VIAGEM A ANGOLA| Aventuras em Luanda: Do Miradouro à Fortaleza

O Miradouro da Lua é uma das paisagens naturais mais impressionantes de Angola. Localizado a cerca de 40 quilômetros de Luanda, o lugar recebeu esse nome porque suas falésias, esculpidas ao longo de milhões de anos pela erosão da chuva e do vento, lembram a superfície da Lua. O cenário é formado por cânions, ravinas e camadas de rochas em tons de amarelo, laranja e avermelhado, criando um visual quase surreal e único. Apesar da aparência árida e desértica, a região fica bem próxima ao litoral, tornando o Miradouro da Lua um dos cartões-postais mais famosos e fotografados de Angola. Cara, não é jeito de falar não. Eu realmente nunca tinha visto nada parecido com isso na minha vida.

Fiquei na dúvida se conseguiria ir ao Miradouro da Lua. Meu desarranjo intestinal ainda não tinha passado completamente e o passeio ficava a cerca de uma hora e vinte minutos de onde eu estava hospedado. Se acontecesse alguma emergência no meio do caminho, não haveria muito o que fazer. Mesmo assim, resolvi arriscar.

Chamei um Yango e, quando o motorista chegou, fiz uma proposta: ofereci 150% a mais do valor da corrida para que ele me esperasse no Miradouro da Lua, depois me levasse ao Museu da Escravatura, aguardasse novamente e, por fim, me deixasse em outro ponto de Luanda.

No total, paguei cerca de 200 reais (40 dólares) pelo dia inteiro de transporte. Sinceramente, achei muito barato. Afinal, eu teria um carro praticamente à minha disposição durante várias horas, percorrendo uma boa distância.

O mais curioso foi a reação do motorista. Ele agradeceu de um jeito que parecia que eu tinha acabado de lhe entregar uma fortuna. Talvez eu conseguisse negociar um preço menor, mas preferi pagar o que, para mim, parecia um valor justo. E, já que a diferença era pequena, ainda pedi um Yango Comfort, fazendo todo o percurso no ar-condicionado. Não dava para reclamar da vida.

Lá fomos nós. Era cerca de uma hora e vinte de estrada até o Miradouro da Lua. O trajeto, por si só, já vale a viagem. À medida que você vai deixando Luanda para trás, a paisagem muda completamente. Dá para ver um pouco da Angola rural e vários baobás espalhados pelo caminho, aquelas árvores gigantes que parecem ter sido plantadas de cabeça para baixo.

No meio da viagem percebi que o motorista estava meio perdido. Foi só então que ele confessou que nunca tinha ido ao Miradouro da Lua.

Pô… um dos principais cartões-postais de Angola e o sujeito nunca tinha visitado. No fim das contas, achei até bacana. Sem querer, eu estava proporcionando o passeio para nós dois. Depois de quase uma hora e meia de viagem, finalmente chegamos. E a primeira coisa que vimos foi uma cerca fechando a entrada.

Baobá

Sim. O miradouro estava interditado para visitação. Enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo, o motorista foi conversar com os guardas. Super gentis. Um tinha um fuzil. O outro uma escopeta. Eles explicaram que a área estava fechada por causa de uma obra e que o responsável não autorizava a entrada de visitantes. Não dava para abrir exceção.

Os dois guardas armados deixavam a conversa com um certo ar de seriedade. Mas, conforme a conversa foi andando, ficou claro que havia um detalhe não dito naquela história. Em determinado momento, o motorista virou para mim e perguntou discretamente:

— Será que dá para resolver com uma gasosa?

Demorei um segundo para entender.

No Brasil a gente fala em dar um cafezinho. Em Angola, a expressão é dar uma gasosa. Ou seja, um “refrigerante”… que, na prática, é apenas um jeito mais simpático de pedir uma propina.

Falei para o motorista resolver a situação, porque eu preferia não me envolver diretamente nessa conversa.

Depois de alguns minutos, ele voltou e falou, com a maior naturalidade do mundo:

— Cara, acho que se você der cinco reais (um dólar) para cada um, eles deixam a gente entrar.

Eu olhei para ele e praticamente gritei:

— CINCO REAIS?!

Ele ficou sem entender minha reação.

— Ué… é muito?

Mano… eu comecei a rir.

Na minha cabeça, se aquilo fosse terminar em propina, eu já estava preparado para perder, no mínimo, uns cinquenta reais por guarda. Afinal, era um dos principais pontos turísticos do país, os caras estavam armados e tinham acabado de dizer que a entrada era proibida.

Aí a “gasosa” custava cinco reais.

Era inacreditável.

Essa era justamente a Angola que eu tinha passado anos ouvindo dizer que era um dos lugares mais caros do mundo.

No fim, todo mundo saiu satisfeito. Eu consegui conhecer o principal cartão-postal do país. O motorista do Yango finalmente visitou o Miradouro da Lua pela primeira vez. E os dois guardas ficaram felizes com os cinco reais de cada um.

