Servidor Público nas horas não-vagas, escritor nas vagas e mochileiro nas horas felizes. Formado em Relações Internacionais na Universidade de Brasília, Claudiomar ainda procura algo pra utilizar os seus conhecimentos adquiridos na graduação. Devido a este fato viaja e escreve análises socio-economicas sobre o Brasil e pelos locais que passa. Enquanto não viaja, destila toda a sua pseudo-intelectualidade sobre política nacional
Separei pouco tempo para ficar em Victoria Falls, no Zimbábue, porque — como já expliquei — preferi me hospedar em Livingstone. Acabei passando só um dia cheio por lá para ver as cataratas do lado zimbabuano e, mesmo assim, me arrependi. Eu devia era ter ficado em Livingstone o tempo todo e só cruzado a fronteira para ver as cataratas do lado do Zimbábue e voltado no mesmo dia para Zâmbia. A cidade de Victoria Falls não tem absolutamente nada pra fazer, a não ser servir de base para as quedas d’água. A única vantagem real é que tudo é bem mais barato que na Zâmbia — eu comi um prato decente por menos de dez reais. Além disso, lá funciona o Indrive, que é tipo um Uber russo, enquanto na Zâmbia você depende de sorte e boa vontade. Ah, e no Zimbábue a luz caía menos, então deu para usar mais o ar-condicionado (um luxo depois de Livingstone). E o inglês? MUITO mais fácil de entender que o da Zâmbia. Pensando bem, talvez o Zimbábue tenha sido até menos perrengue que a Zâmbia, kkk.
Outra coisa boa: meu chip comprado na Zâmbia funcionou perfeitamente no Zimbábue, então economizei na compra de outro chip. Caminhar por Victoria Falls também tem seu charme porque ali tem bem mais vida selvagem na rua do que em Livingstone. Em Livingstone eu não vi um único animal andando solto. Em Victoria Falls, eu não cheguei a topar com elefantes, búfalos ou hipopótamos — mas vi javalis estilo “Pumba” e babuínos pra dar e vender.
Esse cara aqui ficava em um hotel só espantando babuíno
Eles andam no meio da rua como se fossem cachorros e os moradores precisam trancar portas e janelas, senão eles entram e roubam comida. Tem gente que cria cachorro só para espantar babuíno.
Outra coisa divertida foi minha hospedagem: fiquei num quarto de uma casa, e no outro quarto estavam dois caras do Benin que tinham ido participar de uma conferência africana sobre prevenção de desastres naturais. Os dois eram gente boa, super cultos, mas era nítido que um era o chefe do outro. O chefe sentava à mesa, abria o laptop, e lá ia o subordinado: pegava a garrafa de água, guardava as chinelas do chefe, ligava o carregador do chefe na tomada… só depois ele ligava o próprio laptop. Eu assistia isso e dava risada sozinho. No meio desse convívio, teve um dia que a internet caiu e eu não consegui chamar um táxi para ir ver as cataratas. Os dois me salvaram: o ônibus do evento chegou para buscar eles e eles me deram carona até o centro da cidade, me poupando meia hora de caminhada no sol forte.
Entenda por que o Zimbábue oferece a experiência mais “cinematográfica” das Cataratas Vitória
No Zimbábue é onde você realmente vê as Cataratas Vitória completas. Aquelas imagens de documentário, de livro de geografia e de cartaz de agência de viagem? Todas são feitas do lado zimbabuano. Isso acontece porque a água cai do lado da Zâmbia: quando você visita Livingstone, você está quase em cima das rochas de onde o rio despenca. É legal, tem a Piscina do Diabo, tem emoção, mas a vista é lateral — você vê o abismo bem na sua frente, mas não vê a catarata inteira. Já no Zimbábue, você está exatamente de frente para o paredão de água. É ali que a catarata ganha escala: 1,7 km de queda contínua, uma muralha branca de água se desfazendo, a névoa subindo como fumaça e o estrondo que parece não ter fim.
Olha o tanto de água que fica voando como névoa
O parque do lado zimbabuano tem uma trilha leve com vários mirantes que acompanham praticamente toda a extensão das cataratas. Cada ponto revela um ângulo diferente: em um, a queda principal; em outro, um arco-íris perfeito surgindo no meio da névoa; mais adiante, o desfiladeiro engolindo o rio como se fosse um funil gigantesco. A visita fica muito mais visual, ampla e imersiva — é realmente a experiência mais cinematográfica das cataratas. Mas, dito isso, admito: a Piscina do Diabo na Zâmbia ainda foi meu momento favorito.
Cheguei ao Zimbábue porque queria ver as Victoria Falls, as Cataratas do Iguaçu da África, que ficam exatamente na fronteira entre Zâmbia e Zimbábue. Apesar de a cidade do lado zimbabuano literalmente se chamar Victoria Falls — porque vive única e exclusivamente para isso — e apesar da maior parte dos voos internacionais chegar justamente ali, eu preferi me hospedar na Zâmbia em Livingstone. A cidade de Livingstone é muito mais estruturada, maior, com mais opções de tudo, enquanto Victoria Falls é praticamente uma cidade-monotema: existe, respira e funciona ao redor da cachoeira.
E mesmo assim, apesar de ser menor, estar num país com um histórico político complicado e viver entre crises cíclicas, a cidade de Victoria Falls recebe mais turistas que Livingstone. E a razão é simples: a vista das cataratas é melhor do lado zimbabuano. É do Zimbábue que você vê o paredão inteiro de água de frente, aquela imagem clássica que aparece em documentários. Do lado da Zâmbia, a visão é lateral, depende da época do ano e muitas vezes alguns trechos chegam a secar. O Zimbábue também investiu mais cedo em turismo: hotéis grandes, trilhas bem feitas e acesso direto ao mirante principal — tudo num espaço compacto, fácil de explorar a pé. No fim das contas, mesmo com inflação, crise política e tudo mais que o país enfrenta, o apelo visual fala mais alto. A maioria dos visitantes atravessa a fronteira porque, para ver as cataratas em sua forma mais épica, o lado do Zimbábue é imbatível.
