela capital Kingstown
Depois de passar quatro dias em Bequia, voltei para a ilha principal de São Vicente e Granadinas. Antes de seguir para o próximo país, ainda passei duas noites em Kingstown, a pequena capital.

A ideia era aproveitar o último dia para conhecer melhor a cidade. Eu até tinha preparado um roteiro com alguns prédios históricos, igrejas e outros pontos de interesse. O problema é que Bequia tinha me deixado completamente destruído. Foram dias inteiros andando, mergulhando e torrando no sol do Caribe. Quando cheguei ao Airbnb, a única coisa que eu queria era descansar.

Acabei passando boa parte do dia colocando a vida em ordem: respondi mensagens, paguei contas, escrevi um pouco e coloquei alguns vídeos em dia no YouTube.

Ainda saí para caminhar pela cidade, mas, sinceramente, Kingstown não me conquistou. Achei a capital meio sem graça, cheia de ladeiras e sem muitas atrações que justificassem grandes desvios. Além disso, os preços continuavam absurdos. Qualquer táxi para uma praia mais ou menos custava cerca de 30 dólares — uns 160 reais. Cada trecho. Aí não dá, amigo.

Depois da experiência em Tobago Cays, resolvi que meu bolso já tinha sofrido o suficiente.
Preferi simplesmente esperar o dia de ir embora.

Na hora de voltar para o aeroporto, veio mais uma tentativa de assalto legalizado: quarenta dólares pelo táxi.
Nem pensei duas vezes.

Fui até a rodoviária e embarquei em uma van local pro aeroporto por apenas 2,50 dólares.
É claro que havia alguns pequenos detalhes.

O motorista dirigia como se estivesse disputando uma etapa do Mundial de Rally. O ar-condicionado era inexistente. A van estava lotada, todo mundo espremido, e o som tocava um reggaeton caribenho numa altura que provavelmente podia ser ouvido na ilha vizinha. Juro que meus ouvidos doíam.
Curiosamente, aquele volume tinha até um efeito terapêutico.
Depois de alguns minutos, você esquece completamente o calor, o aperto, o motorista psicopata e qualquer outro problema da vida.
Seu único objetivo passa a ser sobreviver à playlist.

No fim das contas, economizei quase 200 reais.
E, sinceramente?
Valeu cada centavo.

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