A caminho de Siem Reap, a caminho do Angkor Wat

Mas como não tinha ido ao Camboja pra poder ficar na capital sem fazer nada, resolvi que era chegada a hora de visitar o local que tanto sonhara. Era chegado a hora de visitar o Angkor Wat. Empacotei algumas coisas na minha mochila, deixei o grosso das minhas coisas na casa da Natalia em Phnom Pehn e caí na estrada.
No caminho foi até engraçado. Eu, sem saber, acabei pagando cinco dólares a mais pelo busão. Só depois que eu fui saber o porquê. O busão que eu paguei era mais caro porque tinha um GUIA. Depois eu fiquei pensando: Doido, pra que diabos eu iria querer viajar 300 km, cinco horas com um guia no pé do ouvido? É meu amigo, mas foi assim mesmo!
Só pra vocês terem uma idéia, a noite passada à viagem eu não havia dormido, já que tinha descido pra balada com os franceses e pretendia dormir a viagem inteira dentro do busão. Eu tinha pago um busão com ar-condicionado de propósito. Lembrar que, devido aos vidros fechados por causa do ar-condicionado, há menos barulho.
Tecla PAUSE
Pam pam pam! Pam pam pam pam! Pam pam pam Pam pam paaaammm! Íon! Plantão “omundonumamochila” de dentro do trem.
Tá engraçado aqui dentro do trem, cara. O indiano vizinho a minha cama tá dormindo e não quer atender o celular. O engraçado é que o toque do celular dele é uma música em português!! Vou esperar ele acordar pra perguntar que música é! Ela é mais ou menos assim: “Nessa fossa tropical, cheia de inspiração, pra cantar essa canção. Aquecendo o coração.”. Vocês conhecem essa música? Além disso tem uma BARATA que toda hora aparece, dá uma olhadinha pra mim e volta pra debaixo da minha cama no trem. Acho que vou até convidá-la pra dormir abraçada comigo a noite.
Detalhe, tou viajando de classe executiva!
Tecla PLAY
Mas quem disse que eu consegui dormir? Foi a viagem inteira essa guiazinha falando em Inglês e Khmer, pérolas do tipo: “Esta aqui é uma ponte muito importante para este povoado” ou então “veja as pessoas trabalhando nos campos de arroz” ou ainda “aquela é uma casa aonde moram por volta de quatro pessoas”. Interessante, né? Mas me fala, como é que tu acha assunto pra ficar cinco horas descrevendo um bando de mato? A mulher tinha que dar o jeito dela.

Foto que tirei no meio do caminho. A guia meio que ficou cinco horas narrando lugares como esse. Mato para todo lado
Pra melhorar ainda mais, os motoristas de ônibus no Camboja dirigem só com uma mão no volante. Não, a outra eles não usam pra “coçar as partes” (curtiu o eufemismo pra “coçar o saco”?) não. A outra mão vai na buzina!! Sério doido!! Os caras buzinam, bicho, sem brincadeira, de cinco em cinco minutos. Mas não aquela buzininha “Fom Fom” não! O cara ENFIA a mão com GOSTO na droga da buzina. PÉÉÉÉÉÉIIIIIIIINNNN!!!! Desse jeito! Eu apelidei a buzina de buzina “Acorda defunto”. Foi a viagem perfeita: um gordo imenso do meu lado suando que nem tampa de marmita, a guia falando: “Agora estamos passando por cima de mais uma ponte” e o motorista com a mão enfiada na buzina!
Já no começo, a van que ia nos levar até o busão para seguir viagem ainda acha de ar no meio do caminho! E dá-lhe todo mundo descendo pra empurrar, hehehe.
 
Kill me first!
Tecla PAUSE
Pam pam pam! Pam pam pam pam! Pam pam pam Pam pam paaaammm! Íon! Plantão “omundonumamochila” de dentro do trem.
Acabei de checar aqui no celular do cara! O bicho tá com dez chamadas não atendidas e nada de atender o celular. Sério, eu já tou é cantando a musiquinha toda vez que ela toca! Hehehe.
 
