Perambulando por Damasco – O maior restaurante do mundo

Depois da aula de capoeira, só demos uma volta por Damasco e fomos dormir. No outro dia de manhã, Matt foi me apresentar a cidade. Saímos andando pela belíssima Damasco que, sempre bom reiterar, é ocupada há mais de cinco mil anos.

Arco romano em Damasco

O primeiro lugar que fomos não podia deixar de ser a Grande Mesquita de Damasco, a Mesquita Umayyada . Diz a lenda que o califa al-Walid mandou erguer a mesquita para que os muçulmanos não se deixassem vislumbrar pelas diversas igrejas erguidas e existentes ao redor de Damasco. A mesquita é realmente GIGANTESCA e muito bem elaborada, uma construção extremamente imponente.


Mesquitas não são apenas para se rezar, como demonstra nosso amigo nessa foto…

Tirei foto de uma das minaretes porque achei interessantíssimo o nome que deram a ela. A minarete se chama “Jesus”.

Sim, o mesmo Jesus Cristo tão importante para os católicos. Caso eu ainda não tenha explicado, assim como os cristãos acreditam que vários profetas vieram antes de Cristo (como Abraão e Moisés), os muçulmanos também acreditam e respeitam Cristo como um dos grandes profetas que trouxeram a palavra de Deus para a Terra. Para eles Adão, Noé, Moisés, Abraão e Jesus foram grandes profetas, mas, claro, Maomé foi o maior e mais importante. Falo isso pra demonstrar como o islamismo pode ser uma religião mais próxima à nossa do que podemos imaginar.

Dentro da mesquita há um túmulo que eles alegam ser de uma pessoa bem importante pra nós também. Jonh Lennon? Claro que não! João Batista!! O homem que batizou Jesus nas águas do Rio Jordão! Interessante, né?

Do lado de fora também há a alegada tumba de Saladino, um dos maiores heróis para os islâmicos, pois ele conseguiu unir todos os árabes sob o seu comando e lutou contra os cristãos que haviam tomado a Terra Santa, Jerusalém, dos árabes durante as cruzadas. Saladino marchou com os árabes unidos e mandou os europeus de volta à sua casa devolvendo Jerusalém ao domínio islâmico, o que acabou perdurando por centenas de anos. Ah sim, Saladino não era árabe! Saladino era curdo! Mesmo assim hoje ele conhecido como um dos maiores heróis para os árabes hoje! Saddam Hussein evocava o nome de Nabucodonosor e o de Saladino quando convocava os árabes para a batalha contra o “Grande Império Americano”. Acredita-se que Saladino esteja enterrado ali do lado de fora da Mesquita também.

É meio complicado descrever como é caminhar pela cidade. Você se sente meio que caminhando há uns mil anos atrás devido as ruas serem extremamente estreitas e as casas ainda serem construídas de pedras como há milhares de anos atrás. É uma experiência sem igual!

Maior santuário Xiita de Damasco

Depois que andamos bastante, pedimos um lanche e ficamos sentados na calçada conversando. Depois de algum tempo puder percebe que havia DEZENAS de crianças andando pelas ruas extremamente bem arrumadas e com brinquedos novos, se divertindo por todos os lados. Algumas delas pareciam realmente desfilar pelas ruas com as suas roupas que você claramente via que tinham sido recém-compradas.

Desde cedo a meninada já ganha presente de macho!!

Perguntei o que estava acontecendo ao Matt e ele me explicou que o Ramadã estava terminando exatamente no dia em que passeávamos por Damasco. O Ramadã é um mês de muitas privações (cara, não deve ser fácil ficar o dia inteiro sem comer nada e, principalmente, sem beber nem um gole d’água) e quando ele acaba as pessoas que realmente o seguiram a risca ficam extremamente gratificadas de terem feito esse esforço em amor a Deus. Devido a isso, celebram bastante mais um mês de dever cumprindo e com isso trocam presentes e saem às ruas para poder celebrar. Algo como o nosso Natal, com a diferença que ninguém nem lembra mais porque celebramos o Natal e quem foi o “barbudo encrenqueiro”, com algumas palavras cafonas como paz e amor entre os homens, que nasceu nesse dia… As crianças com seus brinquedos novos saem para ficar brincando e os “homenzinhos” saem as ruas com suas roupas novas para “se amostrar” pras meninas. Mais ou menos o que aos doze anos você fazia no sábado quando ia ao shopping com os amigos pra poder falar com as minas (pelo menos no Maranhão, heheh). Isso demonstra que árabe ou católico, a gente “sabe mesmo o que a gente quer”…

Igreja Cristã no meio do centro de Damasco

Mas a hora que eu mais esperava estava pra chegar. Estava pra ficar de noite. De noite? Pegar balada? Não! O Matt havia me prometido que de noite iríamos para o MAIOR RESTAURANTE DO MUNDO!! Huá Huá Huá (risadas maquiavélicas). Ãhn? Como assim? Que pegadinha é essa? Não, sério! Tou falando sério! O maior restaurante do mundo fica na Síria, não sabia não? Pois é, eu havia lido isso na BBC Brasil um ano antes de começar a viajar e fiquei com isso na cabeça durante um bom tempo!! Sim, cara! Na entrada tem um certificado do Guiness Book e tudo!