Apesar da fama, ficar hospedado em Victoria Falls, no lado do Zimbábue, costuma ser uma furada para quem quer aproveitar bem a região. A cidade é pequena, tem menos opções de hospedagem e tudo costuma ser bem mais caro pelos mesmos passeios que você faria do lado zambiano. E o pior: as principais atrações — o safári a pé com rinocerontes e a Piscina do Diabo — ficam em Livingstone, na Zâmbia. Ou seja, se você se hospedar no Zimbábue, vai pagar mais e ainda vai ter que fazer deslocamentos maiores todos os dias. Além disso, quem está no Zimbábue precisa cruzar a fronteira diariamente, perdendo tempo e dinheiro com imigração, transporte e aquela burocracia básica de qualquer travessia africana. E se quiser fazer o day tour para Kasane, em Botsuana? Também vai ter que passar obrigatoriamente por Livingstone. No final das contas, Victoria Falls só vale a pena se você gosta de pagar mais para ter menos benefícios e não se incomoda em perder horas indo e voltando da fronteira. A melhor opção, pra mim, é a que eu fiz: ficar a maior parte dos dias em Livingstone e ir para Victoria Falls apenas no dia de visitar as cataratas do lado zimbabuano.
Chegada ao Zimbábue: gripe forte, avião só de gringos e o taxista mais didático da África
Desci no aeroporto do Zimbábue com uma gripe forte e totalmente desanimado porque imaginava que essa gripe iria estragar a minha viagem. Ledo engano, logo fiquei bom e logo estava lá pronto para a minha viagem. Uma coisa que me chamou a atenção é que só tinha estrangeiros no avião. 100%, todos os lugares. Os únicos locais eram aeromoças ou o piloto. Beleza, é uma zona turística, mas, caramba, mesmo os passeios eu só vi uma vez um casal de locais com a gente, de resto era sempre uma maioria de gringos aposentados.
Peguei um taxista no aeroporto que era gente boa demais e fomos conversando no caminho. Como de costume nos países assim que chego, perguntei para o taxista se era seguro caminhar pela região.
Ele falou que sim, desde que eu caminhasse só pelas estradas, evitasse andar sozinho e a noite e não me aventurasse a caminhar por entre os arbustos:
Ah sim, porque nos arbustos pode ter gente escondida para me roubar?
Não, porque a alguns metros da pista tem elefantes, hipopótamos e búfalos e se eles se sentirem ameaçados, eles podem te trucidar como uma boneca.
Explicando de forma didática assim não tem como não entender, né?
História do Zimbábue: Do Grande Zimbábue à hiperinflação, a trajetória histórica mais dramática da África Austral
Antes dos europeus chegarem houve na região o Grande Zimbábue, um reino africano que prosperou entre os séculos XI e XV e deixou como legado as famosas ruínas de pedra que deram nome ao país. Séculos depois, no final do século XIX, a região passou a ser alvo da cobiça britânica quando David Livingstone — missionário e explorador escocês — entrou para o imaginário britânico como herói nacional. Já dado como morto na África, ele foi encontrado pelo jornalista Henry Morton Stanley, episódio que gerou a famosa frase “Dr. Livingstone, I presume?”.
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Placa em homenagem a David Livingstone
As explorações de Livingstone revelaram o interior da África Austral aos europeus e abriram caminho para a ambição colonial britânica. Seu relato sobre as Cataratas Vitória despertou interesse na região e tornaram o território mais vulnerável ao avanço imperial. Décadas depois, esse vácuo foi ocupado por Cecil Rhodes, que via a região como parte essencial do seu projeto de expandir o domínio britânico por toda a África. Cecil Rhodes, magnata e político queria estender o domínio do Império Britânico da “Cidade do Cabo ao Cairo”. A presença britânica ali facilitou a exploração de rotas, a instalação de infraestrutura e a articulação política que abriria caminho para a submissão dos reinos locais ao domínio europeu.
Do lado que seria a Rodésia do Sul, os britânicos consolidaram um sistema colonial em que a minoria branca controlava a política, as melhores terras agrícolas e praticamente toda a economia, enquanto a população africana era empurrada para reservas pobres e sem direitos. Essa desigualdade profunda alimentou décadas de tensão. Em 1965, quando muitos países africanos já estavam conquistando independência, os colonos brancos da Rodésia do Sul se recusaram a abrir mão do poder e declararam uma independência unilateral — um Estado que continuava branco, mas sem reconhecimento internacional. Esse ato provocou o início de uma guerra longa entre os nacionalistas africanos e o governo colonial, conflito que geraria as lideranças que mudariam o país, incluindo Robert Mugabe, que chegaria ao poder em 1980 como herói nacional. Foi o fim da Rodésia e o nascimento do Zimbábue. Com Mugabe, as coisas que estavam ruins se tornaram apocalípticas.
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O governo de Robert Mugabe transformou o Zimbábue em um laboratório de desastre político, econômico e humano. Ele começou como líder da independência e poderia ter sido o NelsonMandela do Zimbábue, unificando o país após o fim da Rodésia branca. Em vez disso, escolheu se tornar um tirano. Seu governo promoveu massacres contra opositores — o mais famoso deles foi o Gukurahundi, nos anos 1980, quando milhares de civis ndebeles foram mortos por forças comandadas pelo próprio Estado. Mugabe não pode ser acusado de racismo, no governo dele ele perseguiu, democraticamente, tanto negros quanto brancos: os primeiros, quando discordavam dele; os segundos, quando decidiu expropriar propriedades agrícolas sem planejamento, destruindo a principal base econômica do país. A intolerância política virou regra, jornalistas foram silenciados, opositores desapareceram e eleições se tornaram teatro.