Tecla PLAY
 

Siem Reap

A cidade de Siem Reap em si não há muito do que falar. É uma cidade sem NADA demais. Apenas uma cidade com aparência de cidade do interior do Maranhão e que vive apenas para poder organizar tours pras ruínas de Angkor Wat.
O engraçado é quando você desce do busão, cara! Como todo lugar no Camboja, quando você desce do busão, vem uma PANCADA de motoristas de “Tuk Tuk” pra poder tentar te levar pra andar pela cidade. Cara, é engraçado como é infernal a parada! Sério, é tão infernal que o busão não pára no meio da estrada! Ele pára numa garagem e ficam uns guardas no portão segurando os bichos no portão. Todo mundo quer te pegar pra dar uma volta pela cidade! Se liga na foto!
Taxistas se estapeando para conseguir chegar na gente…
Tecla PAUSE
Quando eu voltei pra Phnom Penh foi mais engraçado ainda. Como o ônibus ia ter que parar no meio da rua, o motorista do busão desceu foi com uma ripa de madeira imensa na mão pra separar a galera. Um dos motoristas de Tuk Tuk já veio “na febre” pra tentar gritar “TUK TUK! TUK TUK!” e acabou por dar um pisão na sandália do motorista quebrando-a! Mermão, o motorista ficou LOUCO!! Ele fez aquilo que no Street Fighter Alpha a gente chama de “soltar o golpe especial” ou no RPG como “dar um charge”! Ele saiu que nem um LOUCO, dando paulada ao léu! Dando paulada pra tudo que foi lado! Quem via na frente dele ele sentava a paulada. Sobrou até pro povo que tava passando na rua que não tinha nada a ver. MUITO ENGRAÇADO, DOIDO! Ficou todo mundo dentro do busão olhando aquele louco e rindo da situação. Eu só fiquei imaginando esse cara fazendo isso todo o dia. Todo o dia duas ou três vezes por dia, uma galera gritando “TUK TUK” no ouvido dele! O cara também é humano, um dia ele ia explodir. Hahahah
TECLA PLAY, voltando a falar de Siem Reap
Dá até medo ver aqueles caras se digladiando no portão! Eu só sei que eu saí voado no meio daquele povo e consegui sair do campo de visão dos motoristas de Tuk Tuk. Aí tive tempo pra pensar. Comecei a andar no meio da rua me perguntando o que ia fazer até a hora que um motorista de uma moto colou do meu lado. Perguntei o que ele queria e ele me perguntou se eu não queria visitar o hotel dele. “Mas um cara querendo me enrolar” – pensei. Ignorei o cara e continuei andando na rua. Ele veio atrás e gritando:
– Mas, nós temos quartos individuais com banheiro por apenas três dólares! – ignorei.
– Mas, você pode ficar num dormitório por apenas um dólar – ignorei.
– Mas, eu só vou te cobrar um dólar pra te levar lá – ignorei.
– Nós vendemos cerveja a 0,50 centavos de dólar e ainda temos internet de graça.
ÃHN?!?! Aí já era covardia, né?
Pô, internet de graça e cerveja a 0,50 centavos? Desse jeito eu nem ia precisar ir ao Angkor Wat mais. Eu poderia ficar era só no hotel sem fazer nada! Só faltou falar que estavam inclusas no preço duas suecas quentes e uma tcheca ardente! Apelou perdeu!
Acabei indo pro hotel dele e por pegar o dormitório de um dólar. Era só um colchão dentro de um sótão, nada demais! Mas enfim, era mais do que precisava.
Depois me dirigi à recepção e perguntei se eles alugavam bicicletas. A mulher falou que sim. Fui lá e perguntei: – Vocês têm bicicleta Houston? A bicicleta do mochileiro? A bicicleta que coloca o mundo numa garupa (às vezes cansa ficar carregando o mundo numa mochila o dia inteiro. Uma hora a gente coloca na garupa! Ahá! Ahá! Pegou a piada? Pegou? Nossa, hoje eu tou muito engraçado, doido! Tou pensando até em aplicar pra ser roteirista da Praça é Nossa!)? Não, não tinha Houston! Tive que pegar uma bicicleta qualquer e descer pra ver o pôr-do-sol no Angkor Wat.

Pol Pot, o açougueiro do Camboja. Porque bater fotos de crânios é “clichê” no país.

Escrever sobre o Camboja e não mencionar a brilhante campanha de Pol Pot para destruição do seu próprio país e cultura seria um sacrilégio. Como já expliquei Pol Pot foi uma figura importante para os comunistas do Sudeste Asiático. E como já falei várias vezes, como todo sistema comunista implementado até hoje, o regime de Pol Pot resultou em morte, sofrimento, sangue e gerações destruídas.
Pol Pot e o seu Khmer Rouge, apesar de serem vermelhos, ganharam força com a invasão estadunidense ao Vietnã. Com o a guerra do Vietnã cada dia mais se tornando mais selvagem, mais violenta e cada vez adentrando mais em território vietnamita, não sobraram muitas escolhas aos guerrilheiros vietnamitas do que a de se esconder e estabelecer bases em território de países como o Laos e o Camboja e assim atacar com mais segurança os estadunidenses. Na América do Sul tínhamos a Farc fazendo o mesmo em território sul-americano para atacar o governo democraticamente eleito da Colômbia.

