Em Belém, na saga do caminho ao Suriname

Há muito tempo atrás, vi uma dessas análises de internet onde se analisava a América do Sul comparando cada país com um personagem do Chaves. Lembro que comparava-se o Godines ao Suriname, pois, segundo essa comparação, ele aparecia tão pouco na América do Sul que quase ninguém lembrava que ele existia. Confesso que comecei a nutrir uma certa curiosidade por lá então.

Resolvi viajar para lá esse começo de Janeiro e já emendar com Trinidad e Tobago, Granada, Barbados e Guiana, já que é tudo um do lado do outro. Comprei minha passagem para Belém, de Belém para Paramaribo, de Paramaribo para Trindad e Tobago…
Meu plano era chegar em Belém por volta das duas e ficar na sala VIP do aeroporto que tem algumas poltronas reclináveis e lugar para tomar banho. As cinco da manhã meu voo saía para o Suriname. Só alegria, tudo certo para o plano.
Até aparecer o porém…
Estadia forçada em Belém
Confesso que fiquei impressionado quando fiz as contas e vi que fazia quase 20 anos que eu não vinha a Belém, apesar de ser uma capital tão próxima de São Luís.
Cheguei em Belém e quando estava indo para a sala VIP do aeroporto pensei: “pombas, essa mochila está muito pesada, talvez fosse uma boa eu ver se conseguiria despachar a minha mochila logo”. Fui ao guichê da Surinam Airways perguntar com quanto tempo de antecedência eu poderia despachar a minha mochila e tenho a minha grata surpresa. Quando chego no guichê, me é avisado que houve um problema no aeroporto de Caiena (onde eu iria fazer uma escala) e devido a isso nosso voo ia atrasar pelo menos cinco horas. Como eu soube? Eles me ligaram? Apesar de terem todos os meus dados, telefone, e-mail etc, não ligaram. Se tivesse seguido direto para Sala VIP só quando fosse despachar minha mala as duas da manhã que eu ia saber que meu voo partiria por volta das dez do outro dia.
Tentei ver se recebia alguma compensação por esse breve atraso de cinco horas, um hotel, um táxi para o hotel, um abraço de boa sorte, alguma coisa, porém foi tudo em vão. Tive que dar o meu jeito e arrumar um lugar para dormir em Belém.
Couchsurfers locais de Belém me passaram um bizú do Hotel Amazônico onde eu poderia me hospedar em um quarto privativo, com ar-condicionado, a 50 reais. Sei lá, parecia barato demais, mas como o Ibis próximo era quatro vezes o preço, resolvi arriscar acordar em uma banheira de gelo sem os rins.
Dos limões, saindo a limonada
Peguei o ônibus e fui em direção a este albergue/hotel que me passaram o bizú e o cobrador foi até gente boa me mostrando onde eu iria descer. Desci e fiquei esperando encontrar um lugar mais ou menos como o quarto assombrado de Fiji. Quando cheguei, pô, o quartinho até que era legal, valia demais o preço que eu havia pagado por ele. Ainda por cima era no centro de Belém.
Cheguei, joguei minhas coisas no quarto e resolvi procurar algum lugar para poder alguma coisa, pois já eram rodados quatro da tarde e tudo que eu tinha no bucho era o café da manhã.
Saí andando e a menina do albergue me indicou um restaurante aqui perto. Cheguei, a comida tava um pouco mofada e resolvi continuar andando.
Lááááááá ao longe vi que tinha uma feira, então resolvi descer para lá porque feira é lugar sempre onde tem comida. Ao chegar e ver os gringos me toquei que estava chegando meio que sem querer no famoso Mercado Ver-o-Peso de Belém. Imaginei que seria aquela coisa turística, mas se é turístico, sempre tem comida, ainda que cara.
Rapaz, quando eu cheguei…
Bicho, o Mercado Ver-o-Peso é um mercado mesmo, do jeito que deve ser. Tudo sujo e com aquela mistura de galera. Rapaz, tinham gringos, brasileiros, brancos, negros, machões, viados, mendigos, velhos, crianças, caras de muleta, pedintes, gordos, fidumaéguas, cornos, gordos fidumaéguas e cornos, paidéguas… o que você imaginar. Uma placa pedindo que as pessoas não mijassem no rio e um somzação com aquela bagaceira comendo. Não teve outra, era lá que eu queria ficar. Mas bicho, parecia mais um sonho.
Puxei um banco de plástico, pedi uma cerveja e fiquei tomando na beira do rio com aquela bagaceira comendo solta. Gente, que lugar lindo.
Quando já estava na minha segunda cerveja, lembrei que havia ido ao Mercado procurando algo para comer e perguntei para a tia o que tinha:
 – Olha, aqui de acompanhamento é só farofa e vinagrete, não tem arroz!
– É bom que faço só o Chibé e não gasto espaço do bucho com arroz.
– Pois então tem em um peixe aqui que é 20 reais a posta e 25 reais ele em isca.
– Uai, tia, qual é a diferença dos dois?
– É que um eu te sirvo cortado e outro você tem que cortar! – respondeu com aquela cara de “mais você é idiota?”
– Pois me traga o de 20 que eu mesmo corto aqui!
Fiquei esperando e pensando que, pombas, 20 reais é um prato de comida em Brasília em um lugar levemente arrumado e não em um lugar daquele onde do meu lado tinha uns bêbados mijando na placa que pedia para ninguém mijar no rio. Mas enfim, tava com fome e ainda por cima ia ser peixe com Chibé!
Fiquei lá tomando aquela cerveja naquele calor de lascar e escutando o brega que tava tocando.
Quando a mulher falou que ia me trazer o peixe, rapaz, sem brincadeira, só faltou trazer no carrinho de mão! Bicho, era uma porção de peixe gigantesca! Depois que a tia foi me falar que aquela era uma porção para duas pessoas (!!!). Não tem jeito, comigo comida não estraga e lá fui eu comer o meu peixe! Que peixe bom danado! E por vinte reais!
Quando terminei de comer o peixe, passou uma daquelas bicicletinhas vendendo cd, com o som no talo e tocando Pablo e foi todo mundo tocado pela sofrência!
Rapaz, a quem estiver lendo isso aqui. Quando eu morrer cavem um buraco no meio do Mercado Ver-o-Peso e me enterrem lá dentro! Quero para sempre viver no meio daquela Patuscada!
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Meu agradecimento em duas rodas ao Conjunto Nacional