Crianças brincando nas ruas, uma imagem que eu já tinha me desacostumado no Brasil
O colapso total veio com a hiperinflação histórica, que chegou a níveis tão absurdos que as pessoas andavam com notas de trilhões de dólares zimbabuanos. A maior de todas foi a nota de 100 trilhões de dólares zimbabuanos, um pedaço de papel que não comprava nem um pão — quando havia pão. Era comum ver pessoas indo ao mercado carregando sacolas cheias de dinheiro que valiam menos do que o plástico da própria sacola. A população gastava o salário imediatamente, antes que perdesse valor em poucas horas, e muitos acabaram abandonando a moeda local, passando a usar dólar americano, rand sul-africano ou qualquer moeda estrangeira que ainda tivesse algum poder de compra.A economia derreteu, hospitais fecharam, milhões fugiram do país e a moeda deixou de existir. O fim do regime só veio quando o próprio partido de Mugabe o expulsou em 2017, pressionado pelo Exército. Depois disso, o país adotou o dólar americano, a economia estabilizou minimamente e parte da vida cotidiana voltou ao eixo — ainda longe do ideal, mas sem a ruína absoluta da era Mugabe. Ele poderia ter entrado para a história como símbolo de reconciliação e liderança; porém preferiu enriquecer, se perpetuar no poder e deixar como legado um país devastado.
Hoje o Zimbábue tem uma economia dolarizada e você pode ter uma vida mais próxima do normal.
Você já ouviu falar no passeio do rinoceronte em Livingstone, na Zâmbia? Eu também não. Mas fui — e foi um dos momentos mais impressionantes da minha vida. Você anda a pé, no meio do mato, com guias armados de AK-47, até ficar a poucos metros de um rinoceronte solto na natureza. E se acha que isso já é loucura suficiente, se prepara: eu também nadei na Piscina do Diabo, uma piscina natural na beira das Cataratas Vitória, com um abismo de mais de 100 metros logo depois da borda. Neste vídeo, eu conto como esses dois passeios me fizeram repensar o que é segurança, aventura e respeito à natureza. Falo sobre os cuidados que os guias tomam, o papel dos turistas na preservação da fauna, o perigo dos caçadores ilegais e o que acontece quando você resolve “pagar de doido” num lugar onde os animais valem mais que os visitantes. Se você curte histórias de viagem com emoção de verdade — e não só selfie em ponto turístico —, esse vídeo vai mexer com você.
A Zâmbia foi uma das viagens mais intensas que já fiz. Fui ver de perto as Cataratas Vitória, uma parede de água que despenca de mais de 100 metros de altura e faz o chão tremer. Me molhei na névoa a quilômetros de distância da queda d’água, me joguei — literalmente — na Piscina do Diabo, a centímetros do abismo, e caminhei ao lado de rinocerontes, escoltado por guardas armados. Mas não foi só isso: também teve blackout todo dia, mosquiteiro obrigatório por causa da malária, taxistas que viraram guias improvisados e um visto que me custou o dobro — porque os caras simplesmente não entregam no prazo. No meio disso tudo, entendi por que a cidade se chama Livingstone, como a figura do explorador britânico virou parte da identidade local, e como até os elefantes viram problema urbano. Se quer entender como é viajar por um país que mistura natureza extrema, caos africano, gentileza inesperada e histórias coloniais mal resolvidas, esse vídeo é pra você.
Sempre tive uma vontade enorme de conhecer as Cataratas Vitória, as Cataratas do Iguaçu versão “modo hard” africano. E realmente são absurdas: uma das maiores quedas d’água do planeta, dividida entre Zâmbia e Zimbábue. O rio Zambeze despenca mais de 100 metros e se estende por quase 1,7 km, formando uma parede contínua de água que os povos locais chamavam de Mosi-oa-Tunya — “a fumaça que troveja”. E o nome não é figura de linguagem, não: o barulho é de estremecer o peito, e a névoa sobe tanto que parece fumaça de incêndio. Pra você ter ideia, quando eu estava na fronteira, sem conseguir ver ou ouvir nada, falei pro guia: “nossa, tá chuviscando”. Ele respondeu: “não, isso é a névoa da cachoeira”. Eu estava a quilômetros de distância. A névoa já tava chegando antes de mim.
Como as cataratas marcam a fronteira natural entre Zâmbia e Zimbábue, você pode escolher ficar em Livingstone ou em Victoria Falls. Eu fiquei do lado zambiano porque Livingstone é muito maior e tem bem mais infraestrutura — no Zimbábue, a cidade é pequena e tudo parece girar só em torno da cachoeira. Viajei em novembro, que é baixa temporada. Foi ótimo porque não tinha multidão, deu pra ir na Piscina do Diabo com tranquilidade (vou falar dela depois) e, de quebra, não peguei chuva em nenhum dia. Mas, ao mesmo tempo, dava até uma pena: eu pagava os passeios e ia sozinho em todos. A minivan de oito lugares chegava no Airbnb, ou então aqueles carros de safári com doze bancos, e… só eu. Até hoje não sei se eles realmente tiveram lucro comigo — talvez eu tenha sido o VIP involuntário da semana.
Chegando na Zâmbia
O caos do Visto: entenda por que tirar visto para a África Austral pode virar novela
Nenhuma viagem para a África está completa se você não tem um probleminha com algum visto. Nessa viagem não pode ser diferente. Precisamos de visto para viajar tanto para a Zâmbia quanto para o Zimbábue. Nós e várias nacionalidades. Para “facilitar” eles criaram um visto chamado “KAZA Visa” que é um visto que assim que você tira, ele te dá direito a entrar na Zâmbia, no Zimbábue e em Botsuana ao mesmo tempo, então você só tira uma vez. Você consegue esse visto no aeroporto, na hora que chega do voo, mas também consegue em um processo online onde você provê todos os documentos que eles pedem e em um prazo de até 15 dias úteis você está com o visto pronto. Como geralmente esses guichês do aeroporto para você conseguir o visto tem uma fila imensa, eu resolvi entrar com o processo do KAZA online porque, bem, não tinha como dar errado, né? Será se tinha como? Na África? Lógico que não.