Após muito tempo, na medida do possível, respeitando as fronteiras dos dois países vizinhos ao Vietnã, os Estados Unidos cansaram e resolveram sair caçando os vietnamitas em qualquer buraco que eles estivessem, fosse no Vietnã, fosse no Camboja. Com isso, o bicho começou a pegar pros civis cambojanos, já que os mesmos se tornaram vítimas de uma guerra que não era deles. Os guerrilheiros vietnamitas implementaram no Camboja uma política que já faziam com os civis vietnamitas: Se escondiam em vilas e os civis eram obrigados a cooperar sob pena de execução sumária. Os estadunidenses vinham com sangue na boca atrás dos vietnamitas e saíam bombardeando o que viam pela frente, fosse alvo militar, fosse alvos civis que os mesmos acreditassem haver inimigos obtendo refúgio. Além disso, os estadunidenses também, segundo relatos, torturavam civis cambojanos para obter informações de onde estavam os guerrilheiros ou pelo simples fato de os mesmos terem “colaborado” com os vietnamitas (como se eles tivessem alguma escolha). Nessa história toda, não precisa falar quem mais sofria no meio desse samba do criolo doido, né? A população civil que não tinha nada a ver com a história começou a pagar o pato.Foi aí que o Khmer Rouge de Pol Pot começou a ganhar força. Prometendo lutar contra um governo que oprimia a população civil e que também não lhes fornecia segurança, o Khmer Rouge saía de vila em vila conclamando as pessoas a lutarem do seu lado. Eles visitavam aldeias bombardeadas, ou o que sobrou delas, e iam alistando pessoas para lutar ao seu lado, engrossando assim suas fileiras. Não precisa falar que para alguém que acabou de perder tudo num bombardeio estadunidense era fácil virar presa de Pol Pot, né? Li num livro acerca de Pol Pot que muitos cambojanos viraram guerrilheiros do Khmer Rouge sem nem saber quem diabos era Marx ou Mao, mas sim na busca de vingança ou segurança.
E foi assim, cada vez mais Pol Pot foi aumentando o seu poder. O governo do Camboja, com o país e suas fronteiras em instabilidade, não agüentou muito tempo. Em 17 de Abril 1975 (checar) Pol Pot entra na capital do país Phnom Penh. Com a alegação de que os estadunidenses estavam a um passo de chegar em Phnom Penh e bombardear a cidade, o Khmer Rouge evacuou do dia para noite uma cidade de milhoes de habitantes. Em menos de uma semana Phnom Penh contava apenas com 20.000 pessoas.
É lógico que nenhum bombardeio americano estava por vir, afinal, era de interesse estadunidense bombardear apenas as fronteiras onde eles julgavam haver vietnamitas. O que Pol Pot fez foi apenas dar mais um passo no seu plano maligno. Depois da tomada de Phnom Penh e conseqüentemente do poder, Pol Pot estabeleceu o “ano-zero”. Uma nova era estava a nascer para o Camboja, portanto o nome “ano-zero”. Assim, Pol Pot aboliu a economia de mercado, a propriedade privada, moedas, destruiu escolas, hospitais e monumentos religiosos. Todas e quaisquer pessoas que pudessem carregar os vícios da era anterior ao ano-zero foram assassinadas impiedosamente. Médicos, professores, intelectuais e quaisquer pessoas que parecessem ser intelectuais (em vários locais vi que o fato de você possuir um par de óculos poderia lhe classificar como um intelectual) foram passados no fio da espada.
A população civil foi transferida para cooperativas onde todos deveriam viver juntos, comer juntos, trabalhar juntos e compartilhar os seus bens. Isso pode parecer bonitinho quando a gente escreve no papel, mas na prática significou a separação de famílias, cerceamento do direito de ir e vir das pessoas e, claro, fome e miséria. Mais uma vez, transformar todos em iguais pode parecer bonitinho na teoria, mas na prática Pol Pot criou dois tipos de classes, a classe das “pessoas de base” e a das “novas pessoas”.
Outra estante com caveiras, dessa vez em um Killing Field

As pessoas de base (em inglês base people) eram as provenientes das zonas rurais e que não portavam os “vícios” da sociedade urbana. Por serem pessoas com menos vícios que os da cidade, esta classe possuía certos benefícios tal qual a possibilidade de se tornar chefe de uma cooperativa. A classe das “novas pessoas” compreendia os civis transferidos das cidades, embora muitos deles fossem de zonas rurais e tenham se estabelecido nas cidades para fugir de bombardeios. Tais pessoas eram consideradas parasitas e não possuíam qualquer tipo de direito. De classe ou não, o desprezo do Khmer Rouge ficava bem claro em um de seus slogans: “Mantê-lo não há ganhos, perdê-lo não há perdas” (sim, gente, o sistema era bruto). Por várias vezes Pol Pot deixou bem claro que o novo Camboja precisaria apenas de um milhão de pessoas, ao contrário das sete milhões que ainda restavam. O regime de Pol Pot é classificado como o maior genocídio já realizado ao seu próprio povo.

Outro fator que despertava mais ódio ainda do Khmer Rouge, era que os civis provenientes das cidades pareciam não perder os vícios que carregavam. Apesar das doutrinações diárias, esses parasitas insistiam em tentar plantar algo a mais para eles (algo que não fosse arroz) e a praticar escambo.