Hoje tive que resolver uns problemas no setor bancário norte e, aproveitando que estava do lado, fui almoçar no Shopping Conjunto Nacional.
Entrei com minha bicicleta no estacionamento do shopping, achei um bicicletário para amarrar a minha bike e quando estava prendendo ela um dos seguranças do shopping veio em minha direção com um tíquete na mão.
Já comecei a ferver de raiva imaginando que eles iriam cometer o cúmulo de cobrar para eu amarrar a minha bicicleta dentro do estacionamento, já fui pensando em não pagar e amarrar a bike no meio da praça de alimentação só de raiva.
Qual não foi a minha surpresa que, Romário (lembro até agora o nome do fiscal, nome de craque), perguntou meu nome, anotou no tíquete, me entregou e falou que aquilo era cortesia do shopping para com os bikeiros. Que depois que eu amarrasse a minha bicicleta com minha corrente, ele iria passar uma segunda corrente por cima e a minha bicicleta só sairia de lá se eu entregasse meu tíquete a ele, que eu guardasse para a minha própria segurança.
Quando fui sair, não deu outra, ele pegou o tíquete, desacorrentou a minha bike, parou os carros e me ajudou sair do estacionamento. Muito legal!
Tíquete da minha bicicleta!
Em uma cidade que cada dia mais parece que baba sangue quando vê alguém de bike na rua, que olha a bike como uma mira para passar com o carro por cima, que não entende que um gordo em cima de uma bike significa um carro a menos no engarrafamento e uma vaga a mais para estacionar o seu carro, que surta de raiva quando vê a gente pedalando a 25 km/h em uma via de 40 km/h, em uma cidade como essa, uma pequeneza dessas de um shopping faz a gente se sentir menos lixo e lembrar que subir em uma bicicleta não me faz menos humano…
Todo mundo acha bonitinho salvar os pandinhas. Porém não só não quer largar o carro de mão como ainda quer ferrar com a vida de quem resolve deixar o carro em casa (ainda que ande bicicleta por preocupação com taxas de colesterol como eu =P)

Ai ai, agora deram para falar do Maranhão

Agora, além de maldizer o Nordeste, acharam por bem falar do Maranhão, já que o meu estado foi onde houve, proporcionalmente, mais votos para Dilma. Parece haver um consenso entre os insatisfeitos de que a votação expressiva do Maranhão deve-se unicamente ao Bolsa-Família e que, egoisticamente, os maranhenses ficaram com medo de deixar de perder seu “privilégio”. Bem, gostaria de deixar o meu testemunho de porque acho que 70% dos maranhenses votaram em Dilma. Não tenho a pretensão de dizer que isso é uma verdade absoluta ou falar em nome de seis milhões e meio de maranhenses, até porque votei no Aécio, mas, como já disse, é apenas um testemunho.
Quebradeiras de coco babaçu mamando nas tetas do governo

Bem, o Maranhão de minha infância foi um estado pobre e que hoje me impressiona o tanto que mudou em um espaço de tempo tão pequeno.
Apesar de nunca ter vivido em miséria ou pobreza, pois, graças a Deus, minha família era de classe média, cresci em um lugar onde a mão de obra era tão barata que as casas de classe média do Maranhão pareciam verdadeiras cortes tamanho o número de empregados. As crianças vinham do interior do Maranhão, fugindo, como diria Patativa do Assaré, “com medo da peste, da fome feroz”. Eram “criadas” pelas donas de casas maranhenses. “Criadas” significava que elas trabalhariam de graça para ter a oportunidade de estudar em uma escola pública, desde que a noite, e caso a Casa Grande, digo, a família fosse condescendente, essa criança receberia algumas roupas usadas como “presente”. Quando virasse adolescente, com muita sorte, receberia, um salário mínimo??, não, meio salário-mínimo, ou, como dizíamos no Maranhão, meio salário, que naquela época era miserável. Era um sistema tão surreal, que havia um sentimento de gratidão entre essas meninas e as donas de casa, pois elas sentiam-se realmente “criadas” e sabiam que se não tivessem vindo do interior para se submeterem a isso, a sua sorte seria bem pior.

