Vida campesina na Coréia do Norte

Uma grande nação não é nada sem uma cadeia de produção agrícola eficiente com camponeses motivados e felizes. No mundo mágico de Kim Il Sung não era diferente. Fomos levados dessa vez para uma “típica” fazenda Norte Coreana para sabermos como viviam os camponeses de lá.
Lógico que vimos de tudo, menos plantações. Mas para que isso? Vimos estátuas, a casa “padrão” de um camponês norte-coreano, como ele vive e coisas do tipo. Como falei já várias vezes, parecia que estava passeando em uma sessão de algum parque temático, algo como o vale dos duendes no Beto Carrero ou algo do tipo, só que, dessa vez, falávamos de pessoas, que, infelizmente, sabíamos que não viviam com nenhum um pouco daquele luxo demonstrado…
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Escola de Talentos em Pyongyang, Coreia do Norte

Tivemos também a oportunidade de visitar a escola de onde saem os maiores talentos a serem utilizados pela propaganda do regime. Essas crianças são precocemente selecionadas para servirem para a máquina de propaganda do Estado. Como não fazem nada além disso, elas são realmente muito boas no que fazem. Uma dedicação de uma vida inteira para apresentações e demonstrações da perfeição do regime e felicidade que os coreanos possuem em fazer parte da grande nação comunista de Kim Il Sung. Repare, mais uma vez, no sorriso macabro das meninas do balé.
De todas as salas que visitamos, as meninas abaixo foram as minhas preferidas. A afinação de suas vozes, a sincronia dos seus movimentos, o sorriso forçado que continuava nos seus rostos, tudo isso contribuía para aumentar o meu fascínio por essa escola de Pyongyang. Vale a pena aumentar um pouco o volume e escutá-las cantar. No final assistimos a uma apresentação onde filmei pouco porque, bem, dormi metade dela, não porque foi ruim, mas porque eu realmente estava bem cansado dessa vida louca que levamos na Coréia do Norte
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DMZ – Zona desmilitarizada na fronteira da Coreia do Norte

Como já havia explicado em um post anterior, entre as duas Coréias fica a fronteira mais vigiada do planeta, a famosa DMZ – Zona Desmilitarizada. As vias mais bem asfaltadas e os melhores soldados norte-coreanos ficam nesta fronteira, de prontidão caso seja necessário cruzar para o outro lado.
Porém, inicialmente ela era vigiada mesmo para evitar que as duas Coréias saíssem no pau, mas hoje, na verdade, ela é mais vigiada mesmo pela Coréia do Norte para evitar que coreanos famintos tentem cruzar para a Coréia do Sul. Um retrato fiel de como um tracejado feito em um mapa pode ser tão visível para dois países
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Metrô em Pyongyang, Coreia do Norte – parte 2

Uma das maiores atrações de Pyongyang é o seu metrô. Copiando o metrô de Moscou (umas das maiores obras arquitetônicas do mundo e propaganda do regime) eles também fizeram um metrô grandioso, cheio de luxo e bem bonito.
O interessante, e o que é possível ver algum dos vídeos, é a profundidade que o metrô foi construído, você gasta DOIS MINUTOS subindo a escada rolante para poder chegar na superfície, é realmente BEM FUNDO! Segundo a explicação mais crível que li, isso ocorre porque o metrô foi construído também para servir como abrigo em caso de um bombardeio, segundo outras fontes, até uma bomba nuclear.

O engraçado era que estava previsto para nós vermos apenas uma estação de metrô e depois irmos embora. Mas, pombas, queríamos também ANDAR de metrô no meio do povo. Depois de muita insistência eles nos deixaram entrar no metrô. Depois da primeira estação que podemos ver a pegadinha. Só a PRIMEIRA estação que continha todos aqueles mosaicos, figuras e lustres.
As outras eram apenas estações normais e sem muita graça. Só na quinta, que foi a que descemos, que tinha mais mosaicos e lustres, não por coincidência, estação de metrô próxima do outro hotel em Pyongyang que aceita turistas estrangeiros. Trocando em miúdos, provavelmente só duas estações de metrô eram arrumadas apenas para turistas observarem, as outras, lógico, eram buracos no chão…
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Na Coreia do Norte – Os guias e metrô que também é um abrigo nuclear

Acaba que por todos os nossos passos serem vigiados e ser estritamente proibido conversar com locais na rua (até porque eles não falariam inglês de qualquer forma), os guias acabaram sendo o nosso link mais próximo que poderíamos ter como pensa e vive um norte-coreano. Tudo bem, todos os relatos aqui serão baseados na percepção de três ou quatro pessoas (nossos guias), mas ainda assim, de pouquinho e pouquinho, você consegue algumas informações legais. De qualquer forma, como já falei várias vezes, isso aqui é um blog e não uma dissertação de mestrado.

Havia poucos carros passeando pelas avenidas principais de Pyongyang. Porém, quando víamos, eram realmente carros de primeira como essa Mercedes acima. No comunismo do mundo mágico de Kim Il Sung, todos são iguais, porém uns são mais iguais que outros…

Eu não consegui identificar direito que carro era esse, mas os europeus que estavam no ônibus ficaram a polvorosa quando o viram. Segundo eles, um carro como esse não sai por menos de 70.000 euros…
E para você aí que tá com dinheiro sobrando, achei isso incrível, um out-door fazendo propaganda de um carro. Se você visse o tanto de carros nas ruas de Pyonyang saberia qual a minha surpresa em ver um out-door como esse. Além disso, não existem empresas no país. Para que diabos alguém faria propaganda então?