Falo desse restaurante no próximo post…

Aviso aos navegantes

Galera, esses dias a minha vida tá uma correria danada… O meu concurso vai já rolar e cada dia que passa acaba ficando mais apertado pra mim. Vou tentar fazer um post novo amanhã, mas não prometo.

Sério, tou voltando fazer os posts mais bem elaborados e isso tá me tomando um tempo danado, hehehehe.

Enfim, como um pedido de desculpas a vocês posto o vídeo da nova estrela do momento Jef Jay e as interpretações de música “do momento”. Reparem na calha de pneu e na vassoura atrás dando o toque final no cenário do cantor…


Em Damasco, Síria – Servicio del Taxi

Depois de tudo que eu narrei, parecia que tudo ficaria mais fácil depois que eu chegasse em Damasco, certo? Bem, é lógico que não, amigo! Tudo só tinha a piorar. O turco que havia me ajudado a atravessar a fronteira acabou ficando numa cidade antes de Damasco e eu fiquei sozinho. Só eu e Deus (ou só eu e Alá, se preferir) pra poder chegar no couch que eu iria ficar. Logo na hora que eu desci do ônibus, eu comecei a pensar: se numa cidade como Brasília já é difícil achar alguém que fale inglês, como será na capital de um país completamente hostil aos EUA? Pois é, amigo, LOGICAMENTE ninguém falava inglês pelas ruas de Damasco.

Trânsito caótico em Damasco

Desci na estação de ônibus e comecei a matutar como DIABOS eu faria pra poder chegar no bairro que o cara havia me falado que era pra eu ir. Eu tinha o nome do bairro anotado em um pedaço de papel, mas já no primeiro taxista eu vi que até isso seria um problema. Ele não conseguia ler o que havia escrito, afinal, é sempre bom lembrar que o alfabeto árabe é diferente do nosso. Só depois de muito tempo e de várias vezes eu ler em voz alta pra ele, ele conseguiu entender pra onde eu queria ir. Pedi pra ele me levar pra um albergue, mas mais uma vez ele não entendeu e eu acabei desistindo de falar com ele.

Depois de alguns minutos em que eu tentava desesperadamente alguém que pudesse me levar ao menos para um albergue qualquer na cidade (em albergues as pessoas SEMPRE falam inglês), tive contato pela primeira vez com um dos meus mais sérios problemas que eu pude enfrentar por TODOS os países árabes que pude visitar. Na Síria então… Imagina… O país faz parte do eixo do mal e, dia após dia, recebemos notícias da Síria relacionados a terrorismo. Tudo só podia piorar. Enquanto estava tentando falar com os taxistas um soldado (sim um SOLDADO, com roupa camuflada e tudo, não um policial) fortemente armado e com um fuzil começou a vir na minha direção e começou a gritar e chamar a minha atenção. Pronto, era só o que me faltava! Além de NINGUÉM conseguir falar comigo, eu não ter a mínima ideia de como chegaria na casa onde eu devia ir, só faltava essa. Só faltava eu ser preso apenas pelo fato de estar andando pela rua sem fazer nada. Essas coisas só acontecem em países assim mesmo.

E QUANDO VOCÊ ACHA QUE NADA PODE PIORAR…

Se bem que, se eu fosse preso, até resolvia meu problema. Preso eu não teria que me preocupar com casa e comida. A Síria gentilmente me hospedaria.

Como estava sem escolha e, como já havia dito em um post passado, o homem com o maior rifle sempre tem a razão, fui à sua direção pra ver de qual era. Quando cheguei pra falar com ele, logicamente, ele não falava inglês. Depois de algumas mímicas minhas e dele e de eu apontar para o papel que havia escrito o nome, ele percebeu que eu precisava de ajuda. Pediu que eu o acompanhasse e me levou pra algo parecido com um posto policial (mas com soldados dentro dele) onde vários outros estavam dentro. Depois de algum tempo falando em árabe com a soldadesca um dos soldados meio que falou pra ele que sabia falar um pouco de inglês e começou a falar comigo. Bem, “falar” é uma maneira boa de dizer, o soldado que veio falar comigo sabia falar “my name is… I’m from Syria… hot dog… Michael Jackson” e coisas assim. Ainda assim era melhor que um outro lá que, quando eu falei que era do Brasil, ele tentou falar em espanhol comigo. Mas o mais engraçado é que o cara só sabia falar “servicio del taxi” e ficava repetindo isso toda hora. Cara, tava engraçado a parada lá. Um virava pra mim e fica falando: “Hot Dog, Manchester United, George Bush, I’m from Syria…” enquanto eu virava para o outro e ele ficava repetindo: “Servicio del Taxi”… “Servicio del Taxi” sem parar. Pensei: “Pô pelo menos o sistema educacional aqui ensina melhor inglês do que espanhol, pelo menos o que sabe falar alguma coisa em inglês sabe falar algo mais do que “Taxi Service”. Isso me lembrou um post dos EUA…

E eu fiquei naquela situação que se eu pudesse filmar, renderia MUITAS risadas no Youtube. Sério, até hoje quando eu lembro do cara repetindo “Servicio del Taxi” que nem uma vitrola quebrada, eu fico rindo sozinho.