Curta de Glauber Rocha, que foi encomendado por José Sarney em sua posse ao governo do Estado do Maranhão em 66. Até vinte anos atrás era tão atual…
Lembro de uma professora minha, em plena aula, dizer que tinha um jardineiro que cobrava só um prato de comida para poder fazer o trabalho. Ela dizia que sabia que era barato, mas é o que ele cobrava. “Ah, mas também era um senhor prato que ele comia” – ela dizia como para se justificar. Acostumei-me a estudar em escolas em que os poucos negros trabalhavam como porteiros ou faxineiras. Não lembro de ter muitos amigos negros no Maranhão (negro quando digo é da cor do Pelé, não moreno quase que nem eu), não por não gostar deles, mas sim porque os negros não faziam parte do nosso círculo social. Os poucos amigos negros que lembro de brincar na rua do meu bairro eram adotados ou “criados”. Isso no segundo maior estado negro do país.
Lembro de, quando criança, ficar aterrorizado em descobrir que alguns dos jardineiros, motoristas, entre outros que prestavam serviços eventuais para nossa casa, não sabiam ler nem escrever e, ironicamente, aprendiam as primeiras palavras das crianças da casa que, naquela inocência, acreditavam que poderiam ajudar. Lembro de perguntar quantos irmãos eles tinham e eles responderem que a mãe teve oito filhos, mas só cinco “renderam”, já que era natural crianças morrerem de desnutrição no Maranhão antes dos cinco anos.
Lembro, quando criança, de conversar com um menino vizinho meu e perguntar do lavador de carros da casa dele, que gostávamos porque nos dava algumas aulas de capoeira (apesar de algumas mães não aprovarem por dizer que aquilo era coisa de preto e vagabundo). Vi que fazia tempo que ele não ia mais lá e resolvi perguntar por que: – Ah, nós juntamos um bando de roupas usadas e demos para ele. Depois ele veio pedir salário, ele era muito folgado – foi a resposta que recebi e que, se hoje acho de uma atrocidade tremenda, naquela época, como criança, achei apenas natural.
Mas não só a classe pobre maranhense era assim. A classe média do Maranhão também era pobre, ainda que frente a grande maioria da cidade fôssemos ricos. Quando criança, ficava maravilhado ouvindo as histórias dos poucos felizardos que haviam tido a graça de visitar São Paulo, como tudo lá parecia coisa de outro mundo, não era “aquele lixo que é São Luís” – como a gente costumava dizer. Naquela época, mesmo um classe média maranhense, deveria ter uma renda per capita cinco vezes menor do que um classe média paulista, isso sou eu chutando.
Poderia escrever trinta, quarenta páginas sobre a minha realidade de criança, mas acho que deixei meu ponto.
Maranhenses que só pensam em si mesmos e votaram na Dilma
Hoje, em São Luís, é preciso muita coragem para se “criar” meninas na sua casa. Com a melhora das instituições e o maior nível de escolaridade, ninguém se sujeita a esse tipo de trabalho escravo e, depois de levar um processo na justiça do trabalho, pode acontecer é de você ir limpar a casa da empregada para pagar a dívida. Depois da Emenda Constitucional das Domésticas “empregada no Maranhão agora só quer ser chique” – como escutei na última vez que fui lá. O interior do Maranhão pode não ter virado uma maravilha, mas pelo menos deixamos de ver pessoas literalmente fugindo de lá para não padecerem de fome ou desnutrição e hoje poderem ir para escola. Educação ruim, é verdade, mas melhor do que quando não tinham nem isso e tinham que aprender a ler com as crianças da Casa Grande.
Hoje o Maranhão pode não ter virado São Paulo, a ilha das maravilhas de todo maranhense da década de 80, mas com certeza a nossa diferença diminui absurdamente. O Nordeste nos 12 anos do governo Lula-Dilma cresceu a uma taxa três vezes maior que a média da taxa de crescimento do Brasil. A título de comparação, em 2011, o Maranhão cresceu a taxas chinesas, 10,3%, enquanto o PIB nacional cresceu 2,7%. Se isso foi por mérito do PT, foi por causa do crescimento da China, foi por causa das reformas do FHC, foi por causa da seleção de Parreira de 1994, por causa do Capitão Planeta, ninguém pode afirmar, mas é natural a tendência das pessoas a ligar os pequenos avanços que conseguiram a quem está no poder. Os nossos avós, a Getúlio Vargas, os maranhenses, a Lula e Dilma e, graças a Deus, não aos Sarneys.
Acredito que não há demérito nenhum em dizer “não conheço esse tema, será se dava para você falar um pouco mais?”. Na verdade, é bem melhor do que sair falando barbaridades sobre estados e pessoas que nem sabe onde fica e nunca visitou, apesar de já ter ido a Paris e a Disney. Afinal, o Estado de uma pessoa não é só aquilo que você teve que decorar na aula de Geografia, o Estado de uma pessoa é de onde ela vem, é onde estão os seus amigos de infância, a sua família, é de onde vêm as pessoas com quem ela se sente mais a vontade e é de onde se ela teve que sair foi porque, como disse o Luiz Gonzaga, teve que pegar “o último pau-de-arara”.
E, assim, meu Estado não elegeu Feliciano, a filha de Garotinho, Eduardo Cunha, Maluf, Tiririca, Russomano, Fraga entre outros grandes políticos sucesso de votos. Tiramos os Sarneys. Talvez não estejamos tão mal assim.
Hein Hein, bando de qualhira! Fica mangando dos outros, arrumando cascaria, depois pega um bogue ou leva uma chuchada e fica todo escangalhado! Aí eu vou ver ficar arriliado. Ninguém aqui é seus pareceiro não!

E sai o meu primeiro livro!

Lembro que um professor da universidade dizia que a gente ficava meio besta quando folheava um livro recém-publicado. Achei que só um idiota falaria algo como aquilo para outras pessoas com o intuito de se amostrar.
Hoje confesso que estou meio besta folheando esse livro recém-publicado e tenho a certeza que aquele professor continua um idiota, só que por outros motivos.
Se alguém me perguntasse que quando embarquei, há quase dez anos atrás, no que seria mais um intercâmbio como qualquer outro, se eu saberia que hoje eu teria impresso meus relatos, lógico que eu não saberia. No começo era para ser um flogão (isso, sou velho mesmo), depois evoluiu para um blog zoeiro e depois para um blog com um pouco mais de seriedade para o que posteriormente seria um livro.
 Talvez esse seja o meu primeiro passo para a Academia Brasileira de Letras (pombas, se até o Sarney e o Merval Pereira conseguiram, porque eu não?), para um prêmio Jabuti ou no final seja só uma resposta para o“E aí, como foi a sua viagem para a Austrália?”.
Confesso que esses dias vinha um pouco desempolgado com a publicação desse livro “Será se vai ser legal?”, “Será se alguém vai querer ler?” “Será se só meus amigos mais próximos vão fingir que gostaram?” – acho que são as perguntas que todo mundo se faz com um livro. Eu lia as histórias e as achava de péssimo gosto e sem graça. Comecei a me questionar se até mesmo valia a pena pagar esse mico. “Poxa, as história de volta ao mundo estão muito mais interessantes! Tem descrição dos lugares, da sociedade, da cultura, da política, da religião… Esses relatos da Austrália não tem nada disso, é só um bando de história boba com um humor adolescente. Será se vale a pena mesmo a impressão?” – era o que eu me questionava antes de imprimir. Estou tão inseguro que só imprimi vinte volumes.
Até que um dia desses qualquer, um amigo veio falar comigo no bar ´caraca, Maranhão, aquelas tuas histórias da Austrália são muito engraçadas! Que pena que depois você parou de ficar postando presepadas e deu para ficar descrevendo “Ah, a sociedade indiana é desse jeito” “Ah, a economia do Camboja funciona assim” achando que seu blog era Wikipedia. Isso é muito chato! O que eu gostava mesmo era de rir da sua cara quando você se ferrava!”.
Estava aí acabada a minha curta carreira de imaginar que estava contribuindo em algo para a sociedade e lançado o meu livro presepeiro da Austrália.