Eles dormiam no mesmo hotel que a gente. Apesar de que havia uns quartos “especiais” para guias. Especiais? Sim, especiais. Nos nossos quartos tínhamos acesso a Al Jaazera, canal internacional de notícias, e, salvo engano, BBC News.  Lógico que no quarto dos guias eles não tinham acesso a isso.Primeiro e antes de tudo é sempre importante citar, o guias são, sem sombra de duvidas, parte da elite da sociedade coreana. Conversando com eles você percebe que eles são estudados, inteligente e têm bastante cultura, apesar de ser algo limitado ao que eles podem saber. Um dos guias inclusive sabia a capital do Brasil (uau, meu Deus! Que coisa maravilhosa! É patrão, na China NINGUÉM sabia a capital do Brasil, no máximo um outro falava Rio de Janeiro. Por essas e outras que meu termômetro de cultura na Ásia é ver se alguém sabe o que é Brasília. Bem, de qualquer forma, experimente perguntar para um brasileiro médio qual a capital da Índia ou da China e vamos ver se ele sabe te dizer). Você conversa e vê que eles realmente sabem algo sobre a história de outros países (eles sabiam que fomos colonizados por Portugal, por exemplo), mas, mais uma vez, algo bem limitado ao que podem saber. O guia me falou que odiava Israel e que Israel era um câncer do Oriente Médio. Que a Síria e o Irã são países parceiros. Nada inesperado.

E AÍ? COMO VOCÊS VIVEM NA COREIA DO NORTE?

Para conseguir informações mesmo e tentar ter um panorama do que é Coréia do Norte, você precisa primeiro conquistar a confiança do guia, ficar amigo dele, porque aí uma hora ou outra ele começa a soltar algumas informações interessantes. Gente, não estou sendo maquiavélico não, eu não era nenhum espião tentando conseguir informações de onde estão as instalações nucleares ou a mansão de Kim Jong Il, eu basicamente queria descobrir um pouco da realidade da vida cotidiana, ainda que só de um membro da elite de Pyongyang. Pelo que pudemos conversar, a vida dele não é muito diferente da nossa. Eles vão para a escola, depois estudam bastante para poder passar em uma boa faculdade, se formam, procuram um emprego, trabalham. Trabalham de segunda a sexta, no fim de semana saem para tomar um chope com os amigos, conhecem pessoas, namoram, tem sonhos, casam, aplicam para um apartamento com as fotos de Kim Jong Il e Kim Il Sung lhe olhando de cima para baixo, tem filhos, constituem uma família e o ciclo recomeça. Ao que me parece uma vida normal. De qualquer forma, a guia vivia num apartamento de quatro quartos com os pais, muito maior do que qualquer apartamento que alguém do nosso grupo morasse =P

Apesar que, os nossos guias, como falei, não eram muito parâmetro. Uma noite, logo no começo, nós predispomos a pagar uma cerveja para um dos nossos guias, parte para confraternizar, parte para ver se, bem, ele ficava um pouco mais “soltinho” e assim pudesse nos dar alguma informação interessante sobre a vida na Coréia. O cara recusou porque disse que não bebia cerveja, só tomava uísque!! Eu juro que deu vontade de rir na hora lembrando o quanto é raro eu beber uísque no Brasil.

Visitamos também um navio americano espião americano que foi capturado em águas norte-coreanas. Dá pra ver que a situação foi um pouco complicada pelas marcas de bala marcadas em vermelho na figura abaixo
Buracos de balas na porta do navio

CURIOSIDADE ATIÇADAS

Em um país que mais parece saído de dentro de uma máquina do tempo há trinta anos atrás, em um país sem internet, é LÓGICO que a sua curiosidade fica deveras atiçada e você começa a perguntar e querer saber tudo sobre a vida cotidiana. Não foi diferente com os nossos guias. E dá-lhe perguntar para ele se lá existe internet, cartão de crédito, cheque…

Recepção do nosso hotel

Bem, não há acesso a internet externa, eles só tem um rede interna. Eles não podem mandar e-mails ou se comunicar com o mundo lá fora. Só tem acesso a internet quem o regime acredita que realmente precisa ter acesso como por exemplo os cientistas (que precisam saber da tecnologia do mundo afora), altos funcionários do governo, empresas de comercio exterior… Excepcionalmente alunos que forem muito brilhantes. Se eu quiser me contactar com o guia hoje, por exemplo, devo mandar um e-mail pra companhia dele, eles imprimem e o entregam. Não há forma de nos comunicarmos diretamente.

Lá existem bancos, mas todos estatais. Há o Banco Central, Banco de Comercio Exterior… Eles também têm cartão de crédito e cheques. Perguntei se o cheque do guia era bumerangue (aquele que vai e volta), ele me respondeu que o dele na verdade é frisbee, só vai e não volta. Como eles não tem internet acabam tendo que ir pagar as contas no correio mesmo.Segundo o guia, lá não existe empresa privada. Todos vivem de salario. Há uma hierarquia que é mais ou menos assim. Há o cara do balcão, o gerente da loja, o gerente de todas as lojas e lá no final, o Estado como dono de tudo.

Apesar de termos nossos celulares apreendidos no aeroporto, os coreanos podem possuir celulares, basta ter dinheiro para poder comprar e, segundo o guia, não é tão caro.

Depois de uns vinte minutos praticamente INTERROGANDO o pobre do guia sobre como se faz as coisas mais simples da vida cotidiana, como pagar uma conta ou assinar um cheque, ele simplesmente deve ter começado a achar que nos éramos um bando de idiotas mesmo. Nós ficamos tão “idiotas” com as coisas mais simples da vida, em saber como as coisas mais banais da vida funcionavam que uma noite fomos numa pizzaria e eu realmente fiquei impressionado como havia um delivery por lá.

Outro dia fomos andar de metro e ficamos fascinados com aquela geringonça que parecia ter saído de uma máquina do tempo, como já havia dito. Parecíamos crianças nos divertindo e andando naquele metrô. Mais uma vez o guia deve nos achar um bando de idiotas, como é que ficamos tão fascinados por andarmos em um simples metro. Ele deve ficar pensando se de onde nos viemos não tem metro.