Enfim, depois de um tempo um dos caras do posto do Exército teve uma ideia que salvou o dia. Ele perguntou se eu tinha o telefone do meu amigo. Eu falei que tinha em algum lugar na bolsa e fui lá e achei. O senhor “Hot Dog” me levou a uma lojinha onde um cara alugava o celular dele para chamadas. Ele meio que desenhou no papel e eu pude compreender que um minuto custava algo como um dólar. Do jeito que eu tava desesperado eu pagava era DEZ! Ele ligou pro cara que ia me oferecer o couch e enfim pude ouvir a voz do Matt. Salvou minha vida. Expliquei pra ele a dificuldade que estava tendo e ele me pediu que eu passasse o telefone ao soldado que ele iria explicar o que eu estava precisando. Eles conversaram em árabe por um instante e depois de um tempo o árabe passou o telefone pra mim. O Matt falou que o soldado havia pedido para que o Math pedisse desculpa a mim por ele, pois parecia que eu havia ficado assustado quando fui abordado pelo primeiro soldado (ah, sim, claro, até porque no Brasil a coisa mais comum de acontecer é você estar andando na rua e, de repente, aparece um cara com roupa camuflada e começa a gritar em sua direção. Eu sou muito idiota de me assustar mesmo…). Ele explicou que o soldado tinha me chamado apenas porque queria me ajudar, pois é o que eles sempre fazem quando aparece um gringo perdido na rodoviária. O Matt me explicou também que o soldado ia me colocar em um táxi, ia explicar pro taxista onde eu estava indo, que eu deveria pagar tanto (eu realmente não lembro quanto paguei) e caso o taxista tentasse me cobrar o dobro do preço pela corrida (gente, eu falei, taxista é filha da puta em qualquer país) era só eu voltar lá no posto policial que a casa ia cair pro lado do taxista. E real? Eu tenho tanta raiva de taxista que eu seria capaz de pagar um outro táxi, ida e volta da casa do Matt, só pra ver o soldado dando uma bolachas na cara do taxista se ele me roubasse. Nossa, acho que não tem nada mais relaxante do que ver uma cena dessa. Se ele me deixasse dar umas no taxista então…

Tecla PAUSE

E sim, esse foi um dos principais “problemas” que eu pude ter em todas as minhas viagens pelos países árabes. Como os caras são solidários com as pessoas que estão no meio da rua sob dificuldade. Esse foi só o primeiro exemplo e muitos outros virão como vocês poderão ver. Acho que os caras são tão esculachados na mídia internacional que eles se esforçam ao máximo pra que tenhamos uma boa impressão deles quando formos embora.

Tudo isso que eu tou falando, claro, não estão inclusos os taxistas pois, como falei várias vezes, não há raça mais FILHA DA PUTA que taxistas. Isso em QUALQUER lugar do mundo. E olha que eu tenho moral pra falar disso…

Tecla PLAY

DISCUSSÃO DO SOLDADO COM O TAXISTA. SIM, ERA O BEM CONTRA O MAL!

Eu e o soldado fomos na direção de um taxista e o soldado começou a explicar pra onde eu tava indo. Depois de um tempo pude perceber que o soldado começou a falar de uma maneira mais ríspida com ele e que ele tava botando o bicho pra cima do cara. Deu pra perceber que ele falava algo do tipo: “Se tu tentar tapear esse aí, a casa vai cair…”

Foto das ruas de Damasco. Repare na foto do galazão no alto do edifício

O taxista se viu meio aperriado e eu vi que ficou meio preocupado com com o soldado falando com ele, mas resolveu me levar, afinal, o homem do rifle sempre tem razão. No caminho me deixou em casa de boa e eu, meio que com pena dele, ainda dei uma gorjeta por ele não ter me roubado. Tá, eu sei que ele não me roubou por causa do soldado, mas enfim, eu prefiro acreditar que ele era honesto.

COUCH (HOSPEDAGEM) EM DAMASCO

Quem me hospedou em Damasco foi o Matt, um cara muito gente boa. Ele é inglês e estava vivendo na cidade para poder aprender árabe, idioma que falava muito bem. Eu, claro, cheguei acabado na casa dele. Pô, não havia dormido em Antália (saí direto da balada pra rodoviária), não consegui dormir no ônibus apesar do trajeto de 15 horas, dormi por algumas poucas horas num banco de metal na rodoviária e depois peguei mais 10 horas de viagem até Damasco. Ele, claro, foi bem compreensivo quando falei isso:

– Pô, cara, foi uma batalha pra chegar aqui, né? – Matt me perguntou.
– Rapaz, foi…
– Ah, mas tá de boa, eu tenho algo que você vai gostar…
– Uma cama bem confortável?
– Não, claro que não, descansar você descansa quando chegar no Brasil. Vamos, eu tou indo pra uma aula de capoeira agora e você VAI comigo.

Matt com algumas crianças no centro de Damasco

CAPOEIRA EM DAMASCO – TREINANDO NO RAMADÃ

Bem, ele não estava perguntando se eu queria ir com ele não. Ele estava AFIRMANDO que eu iria com ele. Depois de toda essa epopéia tudo o que eu mais queria era ter que ficar pulando de um lado pro outro e levando umas bolachas numa aula de capoeira.

Mas não teve negociação. O cara REALMENTE me pegou e me fez ir com ele pra essa aula de capoeira.

No final até que foi interessante. Pô, cara, imagina a experiência de jogar capoeira num país como a Síria? Muito da hora!!!