Sinceramente, é difícil imaginar uma negociação mais ganha-ganha do que essa.

E, sim, o Miradouro da Lua faz jus à fama que tem. Cara, foi, de longe, o cânion mais bonito que eu já vi na vida. As camadas de rochas esculpidas pela erosão, os tons de amarelo, laranja e vermelho e aquele aspecto quase extraterrestre fazem parecer que você foi parar em outro planeta. É daqueles lugares em que nenhuma foto consegue transmitir direito a sensação de estar ali.

O mais curioso é que, apesar de ser um dos principais cartões-postais de Angola, o lugar ainda não é tomado por turistas. Durante boa parte da visita, eu praticamente tive aquele cenário só para mim. Tudo bem que foi porque eu paguei uma tubaína para cada guarda armado até os dentes, mas ainda assim. Pude caminhar com calma, observar as formações rochosas e simplesmente admirar uma das paisagens naturais mais impressionantes que já encontrei em todas as minhas viagens.

Depois de aproveitar bastante o Miradouro da Lua, voltamos para o carro e seguimos para a próxima parada do dia: o Museu Nacional da Escravatura, um dos lugares mais importantes para entender não apenas a história de Angola, mas também parte da história do próprio Brasil.

Em Angola, até museu fechado abre. Conhecendo o Museu Nacional da Escravatura

O Museu Nacional da Escravatura de Angola é um dos locais históricos mais importantes do país. Instalado em uma antiga capela do século XVII, nos arredores de Luanda, ele preserva a memória do tráfico transatlântico de escravos, que levou milhões de africanos, principalmente angolanos, para as Américas entre os séculos XVI e XIX. Antes de embarcarem nos navios, muitos escravizados passavam por esse local, onde eram batizados à força e obrigados a abandonar suas crenças e identidades. O museu reúne objetos, documentos e relatos desse período, tornando-se um espaço de reflexão sobre uma das maiores tragédias da história da humanidade. Para os brasileiros, a visita tem um significado ainda mais profundo, já que uma parte expressiva dos africanos escravizados trazidos para o Brasil saiu justamente da região da atual Angola, deixando uma influência marcante na formação da cultura, da língua, da música, da culinária e da própria população brasileira. Na verdade, como maranhense tem uma importância maior ainda, dado que lá aparecia o Maranhão como um dos principais portos que receberam escravizados de Angola.

Cheguei ao Museu da Escravatura e… adivinha?

Estava fechado para reforma.

Fechado para reforma

Pensei: “Hoje não é meu dia.”

Mas aí começou aquela conversa daqui, conversa dali, até que me explicaram que, na verdade, o museu não estava exatamente fechado. Era só eu pagar 25 reais (5 dólares) que a visita acontecia.

O ingresso oficial custava cerca de 2,50 reais.

Os outros 22,50 reais… bem… digamos que eram para facilitar a logística.

Depois da experiência no Miradouro da Lua, eu já tinha entendido como algumas coisas funcionavam por ali. Vinte e cinco reais a menos para mim, vinte e cinco reais a mais para o guardinha do museu. No fim, mais uma vez, todo mundo saiu satisfeito.

Quanto ao museu, achei a visita válida, mas o que mais me marcou foi o próprio lugar onde ele está instalado e o peso histórico daquele local, mais do que o acervo em si. As peças expostas são interessantes, mas relativamente simples. O grande impacto vem de saber que você está em um dos pontos ligados a um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade.

Uma informação que aprendi lá me chamou bastante a atenção. Segundo o museu, Angola foi o território que mais forneceu pessoas escravizadas para as Américas, enquanto o Brasil foi o país que mais recebeu esses africanos. Isso ajuda a explicar por que a influência angolana é tão forte na formação da cultura brasileira. O que mais me surpreendeu foi descobrir que, somados, os países da América Central receberam um número semelhante ao do Brasil. Considerando o tamanho do nosso país, eu jamais imaginaria isso. Pelo menos era essa a informação apresentada pelo museu.

Depois seguimos para o Memorial Agostinho Neto, dedicado ao primeiro presidente de Angola e uma das figuras mais importantes da história do país. Cheguei lá e… adivinha?

Estava fechado.

Dessa vez, porém, não teve negociação, não apareceu nenhuma “gasosa” salvadora e, para ser sincero, eu também nunca sou de oferecer esse tipo de coisa. Quando dá, deu. Quando não dá, faz parte da viagem.

Então me contentei em tirar algumas fotos do lado de fora e pedi para o motorista do Yango me deixar de volta no apartamento.

Dessa vez não teve gasosa

Foi só na volta que aconteceu uma daquelas cenas típicas de viagem. Vi uma enorme bandeira de Angola tremulando no alto de uma colina e, logo abaixo dela, a silhueta de uma antiga fortaleza dominando a paisagem.