Vou Guguzar! Agora é um olho e meio no Ibope e meio olho na qualidade! Rebola Malandrinha! Uba uba ê!

Segue o prefácio:
“Era para ser apenas mais uma viagem de intercâmbio. Acreditou que a vida seria fácil, mas vivenciou todas a dificuldade e agruras de um imigrante em um país estranho. Lavou carros sob os gritos da máfia eslovena, viu sangue jorrar de suas mãos em uma cozinha de de beira de esquina, descarregou sofás em armazéns, lavou pratos, caminhou kms com mais de 10 kgs de panfletos nas costas, fez entregas, carregou placas de gesso com brutamontes ensandecidos, descarregou carretas e carretas, se desesperou devido ao aluguel e até pulou de janelas à la Seu Madruga para fugir do pagamento… Tudo em um espaço de seis meses. As presepadas, que suplantaram em muito suas pequenas vitórias, são narradas com um humor ácido próprio, com o desespero de um jovem de 21 anos, sozinho, a 13 horas de distância de qualquer conhecido e que se apegava às palavras para esquecer os problemas de uma realidade que lhe levou a viver, literalmente, um dia de cada vez. Apanhou, sofreu, quase foi preso algumas vezes, curtiu, riu, e, acima de tudo, teve uma experiência de vida inesquecível. Coloque o seu mundo também em uma mochila!”
Galera, quem quiser o livro,  me manda um e-mail no brejador@yahoo.com.br que eu vou anotando os nome, quando eles chegarem, eu entro em contato!
Abraços,
Claudiomar
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Viajando por Galápagos – Por cima d´água

Uma parte boa de ter pego o cruzeiro Encantada foi que, me conhecendo bem, dificilmente eu teria saído atrás de fazer outros tipos de observações que não mergulhado e ido atrás de peixes. Fazendo os passeios em terra firme, eu pude ter um pouco mais de contato com outros animais que não teria só mergulhando.

Passeando em terra firme, pude ver, rapaz, nunca vi tanto leão marinho na minha vida. Se no cais eles pareciam ser muitos, nas praias eles eram pragas!! Leões marinhos para todos os lados! Além deles também vimos bastante gaivotas, iguanas, iguanas marinhas (Galápagos é o único lugar onde existem iguanas marinhas, elas efetivamente nadam e se alimentam dentro d´água) e uma ave especial, espécie de gaivota que tem os pés em um tom de azul simplesmente muito bonito! Outra característica delas é que os machos fazem uma dancinha para atrair as fêmeas onde eles ficam mostrando os seus pés azuis. Gaivota ostentação.

Você não pode sair por aí simplesmente caminhando por qualquer lado em Galápagos, existem trilhas que você pode seguir e sempre é acompanhado por um guia. Vez ou outra em algumas das trilhas acontece de ter um bicho perdido ou até mesmo um ninho. Em uma situação como essas, não tem conversa, a trilha acaba ali.




Leão Marinho trollador. Nadando como se fosse um tubarão…


Nossa mesa de jantar no barco

Alemão gente boa que acabei ficando amigo. Engraçado que um dos caras da tripulação não acreditava que ele fosse alemão e ficava insistindo que ele era colombiano. Realmente, é só ver a cara dele para perceber que o cara tem mó pinta de colombiano e não de alemão

 







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Lobos marinhos e pássaros do pé-azul de Galápagos

O bom de ter pego a excursão no “barco pesqueiro” foi que nosso grupo era bem pequeno. Éramos doze turistas. Em doze acabamos ficando bem amigos e podíamos observar melhor a natureza sem tanta gente ao redor. Algumas vezes observamos a galera dos barcos maiores descendo e era aquela cena de excursão da CVC, um bando de tia gorda, americanos com suas barrigas imensas e menino correndo e gritando, o que acabava por espantar os animais.

A primeira coisa que mais te impressiona em Galápagos é como os animais parecem não ter medo de você. Existe uma regra em que você não pode se aproximar mais do que um metro de cada animal, regra que é exaustivamente repetida e, se for necessário, gritada pelo guia. Essa regra existe porque os animais estão tão acostumados com a presença humana que se você rolar por cima de um leão marinho, acho que é possível ele não fazer nada. As tartarugas, você nada por cima delas e elas não se assustam, se não fosse tão ruim para ela, daria até para segurar no casco e pegar uma carona. E assim são os peixes, as aves e tudo o mais.

Aquela hora que você manda uma foto para zoar os seus amigos, pois você está de férias e eles não, e é zoado de volta

Tem tantos lobos marinhos, eles são praga, que algumas cidades tem cercas para eles não andarem pelas ruas

Tem tantos peixes que dá para vê-los por cima da água

O mais engraçado dos leões-marinhos é como eles se comportam quando a gente tá fazendo snorkel. Primeiro que eles são tão grandes que você quando os olha de relance, imagina que seja alguém fazendo snorkel. Segundo que eles são meio territorialistas. Às vezes você está ali, nadando na boa e eles vem nadando em sua direção como quem diz “qual é”. Cara, pode parecer besteira, mas dá um medo danado, porque eles tem dentes afiados e, bem, na água eles são bem mais fortes e rápidos que você. Teve uma vez que um deles chegou tão perto de mim que consegui olhar dentro da pupila dele. Não deixa de ser uma experiência legal, mas mente quem diz que não sente medo, pois eles são bem grandes.