Cara, foi muito louco!! Pra começar havia uma bandeirona imensa do Brasil na porta da academia. Lá dentro mais uma bandeira brasileira com uma da Síria do lado. O professor e vários dos alunos deles falavam português fluentemente. O professor me contou que havia morado na Bahia e que lá havia se graduado. Apesar de estarmos em um país completamente distante do Brasil, as cantigas que todo mundo cantava eram todas em português e o nome dos golpes também. Era engraçado ver os árabes tentando cantar em português.

Quando eu cheguei e eles souberam que eu era brasileiro… Ixi, mas foi aquela festa. Pediram pra eu traduzir algumas das cantigas, ensiná-los a cantar e coisas assim. CLARO que depois de algumas conversas eles quiseram que eu jogasse capoeira e alguns até me desafiaram. Cara, só uma observação aqui. Viajar no exterior sendo brasileiro é legal, mas também tem seus ônus. Pombas, cara! Às vezes tem gente que acha que por sermos brasileiros, viemos com o pacote completo. Não raro o cara fala: “Ah é brasileiro? Sabe dançar samba então? E capoeira? E futebol? E Percussão? E salsa…” e por aí vai. Eu infelizmente só tenho programado a função “samba”, “futebol” e “salsa” (isso pq eu aprendi salsa enquanto viajava)… Pois é, ainda me meti a besta e aceitei um desafio. Depois de levar duas rasteiras, as pessoas constataram o óbvio: Eu realmente não manjava NADA de capoeira. Não me restou outro opção a não ser ir pra ala dos iniciantes e passar vergonha durante o resto do treino.

No meio do treino eu ainda saí pra tomar um gole d’água, mas fui recriminado por todos que estavam no salão. Depois o professor foi me explicar, em português, que eles estavam no Ramadã e nenhuma daquelas pessoas ali dentro podia colocar qualquer coisa dentro do corpo entre o nascer e o pôr-do-sol. Água inclusive. Na hora lembrei da Turquia e como as coisas lá são um pouquinho diferentes…

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Síria

A Síria é um país árabe incrustado no meio do Oriente Médio e que faz fronteira com o Líbano, Israel, Turquia, Jordânia e Iraque. Possui uma população de aproximadamente 20 milhões de habitantes (só a título de comparação, a região metropolitana de São Paulo possui quase isso). Foi colônia da França após o esfacelamento do Império Otomano e obteve a sua independência no ano de 1946.

Desde a sua independência, a Síria vem enfrentando vários períodos de instabilidade. Sucessivos golpes militares e guerras com Israel trouxeram o caos para o país que só pode desfrutar de alguma estabilidade sob o domínio de um regime forte e sanguinário. Não por coincidência o partido que detém o poder na Síria desde 1963 chama-se Baath, o mesmo partido da era de Saddam Hussein. Sim, isso mesmo que você leu. Assim como existem vários partidos sociais-democratas no mundo, há vários países do Oriente Médio que são ou já foram governados pelo partido Baath, que dentre outras esculhambações era o partido do grande estadista Saddam Hussein (sim, estou sendo irônico). E não fica só na semelhança do nome não, cara! Bicho, é impressionante a semelhança entre o Iraque que a gente estava acostumado a ver na TV e a Síria que eu pude ver quando cheguei por lá. É impossível andar pelas ruas de Damasco sem se deparar com a foto de Bashar al-Assad, “presidente” da Síria desde a morte do seu pai em 2000. O culto à personalidade é um aspecto marcante do seu regime e cada esquina que você vira, pode se deparar com a foto do galã, com cara de Jaiminho do Chaves, sorrindo pra você e te olhando como quem diz: Eu sei de todos os seus passos, portanto mantenha-se na linha! Falar mal desse “presidente” pode custar a sua vida e portanto ninguém se atreve a isso.

A Síria, juntamente com o Irã, é hoje uma das maiores dores-de-cabeça pra Israel. Todos os levantes palestinos que ocorreram contaram com o apoio da Síria que da maneira que dava fornecia armas para os palestinos da Cisjordânia. Durante muitos anos também ocupou o norte do Líbano a pretexto de “prover segurança” aos libaneses que sempre se encontravam em um quebra-pau diferente (se não era com Israel, era entre eles mesmos).
Ninguém é bobo de acreditar nessa “boa vontade” dos sírios. Ficou claro que tudo o que os sírios queriam era uma plataforma para lançar ataques ao território de Israel, já que Israel, pra se proteger, anexou as Colinas de Golã (uma cadeia de montanhas intransponíveis e que oficialmente é fronteira natural entre Síria e Israel), praticamente impossibilitando os sírios de efetuar ataques do seu território. Bombardear Israel deve ser legal, agora imagina se você pode fazer isso da casa dos outros? Pois então foi isso que a Síria durante um bom tempo, sob apoio do Irã, fez, através do lançamento de foguetes Katyusha. Até que o pau comeu de vez e Israel mais uma vez invadiu o pobre do Líbano em 2006, mas isso eu vou deixar pra falar mais quando escrever sobre o Líbano.

Cara, a Síria é um país que desde a entrada você começa a sentir o choque de realidade que é estar neste país. Pra começar, as estradas se resumem a areia pra todo lado!! Você olha pra um lado é deserto, olha pro outro é deserto também! Impressionante! Eu ficava pensando que deve ser muito fácil construir estradas por lá, afinal, o país inteiro é todo plano! Outra coisa interessante é que todas as construções parecem possuir a mesma cor. Se liga nessa foto que eu vou mandando pra vocês!