Na mesma hora me caiu a ficha.

Eu ainda não tinha visitado justamente a Fortaleza de São Miguel de Luanda, talvez o ponto turístico mais importante da capital.

Pedi para o motorista mudar os planos e seguir para lá. Afinal, depois de um dia em que metade das atrações resolveu fechar as portas para mim, eu não podia correr o risco de perder justamente a principal delas.

Como Angola me conquistou de vez

A Fortaleza de São Miguel de Luanda é o monumento histórico mais importante da capital angolana. Construída pelos portugueses em 1576, logo após a fundação de Luanda, ela foi durante séculos o principal centro militar e administrativo da colônia, desempenhando um papel decisivo na defesa da cidade e no controle do comércio atlântico, incluindo o tráfico de pessoas escravizadas para as Américas. Após a independência, a fortaleza ganhou um novo significado e passou a abrigar o Museu das Forças Armadas, com canhões, veículos militares e exposições sobre a história de Angola. Além de sua importância histórica, o local oferece uma das vistas mais bonitas da Baía de Luanda, o que faz dele um dos pontos turísticos mais visitados do país, reunindo tanto moradores quanto turistas interessados em compreender a história angolana e admirar a paisagem da capital.

E, sim, a vista da Fortaleza de São Miguel faz jus à fama que tem. Do alto das muralhas, dá para enxergar boa parte da Baía de Luanda, a orla, os arranha-céus e o movimento da cidade. É um daqueles lugares em que vale a pena parar alguns minutos, esquecer a câmera e simplesmente apreciar a paisagem.

Depois que desci da fortaleza, passei em um supermercado para comprar minhas indispensáveis Coca-Colas Zero e voltar para o apartamento. Naquela noite seria a final da Copa do Mundo, e eu queria assistir ao jogo já bêbado de aspartame. Enquanto caminhava pelos corredores do mercado, ainda estava tentando entender como Luanda tinha conseguido contrariar praticamente todas as expectativas que eu tinha criado sobre ela.

No fim das contas, Luanda me encantou. E, curiosamente, em vários momentos ela me lembrou São Luís do Maranhão, minha cidade. Não porque sejam iguais, mas porque compartilham uma característica muito parecida: são cidades de contrastes. Lugares onde a beleza convive com a desigualdade, onde prédios modernos dividem espaço com ruas caóticas, onde riqueza e pobreza estão lado a lado o tempo inteiro. Apesar de todos os problemas, Luanda tem personalidade. É uma cidade que não tenta esconder suas contradições e, talvez justamente por isso, acaba sendo tão interessante.

Na manhã seguinte, já no aeroporto, antes de embarcar para a Etiópia, ainda tive que resolver um pequeno problema no balcão de check-in. Enquanto o funcionário tentava encontrar uma solução no computador, ele soltou, do nada, um:

— “Loucura, loucura, loucura!”

No melhor estilo Luciano Huck.

Eu caí na risada.

Não esperava ouvir um bordão tão brasileiro justamente na minha despedida de Angola.

Achei uma forma perfeita de encerrar a viagem. Saí do país com um sorriso no rosto e com a certeza de que Luanda foi muito diferente da cidade que eu imaginei antes de embarcar. Espero que aquela despedida tenha sido apenas um “até logo”. Porque, se depender de mim, ainda volto para Angola um dia.

Para Luanda, a nossa cidade irmã, deixo os versos que Bandeira Tribuzzi compôs para São Luís e que podem perfeitamente descrever Luanda:

“Ó minha cidade/Deixa-me viver/que eu quero aprender,tua poesia/sol e maresia,lendas e mistérios/luar das serestas e o azul de teus dias

Quero ler nas ruas/fontes, cantarias,torres e mirantes,igrejas e sobrados/nas lentas ladeiras,que sobem angústias,sonhos do futuro/glórias do passado.”

Valeu Luanda!

Epílogo. Como eu consegui ser cancelado em Angola

Rapaz, quando estou viajando, gosto de ir postando alguns vídeos curtos nas redes sociais. Coisas bem rápidas para Instagram, TikTok e YouTube Shorts, mostrando o que estou vendo naquele momento.

Apesar de eu praticamente só ter publicado vídeos elogiando Luanda, teve um em específico em que reclamei de uma coisa bem simples: havia um lugar lindo, que poderia ser extremamente agradável, mas estava com uma música absurdamente alta. Foi só esse comentário.

Rapaz… para quê.

Aparentemente o vídeo viralizou e, por alguns dias, eu me transformei no sujeito mais odiado de Angola. Os comentários eram uma mistura de gente concordando comigo e um batalhão dizendo que eu não entendia nada do país, que eu estava desrespeitando a cultura local e por aí vai.

O mais engraçado é que, quanto mais as pessoas brigavam nos comentários, mais o vídeo era entregue pelo algoritmo. As visualizações não paravam de subir.