Killing Field próximo a Phnom Penh

O Khmer Rouge teve fim no ano de 1979, quando Pol Pot resolveu atacar o Vietnã. O Vietnã sempre foi visto com maus olhos por Pol Pot, já que o seu regime comunista era Maoísta, ou seja, mais próximo do regime chinês e o vietnamita era mais próximo ao comunismo soviético. No final ele acabou apanhando que nem menino. Derrota esta que custou o seu regime.

S-21 – A ESCOLA DA MORTE

Mas o que seria de um sistema comunista se não fossem as prisões para implementar o terror? O que seria de Castro sem o “paredón” ou de Stálin sem os seus “gulags”? Pois é gente, Pol Pot também era comunista, logo, Pol Pot precisava de algo para propagar o terror. Aproveitando que ninguém no novo Camboja precisava estudar mesmo, eles adaptaram várias escolas em prisões (que eles preferiam chamar de “centros de segurança”). Tive o “prazer” de visitar um dos mais famosos, o S-21.Cara, o ambiente é apavorante, bicho. Já na entrada, você dá de cara com vários caixões onde estão enterrados os corpos das últimas vítimas de Pol Pot no S-21.Pude ver alguns documentários sobre esta prisão enquanto estive pelo Camboja. Cara, é algo terrível. Teve um documentário que vi em que eles entrevistavam antigos guardas que serviram nesta prisão. Pra começar, dos quatro ou cinco que foram entrevistados no documentário, três começaram a trabalhar por lá quando tinham apenas 14 anos. A escolha de guardas quase que na infância era feita de propósito. Quanto mais novo e mais infantil fosse o menino, mais maleável ele poderia ser e mais cruel, frio, impiedoso e leal ele poderia se tornar. Como diria uma das placas informativas na parede do museu S-21, Pol Pot transformou “os adolescentes que tinham corações puros e gentis em executores cheio de ódio capazes de matar os seus próprios parentes, amigos ou pais”.

Ainda é possível ver rabiscos de uma aula de física nas paredes da escola

Essa parada do “matar os seus próprios pais, parentes e amigos” não é algo só retórico não, cara. Realmente era desta maneira. Um dos momentos mais chocantes do documentário ocorre quando o produtor (ex-detento da S-21) descrevendo como era diariamente torturado, pergunta aos ex-guardas como eles poderiam ser tão cruéis com pessoas que eles nem conheciam e que podiam ser seus pais ou parentes. Eles respondiam que, antes de trabalhar por lá, foram doutrinados e havia algo que deixavam bem claro para eles:
– “O estado é seu pai, o estado lhe fornece comida, amor e abrigo. Logo, você deve amar ao estado e odiar às pessoas que lutam contra o mesmo, pois quem luta contra o estado, luta contra você”.
O produtor insistia: “- Mas várias dessas pessoas eram inocentes, como vocês poderiam não sentir pena delas?”
– Desde menino eles nos ensinaram que o Estado em si nunca realiza uma prisão por engano. Se uma pessoa está aqui foi porque ela comentou algum erro e merece pagar. Ainda que um dia algum inocente fosse preso, eles nos diziam que era melhor prender dez pessoas inocentes do que deixar uma culpada solta”.

Por todo o complexo, ainda há marcas de sangue no chão das pobres vítimas que caíaram nas garras do Khmer Rouge

Cara, deu pra sentir como era a parada? Bicho, é como eu falei, é de assustar mesmo. O mais triste é que, se você observar o local de um outro ângulo sem olhar para as cercas de arame farpado, o local parece um lugar aprazível, como toda escola deve ser.

Além dos guardas havia alguns “médicos” na prisão. Mas aonde achar médicos numa cidade em que todos os médicos ou foram executados ou fugiram? Pol Pot sempre arranja uma solução. Meninas eram “treinadas” num espaço de três a cinco meses e assim poderiam exercer o seu ofício de “médicas”. Por não haver remédios, tudo o que elas sabiam fazer eram alguns curativos e uns remédios caseiros a base de açúcar e água. Ainda assim, as “médicas” só eram chamadas quando alguém ficava inconsciente depois de tanto ser torturado. O serviço das “médicas” era cuidar para que eles não morressem e assim pudessem continuar a ser torturados até o momento de confessarem.Estas cercas de arames farpados ficavam no terceiro andar da escola. Elas serviam para prevenir que detentos desesperados tentassem se matar atirando-se do terceiro andar e assim morressem sem “confessar”.Por último eu vi a entrevista de um cara que foi torturado em S-21 também. Esse cara foi um dos que mais me marcou. Mexendo pelos arquivos que sobraram de S-21, os produtores conseguiram achar a transcrição do depoimento dele. O produtor vai e pergunta como o cidadão pode ter entregado mais de quarenta pessoas. O cara com lágrimas nos olhos, responde que no momento em que estava sendo torturado, no desespero para que tudo cessasse, decidiu “cooperar” e saiu falando o nome de todas as pessoas que vinham a sua cabeça, fossem seus vizinhos, fossem seus amigos. O produtor fica indignado e pergunta se todas as pessoas que fossem torturadas fizessem o mesmo, quantas pessoas iriam restar no Camboja. O cara simplesmente baixa a cabeça, começa a chorar e fala algo que seria muito, mas MUITO engraçado se não fosse trágico. Antes do interrogatório, na sessão inicial de torturas, eles tinham que escolher dentre quatro opções pra qual daquelas eles haviam trabalhado. Eu não lembro as quatro, mas duas eram CIA, “serviço secreto vietnamita” e uma outra, se não me engano, KGB. Agora o detalhe é que ele não sabia que diabos era nenhum dos quatros e o torturador provavelmente também nem fazia idéia (lembrar que o torturador era um adolescente). Mas depois de tanto levar porrada, ele resolveu falar que era da CIA pra ver se tudo acabava logo. Dá pra acreditar nisso?