STAND UP NORTE COREANO

No meio de todo esse interrogatório, ele mandou uma piada que apesar de ser bem imbecil eu ri pra caramba. Como se chama um veado sem olhos (dear without eyes)? No eye dear (trocadilho com “no idea” do inglês “não tenho ideia”. Quem manja inglês vai entender a piada. Pra mim ela é parecida com a piada de se perguntar qual animal tem entre três e quatro olhos? Simples, é o Piolho. Eu não vou explicar a piada, gente, fica pra vocês entenderem, hahahah).
Pior que não foi só essa piada não, o guia não parava de contar piadas, só que as outras bem mais sem graças. Contou uma piada do Robin Hood (quando na verdade ele queria dizer Don Juan), mas que no final fez sentido. Depois contou outras piadas bem simplesinhas. (Doutor, quanto é para arrancar um dente? É 150 reais. Em quanto tempo o senhor arranca? Em 2 segundos! Nossa, mas é muito dinheiro para pouco tempo. Bem, se você preferir, então me pague 150 reais e eu arranco o dente bem devagarinho!!). Era interessante vê-lo contando piadas porque eles eram de uma simplicidade gritante, mas parece aquelas piadas que você contava quando era criança. Interessante ver o nível de inocência deles.O pior que conversando com os guias tinha hora que dava, sinceramente, pena, saca? Pombas, você via, como já falei, que eles eram MUITO inteligentes. Conseguiam levar uma conversa na boa sobre vários assuntos diferentes e, o melhor de tudo, que eles tinham um raciocínio bem rápido, principalmente para contar piadas ou zoar alguém. Ele era muito articulado e desenrolado. Era triste saber que toda aquela inteligência estava sendo desperdiçada e aprisionada no mundo mágico de Kim Il Sung. Dava uma pena tão grande saber, cara, que se eles não tivessem tido a maldita sorte de nascer na parte norte da península, provavelmente seriam pessoas bem sucedidas, enquanto que lá na Coréia do Norte o máximo que devem conseguir é ter uma vida um pouquinho mais confortável que de outros compatriotas.Era triste, cara. Um dia perguntei para ele que país ele gostaria de visitar e ele me respondeu sem pensar: Venezuela. Perguntei para ele e ele me respondeu que a Venezuela é um país impressionante. Que lá até os pobres tem dinheiro para poder comprar perfumes. Lá os pobres adoram se perfumar e deve ser uma experiência impressionante pegar um busão pela manhã para ir trabalhar e ir sentindo diferentes tipos de perfumes e cheiros. Cara, eu poderia até zoar com isso, mas quando ouvi essa história eu juro que eu fui tomado por uma tristeza indescritível justamente pelo que já expliquei acima.

PROCESSO ELEITORAL

Enfim, continuando nas perguntas sobre o maravilhoso mundo mágico de Kim Il Sung, perguntamos ao guia se haviam eleições por lá, ele disse que sim, que ele tinha o direito de dizer sim e dizer não? Ãhn? Como diabos funciona isso? Basicamente, há algo como um Conselho Municipal que escolhe quem vai ser o deputado que vai representar aquele município ou bairro no parlamento. Eles votam pra dizer se aceitam ou não a decisão. Segundo ele, eles geralmente aceitam porque o Conselho Municipal só escolhe as pessoas mais “trabalhadoras” pra poder ocupar o cargo. Ele ficou visivelmente desconfortável quando estávamos perguntando pra ele e tentava de toda forma mudar de assunto. Quando o desespero tomou conta dele, ele virou para o lado e começou a falar comigo: – “Então, Claudio, vamos lá no Tae Kon Do para ver se a guia quer casar com você?

Guia de Tae Kon do nos recepcionado no “templo ao Tae Kon Do”

Só para vocês entenderem mais ou menos que história é essa. Entre as milhares de atrações que fomos visitar enquanto estávamos na Coréia do Norte, uma delas foi uma escola de Tae Kon Do, arte marcial coreana. Em todas atrações que vamos, há sempre um “guia local”, haja vista que é impossível o guia que fica com a gente no ônibus saber o que significa as dezenas de atrações que fomos visitar. Quando chegamos a guia local era muito bonita, bem, na verdade, a maioria das “guias locais” eram coreanas bem bonitas. É muito interessante como os guias locais sempre são mulheres e de uma grande beleza. Além disso, elas sempre estão muito maquiadas e impecáveis. Parecem umas bonequinhas. Além disso, claro, sempre ha soldados de longe vigiando a gente e tentando passar desapercebidos. Quando um aparece ali atrás das árvores, tentando ser discreto, a galera vai a loucura e todo mundo fica doido tirando foto dele. É engraçado ver o desespero do pobre tentando se esconder atrás das árvores enquanto vê aquelas dezenas de lentes apontando para ele.Tecla PAUSE

Mas essa guia do Tae Kon Do era de uma beleza estonteante. Falei brincando para o guia da gente que queria casar com ela, porque, cara, ela realmente era muito linda. Ele ficou rindo, mas depois, toda vez que a gente conversava sobre algum assunto, digamos, “sensível”, ele para mudar de assunto me falava: – Então, Claudio, vamos lá no Tae Kon Do para ver se a guia quer casar com você?

Tecla PLAY

QUERENDO SAIR DO HOTEL

Outro dia também fomos perguntar porque não podíamos sair do hotel sem a companhia do guia. Lógico que sabíamos porque, mas queríamos ouvir o que ele iria falar para a gente. Ele disse que não podíamos sair do hotel sozinhos porque ninguém falava inglês e podíamos entrar em uma enrascada. Quando íamos continuar a conversar, ele virou para mim e, adivinha? – “Então, Claudio, vamos lá no Tae Kon Do para ver se a guia quer casar com você?”. Lógico que entendi a senha =P

Prédios modernos em Pyongyang

Perguntei também para a guia se ela já tinha tido problemas com algum turista muito chato. Ela disse que teve problema só com um cara. Ele era um psicólogo e todos os dias pela manhã queria que ela fizesse um teste pra ele ter certeza que ela, veja você, não era louca. Sim, isso mesmo, vários itens que ela deveria escolher e figuras e coisas assim. No terceiro dia que ele pediu pra ela fazer isso, ela começou a chorar falando que não queria fazer isso. No final o doido era ele mesmo.