Foi ali que eu realmente entendi como funcionam as redes sociais. Engajamento é engajamento. Para o algoritmo, pouco importa se as pessoas estão elogiando ou xingando. Se elas estão comentando, respondendo umas às outras e compartilhando o vídeo para reclamar dele, a plataforma entende que aquele conteúdo é interessante e passa a mostrá-lo para ainda mais gente.

Naquele momento eu percebi como é fácil crescer na internet apostando em polêmica. Bastava eu dobrar a aposta, continuar publicando vídeos falando mal de Angola e provavelmente ganharia muito mais visualizações. Mas esse nunca foi, nem nunca será, o objetivo do canal. Prefiro crescer mais devagar do que transformar minhas viagens em uma fábrica de indignação só para agradar o algoritmo.

Outra coisa que me chamou a atenção foi um efeito completamente inesperado da viralização.

Cara… meu TikTok começou a bombar de mensagens de meninas perguntando se eu ainda estava em Angola, chamando para sair, para conhecer a cidade, para tomar alguma coisa…

Foram dezenas de mensagens.

Eu realmente fiquei impressionado.

Depois fiquei pensando: se comigo aconteceu isso por causa de um vídeo reclamando de música alta, imagina como deve ser a caixa de entrada de alguém como o Neymar ou qualquer influenciador gigantesco. Deve ser um negócio completamente fora da realidade. Não é à toa que muitos acabam ficando meio malucos com fama.

E, antes que alguém resolva mandar mais uma mensagem…

Eu já sou casado.

E minha esposa é bem mais braba do que qualquer algoritmo das redes sociais.

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VIAGEM A ANGOLA | Português na rua e arranha-céus na orla: os contrastes que ninguém me contou sobre Luanda. #Angola #Luanda #TAAG

Angola… Angola… o grande país irmão do Brasil. Um dos países africanos que mais influenciaram a formação da população brasileira. Infelizmente por meio do tráfico de escravizados durante o período colonial e cuja influência não pode ser negada. Durante séculos, milhões de africanos embarcaram dos portos angolanos rumo ao Brasil, trazendo consigo culturas, tradições, religiões, palavras e costumes que ajudaram a moldar o país que conhecemos hoje. Não é exagero dizer que existe um pedaço de Angola em praticamente todo brasileiro. Talvez seja justamente por isso que esse sempre foi um dos países africanos que eu mais tinha vontade de conhecer.

O curioso é que, apesar de eu sempre querer ir para lá, nunca tinha aparecido uma boa oportunidade. Chegar a Angola sempre foi caro, complicado ou exigia conexões intermináveis. Mas isso começou a mudar quando inauguraram o voo direto entre São Paulo e Luanda. Na hora em que vi aquela rota, pensei: “Agora não tenho mais desculpa.”. Fiquei só na espreita esperando uma promoção.

Pouco tempo depois apareceu uma de Black Friday que parecia boa demais para ser verdade. Consegui comprar uma passagem saindo de São Paulo para Luanda e voltando de Nairóbi para São Paulo, com conexão novamente em Luanda, por cerca de 4.000 reais — aproximadamente 750 dólares. Considerando que eu atravessaria o Atlântico, conheceria Angola e ainda encaixaria toda uma viagem pelo leste da África antes de voltar para casa, foi uma daquelas passagens que você compra primeiro e só depois começa a pensar no resto do roteiro.

Convenhamos… por esse preço, estava praticamente de graça

Começando a viagem do jeito tradicional: dando tudo errado

A viagem já começou prometendo

Fiz o check-in do voo de São Paulo para Luanda e, por curiosidade, resolvi dar uma olhada em qual seria o meu assento no voo da volta. Foi aí que levei um susto.

A TAAG simplesmente aboliu o voo que eu pegaria de Nairóbi para Luanda. O voo original saía pela manhã. Agora, simplesmente não existia mais. Sem perguntar nada, remarcaram minha saída de Nairóbi para a noite e, como consequência, empurraram também o meu voo de Luanda para São Paulo para o dia seguinte.

Assim. Sem mais nem menos.

E o mais impressionante foi que eles nem se deram ao trabalho de me avisar. Nenhum e-mail. Nenhuma mensagem. Nada. Se eu não tivesse resolvido olhar o assento da volta por pura curiosidade, provavelmente só descobriria a mudança quando chegasse ao aeroporto de Nairóbi.

E o problema nem terminava aí. O meu bilhete da TAAG ia apenas até São Paulo. De lá, eu ainda tinha uma passagem separada da LATAM para voltar a Brasília. Ou seja, aquela “pequena” alteração tinha um enorme potencial para transformar toda a minha volta em um efeito dominó. Bastava uma companhia mudar um voo sem avisar para começar a bagunçar todos os outros. Afinal, viajar já não é emocionante o suficiente sem esse tipo de surpresa.