Dei entrada no visto, pus todos os documentos que eles me pediram e só esperei os meus 15 dias úteis. Passou um, passou dois, passou cinco, dez, quinze, vinte dias depois eles me mandam uma mensagem pedindo para eu escrever uma “carta de apresentação” minha. Para que? Sabe lá Deus para que. Só sei que li o regulamento inteiro e não tinha em lugar nenhum pedindo essa carta de apresentação. Vamos lá, faz a carta de apresentação que eles pediram. Pedi pro Chatgpt fazer e esperei. Demorou cinco dias, me responderam que a carta precisa ser assinada. Assinei a maldita carta eletronicamente. Cinco dias depois me respondem que a carta não tava assinada. Lá vai Claudiomar imprimir a carta, assinar a mão e enviar novamente. Dois dias depois de eu ir embora da Zâmbia e um mês e meio depois da data que eu iniciei o processo, eu recebo o visto.
Sim, paguei duas vezes pelo visto, uma vez pela internet e outra no aeroporto. Fila no aeroporto? Quando cheguei no aeroporto só tinha eu e uma pessoa para poder conseguir o KAZA Visa. Paguei duas vezes de trouxa mesmo.
Foi que nem Moçambique, que eu dei entrada no visto da Embaixada três meses antes de viajar, me deram 10 dias úteis de prazo, e até hoje não recebi a resposta. Só dou um conselho. Quando for viajar a África, tenha paciência.
A história da Zâmbia explicada: colonização, Livingstone e independência
A história da Zâmbia se confunde com a própria exploração europeia na África. Antes da chegada dos colonizadores, o território era habitado por diferentes povos bantos, que viviam de agricultura, caça e comércio local. A região era cortada por antigas rotas de marfim e escravos, controladas por chefes tribais e comerciantes vindos da costa oriental. Foi nesse cenário que surgiu o nome mais icônico ligado ao país: David Livingstone, o missionário e explorador escocês que se tornou uma lenda da era vitoriana. No século XIX, ele cruzou o continente africano em expedições que misturavam fé e curiosidade científica, com o objetivo de “levar o cristianismo, o comércio e a civilização” — como dizia o lema colonial britânico. Em 1855, foi ele quem “descobriu” para o Ocidente as Cataratas Vitória, batizando-as em homenagem à rainha britânica, e marcando o início do interesse europeu pela região.
David Livingstone se tornou um herói nacional na Inglaterra — o missionário que enfrentava o desconhecido da África em nome da ciência, da fé e do império. Depois de alguns anos ficou um bom tempo sem dar notícia e, portanto, foi dado como morto. Foi então que o jornal New York Herald enviou o repórter Henry Morton Stanley para encontrá-lo, numa das missões mais improváveis e caras do jornalismo do século XIX. Stanley buscou, buscou até que em 1871, depois de meses de busca, finalmente encontrou Livingstone às margens do Lago Tanganica e pronunciou uma frase que virou lenda: “Dr. Livingstone, I presume?”. A cena virou símbolo da era das explorações e do início do domínio colonial europeu. Livingstone morreria poucos anos depois, em 1873, mas seu corpo foi levado de volta a Londres e enterrado na Abadia de Westminster — uma honra reservada a heróis nacionais. Seu nome ficou para sempre ligado à Zâmbia, não apenas pela cidade que o homenageia, mas por ter sido o primeiro europeu a colocar o país no mapa do mundo ocidental.
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Mesmo sendo um símbolo do colonialismo europeu, David Livingstone é respeitado na Zâmbia porque denunciou o tráfico de escravos e tratou os africanos com dignidade incomum para sua época. Ele via o continente com curiosidade genuína, não apenas como território a ser explorado. Por isso, muitos zambianos o lembram mais como um humanista e explorador do que como um colonizador.
A Zâmbia conquistou sua independência em 1964, quando deixou de se chamar Rodésia do Norte, nome herdado do período colonial britânico. Antes disso, o país vivia sob um sistema segregado, com bairros, escolas e até bancos separados para brancos e africanos — uma divisão social que lembrava o apartheid da vizinha África do Sul. Com a independência, liderada por Kenneth Kaunda, essa estrutura começou a mudar: as terras e instituições foram nacionalizadas, e a ideia de uma identidade nacional passou a ser prioridade. Hoje, a Zâmbia é um país multicultural e multilíngue, com sete línguas oficiais regionais — bemba, nyanja, tonga, lozi, lunda, kaonde e luvale — além do inglês, que continua sendo o idioma oficial do governo e da educação.
Uma curiosidade pouco conhecida é que a Zâmbia teve, em 2015, o primeiro presidente branco da África Subsaariana desde o fim do apartheid. Foi Guy Scott, vice-presidente que assumiu interinamente após a morte de Michael Sata. Nascido na Zâmbia, filho de escoceses, ele governou por apenas alguns meses — mas entrou para a história pelo ineditismo.
Chegando a Livingstone: Por que atravessar a fronteira Zimbábue–Zâmbia a pé foi uma das melhores partes da viagem
Para chegar à Zâmbia, peguei um voo de Joanesburgo, África do Sul — um dos principais hubs aéreos da África — até a cidade de Victoria Falls, no Zimbábue. Do aeroporto, tomei um táxi até a fronteira e, de lá, segui caminhando até a Zâmbia. Sim, andando mesmo: é uma caminhada de uns 20 minutos entre uma imigração e outra. Eu até poderia ter pago cinco dólares para atravessar de táxi, mas vou te dizer… andar foi bem mais legal. No caminho, parei na ponte que separa os dois países, construída no início do século passado a mando de Cecil Rhodes como parte do ambicioso plano de criar uma ferrovia ligando a Cidade do Cabo, na África do Sul ao Cairo, no Egito. Só essa parada na ponte já valeu os cinco dólares economizados. Ainda vi uma fila imensa de caminhões esperando para cruzar a fronteira. Até conversei com um caminhoneiro que disse que às vezes ficam o dia inteiro ali, só esperando autorização para atravessar.