Sim, cara, lá tava tão quente que algumas vezes tudo o que a gente queria era ficar sentando de frente para um ventilador…
Quanto valia um escravo no tempo feudal coreano por idade e sexo. A mulher valia mais porque podia ter filhos. Sim uma vaca valia bem mais que o dobro que qualquer ser humano…

Por último, os guias parecem ter um certo fascínio por números. Todos monumentos que chegamos, eles antes de explicar tudo, fazem uma grande e detalhada explicação de quantos metros quadrados tem a área do monumento, qual sua altura, quanto pesa, do que é feito, quando e quantas vezes um dos três notáveis visitou o lugar. Parece que essas paradas são pra poder transparecer grandeza e aumentar o nosso fascínio, já que fica claro quando você vê a cara do guia o quanto ela brilha quando ele diz mais uma de suas grandes curiosidades, como quantas pedras de mármores foram utilizadas para fazer tal e tal estatua e quanto metros quadrados ocupa o lugar.

Galera batendo foto em um monumento
Dentro do Metrô!

METRÔ NORTE COREANO – UMA OBRA DE ARTE

O metrô era uma atração por si só. Copiando o metrô de Moscou (umas das maiores obras arquitetônicas do mundo e propaganda do regime) eles também fizeram um metrô grandioso, cheio de luxo e bem bonito.

Nosso amigo, todo pimpão, guiando os coreanos à prosperidade

O engraçado era que estava previsto para nós vermos apenas uma estação de metrô e depois irmos embora. Mas, pombas, queríamos também ANDAR de metrô no meio do povo. Depois de muita insistência eles nos deixaram entrar no metrô. Depois da primeira estação que podemos ver a pegadinha. Só a PRIMEIRA estação que continha todos aqueles mosaicos, figuras e lustres.

Linha viária do metrô

Lógico que, dentro do metrô, iriam haver fotos dos dois grandes líderes

Jornais estatais eram disponibilizados de graça e expostos no metrô

As outras eram apenas estações normais e sem muita graça. Só na quinta, que foi a que descemos, que tinha mais mosaicos e lustres, não por coincidência, estação de metrô próxima do outro hotel em Pyongyang que aceita turistas estrangeiros. Trocando em miúdos, provavelmente  só duas estações de metrô eram arrumadas apenas para turistas observarem, as outras, lógico, eram buracos no chão…

Exemplo de estação de metrô “normal” onde, lógico, não nos foi permitido descer

Nas paredes, lógicos, mosaicos exaltando a felicidade que os coreanos tem em viver sob a tutela do grande Kim Il Sung.
Nos mosaicos, sempre representações de comida, prosperidade, tecnologia e muita, MUITA felicidade.

Saudações!
Mosaicos

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Ursos acrobatas em Pyongyang

Estávamos nos divertindo bastante com as atrações do circo em Pyongyang. Realmente tudo era bem elaborado e bem bonito. Eis que do nada apagaram-se as luzes para o início de outro espetáculo. Nem em um milhão de apostas, adivinharíamos o que iria por vir.
Cara, apareceram dois adestradores trazendo presos por correntes algo que parecia com… ursos? Bicho, aquilo foi tão, mas tão bizarro que de início não acreditamos que realmente eram ursos. Eles andavam em duas patas parecendo… humanos? Achávamos que eram pessoas vestidas em fantasias fingindo que eram ursos, sei lá. Só percebemos que realmente eram ursos quando vimos os dois bichos lambendo os beiços e, pela língua, era possível perceber que não era uma língua humana. Cara, é meio complicado expressar isso em palavras, mas sem dúvidas foi um dos shows mais bizarros que pude presenciar em toda minha vida. Se aqui no Brasil já dá problema você ter shows com, sei lá, elefantes ou girafas no circo, imagina com ursos acorrentados como esses.
Engraçado que depois que saímos do circo, os guias nos perguntaram qual número mais gostamos e, lógico, fomos unânimes em admitir: Os Ursos!!!! A guia perguntou por que. Um dos americanos do grupo disse que eles até tem ursos de onde ele vinha, mas eles eram bem mais chatos, só ficavam revirando lixeiras e bagunçando a cidade, nunca fazendo malabarismos ou segurando binóculos…
Ursos andando em duas pernas, tem algo que só um país sem leis pode fazer por você.
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Na Coreia do Norte, o Brazilian Communist

Parecia que tudo na Coréia do Norte sempre ia terminar em apresentação. A gente ia jantar, tinha uma apresentação, a gente ia almoçar, no final tinha uma apresentação. Como já falei, apresentações sempre são importantes para demonstrar a “superioridade” de um regime específico. Eu só não contava que entre os instrumentos musicais que seriam utilizados, do nada, aparecesse uma sanfona (ou acordeão, para os mais puristas). Pô, eu não sabia que existia isso pelas bandas do Oriente, só era uma pena que elas não sabiam tocar Luiz Gonzaga.
Teve um churrasco que fizeram para gente que, lógico, teve uma apresentação no final. No meio da apresentação, a mulher destruindo na sanfona, todos se juntaram e começaram a cantar algo que parecia um hino. Depois de uns acordes, me veio uma sensação na cabeça de que eu já havia escutado aquilo em algum lugar. Passou uns 30 segundos e, me toquei, eles tavam cantando a o Hino da Internacional Comunista!!!!! Caraca, eu adoro essa música! Não que eu simpatize com Stálin, Marx ou Kim Jong Il, mas é que o Hino da Internacional é realmente bem bonito, a música e, principalmente, a letra. Comecei a cantarolar baixinho em português comigo até que o guia percebeu que eu cantava e, lógico, me puxou pelo braço. Quando os bichos viram que eu sabia cantar, foram a loucura! “Oh man, you are a brazilian communist!!!” (cara, você é um comunista brasileiro!!!). Eu, lógico, assentia com a cabeça… Queria ver quem era macho de, nessas horas, falar que não era e descer a lenha no Kim Il Sung. Eu héin, perco a minha ideologia, mas não perco minha cabeça…
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Circo em Pyongyang