Fui até o balcão de atendimento da TAAG preparado para uma boa dor de cabeça. Mas, para minha surpresa, o atendimento foi muito bom. O pessoal foi bastante prestativo, explicou as opções que eu tinha e remarcou meu voo para a alternativa que ainda fazia sentido dentro do meu roteiro.

Como o trecho de São Paulo para Brasília era uma passagem separada da LATAM, eles também se comprometeram a entrar em contato com a companhia para tentar remarcar esse voo sem que eu tivesse que pagar uma nova tarifa. Não era garantia de que daria certo, mas pelo menos alguém estava tentando resolver o problema que eles mesmos tinham criado.

No fim das contas, era uma daquelas situações em que reclamar não mudaria muita coisa. O voo já tinha sido alterado, eu tinha um novo itinerário nas mãos e só restava torcer para que, dali em diante, ninguém resolvesse inventar mais nenhuma surpresa. Enfim… vida que segue.

Se você me perguntar se eu gostei de voar com a TAAG, a resposta é simples: nem um pouco.

Olha que eu já viajei com companhia aérea de tudo quanto é tipo. Companhia excelente, companhia mais ou menos, companhia de baixo custo e até aquelas empresas norte-americanas famosas por tratarem simpatia como um item a parte e caro. Mas poucas vezes encontrei uma tripulação tão mal-humorada quanto essa.

Cara, parecia que todo mundo ali estava trabalhando de castigo. Não sei se aquilo faz parte do jeito deles ou se eu simplesmente dei azar, mas a sensação era de que qualquer interação incomodava. Você pedia um copo d’água e recebia um olhar que dizia: “Sério? Você vai me fazer levantar por causa disso?”

Não era um caso de um ou outro comissário mais fechado. A impressão era que o clima contaminava a tripulação inteira. Faltava aquele mínimo de cordialidade que a gente espera em qualquer atendimento, principalmente num voo de tantas horas.

Foi uma experiência curiosa, porque eu normalmente não sou muito exigente com serviço de bordo, eu só quero chegar. Não preciso que ninguém fique sorrindo para mim o tempo todo. Mas também não espero ser tratado com desprezo pelo simples fato de existir. I´m not dog no.

Talvez eu tenha dado azar e pego uma equipe ruim. Pode acontecer. Mas, se a minha única experiência servir de referência, foi facilmente uma das tripulações mais rudes com as quais já voei. E isso é um feito considerável para quem já passou horas dentro de aviões pelo mundo inteiro.

O primeiro desafio em Luanda: sobreviver acordado e perto de um banheiro

Outra coisa que eu não gostei na TAAG foi o horário desse voo. O avião pousou em Luanda às 5h40 da manhã, o que, para mim, ainda eram 1h40 no horário de Brasília, o fuso ao qual meu corpo ainda estava acostumado. Ou seja, biologicamente, eu tinha acabado de ir dormir.

E, como acontece na maioria dos apartamentos alugados, o check-in só começava às 13 horas. Traduzindo: eu teria mais de sete horas para matar na cidade antes de poder tomar um banho ou deitar numa cama.

Consegui chegar ao apartamento por volta das 8h30 e, pelo menos nisso, dei sorte. O pessoal foi bastante atencioso, guardou minhas malas e disse que eu podia voltar no horário do check-in. Foi uma gentileza que fez bastante diferença, porque passear carregando mochila e mala no calor de Luanda definitivamente não fazia parte dos meus planos.

Então não teve jeito. Com pouco mais de uma hora de sono, que foi tudo o que consegui dormir dentro do avião, fui bater perna pela cidade tentando convencer meu cérebro de que aquele realmente era o começo de um novo dia. Afinal, dormir só dali a algumas horas.

Cara, eu já não tenho mais 20 anos. Tenho 42. Virar uma noite inteira sem dormir já não é uma aventura; é uma agressão ao organismo. Antigamente eu até conseguia passar o dia inteiro funcionando no piloto automático. Hoje em dia, se eu durmo pouco, meu corpo faz questão de me lembrar disso a cada cinco minutos.

Naquela manhã eu simplesmente não podia parar. Fiquei andando o tempo todo porque tinha um medo real de sentar num banco qualquer e apagar. Não era força de expressão. Eu tinha certeza de que, se encostasse por alguns minutos, dormiria ali mesmo.

Como se o sono não bastasse, ainda apareceu um desarranjo intestinal. E isso foi o que mais me surpreendeu. Eu sou extremamente chato com comida quando viajo. Quase nunca como em qualquer lugar, normalmente faço minha própria comida justamente para evitar esse tipo de problema. Até hoje não sei se a culpa foi da sala VIP no Brasil ou da comida do avião. Só sei que meu intestino resolveu entrar em parafuso justamente no primeiro dia da viagem.