Vista de Allepo, segunda maior cidade da Síria
A sua capital, Damasco, é belíssima e reclama para si o posto de cidade mais antiga ocupada continuamente. O que isso quer dizer? Bem, com certeza existiram cidades mais velhas que Damasco, mas nenhuma existe até hoje. As outras duas cidades que clamam por esse título são Jericó (que fica na Palestina) e Biblos (fica no Líbano e também tive a oportunidade de visitar). Bem, se não é a mais antiga, há pelo menos a certeza que Damasco é a capital mais antiga do mundo, com uma vida estimada de quase 5000 anos. Basta apenas lembrar que a Mesopotâmia, berço da civilização moderna era no Iraque há apenas algumas centenas de quilômetros de Damasco.

A cidade é fascinante e andar pelas suas ruas, seus mercados, seus bazares faz você se sentir como se estivesse há mais de 2000 anos atrás. As ruas são estreitas e sinuosas, as pessoas gritam nas ruas tentando vender os seus produtos.
A Síria, além da sua exuberante capital, também possui GIGANTESCAS fortalezas da Idade Média. Elas são dos tempos da reconquistas da Terra Santa pelos cruzados da Europa. Devido a seu posicionamento estratégico, diversas cidades da Síria foram tomados pelos cavaleiros medievais e eles, devido a grande distância entre a Síria e a Europa, não viam outra opção a não ser construir grandes fortalezas para se proteger dos árabes que estavam doidos pra passar na faca os cristãos. Eu tive a oportunidade de visitar uma dessas fortalezas quando fui à cidade de Aleppo, mas isso também é motivo pra outro post.

Fortaleza de Aleppo

Post que vem falo sobre as perambuladas por Damasco e também como foi o meu couch.

Preso na fronteira da Turquia com a Síria

Amigos,

Como havia prometido há uns posts atrás, posto agora o video que fiz assim que soube que não havia mais ônibus para Damasco e que eu deveria dormir uma noite dentro da rodoviária de Antákia. Infelizmente a imagem não ficou muito boa, já que estava muito escuro do lado de fora, mas acho que vale a pena o vídeo para ouvir minhas palavras e ver o estado de ânimo que eu me encontrava naquele momento. Cara, vou te dizer, foi angustiante saber que eu deveria dormir naquela rodoviária. Mas enfim, acabei saindo vivo e chegando são e salvo na Síria. Hoje eu revejo esse vídeo e dou valor em ter uma cama quente pra poder dormir todas as noites, hehehehe.
Amanhã tem post novo,
Abraços maranhenses

Comentários Comentados

Esses dias eu fui abrir a minha caixa de e-mail e percebi que havia quase VINTE e-mails que eu havia separado pra poder fazer a sessão “comentários comentados”. Caraca, acho que é bom eu começar a respondê-los. Vamos lá, vamos começar:
1 – Anônimo perguntou:
Maranhão

Quando vc estava em varsóvia, onde dormiu?
A polaquinha não deu abrigo para vc?
R – Cara, assim, o “abrigo” que eu gostaria MESMO que ela me desse quando eu estava na Pôlonia realmente acabou não ocorrendo, mas se você fala “abrigo” no sentido de casa ou teto pra ficar, não foi necessário. Nesse um mês que eu fiquei em Varsóvia eu estava dormindo na casa da Karolina, uma amiga minha polonesa que eu havia conhecido na Austrália e que foi personagem de histórias engraçadíssimas que ocorreram comigo como nesses posts aqui, aqui e aqui.

2 – Otávio perguntou:
Cludiomar,

Estou pensando em ir pra India e janeiro e passar uns 25 dias por lá. Eu tava pensando em visitar Delhi, Agra,Fathepur Sikhri, Jaipur e Varanasi. Vc tem algum “guiazinho” q vc preparou desses lugares (tipo o q fazer, onde comer, onde ficar…) q vc possa compartilhar. Se tiver, me avisa q te dou meu e-mail…

Abraços

Otávio
R – Cara, enquanto eu estava viajando na Ásia eu comprava livros-guias mesmo, pois os caras batiam xérox dos originais e vendiam MUITO barato pra gente. Mas posteriormente eu comecei a utilizar mais foi o Wikitravel.com mesmo. Esse site da internet semelhante à Wikipedia é uma mão-na-roda pra quem anda viajando. Bicho tem informação sobre quase todas cidades do MUNDO INTEIRO, explicando onde ir, onde ficar, onde comer e etc. Quer ver? Coloque a sua cidade no www.wikitravel.org e vê o que aparece! É impressionante!
Dessas cidades que você falou eu só não fui em Sikhri e Fathepur. Todas as que você quer viajar são muito interessantes e valem a viagem, apesar de eu achar que em nenhuma delas é necessário ficar mais do que duas noites pra poder curtir legal. Se pudesse eu sugeriria a você que fosse a Goa e também a Amritsar no norte da Índia, dois dos locais que eu mais gostei de visitar.
3 – Anderson Weimar comentou:

po cara.

vamos sentir muita falta da loirinha que te safou pacas viu?

se nao fosse por ela o que seria de vc hein?