O snorkelling foi algo realmente incrível, de longe o melhor que eu já tenha feito na vida. Consegui ver tubarões, arraias e até, veja você, pinguins. Sim, porque Galápagos tem a particularidade de ter pinguins tropicais, que em algum momento em suas longas viagens, pensaram, “Porque diabos eu vou ficar viajando até o outro lado do mundo e voltar para o frio se aqui eu posso ficar no sol o ano inteiro, comendo peixes adoidado e, ainda por cima, sem predadores?”. Teve um snorkelling que fizemos que quando pulamos na água eu realmente fiquei com medo de quicar dado o tanto de peixes que tinham abaixo. O mais legal é que teve uma hora que eu tava dando um mergulho, tava a uns oito metros de profundidade nadando entre os peixes e só escutei um barulho “Buuuummmm”, mas parecia uma bomba. Foi peixe para todo lado. Quando fui ver, era ave marinha que tinha mergulhado e subia com um peixe no bico. MMUIITOO IRADO! Além da vez que eu vi um pinguim nadando, tentei sair nadando atrás dele e comecei a escutar uma gritaria. Quando vi era a galera da areia me xingando porque eu tava espantando o pinguim. Cara, como eles nadam rápido…

Olha o tanto de leões marinhos pelas praias que passamos
Esses pássaros do pé azul são como um símbolo de Galápagos. Se liga como são bonitos os pés deles

A única parte ruim foi que agora eu fiquei com mais vontade ainda de voltar aqui para mergulhar. Vou acabar ter que dando meu jeito para poder conseguir a grana. Alguém aí querendo alugar um maranhense por um mês?

 

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Entre Iguanas e Equatorianos

O motivo da minha viagem ao Equador era Galápagos, porém escolhi viajar por Guayaquil porque era mais perto que Quito. Como os voos só saíam pela manhã, tinha que passar uma noite por aqui e resolvi que, bem, se já estou em Guayaquil, porque não dar uma volta? Fui dar uma volta pelo centro da cidade, o que achei bem bonitinho. Pelos lugares que passei, a cidade era bem arrumadinha e com policiamento ostensivo.

Na verdade, na verdade, confesso que minha preocupação inicial não era nem de passear, mas de comer uma refeição, já que fazia quase dois dias que eu não comia comida de verdade, leia-se arroz! Saí procurando um restaurante de comida chinesa (fica a dica aí, o lugar mais fácil de se conseguir arroz quando se viaja é sempre um restaurante de comida asiática) e saí passeando pelo “Malecón” que é uma orla que eles fizeram ao redor de um rio. Passear pelo Malecón enquanto eu farejava arroz foi bem agradável, pois o lugar era vivo, com várias crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Depois de um tempo, achei um restaurante que servia tipo uns pratos feitos e não tive dúvidas, aqui é meu lugar!
Está decretado o melhor trocadilho já feito com a Argentina!

Cheguei, negociei com o garçom se ele trocava um dos dois pedaços de carne por uma porção de arroz e ele, meio que sem entender, aceitou. Juro que meu prato ficou que nem o da foto abaixo.

Depois de matar a minha saudade do arroz, fui bater uma foto da Catedral de Guayaquil. Quando chego na pracinha em frente, aquela cena bucólica se fazia presente: crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Porém, essa praça tinha um quê de diferente. Ao invés dos velhinhos estarem alimentando os pássaros com pipoca, eles alimentavam as… Iguanas? Sim, isso mesmo que você leu! Caraca, eu nunca tinha visto isso!! A praça era APINHADA de iguanas de todas as formas e tamanhos e a meninada com os velhinhos as alimentando com restos de fruta. Gente, espera aí, alimentar pássaro até vai, mas iguana é um dos bichos mais asquerosos que existem na terra! Você, por exemplo, você espera que aquela mina dos seus sonhos crie um poodle ou um gatinho e não uma iguana!! Mas tava lá, todo mundo feliz dando comida para aqueles bichos asquerosos tendo ao seu redor várias placas escrito “não alimentem as iguanas”, “não toquem nas iguanas” e uns guardinhas gritando “puxa o rabo dela” para as crianças. Logo de início deu para ver que regras estabelecidas não eram muito o forte da cidade. Bem, nunca pode-se ter tudo. Pelo menos lá há iguanas!

A noite eu tava tão baqueado de não ter tido uma cama para dormir nas últimas 30 horas que tudo o que consegui fazer quando cheguei ao albergue foi desmaiar na cama. No outro dia tinha que chegar com duas horas de antecedência para pegar o voo, já que antes de voar para Galápagos você paga várias taxas diferentes e tem a sua bagagem inspecionada, o que leva algum tempo. Depois disso, só alegria!

Não, não havia iguanas no aeroporto!