Resultado: além de lutar contra o sono, passei a escolher meus passeios com base em outro critério muito importante: onde havia um banheiro por perto. Eu literalmente ia monitorando os cafés pelo caminho para saber onde poderia entrar correndo caso acontecesse alguma emergência. Não era exatamente o tipo de roteiro turístico que eu tinha imaginado para conhecer Luanda.

Depois de umas três horas caminhando, percebi que não dava mais. Voltei para o prédio antes do horário do check-in e fiquei conversando com o porteiro para passar o tempo. Em algum momento, o cansaço venceu. Eu simplesmente dormi sentado na cadeira da portaria, no meio da conversa. Não foi um cochilo planejado. Eu apenas desliguei.

Por volta de 12h30, finalmente liberaram o apartamento. Entrei, larguei a mochila no chão e deitei na cama. Dormi pelo menos duas horas seguidas, completamente apagado. E olha que, para o relógio do meu corpo, ainda eram apenas sete da manhã, no fuso horário ao qual eu estava acostumado. Acho que nunca um colchão foi tão bem-vindo no primeiro dia de uma viagem.

No fim das contas, fiquei bem. Felizmente, a intoxicação — ou seja lá o que aquilo foi — não passou de um grande susto. Mas ela acabou tendo uma consequência que me deixou bastante frustrado.

Eu simplesmente não consegui experimentar a comida angolana.

Como não sabia se meu problema iria piorar ou desaparecer sozinho, resolvi não arriscar. Durante praticamente toda a estadia, só comi comida preparada por mim mesmo, com pouquíssimo tempero, pouca gordura e ingredientes bem simples. Foram três dias a base de pão, peito de frango e banana. Juro. A ideia era não provocar ainda mais o meu estômago e conseguir chegar ao fim da viagem inteiro.

Foi uma pena. Angola sempre despertou minha curiosidade também pela comida, e eu tinha vontade de provar. Mas, dessa vez, achei mais prudente não brincar com a sorte. Viajar já é complicado o suficiente quando tudo está dando certo. Resolver fazer uma aventura gastronômica com o intestino em rebelião me pareceu uma péssima ideia.

Então ficou a dívida. A comida angolana vai ter que esperar uma próxima viagem.

Cara, eu sou fascinado com essas senhoras andando pelas ruas de Luanda com essas bacias na cabeça. Tinham muitas por todas as ruas.

A história de como Angola ajudou a construir o Brasil

A história moderna de Luanda começa com a chegada dos portugueses. Apesar da gente imaginar que tudo era várzea, quando eles chegaram à região onde hoje fica Angola, no fim do século XV, encontraram reinos africanos bem organizados e institucionalizados, como o Reino do Congo e o Reino de Ndongo. Inicialmente, a relação era baseada em alianças comerciais e diplomáticas, mas, com o passar do tempo, Portugal passou a exercer um controle cada vez maior sobre a região. A fundação de Luanda, em 1576, marcou o início da colonização portuguesa de forma mais efetiva. Ao longo dos séculos seguintes, Angola tornou-se uma das principais bases do Império Português na África, principalmente por causa do comércio de escravizados. Milhões de africanos foram embarcados, sobretudo para o Brasil, fazendo com que Angola se tornasse um dos territórios africanos que mais influenciaram a formação da população, da cultura e da identidade brasileiras.

No século XX, o domínio português começou a ser contestado por movimentos de independência, culminando em uma longa guerra iniciada em 1961. Entre as principais lideranças estava Agostinho Neto, médico, poeta e fundador do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). Preso diversas vezes pelo governo português por sua atuação política, ele tornou-se o principal símbolo da luta pela independência e, em 1975, assumiu como o primeiro presidente de Angola após a proclamação da independência. Sua figura continua sendo uma das mais importantes e influentes da história do país.

A paz, porém, demoraria a chegar. Logo após a independência, Angola mergulhou em uma guerra civil entre o MPLA, a UNITA e a FNLA, conflito que rapidamente se transformou em um dos principais capítulos da Guerra Fria na África, com União Soviética e Cuba apoiando o MPLA, enquanto Estados Unidos e África do Sul apoiavam seus adversários. A guerra só terminou em 2002, deixando centenas de milhares de mortos e um país devastado. Desde então, Angola passou por um intenso processo de reconstrução, impulsionado principalmente pelas receitas do petróleo e dos diamantes. Hoje, apesar dos desafios econômicos e sociais, é uma das maiores economias da África Subsaariana e mantém uma ligação histórica, cultural e linguística muito forte com o Brasil.

O maior mito sobre Luanda caiu em cinco minutos

Eu sempre tive muito medo de Luanda. Mas muito mesmo. Só que não era medo de assalto, roubo ou sequestro.

Era medo da conta.