hauahuahaua
cara sou seu fã incondicional.
serio mesmo.
desde que eu conheci o blog alguns meses atras toda vez que entro na net leio um pouco.
e toda vez é todo dia mahhh.
sou do ceara e tenho mo vontade de fazer isso que vc fez.
quem me apresentou o blog foi uma ex(que deus a tenha).
mas pra alguma coisa a bichinha serviu.
hahauahauah
(ela ainda vive).
mas maluco é serio.
se peder mandar uma braço p esse seu fã agradeçoo.
anderson weimar
R – Hum… Um abraço pra você, Anderson Weimar???
Gente, eu tou me sentindo no programa da Xuxa: Eu quero mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe… Hahahahaha
4.1 – Camila perguntou no post sobre “Antália”:
Maranhão, e como ficam as mulheres nesse país moderno? Contaí, porque pensei em viajar pra esses lados, mas tenho medo.
4.2 Paulistana fez uma pergunta parecida no post sobre Istambul:
Cara, tenho horror a barganha, a ficar lá horas falando e rebatendo preços, gosto é de ver logo o produto etiquetado num preço justo!

Isso foi o que mais amei no Canadá, lá o preço era um só pra todos. Agora um cara me puxar pelo braço pra entrar na lojinha, ficar perguntando quanto quero pagar, ficar querendo discutir o preço… nossa, é pedir pra eu ir embora.

Mas enfim, adorei o post!
Agora deixa eu te perguntar Claudio, sempre tive um pé atrás com a Turquia porque tenho a impressão que lá os caras são meio doentes por mulher. Eu até tenho um amigo turco que é gente boa e não me olha como se fosse um pedaço de carne, mas já ouvi tantas histórias de umas minas horrorosas que foram pra Istambul (via couchsurfing) e só caras respondiam os tópicos pra sair, caiam matando em cima, convidando pra passear no carrão deles, pra se hospedar na casa deles…etc. Confirma?
R – Camila e Paulistana, várias meninas sempre vem falar comigo com essa preocupação e com esse receio de viajar sozinhas, se isso não é perigoso ou algo do tipo. O que eu vou responder pra vocês é o que eu sempre respondo quando sou confrontado com este tipo de pergunta: Perigoso é o Brasil! Se vocês sentem receio de serem estupradas, atacadas, surrupiadas ou o que for, sintam isso no Brasil!! Em nenhum dos países por onde viajei me senti com aquela sensação que temos no Brasil que a qualquer momento podemos ser assaltados, roubados ou algo assim. Tirando uma outra mina mais espevitada que olhava esse “pedaço de mau caminho” aqui não tive problemas maiores. O que eu escuto muito são as minas reclamando quando viajam na Índia, na Turquia e em países árabes de caras o tempo todo dando em cima delas. Mas é de boa, você apenas fala um não que os figuras já seguem o caminho deles e param de lhe importunar. Muito melhor do que aqui quando você sai nas baladas e não-raro os caras ficam puxando vocês pelo braço. Mas como eu já falei nesse post aqui, cenas no mínimo “exóticas” podem ocorrer.

5 – Anônimo perguntou:
Vc comia muito mal na Turquia?

Qual país vc comeu melhor?

abraços
R – Cara, na Turquia eu não comia muito mal. Primeiro que eu quase sempre cozinhava em casa quando estava em Istambul e Antália, mas além disso, a Turquia é a terra do Kebab, ou do churrasco grego como conhecemos aqui no Brasil. Putz eu curtia DEMAIS comer isso por lá.

E o país que eu comi pior? Bem, cara, acho que a dobradinha Nepal-Índia é insuperável. Mermão!! Saca só essas histórias aqui e aqui e tire as suas conclusões…

Antákia

Antákia

Era chegada a hora mais temida: enfrentar 25 horas de ônibus de Antália até as longínquas terras de Damasco, na Síria. No começo fiquei até um pouco preocupado com o tempo que iria gastar, mas depois pensei, sossegado, eu já tive algumas experiências parecidas no Brasil. Já havia pegado 54 horas de São Paulo a São Luís de ônibus e 36 de Brasília a São Luís também de busão. Ah, quer saber? eu achava que realmente estava preparado.
Lenda… O que faltou eu lembrar era que eu viajaria em dois países completamente exóticos onde NINGUÉM falava inglês pelo caminho. Poucas pessoas conseguiam ao menos falar algumas palavras e às vezes me explicar o que estava havendo. Mas enfim, as informações de que eu necessitava eu já tinha: não era preciso pagar nenhuma taxa pra sair da Turquia e o visto pra Síria, apesar de necessário, poderia ser tirado na fronteira do país. Entrei no busão e segui viagem.
Eu não entendi direito o que eu deveria fazer pra poder ir de Antália para Damasco, mas pelo que pude entender do inglês sofrível do carinha da rodoviária (lá pelo menos é sofrível, será se alguém sabe falar ao menos “hot dog” nas nossas rodoviárias?) eu iria pegar um busão até uma cidade chamada Antákia na fronteira da Turquia com a Síria. Lá minha viagem terminaria e posteriormente deveria comprar uma passagem de Antákia à Síria. Beleza, tudo certo.
A única parte engraçada foi quando o busão fez uma parada e eu desci pra poder tirar uma foto. Achava que a parada seria de mais ou menos meia hora. Não foi, a parada era de 15 minutos, mas acabou sendo de 30 minutos porque o busão ficou esperando eu aparecer e um bando de turco queria me descer o cacete quando eu acabei voltando. Além disso também teve um turco reclamando ao motorista pq eu estava viajando sem os meus tênis (pombas, todo mundo faz isso, não? Quando você entra pra viajar, a primeira coisa que faz é tirar os tênis e ficar só de meias, não? Bem, parece que na Turquia não é assim).