GALÁPAGOS

A semente para minha viagem a Galápagos foi plantanda durante a minha viagem a Los Roques.Lá mergulhei com um cara que havia sido mergulhador durante alguns bons anos em Galápagos e fiquei fascinado com as suas histórias de jamantas de sete metros, cardumes de tubarões martelos e tubarões-baleias e outros seres fantásticos. Pensei que o meu próximo ponto de mergulho iam ser nessas ilhas.
Comprei a passagem aérea com algumas milhas que haviam me restado, como já expliquei, e comecei a procurar como fazer a minha viagem a esse Eldorado do mergulho. Primeira coisa que descobri era que essas ilhas boas para mergulho eram bem afastadas das principais ilhas de Galápagos. Logo, se quisesse me deparar com os relatos do mergulhador, deveria ter que pagar um cruzeiro que iria navegar pela noite para chegar lá. Era impossível fazer uma viagem ida e volta das ilhas principais no mesmo dia, o pacote mais curto era de oito dias. Ironia da vida, eu havia comprado uma passagem para passar sete dias em Galápagos. Não sei se no final fiquei triste ou não com isso, haja vista que o cruzeiro mais barato custava a bagatela de 4.000, reais?, não, DÓLARES!!! Tá certo que não é uma grana impossível de juntar, mas com certeza iam me custar algumas outras viagens. Mas, como todos diziam, era uma viagem para uma vez na vida.
O problema era que todos os outros cruzeiros já começavam na casa dos 2500 dólares. Isso sem mergulho de cilindro nem nada, cinco dias e só os passeios e a comida no navio. No final, acabei seguindo o conselho de um amigo de uma amiga que me sugeriu um cruzeiro em um barco com um nome sugestivo “Encantada”. O negócio devia ser encantado mesmo, porque enquanto todo mundo cobrava acima de 2500 dólares para cinco dias, o barco cobrava 1500 dólares para seis dias. Só a metade do preço. Fiquei um pouco preocupado com isso, mas é difícil possuir bom senso e pensar racionalmente quando se há 1000 dólares em jogo. Ainda que servissem pedra nas refeições, valeria a pena era bom que eu emagrecia…

BARCO ENCANTADA

Fomos ser pegos no aeroporto pelo guia do barco. No caminho fui conhecendo o pessoal que ia viajar comigo. Todo mundo gringo e, tirando a tripulação, eu era o único latino do barco. Já no porto, quando íamos pegar o bote para poder ir ao barco, já começamos a ter uma noção do que era Galápagos. Havia leões marinhos por todos os cantos, mas assim, todos os cantos mesmo. Na escada que dava acesso aos botes tinham dois dormindo, o que nos obrigava a desviar.

Leões marinhos em uma “praia” de Galápagos
Barco abandonado que hoje serve de “casa” para leões marinhos
Filhote de leão marinho brincando com nossas mochilas

A galera toda, lógico, curtindo e batendo fotos dos leões e todo mundo curioso para saber qual seria o nosso barco. A gente foi passando pelos barcos e só observando. No caminho alguém foi lá, apontou e disse: – Nossa, ia ser engraçado se nosso barco fosse esse. Enquanto todos os outros barcos eram gigantescos, pareciam iates mesmo, novinhos em folha, o que ela apontou parecia um barco pesqueiro velho em direção ao ferro velho. Rapaz, mas foi a menina terminar a frase pro bote virar pro lado e a tripulação vir nos dar as boas-vindas no barco que ela tinha dito que ia pro ferro velho. Mas, cara, sério, parecia cena de desenho animado.
Mil dólares mais barato, mil dólares mais barato… – era o mantra que eu repetia em minha cabeça ao subir no barco enquanto eu pensava porque eu sempre na minha vida tenho que ser tão mão-de-vaca!

Jogo dos sete erros. Encontre nosso barco
Mas até que nosso barquinho ficava bonito no pôr-do-sol, não?

UMA SEMANA BRINCANDO DE CRISTOVÃO COLOMBO

A primeira impressão de todo mundo variou da “pior possível” para “me leve de volta para o aeroporto”. Porém ficou só nisso mesmo. Logo que o guia veio falar com a gente, vimos que de ruim mesmo só a carcaça do barco. Cara, a tripulação era muito gente boa e, rapaz, a comida era incrivelmente bem preparada. Achei que ia comer cacto misturado com sopa de pedra (mil dólares a menos, mil dólares a menos), mas na verdade fomos bem servidos todos os dias, principalmente com peixes e saladas muito bem preparadas. De sobremesa, sempre um balde de frutas. Sempre que voltávamos dos passeios, já tinha um lanchinho nos esperando, variando entre frutas tropicais, empanadas e até mesmo pipoca =)  Nunca comi tão saudável por uma semana em toda minha vida.
Quarto que eu dividia com o alemão embaixo
O guia falava inglês, era super gente boa e prestativo. Todo jantar ele dava um briefing do que iríamos fazer no dia posterior e sempre falava “todo mundo no bote às oito da manhã, horário de Galápagos”. O que seria “horário de Galápagos”? Bem, levando em consideração que estávamos na América do Sul, eu acreditava que horário de Galápagos era algo como meia hora depois do marcado. Rapaz, mas se ele marcava as oito, dez para as oito lá tava ele com aquele sininho maldito gritando “Todo mundo no barco, todo mundo no barco”! Rapaz, mas era pior que horário alemão!
Vista da janela que eu acordava todos os dias

A única parte que eu achei ruim mesmo foi só o fato de ficar seis dias embarcado, cara, é ruim demais. Ficar uma semana embarcado em um transatlântico, é de boa, você sente como se tivesse em casa, mas o barquinho da gente era muito pequenino e balançava demais! Não tive enjoos, mas a noite, quando o barco efetivamente viajava entre as ilhas e entrava em mar aberto, rapaz, o que era aquilo!!! Sério, a primeira noite você acha que vai morrer e só falta pedir uma corda para amarrar você em sua cama! Sem brincadeira, parecia uma montanha-russa de forma que nem do lado de fora do barco a tripulação gostava que a gente ficasse, pois eles ficavam com medo de, em um momento de desatenção, alguém fosse jogado para fora do barco. TENSO!! Além disso, como disse, o barco era bem pequenino, os quarto eram minúsculos e o banheiro, sem brincadeira, devia ter uns dois metros quadrados. Chega uma hora que você meio que enche o saco de ficar apertado o dia inteiro. Se bem que, quando desembarcávamos, tudo isso era esquecido.