Como já disse, existe a cidade de Victoria Falls do lado zimbabuano, feita praticamente só para servir aos turistas das cataratas. Porém preferi ficar em Livingstone, na Zâmbia, porque ela é uma cidade muito maior e mais estruturada: são quase 180 mil habitantes, contra menos de 40 mil do lado do Zimbábue. E Livingstone é uma cidade grande porque, antes do turismo dominar a economia, ela foi a primeira capital da Zâmbia (na época, Rodésia do Norte). Fundada no início do século XX, virou centro administrativo e comercial da colônia britânica, estratégica por ficar perto do Zambeze e da ponte ferroviária que conecta Zâmbia e Zimbábue. Quando o projeto “Cabo ao Cairo” estava em alta, Livingstone virou parada importante — uma cidade de governo, porto e ferrovia muito antes de virar cidade turística.
A capital foi transferida para Lusaka em 1935, por questões geográficas e administrativas, mas Livingstone já tinha tudo funcionando: ruas amplas, prédios coloniais, escolas, hospitais, serviços. Por isso, mesmo perdendo o título de capital, a cidade continuou grande e relevante — bem diferente de Victoria Falls, que cresceu praticamente só em torno dos passeios pras cataratas. Livingstone não nasceu turística; virou turística depois. E essa origem mais urbana e administrativa ainda dá para sentir no ritmo da cidade.
Houve até discussões para mudar o nome de Livingstone, por ser uma herança colonial, por um nome mais zambiano. Porém, eles desistiram rápido. O nome da cidade já estava totalmente associado ao turismo e à economia local. “Livingstone” aparece em mapas, guias, agências, pacotes e até em busca no Google. Mudar o nome confundiria turistas, custaria caro e ainda traria prejuízos comerciais.
No fim das contas… Money talks, baby.
Perambulando por Livingstone: malária, quedas de energia, sotaques difíceis, energia instável e elefantes no quintal
Aluguei um Airbnb para ficar em Livingstone e, assim que entrei no quarto, a primeira coisa que me chamou atenção foi um mosquiteiro gigante sobre a cama. Fui pesquisar e descobri que Livingstone, apesar de turística e bem estruturada, fica numa região endêmica de malária. Depois que uma diplomata brasileira morreu de malária, eu desenvolvi um respeito profundo (pra não dizer pavor) pela doença. Resultado: enquanto eu estava no Airbnb, eu passava o tempo inteiro dentro do mosquiteiro, parecia até que eu morava numa barraca de camping improvisada.
Outra coisa curiosa: o anúncio dizia que o quarto tinha ar-condicionado, mas isso era uma meia verdade. Livingstone sofre com cortes de energia o tempo todo, então quem tem algum dinheiro coloca placas solares para quebrar o galho. Só que o sistema solar não aguenta o ar-condicionado. Bastava ligar o bichinho, dava 10 minutos e… puff, caía a energia da cidade. E lá ia tudo para o solar e eu só podia usar o ventilador. Ou seja: ar-condicionado tinha, mas era só de enfeite. Ainda bem que não estava calor de deserto, senão eu ia virar estatística.
Se esse botão do lado do ar-condicionado tivesse desligado, era passar calor. Como era raro ele estar ligado…
Entre um passeio e outro pelas cataratas e pelos parques, eu também resolvi conhecer a cidade. Livingstone até tem alguns museus, mas vou te dizer… nada que vá mudar a sua vida. Tem um museu com uns trens da época colonial que o povo fala mal com gosto: caro e com locomotivas caindo aos pedaços — passei longe. Fui ao Museu de Livingstone, que todo mundo dizia ser imperdível, mas, sinceramente, achei bem comum. A única coisa realmente legal foi ver cartas originais escritas à mão por Livingstone. De resto, nada que justificasse o entusiasmo.
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Agora, o melhor de Livingstone é o povo. Apesar da cidade ser muito turística, os locais são muito simpáticos e adoravam bater papo. O problema é o sotaque, que parece um desafio linguístico avançado. Chegava uma hora que a cabeça começava a doer de tanto esforço para entender. Eu só queria ficar quieto, mas motorista, guia, vendedor… todo mundo queria conversar. E eram tão educados e simpáticos que eu acabava embarcando na conversa, mesmo com meu cérebro pedindo arrego. A cabeça chega doía tentando entender o que eles falavam
Ainda assim, nessas conversas, aprendi algo interessante: a elite comercial de Livingstone é majoritariamente indiana. Isso vem desde o período colonial, quando os britânicos trouxeram muitos trabalhadores indianos para ferrovia. Eles abriram pequenos comércios, cresceram, se multiplicaram e hoje dominam boa parte do varejo — supermercados, lojas, hotéis. Os locais me diziam que os indianos têm dinheiro, mas vivem no básico: gastam pouco, evitam ostentar e reinvestem praticamente tudo. A cultura de disciplina econômica ficou.
Outra coisa que me chamou atenção é que todas as casas em Livingstone têm muros altos ou cercas. Achei estranho, porque a cidade é super segura. Perguntei para um morador e ele respondeu, com a maior naturalidade do mundo, que aquilo não era para ladrões — era para elefantes. À noite, se você não tem muro alto, os elefantes entram nos bairros pra comer as plantas dos jardins das casas. Imagina o susto: você acorda no meio da madrugada achando que é ladrão, abre a cortina e tem um tanque de guerra vivo comendo as orquídeas da sua avó. Você faz o quê? Não pode atirar, porque vai preso. E mesmo se pudesse… a pele do bicho é quase uma blindagem, só fuzil derruba. Perguntei o que as pessoas fazem quando o elefante começa a destruir tudo.