Durante anos, Luanda ganhou fama de ser uma das cidades mais caras do mundo para estrangeiros. Eu já tinha ouvido tanta história absurda sobre os preços que comecei a achar que pisaria no aeroporto e imediatamente entraria em falência. Era aquele tipo de lugar em que você perguntava o preço de um café e já fazia uma simulação de financiamento antes de confirmar o pedido.

Essa fama não surgiu do nada. Depois do fim da guerra civil, a economia angolana passou a crescer rapidamente graças ao petróleo. Empresas estrangeiras desembarcaram em peso, junto com milhares de executivos expatriados recebendo salários altíssimos. O problema é que a infraestrutura do país ainda era muito limitada. Faltavam hotéis, apartamentos, restaurantes, produtos importados e praticamente todo tipo de serviço para atender aquela nova demanda. Resultado: os preços explodiram.

Durante vários anos, Luanda apareceu no topo dos rankings das cidades mais caras do mundo para estrangeiros viverem. E as histórias que circulavam ajudavam a alimentar essa fama. A mais famosa era a de um café com um pão custando 30 dólares. Não sei se a história era totalmente verdadeira ou se já tinha virado lenda urbana, mas confesso que cheguei à cidade psicologicamente preparado para vender um rim caso resolvesse tomar café da manhã na padaria errada.

Então desembarquei em Luanda já preparado para o pior. Se eu tinha reclamado dos preços do Caribe, imaginava que aquilo ali seria brincadeira de criança perto de Angola. Na minha cabeça, qualquer gasto seria uma pequena tragédia financeira.

A primeira missão foi comprar um chip de celular. Perguntei o preço e o atendente respondeu:

— Sete gigas por 5.000 kwanzas.

Na hora pensei: “Pronto. Começou.”

Peguei o celular, fiz a conversão e esperei aparecer um valor absurdo. Mas o resultado foi… cerca de 28 reais, ou uns 5 dólares.

Pera aí.

Fiz a conta de novo.

Depois uma terceira vez.

Não era possível. Eu nunca tinha pago tão barato por internet durante uma viagem. Paguei ainda desconfiado, quase esperando alguém aparecer dizendo que eu tinha entendido errado ou que faltava um zero no preço.

Resolvida a internet, veio o segundo desafio: sair do aeroporto. O novo aeroporto internacional fica bem afastado do centro de Luanda, praticamente uma hora de viagem. Pensei: “Agora vem a pancada.”

Comecei pesquisando ônibus. Não gostei muito da ideia. Abri então o Yango, que funciona como o Uber por lá.

Corrida até o apartamento: 12.000 kwanzas.

Lá fui eu pegar a calculadora de novo.

Sessenta reais (12 dólares)

Outra com bacia

Sessenta.

Achei que tinha errado a conversão outra vez. Mas não. Era aquilo mesmo. Para colocar em perspectiva, poucos meses antes eu tinha pago 40 dólares para fazer um trajeto parecido em São Vicente e Granadinas. Em Luanda, a corrida custava menos da metade disso.

A partir daí virou quase uma obsessão. Toda vez que eu via um preço, fazia a conversão. Depois fazia de novo. E, por garantia, uma terceira vez. Eu simplesmente não conseguia acreditar. A cidade que durante anos foi conhecida como uma das mais caras do mundo para estrangeiros tinha se transformado, pelo menos para um turista pagando em reais ou dólares, em um destino surpreendentemente barato.

No fim das contas, Luanda acabou sendo, de longe, a cidade mais barata que eu já visitei na África. Até hoje não sei dizer exatamente o que aconteceu. A queda do preço do petróleo, a forte desvalorização do kwanza e a crise econômica dos últimos anos mudaram completamente aquela realidade que eu tinha ouvido falar durante tanto tempo.

E o mais frustrante é que eu praticamente não consegui aproveitar essa pechincha.

Por causa do desarranjo intestinal, como falei, passei a viagem inteira vivendo de pão, ovo cozido, arroz e peito de frango preparados por mim mesmo. Nada de restaurantes, nada de experimentar os pratos típicos angolanos, nada de aproveitar aqueles preços inacreditáveis. Foi uma pena. Pela primeira vez em muito tempo eu estava em um país onde podia entrar em qualquer restaurante sem medo da conta e pagar de patrão… O pai do Maranhão chegou! Sim, foi justamente quando meu estômago decidiu entrar em greve.

Vai ficar como mais uma desculpa para voltar a Angola um dia.

Amo essa senhoras com essas bacias… olha a facilidade com que elas carregam

Estereótipos caindo por terra

A primeira coisa que realmente me chamou a atenção em Angola foi a questão da língua. Até hoje, foi o único país africano que visitei onde o português é usado de forma predominante até mesmo entre os próprios moradores. Nos outros países por onde passei, a língua oficial de origem europeia era usada normalmente com turistas, no governo e em situações formais. Mas, entre eles, a conversa mudava completamente.