Os países comunistas sempre se destacaram em qualquer esporte, apresentação ou artes que demande bastante disciplina. Isso é fácil de ser explicado, pois em sociedades extremamente fechadas, é bem mais simples você obrigar uma pessoa desde criança a exercer algum tipo de atividade que ela tenha talento mesmo contra sua vontade. Além disso, manifestações artísticas são perfeitas para demonstrar a “superioridade” de um regime específico.Os circos dos países comunistas sempre se destacaram por essa razão, por isso fiquei tão empolgado quando soube que iríamos visitar um circo em Pyongyang, pois se circo já é legal aqui, imagina na Coréia do Norte então.E, realmente, cara, não me decepcionou. O circo deles é algo realmente impressionante. Impressiona a leveza, a graça, o equilíbrio, a habilidade dos artistas, como eles conseguem fundir os seus movimentos e acrobacias com o ambiente musical de fundo. Filmei parte da apresentação e selecionei aqueles que acredito serem os melhores momentos, divirta-se =)
Cara, só alguns comentários. Olha a idade da criança que faz o malabarismo com as flores. Como o cara consegue fazer malabarismo arremessando bolinhas no chão? Fazer movimentos de ginástica artística no cavalo, como vemos nas olimpíadas é fácil, quero ver é fazer isso na corda bamba que nem a mulher no final. Impressionante!
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Fábricas e DMZ – a fronteira desmilitarizada entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul

Viajamos em três grupos. O grupo que foi para ficar apenas cinco dias, como ia embora, resolveu convidar a galera para poder fazer uma saída. Sair é forma de dizer né? Porque, na verdade, como disse, não tínhamos autorização para sair do hotel. Tomamos primeiro em um bar e depois descemos para um Karaokê que, adivinhe, ficava também no hotel. Ficamos lá cantando e rindo quando me toquei que, só um minuto, eles estavam viajando pela manhã, mas eu teria programa para o outro dia pela manhã e já eram rodados duas da manhã. Eu teria que acordar no outro dia as sete, eles não. Engraçado que o David não quis nem saber, ficou por lá mesmo e foi dormir quatro horas da manhã. Esse gosta.

No outro dia, continuando nossa viagem no maravilhoso mundo mágico de Kim Il Sung e seu sistema perfeito. Era necessário, lógico, visitar uma fábrica de maçãs. Porque toda potência que se preze tem uma fábrica de maçãs. Ao chegarmos já ficamos impressionados com o tanto de soldados armados meio que “patrulhando” a fazenda de maçãs. A fazenda de maçãs é completamente vigiada por policiais. É lógico, em um país que passa fome, comida passa a ser um importante recurso estratégico e pessoas desesperadas podem tentar roubar frutas. Depois de uma breve demonstração de toda a fazenda, continuamos a conhecer a fábrica de alimentos processados de maçã.

Não podiam faltar placas motivadoras vangloriando algum dos Kims, lógico

É engraçado que apesar de termos ido em uma “fabrica”, tudo lá brilhava bastante. Nada de graxa ou peças pelos cantos, mas parecia uma casa de boneca. Havia centenas de maquinas, mas sempre um ou outro cara operando. Parecia MUITO um parque temático, aqueles da Disney onde você vai e vê o Pateta ou o Donald sorrindo e lustrando sua casa.

Fábrica, literalmente, brilhando

Depois da fábrica de maçãs fomos também para uma fazenda de tartarugas, sapos e outros seres, que, apesar de asquerosos para gente, são base da cadeia alimentar coreana. Lógico que um de nós logo se empolgou para poder comprar uma tartaruga para provar como seria a carne da bichinha.Além da fábrica de maçãs, de seres asquerosos, também fomos a uma fazenda “modelo”. Um grande parque fazendário baseado nas grandes ideias do grande líder. Vimos alguns campos verdes ao fundo e, lógico, mais e mais propaganda do regime.

No meio de uma visita a uma das fazendas, nos foi proporcionado a possibilidade de visitar uma “casa modelo” de um camponês norte-coreano. Lógico que a casa era toda decorada e repleta de eletrodomésticos, ainda que parecendo da década de 70. Era mais ou menos como a casa do Mickey, lógico que eu tinha que tirar uma foto no sofá..

Sempre que íamos a algum restaurante ou algo assim, alguém do nosso grupo dava uma gorjeta para o garçom ou garçonete, que geralmente era um maço de cigarros (qualquer semelhança com uma prisão é mera coincidência…). Bem, dar maço de cigarro como gorjeta para criança de “casa-modelo” parece ser um pouco demais..
No meio do passeio era gente fazer um piquenique. Com a chuva, só nos restou comer dentro do ônibus mesmo

ERA CHEGADA A HORA ESPERADA: VISITAR A DMZ!

Como já expliquei anteriormente, a DMZ é a zona desmilitarizada mais vigiada do planeta. Tão vigiada que… é um dos principais pontos turísticos tanto da Coréia do Norte como da Coréia do Sul. É aquele típico ponto turístico sádico que você gosta de ir só para saber “como é que eles se ferram”.
Seguimos para a fronteira e antes de chegarmos na DMZ, o guia já começou com as informações. Lógico, os EUA, como sempre, são o problema. Eles separaram as Coréias, eles não querem que elas se desenvolvam, eles são o capeta de chifre. Foram eles que trouxeram as armas nucleares para a península e por isso a Coréia do Norte teve que se nuclearizar.
Se bem que, olhando por um lado, este não está muito longe da verdade. Antes de chegarmos na DMZ, o guia já foi falando que seria fácil saber quem queria paz e quem queria guerra, sem explicar, lógico de que lado ele estava falando que queria paz. Mas se fosse a Coréia do Norte, ficava difícil de engolir.

Lógico, uma das principais atrações turisticas da DMZ são os soldadinhos e suas gravatas na altura do peito. Todo mundo quer bater foto com eles. Esse cara deve bater tanta foto por dia que dá para ver a sua cara de felicidade servindo de modelo fotográfico.
Eu, lógico, não ia perder a oportunidade de bater minha foto também. Dá para ver que a pose do soldado é bem original, brinque de jogo de sete erros com a foto de baixo.