Enfim, 15 horas depois eu chegava à Antákia achando que já estava tudo resolvido. Era só descer do busão e comprar a passagem pra Damasco. Ledo engano. Cheguei na cidade pela noite. Aquilo era um mal presságio. Antes mesmo de descer do busão, vi um turco que sabia falar algum inglês que começou a me ajudar. O cara era realmente MUITO gente boa! Primeiro ele me falou que naquela rodoviária eu não conseguiria ônibus para Síria. Que eu precisaria ir para a outra rodoviária já na fronteira e que de lá eu conseguiria passagem. Ele me levou até a outra rodoviária e, chegando lá, como eu já temia, soube que não poderia pegar um ônibus ainda aquela noite. Tudo o que você mais quer saber depois de 15 horas de viagem é que não há ônibus pro outro país. O próximo ônibus só saíria na manhã seguinte. Perguntei pra ele se ele conhecia algum hotelzinho onde eu pudesse passar a noite, ele me falou que até sabia de uns, mas não ia sair por menos de que 25 dólares a noite, fora o táxi. Como eu realmente não estava afim de gastar toda essa grana, ele me sugeriu que eu dormisse na rodoviária.
Aqui eu gostaria só de abrir um parênteses. Gente, uma das coisas que eu mais dou Graças a Deus hoje é o fato do Couchsurfing ter existido. Por quê? Bem, cara, além do fato de você poder conhecer MUITA gente legal, também tem o fato de que o Couchsurfing praticamente eliminou a necessidade que antes os mochileiros tinham de dormir em ruas ou em paradas de ônibus pra poder salvar um pouco de dinheiro. Hoje só sendo muito idiota ou não buscando as informações certas pra você um dia precisar dormir na rua. Eu, apesar de ter viajado o mundo inteiro com pouco dinheiro no bolso, nunca precisei me sujeitar a dormir que nem um mendigo, pois sempre havia uma casa confortável pra eu poder dormir. Hoje só dorme na rua o cara que quer tirar onda no Brasil falando coisas do tipo “Ah, eu viajei a Europa e dormir em trem. Dormia era na rua mesmo, não queria nem saber… Olha como eu sou foda e pá pá pá”. Pois é, foi a primeira e única vez na minha vida que eu precisei me sujeitar a isso. Procurei um banquinho da rodoviária e não tive outra escolha a não ser tentar dormir. Fiz até um videozinho que demonstra o meu estado de ânimo lá, o vídeo ficou MUITO bom, depois eu posto ele.
Fiquei quase doze horas nessa MALDITA rodoviária!
Cara, foi um inferno dormir. Banco de ferro e ainda tinha uns doidos fazendo bagunça e gritaria pela rodoviária. Só sei que dormi umas quatro horas. Depois de tirar essa verdadeira soneca, chegou um ônibus com uma galera vindo de Aleppo, uma cidade da Síria que posteriormente eu visitaria. Desceu um casal falando em inglês e eu fiquei trocando ideia com eles um tempão… O rapaz era turco, o que era excelente, já que ele falava um inglês perfeito e pôde me ajudar bastante a desenrolar os meus problemas na rodoviária.

Dormi em um banquinho no meio da rua só me lembrou essas duas aí do tempo da Austrália 😉

Acabou que meu ônibus ainda atrasou uma hora e eu fui sair dessa maldita rodoviária só meio dia. Mas enfim, tudo valia a pena pra poder conhecer a Síria.
Mais uma foto da Rodoviária de Antákia…

Espírito Empreendedor Turco – Como fazer a sua balada bombar

Marcamos de nos encontrar no albergue delas. Desci pra lá como combinado e começamos a procurar uma balada pra poder entrar. Descemos pro cais onde havia várias baladas diferentes e entramos na primeira que vimos. Não precisava pagar pra entrar.

Sentamos numa mesa e ficamos vendo de qual era da balada. Ficamos conversando um pouco. A balada chegava a ser engraçada se não fosse trágica. Só tinha homem pra tudo que era lado, todo mundo sentado e ninguém, absolutamente NINGUÉM, dançando. Claro que aquilo não seria um problema pra gente.
Enquanto estávamos sentados conversando sobre o que iríamos fazer veio um cara, que mais parecia um garçom, e perguntou se não queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de uns dez minutos voltou e perguntou se queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de mais uns dez minutos ele voltou e perguntou se queríamos algo e ficou nessa de dez em dez minutos. Me senti como nesse vídeo do Hermes e Renato abaixo:
Pra fugir do garçom mala, nos levantamos e fomos dançar um pouco. Cara, o que foi aquilo? A balada simplesmente PAROU pra poder ver as minas dançando. Elas também não contribuíam, né? Polacas, lindas, num lugar que só tinha homens de bigodes por todos os lados, elas dançavam de uma maneira muito sensual. Mermão, até eu parei um pouco pra ver. O que era aquilo, meu amigo? Por entre bigodes eriçados elas dançavam e rebolavam em frente a uma plateia que ia a loucura. Depois eu meio que fiquei de lado com vergonha dos caras ENCARANDO as minas sem parar. Me lembrou de uma foto célebre do tempo da Polônia.