Cercas de arame farpado

Cara, escrevo na Polônia agora. Acabei de chegar de Auschwitz. Fiquei impressionado com a semelhança de tratamento e barbaridade entre Auschwitz e S-21. Se tem algo que os comunistas podem se orgulhar é que o comunismo criou uma zona de detenção tão cruel quanto ao da Alemanha.Regras de conduta da S-21. Achei uma traducao pela internet: 1) Você deve responder de acordo com minhas perguntas – Não se vire/2) Não tente esconder os fatos criando pretextos para isso ou aquilo. Você está estritamente proibido em me contestar./3) Não seja tolo ou você será um capítulo que se atreve a contrariar a revolução/4) Você deve responder imediatamente minhas perguntas sem desperdiçar tempo em reflexão/5) Não me diga nada sobre suas imoralidades ou a essência da revolução/6) Se você receber chicotadas ou choques elétricos você não deve chorar/7) Não faça nada, sente-se e aguarde pelas minhas ordens. Se não existirem ordens, mantenha-se quieto. Quando eu perguntar alguma coisa para você, você deve responder imediatamente sem protestar/8 ) Não arrume pretextos sobre a ordem do Kromin Kampuchea para esconder seu segredo ou traidor/9) Se você não seguir as regras acima, você irá receber vários choques elétricos/10) Se você desobedecer qualquer ponto deste regulamento você irá receber dez chicotadas ou cinco choques elétricos.

Mas o que mais me causou arrepios e o que mais me atormenta todas as vezes que eu olho esta foto novamente, são os retratos de identificação que as pessoas eram obrigadas a tirar ao entrar na prisão. Cara, tem desde velhos a crianças. Bebês, meu amigo! Dá só uma olhada nessa foto aqui. (É bom lembrar que todas essas pessoas foram mortas)

Killing Fields

Além do S-21, pude visitar também um Killing Field (Campo da morte) próximo à cidade de Phnom Penh. Cara, teve algo de engraçado nessa história toda. Eu, saindo chocado de dentro do S-21, com todas aquelas histórias, todas aquelas caveiras, todo aquele sofrimento, tava andando e do nada vieram uma pancada de motoristas de Tuk Tuk gritando contigo: – “Ow amigo, amigo! Vamos agora ao Killing Fields? Vamo? Vamo?”

Crânios achados durante escavações

E eles vinham gritando e sorrindo. Falavam como quem fala: – “Vamos pra um restaurante agora?”. Hehehehe. Acabei indo com um deles e paguei muito barato, seis dólares, pra ir e voltar quinze quilômetros.

Lá não tinha muita informação acerca do Khmer Rouge, havia mais era covas que as pessoas estão escavando à procura de vítimas. Valeu mais pelas fotos. A única informação relevante, era a de que o campo era utilizado como local para execução dos detentos de S-21 após o momento em que eles “confessavam”. Importante citar também que as execuções eram realizadas em suas maiorias por enforcamento, afogamento ou inanição, já que, segundo os mesmos, “balas não deveriam ser desperdiçadas”
Na placa: “Árvore da Morte aonde executores matavam crianças”
Na placa: “Cova coletiva onde foram encontradas mais de 100 vítimas, crianças e mulheres, em sua maioria sem roupa.”

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Camboja

Cara, o Camboja sem sombra de dúvidas, é um país que você DEVE visitar quando estiver na Ásia. Na minha singela opinião blogueira, até agora, os quatro lugares que você deve ir antes de morrer são o Camboja, Índia, o Nepal e São Luís (por motivos óbvios).
Além das construções históricas do Angkor, que segundo várias fontes que li, são as maiores construções religiosas já feitas pelo homem, o Camboja ainda possui a infame triste história do governo comunista de Pol Pot, que, como já havia falado no Vietnã e na Rússia, como todo bom governo comunista, matou centenas de milhares de pessoas de fome e exaustão. Vou escrever sobre Pol Pot e o Khmer Vermelho em um tópico específico. Mas foi isso o que mais me fascinou no Camboja, cara. Um país que ao mesmo tempo tem uma das construções mais lindas da história da humanidade, um país que pôde demonstrar o que há de mais lindo na natureza construtiva humana, pôde demonstrar também o que há de mais terrível e destrutivo dos humanos.
Monumento à independência no centro de Phnom Penh. As suas curvas são inspiradas nos monumentos em Angkor que depois vou explicar melhor o que é.