Ele explicou que a Coréia do Norte tem como plano e meta se unificar com a Coréia do Sul, afinal, eles dois são países irmãos e não há porque eles ficarem separados. Porém, a Coréia do Norte defende que haja uma reunificação sem interferências externas, baseada apenas no interesse das duas Coréias. Lógico que qualquer iniciativa da Coréia do Sul que não os agrade, eles logo alegam que os EUA estão por detrás e se retiram da mesa de negociações.
Eles podem até demonizar os Estados Unidos, mas é possível ver símbolos americanos, ainda que discretos, na Coréia do Norte. Acima, acento de Snoopy do motorista do ônibus e abaixo a Bela e a Fera sendo transmitidos na TV do restaurante…

Já pela parte da Coréia do Sul, ainda há uma vontade de tentar uma reunificação com a Coréia do Norte, o problema é que esse apoio vem decaindo anos após ano. As gerações anteriores da Coréia do Sul tinham grande interesse nessa reunificação porque tinham parentes, as vezes irmãos ou filhos, que ficaram aprisionados na parte norte da península. O problema é que essas pessoas vão envelhecendo e esses laços entre as duas Coréias vão se desfazendo. Imagine se seu avô tivesse um irmão aprisionado em algum lugar, ele teria muito interesse em tentar soltá-lo, o mesmo eu não diria de você ou de um filho seu, pois, no limite, como você não o conhece, essa pessoa acaba ficando vagamente apenas como o “irmão do seu avô”.

Bandeira Norte Coreana de um lado
Bandeira Sul Coreana do outro

Além disso sempre se discute o preço pela reunificação das duas Coréias. Sim, porque, cara, imagina, nós estamos falando de um dos países mais ricos do mundo se unificando com um dos países mais pobres do mundo. É lógico que uma reunificação invariavelmente levará a uma massa gigantesca de refugiados mal alimentados e mal instruídos, que pode basicamente colapsar a economia sul-coreana. Uma invasão de maltrapilhos famintos e levando miséria a umas das economias mais dinâmicas do planeta. Por isso que, para evitar que isso ocorra, para reunificar as Coréias, a Coréia do Sul teria que inundar a do Norte com investimentos e ainda assim receber uma leva de refugiados em suas cidades.

Ainda há um trem ligando as duas Coréias e também estradas, mas estão fechadas e vez ou outra são reabertas levando ao encontro de algumas famílias para simbolizar que as negociações estão em andamento.
Algo que é interessante e engraçado de se notar. Reparem que no ônibus branco, o volante encontra-se na direita (padrão inglês) e no verde encontra-se na esquerda (padrão utilizado aqui no Brasil). Como pode-se ver, eles não seguem um padrão específico, o que eu acredito que deva ser porque em um país com tão poucos carros, o trânsito não deve ser tão difícil de se controlar.
Todo mundo em fila. Ai de quem sair correndo na DMZ

Nós,lógico, como chegamos lá procurando encrenca, começamos a confabular o que seria bem engraçado de se fazer. Lógico que tivemos a ideia de todo mundo ir com aquelas roupas de oficiais e quando chegássemos na fronteira, sair correndo e gritando “estou livre” para tentar cruzar a fronteira. Abdicamos do plano quando levamos em consideração que isso poderia levar a fuzilamento sumário.

Um dado interessante é que como a Coréia do Norte é um país essencialmente montanhoso, tendo dois metros de área plana, eles já começam a plantar o que for. Não poderia ser diferente na DMZ. No lado norte coreano ha plantações, porém no sul não.
Esta placa tem 9,4 metros de comprimento para lembrar que nela está gravada a assinatura do presidente quando ele visitou a DMZ no ano de 1994. Eu adoro quando colocam esses simbolismos nas coisas…
Lógico que havia um oficial nos acompanhando na visita a DMZ. Era para nos ajudar com qualquer problema, não para nos vigiar, lógico…

Ele me falou que isso ocorre porque o a Coréia do Sul e os EUA querem invadir de qualquer forma a Coréia do Norte e por isso não querem plantações atrapalhando no caminho. Ele esqueceu de citar que um país que produz semicondutores, chips, navios, carros e produtos de tecnologia de ponta como a Coréia do Sul, LÓGICO que não precisa se preocupar em plantar, pode simplesmente comprar no mercado internacional. E esqueceu de citar também que a Coréia do Norte precisa plantar em toda e qualquer terra que tem por ser montanhosa e extremamente ineficiente, com uma produção de alimento por hectare ridículo.Você deve imaginar porque, mas lógico que eu fui perguntar ao guia.

Plantações em uma das fronteiras mais tensas do planeta
Por isso eles plantam ate na DMZ. É engraçado você ver aqueles soldados com rifles e metralhadoras gigantescas e do lado dele um tiozinho de chapéu, com uma foice na mão, plantando da mesma forma que mil anos atrás. Sem dúvida uma imagem perfeita da máquina do tempo em que entramos quando passamos pela imigração da Coréia do Norte.
Estradas que um dia ligaram Pyongyang a Seul. As estradas mais cuidadas da Coréia do Norte hoje, só esperando o dia em que serão utilizadas para invadir Seul
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Dia a dia na Coréia do Norte – Como era o nosso