O cara me olhou e respondeu:
— “Você senta e reza pra ele ir embora.”
E você aí preocupado com ladrão roubando seu Fiat Uno 98.
Como funciona o passeio dos rinocerontes em Livingstone — e por que é tão único
Inicialmente eu tinha planejado só fazer a Piscina do Diabo e o safári em Kasane, em Botsuana. Mas aí o cara da agência me ofereceu o tal do “passeio do rinoceronte”. Eu pensei que seria algo bobinho. Ledo engano. Pior que foi um dos passeios que eu mais gostei. Você vai de carro de safári, faz um mini-safári no caminho (vi várias girafas no percurso) e depois desce do carro — sim, desce — para ficar a poucos metros dos rinocerontes, escoltado por guardas armados com fuzis AK-47 pendurada no ombro. Ver rinocerontes em Livingstone foi uma das experiências mais interessantes da minha vida. Eu já tinha visto em zoológico, claro, mas ver o bicho solto, no habitat dele, sem muros te separando, é outra história. O passeio acontece no Mosi-oa-Tunya National Park, uma das áreas mais protegidas da Zâmbia, que sobrevive basicamente com o dinheiro dos turistas. A taxa que você paga mantém guardas (que dormem dentro do parque), veículos, combustível, manutenção — ou seja, cada visitante literalmente banca a preservação da espécie. E é um dos únicos lugares da África onde você pode descer do carro e caminhar até ficar pertinho de um rinoceronte. Em qualquer outro safári, isso seria motivo para expulsão — ou para virar estatística. Nos outros safáris você fica dentro do carro o tempo todo. Em Livingstone, você desce, anda no mato e fica do lado daquele tanque de guerra vivo.
As regras, claro, são rígidas: nada de correr, nada de flash, nada de fazer barulho. Não vai pagar uma de doido. Qualquer movimento brusco pode assustar o animal, e os guias repetem isso até cansar. Eles conhecem o comportamento dos bichos a ponto de identificar de longe quando um rinoceronte está calmo ou irritado. E os sinais são bem claros: orelhas mexendo rápido, pata batendo no chão, cabeça levantando de repente, às vezes o rinoceronte até dá um pinotinho só pra avisar que não está gostando da presença humana. A gente sempre caminha contra o vento, porque se o cheiro humano chegar neles, já era — o olfato deles é excelente, mas a visão é ruim. Também nunca ficamos de frente para o animal; sempre perpendiculares, dificultando que ele nos enxergue bem. Tudo é feito em silêncio absoluto, andando devagar, em fila, e só se aproximando quando o guia dá o sinal. Quando o guia fala “para”, é para parar mesmo. Os rinocerontes do parque são acostumados com humanos, então são mais tranquilos, mas nem por isso é lugar para bancar influenciador de TikTok e querer montar neles. Eles são monitorados 24h por GPS, e antes de entrar no parque o guarda já sabe exatamente onde estão — e fica lá esperando a gente com sua companheira inseparável, a AK-47.
Os guardas são armados, mas não é para “proteger turistas de bichos”. É o contrário: a arma é para proteger os rinocerontes de caçadores ilegais. A Zâmbia perdeu todos os seus rinocerontes algumas décadas atrás por causa do mercado de chifre, que chega a custar 60 mil dólares o quilo. Os rinocerontes que existem hoje foram reintroduzidos a um custo de centenas de milhares de dólares. Cada rinoceronte. Eles praticamente patrimônio nacional. E ali é simples: se alguém fizer alguma besteira que coloque o grupo — ou o rinoceronte — em risco, é o turista que vai ter problema, não o bicho. Os guias falavam meio brincando, meio sério, que o fuzil servia para atirar em caçador ilegal ou em turista que resolvesse pagar de maluco. O guarda me falou meio rindo, meio falando sério: – Se um turista pagar de doido, eu vou ter de um lado um patrimônio nacional e do outro um gringo querendo pagar de maluco e pondo um grupo inteiro em perigo. Em quem você acha que eu vou atirar?
Os caras tem o rinoceronte na nota de dinheiro. Entre eles e você, em quem você acha que o guarda iria atirar?
Eu que não quis pagar para ver se era sério ou zueira.
No fim das contas, foi uma das experiências mais legais que eu já fiz na vida. Aquela sensação de estar vivendo algo que você sabe que nunca mais vai esquecer.
Piscina do Diabo: Hipopótamos, precipícios e peixinhos mordendo à beira do abismo
Então chegou a hora de visitar o principal motivo da minha viagem à Zâmbia: a famosa Piscina do Diabo. Sabe aquelas piscinas de borda infinita que o pessoal posta em Dubai pra tirar onda? É a mesma ideia — só que, em vez de um skyline, você tem uma queda de mais de 100 metros logo depois da borda. Sem exagero: é exatamente isso. A Piscina do Diabo é uma piscina natural formada bem na beira das Cataratas Vitória, do lado zambiano, e só dá pra visitar numa época específica do ano — entre agosto e dezembro, quando o rio Zambeze está mais baixo. Qualquer outra época é praticamente assinar o atestado de óbito. Na seca, as rochas criam uma barreira natural que segura uma parte da água, formando um ponto seguro onde dá pra nadar a centímetros do abismo. E quando digo “parte da água”, é parte mesmo — meio metro fora do local indicado e você vira o Pica-Pau despencando catarata abaixo. Eu via fotos na internet e jurava que tinha um truquezinho, um parapeito escondido. Cara… não tem truque. É um murinho natural de pedra, você sentado e o abismo te olhando de volta.