O Camboja foi o último dos países do Sudeste Asiático que visitei e, ao contrário de todos os países do Sudeste Asiático que escrevi, o Camboja não é considerado um tigre asiático, heheh! Pra falar a verdade, o Camboja tá é muito longe disso. O Camboja e o seu vizinho Laos, são dois dos estados mais miseráveis da Ásia, com índices de qualidade de vida semelhantes ao de países da África Sub-Saariana.
É triste você perceber, mas Pol Pot deu uma aula de como detonar o futuro de um país e de um povo em apenas cinco anos de terror. Cara, o Camboja até hoje não se recuperou dos males deixados por esse comunista facínora (“comunista facínora” é pleonasmo, é redundância). O país hoje tem uma população de 14 milhoes e, apesar de ter sido colônia francesa por algum tempo, hoje conservou a sua língua e sua cultura. Tem como capital, a cidade de Phonm Penh, cidade onde fiquei a maior parte do tempo.

 

Cara, é engraçado ver esses monges andando pelas ruas na capital. É muito interessante ver o contraste das cores das suas roupas com o cinza da cidade.

Mas pra mim o mais engraçado foi o nome da moeda. Alguém tem um chute? Sim, a moeda do Camboja se chama REAIS! Sim, reais! E é pronunciado desse jeitinho mesmo! Você pergunta o preço e o cara te fala, two reais, three reais. É engraçadão, bicho! O outro fato que eu achei muito interessante é que na hora de pagar, você pode escolher pagar em reais ou em dólares. A cotação das casas de câmbio é um dólar valendo quatro mil duzentos e alguns quebrados de reais, mas a cotação “oficial” das ruas, nas duas cidades que visitei, é de um dólar valendo quatro mil reais. Então é engraçado, você vai às lojinhas, às vezes o preço tá em reais, às vezes em dólares, às vezes nos dois. Uma coca custava 5000 reais, se não me engano. Você dava dois dólares e o cara te devolvia 3000 reais. Muito louco!! Aí engraçado que no final do dia, você ia ver a sua carteira e tava cheio de dólares e reais lá dentro, já que às vezes você recebe o troco em reais, às vezes em dólares e por aí vai! Sério, eu curti demais isso por lá! Não sei se a economia deles é com câmbio fixo (assim como o Brasil no começo do plano real), ninguém conseguiu me explicar, mas parece que é, porque senão essa “cotação das ruas” não funcionaria tão bem se o câmbio variasse todos os dias, correto?

Perambulando por Phnom Penh

Cara, Phnom Penh é triste, bicho! Apesar de ser a capital do país, sério, a infra-estrutura cidade parece em MUITO uma cidade do interior do Maranhão ou do Piauí. Sinceramente, a achei tão parecida quanto cidades como Chapadinha, Bacabal ou Piripiri. Além disso, eu fiquei impressionado como a mesma parece ser pequena, já que eu traçava de cima a baixo a parte central apenas caminhando.
Outro fator engraçado é que a cidade parecia não ter nenhum transporte público. Se tem eu não consegui ver. Assim como o Vietnã, as avenidas são caóticas de tantas motocicletas andando de cima pra baixo e zunindo no seu ouvido. Sinal de trânsito eu devo ter visto um ou dois, mas assim como o Vietnã, o sinal parece te “sugerir” a parar já que ninguém respeita. Não cheguei a ver tantos táxis andando pela cidade também, já que devido ao grande número de motocicletas, se você quiser ir pra algum lugar é só estender a mão que uma pára do seu lado e te leva pra qualquer lugar da cidade por apenas um ou dois reais.Pra que busão, se você pode ter essas charretes motorizadas pela cidade inteira? A gente as chama carinhosamente de “Tuk Tuks”. Mermão, é MUITO chato quando você resolve dar uma volta pela cidade. De cinco em cinco minutos pára um carrinho desses ao seu lado e fica gritando “Tuk Tuk” “Tuk Tuk” no seu ouvido pra tentar te colocar dentro! A cada dois passos que você dá vem um diferente. Heheeh

Por todos os cantos que você anda pela cidade você vê gente praticando esse esporte. O nome oficial é badminton, mas no Brasil é mais conhecido como peteca. Cara, os bichos REALMENTE curtem esse jogo no Sudeste Asiático. Uma das meninas que me hospedaram na Indonésia me falaram que antes do badminton virar esporte olímpico a Indonésia nunca tinha ganhado uma medalha em Olimpíadas (a Indonésia tem uma população maior que a do Brasil, como já disse), só pra vocês terem uma idéia de como isso é popular por lá.