Algo que eu tenho certeza que atiça a curiosidade das pessoas é o de como nos sentíamos viajando pela Coréia. Como já disse, eles fazem o máximo para transparecer a você que há uma normalidade gigantesca na Coréia, o que acaba por infligir como nós mesmo nos sentimos.
Bem, uma das principais coisas que eu sentia falta era a de escolher a minha comida. Pô, dependendo do dia você quer comer uma coisa ou outra.  Como pagamos tudo incluso já, café, almoço e janta, a comida que nós vamos comer já é certa. O problema é que, apesar de haver uma certa variedade, não temos muita escolha do que comer naquele momento. No quinto dia que estive por lá, foi a primeira vez que podemos fazer uma escolha, pudemos escolher o sabor da pizza que íamos comer, pode parecer pouca coisa, mas é muito depois de uma semana sem escolha alguma. Outra coisa que eu sentia muita falta era de gelo, que eu adoro! Bebida pra mim, pode tá congelando, mas tem que ter gelo. O problema é que a água de lá, não sendo mineral, era bem pouco confiável, o gelo menos ainda. Uma semana sem gelo foi muito pra mim…
Essa tartaruga teve uma história engraçada. Um dos nossos amigos quis saber se era possível comprar uma e levar para cozinha em algum restaurante. Os caras falaram que sim. Ele ficou escolhendo uma por uma, olhou nos olhos de todas e no final escolheu a que achava mais bonitinha e levou para o quarto do hotel dele. Encheu a banheira, colocou uma rolha, deixou ela dois dias nadando na banheira, tomava banho com ela e tudo. No final ela acabou virando sopa. Esse cara era frio, ele praticamente comeu um grande amigo…
Diz a lenda coreana que o sangue da tartaruga tem poderes afrodisíacos. Antes de matá-la, eles cortam a cabeça, pegam o sangue que escorre e jogam no vinho e dão para a galera beber. Eu, lógico, não ia perder uma oportunidade dessas. Se bem que ficar tomando essas coisas afrodisíacas em um grupo com um bando de homens deixou todo mundo preocupado comigo…
Rolou também um churrasco para gente em um parque coreano. Esse aí de óculos é o David, o dono da agência de turismo, engraçado demais! Umas das coreanas veio perto dele e perguntou em inglês: “Amigos?”. Sabe o que ele respondeu? “Clientes! Cli-en-tes! Eu não gosto deles! Gosto apenas do dinheiro deles!”. Lógico que morremos de dar risada…

A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA, A GENTE QUER BEBIDA…

Apetitoso, não
Sim, eu comi carne de cachorro. Foi em uma sopa. A carne era meio borrachuda, mas não tão ruim quanto eu pensava
Sobre comida, apesar de não podermos escolher, a quantidade era sempre gigantesca. Eles botavam a gente pra comer que nem um bicho para que não pensássemos que o pais inteiro esta morrendo de fome. A Coréia do Norte tem uma história bem peculiar. Durante muitos anos eles foram mantidos artificialmente pela União Soviética, que vendia a eles petróleo bem abaixo do preço de mercado (e em qualquer economia, petróleo é a base da escala de produção). Eles realmente começaram a ter problemas depois que a União Soviética se desfez, pois a gasolina e outros produtos básicos a preços subsidiados simplesmente deixaram de ser fornecidos. Apenas imagine toda uma cadeia produtiva baseada em um tipo de matéria-prima barata tendo que se adaptar aos preços internacionais de petróleo. É lógico que a economia ruiu e milhões de norte-coreanos vieram a morrer de inanição.
Sim, fomos assistir a uma apresentação de golfinhos. Acredita?
Sendo observados com curiosidade no meio de um espetáculo

O tour era bem legal, com várias atrações, mas só tinha um problema. Cara, ele acaba colocando tanta coisa pra fazermos, que acaba que no final dormirmos bem pouco. Por três dias fomos tendo que ser acordados cada dia mais cedo. O dono da agencia brincava que a meta dele era no ultimo dia acordarmos cinco da manhã. Acabam que os programas ficam bem apertados e durante uma ou outra apresentação, a gente acabando desabando no sono, como ocorreu comigo. Teve uma apresentação de crianças SUPER da hora, mas eu acabei dormindo. Dormi tanto que um amigo me acordou porque disse que eu tava roncando e alto no meio da apresentação. Porra, havia acabado de chegar no Oriente, cara. Meu corpo ainda estava se acostumando com 11 horas de diferença de fuso. Dormindo pouco, ai é que caía no sono mesmo. Todo dia entre as quatro e cinco da tarde, dava um sono gigantesco, pois era o que seria quatro ou cinco horas da manhã no Brasil.