Elas ainda por cima eram banqueiras. Toda hora iam no Dee Jay e pediam uma música diferente e quando ele não colocava, elas ainda iam reclamar. Enfim, acho que era o preço a pagar pra aquela balada ter um pouquinho de graça.
Depois de um tempo sentamos e começamos a conversar novamente. Adivinha o que aconteceu? Sim, eu tenho certeza que você já adivinhou:
– Deseja alguma coisa senhor?
– Rapaz, não, doido, obrigado! Eu REALMENTE não quero nada agora!
– Mas, você vai ficar aí sem consumir nada?
– Rapaz, pelo menos por agora sim, por quê?
– Porque você não pode fazer isso.
– Como assim?
– Você não pode ficar sem consumir nada.
– Uai, mas a festa não era de graça pra entrar?
– Sim, é de graça pra entrar, mas pra ficar tem que consumir algo.
– Tá, tá bom, eu consumo mais tarde.
– Não, senhor. Você tem que fazer um pedido.
– Uai, cara! Não tou te entendendo. Por que você tem que me FORÇAR a consumir algo?
– Senhor, como é que as pessoas fazem dinheiro no país que você vem? Meu patrão prefere não cobrar entrada, mas em compensação a única maneira de ele fazer dinheiro é assim. Quando as pessoas pedem uma bebida ou algo do tipo.
– Tá, se eu não pedir agora você vai me colocar pra fora, é isso?
– Provavelmente…
Levantei, fui lá onde as meninas estavam dançando e deixei ele falando sozinho.

Pensa que ele se fez de rogado? Naadaaa… Pegou as bolsas que as meninas tinham deixado na mesa e começou a levar na direção da porta. Eu não paguei pra ver se ele ia jogá-las pela porta ou não, mas pelo jeito que o bicho ia REALMENTE parecia que ele iria fazer isso. Pegamos as coisas delas e ele nos apontou a porta da rua. Simples assim. As ÚNICAS mulheres da festa foram expulsas porque não estavam consumindo nada dentro do bar. Tristeza geral entre os marmanjos que estavam lá dentro quando a atração estava indo embora. Pude perceber que espírito empreendedor não era lá o forte do dono da balada.
E lá vamos nós

Expulsos da balada, fomos procurar outro lugar. Paramos em um bar, dessa vez, por via das dúvidas, compramos logo uma cerveja e ficamos lá vendo que o iríamos fazer. Do nada um turco em uma outra mesa começou a gesticular um coração no ar e a gritar algumas coisas em turco apontando pra uma das meninas que estavam na minha mesa. Ele parecia querer dizer que estava apaixonado por uma das polonesas que estavam sentadas conosco. A gente tentou ignorar, mas o cidadão simplesmente não parava. Um peão de obras aqui era um lord comparado com o cara. O figura REALMENTE não parava e começou a ficar chato. Isso NO MEIO DE UM BAR LOTADO. Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que eles chegam em mulher na Turquia ou se de tanto as mulheres viverem cobertas, os caras quando olham uma mulher de saia simplesmente ficam mais loucos que o batman!
Enfim, como não podíamos ficar assistindo aquele show de desespero por uma mulher, resolvemos sair do bar antes que ele pegasse um tacape, desse na cabeça dela e a levasse arrastando pelos cabelos. Fomos para um outro bar e ficamos lá de boa. Do nada chegou um outro cara, mas dessa vez falando em inglês com a gente e sendo gente boa. Era o dono do bar.
O cara era REALMENTE muito sangue bom e virou nosso amigo. Depois de um tempo conversando, ele perguntou se não queríamos entrar na casa dele (o bar ficava nos fundos da casa dele) que ele queria nos mostrar algo. Eu não gostei dessa história de “vamos entrar aqui na minha casa”, fiquei com medo do cara querer fazer alguma maldade ou algo do tipo, mas as minas não tavam nem aí e foram logo entrando. Eu acabei tendo que ir mesmo.
Não era nada demais. Ele apenas foi mostrando a casa dele e no final mostrou uns gatinhos que a gatinha dele tinha acabado de parir. Claro que desmanchou o coração das minas, pois se tem algo que amolece coração de mulher é gatinho filhote sedendo de carinho. Ficamos conversando lá por um tempo e ele perguntou se não estávamos a fim de ir numa balada com ele. Eu mais uma vez fiquei escabreado e com medo de acordar numa banheiro de gelo com um rim a menos (pô, eu sou do Brasil, né, fera?), mas mais uma vez as meninas foram na frente e nem me deram tempo de titubear.

No final o cara levou a gente pra uma balada GIGANTESCA!!! Custava 30 euros pra poder entrar, mas ele nos colocou de graça lá dentro! O bicho era REALMENTE gente boa! A balada era coisa de outro mundo, o único porém é que já estava fechando. Ficamos curtindo um pouco lá até que deu umas quatro horas da manhã. Ficamos ainda dando um rolê, mas eu acabei indo embora e me despedindo das meninas e do cara, que, infelizmente, nem o nome mais eu lembro.
Noite surreal, amigo.
Voltei pra casa e comecei meus preparativos pra poder viajar Síria no outro dia.