O passeio começa com um trajeto curto de barco até uma ilhazinha no meio do Zambeze. “Bacana, então tem rio, dá pra nadar?”, você pensa. Não, cara. Nunca. O rio é cheio de hipopótamos, o bicho mais temperamental e assassino entre os gigantes africanos. Ele literalmente mata mais que elefante, leão e leopardo. Juntos. Pra você ter noção, o guia explicou o que acontece quando uma fêmea tem filhote macho: os hipopótamos machos alfa dominam território e veem qualquer outro macho como ameaça. Mesmo um filhote. Então a mãe se afasta do grupo pra esconder o bebê até ele crescer, e nesse período ela vira praticamente uma entidade demoníaca de proteção. O macho, por sua vez, quer trucidar qualquer um que chegue perto do harém. E você ali, tranquilo, passando de barco no meio dessa novela da vida selvagem só para ver uma cachoeira.
Chegando na ilha, o guia dá as instruções — nada de pular, correr ou inventar moda. Incrível que, seja rinoceronte, seja hipopótamo, ou seja piscina suicida, as regras são sempre as mesmas, é só não pagar de doido. Descemos do barco e seguimos caminhando até a piscina. No caminho, já começam as fotos com o precipício a centímetros dos seus pés. JURO. É você andando ali e percebendo que um passo errado significa cancelar o CPF. Ou o passaporte, no caso. É o cenário perfeito do “fulano caiu tentando tirar a melhor selfie”. E, olha, teve momentos em que bateu um medo sincero disso acontecer comigo. Às vezes você vai bater uma foto, o sol te cega, o vento te empurra, e a borda tá ali, firme e forte, te lembrando que a vida é frágil.
Aí chega a hora de entrar na piscina. A borda de pedra segura a água, e a gente entra nadando enquanto o guia avisa: “Os peixinhos mordem, mas não precisa se assustar”. Ah, beleza, é só uma piabinha mordendo. Cara, você bota o pé na água e imediatamente parece que os bichos querem te transformar em aperitivo. No começo dá risada, mas depois irrita. E enquanto você tenta se equilibrar, tem sol te cegando, peixe te beliscando e a correnteza te convidando para se juntar ao Zambeze 100 metros abaixo. Juro. Eu fico de cara como não ali não morre um por semana. Cara, mas a vista compensa tudo: a água despencando na sua frente, o barulho ensurdecedor, o arco-íris aparecendo… É como estar nas Cataratas do Iguaçu, só que na borda delas tomando banho.
Entre rinocerontes a pé e a Piscina do Diabo, a Zâmbia entrou fácil no meu top 3 países até agora. E ainda por cima não choveu nenhum dia, então consegui fazer tudo sem perder nem um minuto da viagem.
Belarus — ou Bielorrússia, como a gente costuma chamar — sempre foi um daqueles países que despertavam a minha curiosidade. Um lugar misterioso, com nome estranho e fama de isolado. E foi exatamente isso que encontrei: uma cápsula soviética intacta no coração da Europa. Neste vídeo, conto como foi explorar Minsk, a capital da última ditadura da Europa, onde a estética é brutalista, a política é sufocante e as pessoas aprendem a viver em silêncio. Passei por monumentos gigantescos, um museu da Segunda Guerra que me deixou chocado com a destruição que o país sofreu, e o memorial de Khatyn, um lembrete brutal do que a guerra faz com as pessoas. Mas também encontrei histórias curiosas, como a ONG que virou museu de gatos (!), e uma instrutora de capoeira bielorrussa que aprendeu português sozinha, enfrentou repressão e hoje espalha cultura brasileira por lá. É uma viagem densa, cheia de contrastes, com doses de tristeza, história e, claro, umas boas bizarrices pra completar o pacote.
Neste vídeo de O Mundo Numa Mochila, compartilho minha experiência em dois momentos muito diferentes de Las Vegas: a apresentação do Cirque du Soleil e a visita à nostálgica Fremont Street. Comecei a noite com grande expectativa para assistir ao famoso espetáculo “KÀ”, do Cirque du Soleil. Eu já havia me impressionado com uma apresentação do Cirque em Brasília e esperava que a versão de Vegas, sua “sede”, fosse ainda mais espetacular. Mas, para minha surpresa, a experiência não foi nada como eu imaginava. Apesar da estrutura de luzes e efeitos multimídia, o show foi decepcionante, com acrobacias simples, humor sem graça e cenas que pareciam saídas de um programa de comédia de segunda categoria. Infelizmente, não correspondeu ao alto valor dos ingressos e à fama do Cirque. Por outro lado, a visita à Fremont Street, a “Old Vegas”, foi um verdadeiro resgate do charme clássico da cidade. Essa região histórica é famosa por seus cassinos tradicionais, como o Golden Nugget, e pela vibrante Fremont Street Experience, com um teto de LED gigantesco que cria uma experiência audiovisual incrível. Além disso, há apresentações de música ao vivo, artistas de rua e uma energia única que mistura moradores locais e turistas. De toda a minha viagem a Vegas, Fremont Street foi a parte mais divertida e autêntica, capturando a essência de como era a cidade nos seus primeiros anos. Aperte o play e acompanhe comigo essas duas facetas de Vegas: a ostentação moderna do Cirque du Soleil e a energia nostálgica e vibrante de Fremont Street. Não esqueça de curtir, comentar e se inscrever no canal para acompanhar mais aventuras pelo mundo!