Phnom Penh tem uma área turística próxima a um lago, aonde você anda e os caras te oferecem maconha e primas no meio da rua e aos gritos: – “Ô mexicano! Amigo! Amigo! Tá afim de fumar um hoje?”. Eles gritam até em espanhol pra te deixar mais a vontade. Hahaha. Sim, não precisa falar que polícia lá parece ser algo inexistente!

Sim, essa árvore com algumas pessoas sentadas no melhor estilo “fim de tarde no interior” fica na parte central de Phnom Penh.Sim, meu amigo, em Phnom Penh também tem shopping, rapaz!
Consegue ver essa mulher de azul? Sim, ela é uma das seguranças do shopping, mas a função principal dela é ensinar as pessoas a ANDAR DE ESCADA ROLANTE!!! Sim, brother, o nível de desenvolvimento lá é tão baixo que as pessoas precisam de ajuda pra poder usar uma escada rolante. Cê acredita nisso, meu amigo?? Hahahah. Eu quase que fui pedir informação a ela só de sacanagem e pra ver se isso é verdade mesmo!!

Couch em Phnom Pehn

Cara, meu couch Phnom Pehn foi deveras engraçado. Peguei o endereço da menina e fui pra casa dela. Cheguei lá e quando fui entrando no quarto dela, a surpresa. Eu só escuto algo familiar: “Como um girassol, girassol, girassol amarelooooo…”. Cara, a mina tava escutando O Rappa! Fiquei de cara demais!

Mas isso foi antes de entrar no quarto dela! Na hora que entrei foi a surpresa maior. Tinha uma bandeira do Brasil IMENSA colada na parede do quarto dela. Na hora achei até estranho, pois ela tinha me falado que era francesa e não brasileira. Ela me falou que era apaixonada pelo Brasil e que todas as férias dela ela ia passar no Rio de Janeiro, São Paulo ou no Espírito Santo (se ela já era apaixonada pelo Brasil sem visitar o Maranhão, imagina como ela ia ficar depois de ir no Reviver em São Luís…). Devido a minha surpresa ao ver a bandeira do Brasil, ela foi lá e me mostrou que tinha muito mais coisas do Brasil, cara! Ela tinha canga de praia do Brasil, várias músicas brasileiras, falava um pouco de português, tinha o livro Budaspeste do Chico Buarque, namorado brasileiro e por aí vai… É sério, por um momento eu achei que ela fosse mais brasileira do que eu. Hhaha.

Phnom Penh tem um complexo de palácios parecido com o Royal Palace no Camboja. Eles são legaizinhos, mas os de Bangkok são muito mais loucos!!

Inicialmente pedi pra ficar na casa dela só umas três noites, mas acabei ficando mais de uma semana. Era engraçado porque ela dividia o apartamento com mais uma penca de franceses. Na verdade com mais quatro franceses, todos gente boa demais. Curti bastante essa mina, cara! Bicho era MUITO fofo ela falando português com aquele sotaquezinho francês dela. Hehehe.

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Problemas no Camboja

Diálogo ouvido na recepção do albergue hoje momentos antes de eu vir atualizar o blog:
 
– Cara, tudo bom? Será se dava pra você fechar minha conta no albergue? Tou indo embora amanhã.
– Beleza, que quarto?
– Quarto 1
– Tudo certo, cara. De onde você é?
– Ah, sou do Brasil!
– Brasil?? Ah é, você tá com uma camisa da seleção brasileira! Pô cara, eu curto demais o Brasil, os brasileiros são gente boa demais – ele me cumprimenta
– Pode crer. Especialmente os caras do norte do Brasil.
– Uau! Brasil! Melhor futebol do mundo! Kaká, Ronaldo, Ronaldinho!
– Robinho também é bom (sou fã do Robinho)
– Ué, mas peraí, agora que eu lembrei. Brasil acabou de ter um jogo esses dias, não foi?
– Uai, tou viajando, não tou ligado.
– Sim, sim!! Ah!! Lembrei, vocês acabaram de perder pro Paraguai de 2X0, né?
– Foi? ¬¬
 
Nem sabia. Chequei agora na net.
 

 

Depois dessa foi só abrir a conta de novo e pegar mais uma cerveja de 50 centavos. Afogar as mágoas…

Esse Dunga. Só me faz passar vergonha…

 

 

Um “briefzinho” do lugar que eu estava hoje. Sim, o Camboja é fantástico! Superou DE LONGE, minhas expectativas. E olha que esse templo não é um dos melhores. Vou deixar vocês com curiosidade até o post do Camboja.

Siem Reap

Enfim cheguei em Siem Reap, a cidade do Angkor Wat, o templo mais famoso do Sudeste Asiático!
 
Velho, tou ficando num albergue que mais parece um sonho. Tou pagando um dólar pela minha cama e tou numa casa ABSURDAMENTE gigante! Pra melhorar ainda mais, internet de GRAÇA!! Égua mermão, que dá vontade de não sair daqui mais nunca
Hehehe
 

Ah sim, a cerveja custa cinquenta centavos de real. Me protege, senhor!

