O Lesoto era o último país que faltava para eu completar minha viagem por todos os países do sul da África. Um pequeno reino completamente cercado pela África do Sul, onde todo o território fica acima dos mil metros de altitude e cuja própria existência está ligada à história de Moshoeshoe I, o homem que conseguiu unir os basotho e negociar para que seu povo não fosse engolido pelos vizinhos. Mas antes de conhecer essa história, eu precisava simplesmente conseguir entrar no país. E foi aí que começou a novela. O antigo sistema eletrônico de vistos do Lesoto havia sido desativado e o processo passou a funcionar praticamente por e-mail. Mandei os documentos, esperei, cobrei resposta, mandei novamente e passei semanas sem saber se alguém sequer tinha aberto minha mensagem. Quando a viagem já estava chegando e eu começava a considerar cancelar tudo, finalmente apareceu uma autorização na minha caixa de entrada. Problema resolvido? Claro que não. Ainda na África do Sul, a companhia aérea precisou telefonar para o Lesoto para confirmar se aquele documento era verdadeiro. Depois de finalmente embarcar, cheguei ao aeroporto e descobri que a autorização também não era exatamente o visto: eu tinha apenas 72 horas para comparecer pessoalmente ao Ministério de Assuntos Internos e terminar o processo. Foi quando conheci de perto a burocracia basotho. Pilhas de processos em papel, salas abarrotadas, funcionários procurando meu pedido no meio da papelada, uma longa espera para pagar a taxa e mais de uma hora aguardando apenas a assinatura de um supervisor. Foram cerca de três horas dentro de um ministério praticamente vazio até finalmente sair de lá legalizado. E ainda conseguiram me entregar o recibo de outro estrangeiro. No meio dessa confusão toda, comecei a entender melhor um país que tem uma história muito mais interessante do que seu tamanho sugere. O Lesoto existe em grande parte graças a Moshoeshoe I, líder que conseguiu reunir diferentes grupos basotho, resistir ao avanço dos bôeres e buscar proteção britânica para preservar seu território. A antiga Basutolândia acabaria conquistando a independência em 1966 e se transformando no atual Reino do Lesoto. Neste vídeo mostro como foi essa primeira parte da minha passagem pelo país: a dificuldade para conseguir o visto, a chegada ao pequeno aeroporto, o inacreditável processo dentro do ministério e um pouco da história que explica como um reino conseguiu sobreviver completamente cercado pelo território da África do Sul.
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