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Classe executiva cof cof cof

Encurtando uma história longa, tinha comprado duas passagens por milhas na Avianca que acabaram dando errado. A Avianca me devolveu todas as milhas que eu havia comprado e, sem o voo direto Bogotá-Brasília que a Avianca tirou, estava me angustiando, dia após dia, ter uma cambada de milhas sem saber o que fazer com elas. Resolvi tirar do bolso o velho sonho de ir a Galápagos e vi que havia uma passagem de Executiva que encaixava certinho no meu calendário. Tá certo que eram duas passagens virando uma, mas valia pela experiência de viajar de Executiva que todo mundo falava tão bem. Comprei, porém saindo de SP. O último voo que consegui saindo de Brasília chegava em Guarulhos as 19h, sendo que meu voo era no outro dia as 06:20 da manhã, beleza, vamos lá, tudo para viajar por executiva.
Notícia ruim: Meu voo era no outro dia às 6 da manhã
Notícia boa: A sala VIP era 24 horas e com cerveja a vontade \0/
Nunca esperar um voo fora tão divertido!!! Quando cheguei no aeroporto, descobri que teria acesso a duas salas VIPs, uma por causa do meu cartão de crédito e outra por causa da passagem. Para nenhuma das duas salas se sentirem desprestigiadas, tomei um banho na sala VIP da Gol e resolvi ficar na sala VIP da Avianca, já que a outra tinha tanta gente que parecia uma farofada e eu, bem, eu nasci para ser croissant, não rosquinha Mabel. E ainda por cima viajaria de Classe Executiva. Cof cof cof
Cheguei, liguei meu computador, peguei a minha cerveja (gente, as salas VIPs tem cerveja ilimitadas!!!) e fiquei na internet. Cara, você pode ser o lorde inglês que for, mas depois de quatro latinhas na cabeça e muito sono, tenho certeza que acaba que nem eu, dormindo no sofá. O melhor era que o lugar era mó chique, todo mundo de roupa social e eu, descalço, com meu agasalho do Brasil dormindo no sofá no melhor estilo albergue da Prefeitura.
Quando foi umas quatro da manhã, acordei e fui despachar a minha bagagem. Qual não é a minha surpresa quando descubro que, como já havia passado pela imigração, teria que cancelar a minha imigração para poder sair e despachar a bagagem. De boa, como eu faço isso? – É só ir falar com o Policial Federal que está de plantão. Huá huá huá – dizia a terceirizada com risos maquiavélicos enquanto entrelaçava os dedos da mão. Cara, na boa, eu tenho certeza que ele tava dormindo e isso me deixava com mais medo. O cara ia acordar só por causa de um maranhense corno que queria despachar uma bagagem. Achei que ele já ia sair de lá me xingando, mas ele foi super gente boa!
Despachei a bagagem e quando fui para sala de embarque, olhei aquela raça de pobres, de todos os credos, cores e tamanhos se amontoando na fila da terceira classe, enquanto eu tinha um tapete vermelho para mim, afinal, eu era classe executiva. Cof cof cof.Quando entrei, imaginei o que seria essa dita “Classe executiva, cof cof cof”. Ela era… era… era… nada mais que um banco um pouco mais largo e mais espaço para pernas. Nada demais.Achei que haveria algo de outro mundo, algo como um show privado do Cirque du Soleil ou uma banheira do Gugu com a Luíza Ambiel só para mim, mas que nada. Basicamente você paga, em promoção, o valor de duas passagens para uma e no final não tem nada demais, até a comida não tinha nada de especial.
Eu na Classe Executiva da Avianca

Não sei vocês, mas eu, como sou pequeno, meio que sambo no banco da classe econômica e viajo de boa, nunca que eu pago novamente para poder viajar de Executiva. Isso é coisa de gente fresca que precisa pegar uma daquelas viagens de ônibus São luís – Brasília ou São Luís – São Paulo para saber o que é reclamar da vida. Para mim só valeu a pena mesmo ver a cara de desgosto do pessoal engravatado quando eu entrei todo mulambo, de chinela, para pegar o meu assento. Devem ter pensando “Maldito governo que dá dinheiro para pobre. Esse aí com certeza juntou o Bolsa Família de cinco anos para poder comprar essa passagem…”

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Mergulho e cenotes – México

O México tem um dos mais famosos pontos de mergulho no mundo: a Ilha de Cozumel. Costumava ser só uma ilha de pescadores, mas depois que Jacques Costeau visitou a ilha e fez um documentário sobre os seus recifes, ela virou um ponto de mergulho mundial. O mergulho é efetivamente bem bonito, apesar de eu não ter visto tanto peixe como em Arraial do Cabo e Los Roques. Na verdade, o snorkel que fiz em Akumal foi mais legal (caraca, vi quatro arraias e nove tartarugas!!!), mas a transparência da água em Cozumel impressiona.
Apenas uma dica que eu dou. Se você está indo a Cozumel, não pegue, DE FORMA ALGUMA, nenhum snorkel tour. Cara, eu sei que snorkel tour não é aquela maravilha, mas em Cozumel foi o mais próximo de inferno que eu pude presenciar na minha vida. É gente para todo lado, eles te deixam quase nada no lugar para snorkel e você quase não consegue ver os peixes, já que o barco e o bando de tias gordas os espanta.
Porém, existe outro tipo de mergulho no México que eu não conhecia e que eu sugiro a todo e qualquer ser humano ir, ainda que só snorkel: os Cenotes.

 

Coco Bongo em Cancún. Umas das melhores baladas do mundo
Acredita que no banheiro do albergue tinha uma banheira?
O mergulho dentro deles é mais ou menos como mergulhando dentro de uma caverna, porém  é interessante porque em vários momentos há infiltração de água salgada que quando se mistura com a água doce faz um efeito  na água, mais ou menos como se tudo ficasse embaçado do nada, além de que a água é muito limpa!
Mas o que mais me encantou no cenote, foi um mergulho que fizemos em um lugar chamado Angelita. Sabe o encontro do Rio Negro com Solimões? Onde você vê a água de dois rios bem separadas? Pois é, nessa caverna há um desses, porém a quarenta metros de profundidade. Nas fotos fica parecendo o chão, mas na verdade aquilo é uma nuvem dentro d´água. O instrutor falou para gente que iríamos descer todos juntos, ia ficar um pouco escuro, mas depois iríamos nos encontrar lá embaixo, pois a nuvem só tinha dois metros e abaixo dela era tudo límpido. Quando entrei na nuvem, foi aquele breu! Não consegui ver ninguém e comecei a ficar desesperado. Parecia que eu só descia e nada acontecia. Só quando chequei a minha profundidade, que vi que estava nadando na mesma altura sempre, tamanha a minha confusão e a falta de um referencial. Fiquei parado, fui descendo e quando vi tava todo mundo lá embaixo. Nunca tive tanto medo para descer dois metros.
Cenote
Entrada dos Cenotes