Na África do Sul, por exemplo, eu ouvia muito zulu. No Senegal, wolof. Em Moçambique, apesar de todo mundo falar um português excelente comigo, era muito comum ver os moçambicanos conversando entre si em suas línguas locais. Em Angola foi diferente. Durante toda a viagem, raríssimas vezes vi dois angolanos conversando em outra língua que não fosse o português. Era português no mercado, no ônibus, no restaurante, no Yango, na rua… praticamente em todo lugar.

Isso é consequência direta da política de destruição cultural adotada por Portugal durante o período colonial. Assim como aconteceu no Brasil, as línguas locais perderam muito espaço ao longo dos séculos e o português acabou se consolidando como a língua do dia a dia. Em outros países da América do Sul esse processo foi diferente. No Paraguai, por exemplo, o guarani continua sendo amplamente falado pela população. Na Bolívia, diversas línguas indígenas permanecem vivas e fazem parte da rotina do país. Em partes do México acontece a mesma coisa. Em Angola, porém, minha impressão foi de que o português domina completamente a vida urbana.

Outra coisa que me surpreendeu bastante foi a sensação de segurança em Luanda. Antes da viagem eu imaginava uma cidade complicada, mas praticamente todo angolano com quem conversei dizia a mesma coisa: podia andar relativamente tranquilo, tanto de dia quanto à noite. Claro, sempre existiam aqueles cuidados básicos que qualquer viajante deve ter em qualquer lugar do mundo. Não deixar celular dando sopa em cima da mesa, prestar atenção na carteira, evitar dar bobeira…

Mas eu sempre fazia uma pergunta bem específica:

— Tá… mas existe aquele risco de aparecerem dois caras numa moto, apontarem uma arma e levarem tudo?

A resposta era sempre a mesma: uma risada. Diziam que esse tipo de assalto não era uma preocupação comum em Luanda. Obviamente isso não significa que a cidade seja livre de criminalidade, mas a percepção dos próprios moradores era muito mais tranquila do que eu esperava antes de viajar.

Outra facilidade que encontrei foi a forma de pagamento. Ao contrário do que acontece em várias cidades africanas, praticamente tudo podia ser pago com cartão de crédito. Restaurantes, supermercados, lojas… quase nunca precisei sacar dinheiro.

A exceção era justamente o Yango, o aplicativo de transporte equivalente ao Uber. As corridas eram pagas em dinheiro, então praticamente todo o dinheiro vivo que usei durante a viagem foi para isso. Todo o restante consegui resolver no cartão sem maiores dificuldades.

Já o Google Maps deixou um pouco a desejar. O GPS não era muito preciso, havia poucos estabelecimentos com avaliações e várias lojas simplesmente nem apareciam no mapa. Não chegou a inviabilizar a viagem, mas dava para perceber que a cobertura ainda estava longe do nível que estamos acostumados no Brasil. Ainda assim, com um pouco de paciência, ele quebrava um bom galho.

A Baía de Luanda também foi uma grata surpresa. É um lugar muito bonito para caminhar, especialmente no fim da tarde. A orla fica cheia de famílias passeando, gente correndo, andando de bicicleta, casais conversando e grupos de amigos simplesmente aproveitando o vento que vem do mar. É um daqueles lugares que mostram um lado completamente diferente da imagem que muita gente faz de Angola antes de conhecê-la.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de arranha-céus. Eu sabia que Luanda era uma cidade importante economicamente, mas não imaginava encontrar tantos prédios modernos espalhados pela cidade. E o mais curioso é que havia guindastes por toda parte, indicando que novos edifícios ainda estavam sendo construídos. A sensação era de uma cidade que continua crescendo e tentando se reinventar, impulsionada principalmente pela indústria do petróleo.

Ao mesmo tempo, Luanda escancara um contraste difícil de ignorar. Você olha para um lado e vê torres modernas de vidro e aço. Olha para o outro e encontra milhares de pessoas tentando sobreviver em condições muito mais difíceis. Essa desigualdade faz parte da paisagem da cidade e aparece o tempo inteiro.

E isso também significa que, andando pelas ruas, você será abordado diversas vezes por pessoas pedindo dinheiro. Algumas apenas fazem um pedido educado e seguem o caminho quando você responde que não. Outras são bem mais insistentes e chegam muito perto, falando alto, acompanhando você por alguns metros e tentando chamar sua atenção a qualquer custo. Eu entendia que eram pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, mas confesso que, para quem não está acostumado, algumas abordagens podem assustar.

Como todos os moradores com quem conversei insistiam que Luanda era uma cidade relativamente segura, eu acabava ficando tranquilo. Se uma abordagem parecida acontecesse em algumas cidades brasileiras, provavelmente eu teria levado um susto bem maior. Ainda assim, caminhar por Luanda exige um pouco de jogo de cintura e disposição para dizer “não, obrigado” várias vezes ao longo do dia.

Cara, eu amei Luanda e Angola

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