 

 
Post sobre Bali vindo, aí. Já tá pronto, tou só dando mais um tempinho. Amanhã coloco um vídeo de Bali já.
 
Abraços maranhenses

Noticias em tempo reais

Primeiro, antes de tudo, gostaria de compartilhar com voces minha alegria!! Acabei de comprar minha passagem pro Vietna!! Essa semana tou descendo la! Mermao! Tou muito empolgado!! Vou passar uns 3 ou 4 dias so visitando museu e lendo tudo que puder sobre a guerra do Vietna! Caraca, doido demais! Meu visto pra India tambem ja saiu! Tou aportando la no comecinho de Julho, se tudo der certo!
 
Segundo. Amanha tou indo pro Angkor Wat! O lugar de longe que eu mais queria conhecer em todo sudeste asiatico! Nao sabem o que e’? Google!! Vejam que loucura a parada!
 
Terceiro. Galera, vi algumas pessoas fazendo varias perguntas e colocacoes interessantes na parte de comentarios, por isso resolvi responder para que todos leiam.
 
O Lucas Veloso, LARAZENTO que falou que eu parecia o boca (tou brincando, ri muito disso. Hahaha), me fez algumas perguntas legais:
 
1 – viajar por toda a asia como vc ta fazendo?
 
Cara, aqui, tudo e’ MUITO barato. Minha viagem em si ta sendo baseada nisso. Muiito tempo em lugares baratos e exoticos e quase nada em lugares caros e que todo mundo vai. Logo, provavelmente nao visitarei a Franca, com toda certeza nao vou mais na Inglaterra e agora estou planejando demais passar na Etiopia, Quenia, Tanzania e, meu maior sonho, RUANDA! Por todos esses lugares que passo, mantenho uma meta de gastar por volta de 15 dolares, com picos de 20. Ta dando super certo! Alem disso, ate agora, em todos lugares que passei, fiquei em couchs. (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL295001-5602,00.html reportagem pra quem nao sabe do que estou falando)
 
2 – quanto tempo deve-se trabalhar como slave (escravo) nos EUA pra conseguir $$$?
 
Cara, eu trampei so quatro meses. Fiz uma grana massa, consegui fazer quase 4000 dolares. Juntei com uma grana que tinha do Brasil, com uma grana que meu pai me deu e fui embora. Mas, na minha opiniao, oito ou nove meses de USA da pra fazer um regaco!
 
O Daniel Uchida, amigo da graduacao da UnB fez uma colocacao interessante. No video que fiz sobre as luzes de Jakarta, eu, a todo momento, burrinho, falo “mosteiro”, quando na verdade queria falar “mesquita”. A parada e’ que mesquita em ingles e’ “mosque” e como eu tava pensando em ingles, acabei traduzindo burramente pra “mosteiro”. Valeu pela correcao, Dani, ja coloquei um comentario sobre isso no post.
 
Por ultimo, meu pai me perguntou como os asiaticos veem o Brasil. Cara, essa era uma curiosidade que eu tinha tambem. Os asiaticos com mais estudos, ate sabem alguma coisa do Brasil. Eles falam que quando veem o Brasil, veem um pais grande, com um grande economia, grande populacao e grande produtor de alimentos. Agora, o asiatico medio, quando perguntado sobre o Brasil, os caras so sabem falar Rivaldo, Ronaldo, Robinho e Kaka. Os caras so conhecem o Brasil por causa do futebol e mais nada, nem do Rio de Janeiro eles ja ouviram falar (quantos brasileiros ja ouviram falar de Bali, que e’ MUITO mais famoso?).
 
A imagem que eles tem do Brasil e’ a de um lugar aonde todo mundo fica jogando bola o dia inteiro. Eu nao culpo eles. Eu percebi bem o que e’ voce ser ignorante sobre um pais. Na Indonesia, as indonesias me perguntaram qual era a imagem que eu tinha da Indonesia. Minha resposta? Um pais grande, muculmano, que matou muita gente no Timor Leste e tambem matou muita gente na ditadura de Suharto e nada mais. Fiquei ate com vergonha de falar. Mas eu pergunto pros leitores, qual e’ a imagem que voces tem da Indonesia?? Muita gente vai dizer Indo o que? E olha que a Indonesia nao e’ um pais trivial! Os bichos tem uma populacao maior que a do Brasil. Por isso que nao culpo quando um gringo diz que a capital do Brasil e’ Buenos Aires (sim, uma holandesa me respondeu isso na Malasia. Mas, mais uma vez, sera se todo mundo sabe a capital da Holanda? Da Belgica? E da Suica?).
 
Mas e’ isso ai’. Amanha solto um videozinho que fiz sobre Bali e daqui a dois ou tres dias, solto a primeira parte de Bali, que, serio, ta MUITO engracada.