 

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Museu da tortura da Cidade do México

(No museu não era permitido tirar fotos, portanto todas as imagens que aqui estão eu tirei na internet, fora, claro, as fotos que nada tem a ver com tortura)

Trança de Palha

Entre os vários museus que havia na Cidade do México, um me chamou a atenção em particular e resolvi dar uma passada lá antes de pegar o meu voo, o Museu da Tortura. Foi muito interessante ver até que ponto a criatividade humana poderia ir para infligir dor e sofrimento nas pessoas.

O Museu iniciava citando como era o“julgamento” da Inquisição, que era, por si só, parte do show. A pessoa chegava ao julgamento já considerada culpada, a única função do inquisitor era extrair informações que corroborassem a acusação. Podia extrair confissões a base de tortura ou de falsas promessas de concessão de graças ou perdão.

O que me impressionou foi que várias daquelas torturas não infligiam dor alguma, eram apenas adereços que eram colocados nas pessoas para humilhá-las perante toda a comunidade. Se hoje uma menina de interior fica “falada” se sai pegando muita gente, imagina isso quinhentos anos atrás. Um dos adereços era uma trança de palha que era colocada nas cabeças raspadas de meninas solteiras que ficavam grávidas. Elas eram obrigadas a vesti-las e ficarem sentadas na frente das igrejas aos domingos, momento de maior movimento possível no povoado.

Segundo o Museu, houve uma mudança na concepção de como infligir a tortura. Antes a tortura era dolorosa e bem explícita. Ocorria em praças públicas ou obrigava pessoas a usarem estacas, objetos pontiagudos e afiados ao redor de suas cabeças durante dias, infligindo, assim, medo e terror e servindo como um exemplo para que todos vissem. Basta lembrar que Jesus teve que usar uma coroa feita de espinhos e carregar a sua cruz enquanto era chicoteado. Hoje o conceito de tortura é algo mais implícito, com uma grande preocupação em não deixar marcas. Pode até ficar uma marca ou outra, mas nada que se compare a Idade Média onde a intenção era justamente essa. Isso deve-se a um amadurecimento da sociedade humana, que hoje condena a tortura e portanto não é interesse de nenhum regime ser associado a isso. Por mais assassino que um ditador possa ser, ele nunca irá admitir que em seu regime a tortura seja política de estado, mas sim obra de alguns poucos psicopatas. Os militares brasileiros, por exemplo, não reconhecem que houve tortura durante o seu regime, por mais impressionante que isso possa ser, apenas dizemque isso ocorria em uma outra delegacia, tal qual os dias atuais.Outro instrumento que muitos julgam como de tortura e, segundo o museu, não era, é o cinto de castidade. Segundos o museu, esta história de que os maridos colocavam cintos de castidade nas mulheres quando iam viajar por longos períodos não passa de balela. Um cinto desses usado por meses, sem retirar para limpá-lo ou algo assim, facilmente levaria a infecção e morte da mulher. Na verdade, o cinto era utilizado como uma forma de proteção das mulheres contra o estupro. Geralmente elas vestiam voluntariamente quando viajavam sozinhas, quando seus maridos viajavam e elas ficavam em casa sem nenhum homem ou quando havia aquartelamento de soldados em seu povoado. O fato de ser voluntário, de forma alguma retira o caráter da violência contra a mulher, na verdade o enfatiza, dado que as mulheres se violentavam a si mesmas, se autotorturavam, para não serem estupradas. Segundo o museu, o uso do cinto chegou até próximo dos dias atuais, pois há relatos de senhoras sicilianas e espanholas ainda vivas hoje que chegaram a utilizá-lo.

Vista do quarto de hotel que fiquei um dia inteiro escrevendo e descansando da pauleira da viagem

Outras torturas me chamaram a atenção pelo caráter demorado que levavam a morte, como ferver os pés da vítima, serrá-la de ponta cabeça (de forma que a oxigenação continuasse irrigando a cabeça durante um bom tempo) ou simplesmente colocar a vítima em uma jaula deixando-a morrer de fome e apodrecer no meio da praça da cidade. Isso tudo pode parecer algo meio cruel, mas não consigo imaginar um cara como o Bolsonaro condenando atitudes como essas.

Venezuelanos protestando no meio de uma praça da Cidade do México
Cozumel

Nerdolândia no meio da Cidade do México
O cara tem que ter um estômago de gladiador para enfrentar uma butica dessas


Galera treinando bateria de escola de samba no meio da praça de Cozumel

Mas para mim o mais legal do museu, mesmo, foi que você fica lá, lendo sobre sangue, sofrimento, tortura, destino dos infelizes e atrás fica tocando um canto gregoriano na maior calma do mundo, parecendo até que você tá dentro de uma igreja. Vontade maior de associar tortura a uma instituição, é impossível.

Por último, o museu também falava de alguém que é meio esquecido quando se fala em tortura: o carrasco ou o torturador, que na Idade Média eram quase a mesma coisa. Tal profissão logicamente era muito mal-vista e muitas vezes desempenhada por etnias “inferiores” (como os ciganos na Turquia) ou era algo como um trabalho passado de pai para filho. Achei interessante o relato de  que quando um desses carrascos foi questionado por Napoleão III se ele não se sentia mal em desempenhar tão desprezível profissão ele respondeu que apenas executava as leis que os governantes elaboraram. Então, os políticos, sim, eram os principais carrascos.

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