Versão coreana para Dona Flor e seus Dois Maridos
Depois de um tempo você se sentia mais como se estivesse trabalhando do que viajando em si. Isso acabava também por influenciar em nossa própria liberdade. A parte boa de viajar é você sair por aí, sem lenço nem documento, escolhendo o que ver e fazer em determinado momento. Isso na Coréia do Norte é inexistente. Sentimos a falta de liberdade também quando viajamos. Como somos vigiados o tempo inteiro, exploramos o que está a nosso alcance, ainda que vez o outra fosse o hotel, ou até mesmo ficássemos dando voltas dentro do bar ou de um restaurante. É engraçado como as vezes parecemos crianças. Sabe quando você é menino, tá em um restaurante com seus pais e você pede para ele para dar uma volta? Aí eles falam, pode, mas vai só até aquela mesa, não sai daqui de dentro? Pois é, a gente se sentia mais ou menos. Não raro você via gente do nosso grupo andando em círculos…
Vou falar com mais detalhes em um outro post, mas o dono da empresa de turismo que nos trouxe para Coréia do Norte também estava com a gente. O nome dele é David, ele é de Londres e é um cara incrivelmente gente boa. Ele geralmente acompanha os tours que a empresa dele organiza para ver se tá tudo certo e também transmitir um pouco de confiabilidade ao grupo. Apesar de tudo, com o passaporte retido, ele também era prisioneiro como nós.
No meio dos diversos lugares que fomos visitar, lógico, não podia faltar uma visita a “Escola das Crianças” de Kim Il Sung. Apesar de parecer ser algo legal, com um nome bonito, o que nos pareceu basicamente foi apenas uma fábrica para suprir a ânsia do culto a personalidade dos Kims. Lá crianças são treinadas desde a mais tenra idade para dançar, cantar, tocar algum instrumento… Posteriormente elas serão o corpo de frente de alguma apresentação a algum Kim e demonstrar a “superioridade do regime comunista coreano”.
Cara, isso era algo que me deixava agoniado, esse sorriso forçado que as crianças mantinham no rosto enquanto dançavam. Rapaz, era algo assustador, MUITO agoniante! Imagina que balé é um dança que causa muita dor, elas passam horas na ponta do pé. Imagina a dor que essa criança não tá sentido e sendo obrigada a sorrir desse jeito. Que agonia.
Sim, nós tocamos sanfona! TOCA GONZAGÃO!
Foto bacana para você sair no meio do mural da escola, né, amigão?
Versão coreana de South Park
Quem souber ler em inglês, vai dar risada
Sabe aqueles filmes de prisão onde os carcereiros selecionam um dentre os presos para ser o responsável pela intermediação? Pois é, esse era o David! Ele tinha algumas “regalias” que nós não, como poder sair sem o grupo para dar umas bandas por ai, negociar nos restaurantes, jogando os preços para baixo, basicamente tinha uma certa liberdade para trabalhar. Ele é o único estrangeiro que tem, veja você, um celular! Se nos morros o chefe do tráfico se diferencia dos outros soldadinhos por portar um AR-15, o símbolo de status do David era o celular! Ah sim, ele podia sair sem a gente, mas, claro, sempre com um guia a tiracolo. Ele dizia que era engraçado quando ele dava umas voltas e perguntava: – “Qual a especialidade deste restaurante? Massas, saladas, cartas de vinho?” e maioria das respostas era: – “Galinha!” ou “Carne!” ou “Porco!”. E quando a gente chegava no restaurante só tinha um tipo de prato mesmo. Como disse, essas era uma das poucas horas que, com perspicácia, podíamos quebrar a “bolha de normalidade” que eles tentavam nos deixar presos e nos lembrar que estávamos em um país tão pobre quanto o Congo.
Nas refeições não existe muito essa nossa cultura de bebermos sucos. Na verdade, não deve haver é disponibilidade de frutas a preços não exorbitantes! Por isso, no final, não bebemos muito sucos e, essa eu não sei porque, também não bebemos muito refrigerante! O que a gente bebe nas refeições? Cerveja!!! AAAHHHH!! Mermão, é no almoço, é no jantar, e quando voltamos pro hotel a noite para ao menos dar um soninho, né? Deus meu, como bebíamos cerveja lá. Toda refeição eles socavam cerveja na nossa goela. Depois de um tempo eu simplesmente começava a beber água mineral mesmo porque senão passava o dia com sono.
Como ficávamos o dia inteiro presos dentro dos ônibus para cima e para baixo, tentávamos de qualquer forma nos relacionar, ainda que a distância, dos populares que conseguíamos ver nas ruas. E como havia gente nas ruas!
A gente passava o dia inteiro sorrindo e acenando para as pessoas, principalmente crianças, e, como erámos novidade em um país prisão como aquele, todos ficavam felizes em acenar de volta para gente.
Tudo bem que a Coréia do Norte sofreu uma das maiores enchentes de sua história, mas sair para passear vestindo um colete salva-vidas já é pouco de precaução demais, né?
Todo mundo em fila esperando a hora de saudar as estátuas gigantescas dos Kims
Além disso, também batíamos fotos de toda e qualquer coisa. Queria ver a senha para todo mundo sair batendo foto? Era só o David ou um dos guias falar: “Gente, não batam foto neste local!”. Mas era só eles terminarem de falar essa frase para gente ouvir “Plec, plec, plec!”, as máquinas disparando! Me sentia às vezes meio estranho de saber que fazíamos algo como um safári com seres humanos, dentro de um ônibus lacrado por ar-condicionado, batíamos fotos de pessoas fazendo as coisas mais simples do cotidiano. Meio que um prazer sádico de saber como aquelas pessoas eram! Na verdade também me sentia as vezes como um animal dentro de um jaula, tamanha a curiosidade das pessoas em ficar nos observando quando passávamos por eles. Era como se presos dentro daquele ônibus, duas realidades diferentes encontravam-se separadas por um muro gigantesco.
Ás vezes pode ser meio estranho saber que está sendo fotografado, não?
Mais um nobre coreano contribuindo para a Revolução
Outra coisa estranha é que, apesar do que imaginávamos, havia turistas por TODOS os lados. Todos monumentos que chegávamos estavam lotados de ocidentais.  Alguns bem estranhos. Devia ser por causa das apresentações do Arirang…
Sapato legal você escolheu para vir para a Coréia do Norte, né amigo? Sem falar no calção de pijama!
Não nos era autorizado ter dinheiro norte-coreano. Até porque não precisávamos tanto, afinal, tudo já estava pago. Dinheiro mesmo só era necessário para comprar lembrancinhas. O que teoricamente não seria tanto dinheiro. Ênfase no “teoricamente”. Sim, cara, quando chegávamos nas lojinhas, parecíamos um bando de loucos querendo comprar tudo. Pombas, quanto vale um cartão postal, um biografia de Kim Jong Il, um cartaz de propaganda? Pior que não era caro! Erámos turistas, mas eles não enfiavam a faca na gente! Um cartaz conclamando as pessoas a guerra? 10 reais? Bicho, como diria aquela propaganda da Mastercard, aquilo “não tem preço”! O problema é que compra cartões postais, chaveiros, cartazes, camisas, uma hora ou outra o “não tem preço” começava a tornar-se bem carinho.Vamos comprar o país inteiro
A história desse guardinha foi bem engraçada. Todo lugar que íamos bater fotos, sempre havia um ou outro guardinha com a gente para “nossa segurança”. Acontece que esse, não sei porque, resolveu se mutucar no meio das árvores para nos “espionar”. Ih, rapaz, quando acharam esse cara, foi engraçado. Todo mundo ficou apontando para ele “olha um guardinha escondido na mata” e plec plec plec, todo mundo saiu batendo foto do coitado. Era engraçado que ele virava para um lado do árvore tentando se esconder, a gente virava, ele voltava, a gente voltava. Ficou aquele negócio, um cara se movendo e um turbilhão de gente se movendo ao mesmo tempo com ele. Parecia cena do desenho do Pica-Pau

Bem, mas se eu pudesse resumir em poucas palavras como foi a viagem por lá o que mais me incomodava, com a desculpa da redundância, era realmente o fato de ser um prisioneiro. De não poder ter o meu horário, de não decidir pra onde eu vou ou o que eu quero comer. Por um lado é mais fácil porque você não se preocupa com nada, por outro é MUITO chato porque nem toda hora você esta na vibe de sair, as vezes eu só quero ficar escrevendo no IPAD mas eu não posso. Não sei como as pessoas conseguem viajar de excursão, é muito chato.

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