Quando pensei em Dakar, imaginei uma capital africana subdesenvolvida, sem estrutura, talvez parecida com a caótica Nuakchott, na Mauritânia. Mas o que eu encontrei me desmontou: arranha-céus, trânsito pesado, academias ao ar livre, libaneses endinheirados, uma estátua feita por norte-coreanos e preços de fazer saudade da Europa. Neste vídeo, eu conto tudo sobre minha experiência em Dakar, capital do Senegal, desde as surpresas boas até os perrengues na fronteira e o impacto de visitar a Ilha de Gorée — com o temido portão do não retorno. Fui visitar um amigo que se mudou para o Senegal e acabei mergulhando num país que quebra vários estereótipos sobre a África. Dakar é moderna, movimentada e cheia de contrastes. Tem engarrafamento, tem praia cheia de gente se exercitando, tem elite libanesa e tem também muita desigualdade, corrupção e preços absurdamente altos. É uma cidade onde costureiro de máquina nas costas é símbolo de masculinidade e onde você pode comer carne assada ao estilo brasileiro numa churrascaria de verdade — com bandeira e tudo! Também relato minha experiência em Gorée, um lugar bonito e ao mesmo tempo carregado de dor. A ilha foi um dos principais pontos de embarque de escravizados no Atlântico, e visitar o portão do não retorno é algo que marca. E como bônus, ainda conto a história da minha ida à Gâmbia e da tentativa de propina que enfrentei ao voltar por terra para o Senegal. Se você gosta de histórias reais, curiosas e cheias de contexto histórico e social, esse vídeo é pra você. Deixe o like, inscreva-se no canal e ativa o sininho — aqui no “O Mundo Numa Mochila”, a gente mostra o mundo como ele realmente é, sem maquiagem de agência de turismo.
Cassinos, Shows e a Esfera de Las Vegas Neste vídeo de O Mundo Numa Mochila, compartilho minha experiência explorando os cassinos temáticos, os shows incríveis e a impressionante Esfera de Las Vegas, uma das estruturas mais inovadoras do mundo. Começando pelos famosos cassinos, conto como é visitar os luxuosos Caesar’s Palace, com sua incrível réplica da estátua de Davi, e o cassino inspirado em Veneza, com canais e gôndolas. Mesmo sem jogar, vale muito a pena conhecer a temática de cada um. Mas, se você também não vê graça nas máquinas caça-níqueis, talvez meia hora em cada cassino já seja suficiente para curtir a decoração e seguir adiante. Depois, divido minha experiência assistindo a um show na Esfera de Las Vegas. Com sua tecnologia imersiva de última geração, tela curva 16K e som impecável, a esfera proporciona uma das experiências mais inovadoras e inesquecíveis de entretenimento no mundo. Apesar dos altos custos, foi um investimento que valeu a pena! Por fim, destaco a variedade de shows e atividades que Vegas oferece, desde espetáculos do Cirque du Soleil até tirolesas e montanhas-russas no meio da cidade. Se você está pensando em visitar a cidade mais extravagante dos Estados Unidos, este vídeo é perfeito para te inspirar e dar dicas valiosas. Aperte o play e descubra tudo o que Las Vegas tem a oferecer, das luzes aos shows, dos cassinos às curiosidades. Não esqueça de curtir, comentar e se inscrever no canal para acompanhar mais aventuras pelo mundo! Kit-viagem, os 11 itens essenciais que sempre levo comigo em todas as viagens e sugiro: 📱📷🎥 Meu celular/câmera __ https://amzn.to/3z9vHkS 📷🎥✈️Minha câmera/drone 360º __ https://amzn.to/3Vu6qcu 💾 Cartão de memória __ https://amzn.to/4eBInRQ 🔋 Meu Carregador Portátil __ https://amzn.to/3zoinc8 🎒 Minha mochila __ https://amzn.to/3KUluLB 🔌 Adaptador de tomada universal __ https://amzn.to/3VPEBwG 👜 Organizador de cabos __ https://amzn.to/45CujmF 🎧 Fone cancelador de ruído __ https://amzn.to/4es6PVH 🛁 Kit de higiene bucal para viagem __ https://amzn.to/3VRm6YB 🔋 Kit de adaptadores para viagem __https://amzn.to/3KZkV2Y 💰 Doleira para esconder o dinheiro __https://amzn.to/3VD0rSG Outros produtos que sugiro: 🎒 Mochila mais barata https://amzn.to/3VTIhh5 🧳 Mala de viagem https://amzn.to/3XAxWYG 💲💲 Quer me dar uma força pro canal para eu sempre produzir conteúdo?💲💲 PIX: claudiounb@gmail.com Inscreva-se no canal para sempre receber atualizações Acesse http://www.omundonumamochila.com.br para ter acesso a essa e outras histórias Nos siga no http://www.instagram.com/omundonumamochila para mais fotos de viagem
Neste vídeo de O Mundo Numa Mochila, compartilho como foi minha primeira experiência em Las Vegas, a icônica Cidade do Pecado. Desde as luzes vibrantes da Vegas Strip até curiosidades impressionantes sobre a cidade, cada momento foi marcado por histórias fascinantes e surpresas inesperadas. Descubra comigo os encantos da Vegas Strip, onde se concentram os maiores cassinos e hotéis do mundo, e a Fremont Street, a antiga Vegas, com seu gigantesco teto de LED e shows visuais incríveis. Conheça também os bastidores de Vegas, como a comunidade subterrânea onde vivem pessoas em situação de rua, um contraste com a ostentação que domina a cidade. Exploro também o lado mais descontraído de Vegas, como as conversas inusitadas com motoristas de Uber, que compartilharam histórias incríveis, desde um pai orgulhoso com um filho rumo à NBA até um cubano que atravessou continentes para realizar seu sonho americano. E, claro, não poderia faltar a experiência gastronômica, ou a falta dela: uma cidade cheia de fast food, mas onde encontrar comida saudável ou um simples supermercado é um verdadeiro desafio. Aperte o play para saber tudo sobre a cidade que nunca dorme, com todos os seus contrastes, extravagâncias e peculiaridades. Não esqueça de curtir, comentar e se inscrever no canal para acompanhar mais aventuras pelo mundo!